Arquivo do autor:Wolney Marques Feres

Juro e renda menores e pandemia agitam mercado imobiliário

O mercado imobiliário e a construção civil vivem momento peculiar no Brasil.

De um lado, a crise sanitária despertou novos hábitos e necessidades de moradia, como a preferência por imóveis maiores para enfrentar o distanciamento ou a busca por aluguéis mais baratos em decorrência da perda de renda.

De outro, os juros nos menores patamares da história criaram terreno favorável à concessão de crédito e à reabilitação desse tipo de negócio como opção de investimento.

Com isso, passado o mês de abril –o fundo do poço da economia–, o mercado imobiliário não só começou a se recuperar das perdas registradas a partir da segunda metade de março como vendeu mais do que no mesmo período de 2019.

No segundo trimestre, quando o PIB caiu 9,7% (mesma queda registrada pelo setor de serviços), as atividades imobiliárias cresceram 0,5%. As vendas, por exemplo, avançaram 9,7% no período de abril a junho, segundo indicador da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

No segmento econômico (imóveis com preços mais baixos), o aumento foi de 31,8%. Isso porque, segundo Luiz Antonio França, presidente da Abrainc, o segmento de baixa renda é resiliente às crises.

Na outra ponta, as comercializações de imóveis de médio e alto padrão ficaram 37,6% menores no segundo trimestre deste ano ante 2019. Segundo França, esse segmento “balançou”, mas começa a ter uma melhora nas vendas.

“Com a taxa de juros a 2%, o investidor fica muito restrito, e o imóvel passa a ser interessante, com a perspectiva de valorização ao longo do tempo, além do desejo de morar melhor”, diz.

As mudanças de hábito decorrentes da pandemia, por sua vez, afetaram as preferências dessa nova demanda.

O distanciamento social e o trabalho remoto permitiram que muitos trabalhadores deixassem as grandes cidades –alguns em busca de tranquilidade, outros em busca de aluguéis mais baratos–, avalia a economista Juliana Trece, pesquisadora do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV.

Desde junho, aumentaram as negociações no interior e no litoral tanto para aluguel quanto para compra de imóveis, afirma o presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), José Augusto Viana Neto.

“O primeiro momento da pandemia foi de um baque grande, mas em abril já houve reação. Quem tem emprego com carteira assinada continua fazendo negócios”, diz.

A busca por casas fora das capitais também é uma tendência observada por Mickael Malka, presidente da inGaia. A empresa, que fornece tecnologia para o setor imobiliário, registrou um aumento de 25% nos fechamentos de contratos e de receita desde março.

O distanciamento social exigiu de imobiliárias e corretores a migração para o virtual –hoje são 7.200 empresas administradoras de imóveis no cadastro.

A movimentação positiva é percebida também por quem trabalha com imóveis usados e com outros tipos de empreendimento, como loteamentos. Até o Google recebeu mais buscas por termos como imobiliárias (+33,2%), classificados (+30,2%) e incorporadoras (+23,7%) no mês de agosto.

Na InstaCasa, que faz a digitalização de projetos para loteadoras, o crescimento foi de 20% desde abril, no embalo da fuga dos apartamentos. A empresa fornece um tipo de “apartamento decorado”, só que virtual e para casas que ainda serão construídas.

O custo menor do crédito deu a mais brasileiros capacidade de financiamento. Em julho, segundo a Abecip (associação das entidades de crédito imobiliário e poupança), houve aumento de 65% no número de contratos para compra da casa própria e avanço de 63,83% no volume de crédito concedido via SBPE, num total de R$ 8,1 bilhões.

Nas locações, houve aumento de 7,35% no total de contratos fechados. Segundo o Creci-SP, porém, o total de imóveis alugados que foram devolvidos ultrapassou em 38% o número de contratações. Na capital, foi mais do que o dobro.

Viana diz que há um aumento no interesse por imóveis fora da capital e longe da região central, onde os preços são considerados altos. “A gente vê um crescimento nas devoluções de locações e muita gente saindo das zonas centrais e indo para bairros periféricos, em busca de aluguel mais barato”, afirma.

“A pandemia afetou a vida de todas as pessoas, que viram a renda cair, muitas perderam o emprego, e iam acabar saindo do imóvel. Então, várias negociações foram feitas entre locatários e locadores”, diz Trece, do Ibre.

Já na construção civil, os avanços são tímidos. O fechamento dos plantões de vendas no início da pandemia derrubou os lançamentos. E, sem novos empreendimentos, não há início de obras. No segundo trimestre, a indústria da construção fechou com recuo de 5,7% no PIB.

Balanço da Abrainc mostra queda de 33,4% nos lançamentos no período de abril a junho.

O setor ainda se recuperava da crise anterior quando a pandemia começou, interditando a confiança em iniciar novas obras. Mesmo assim, há resultados positivos.

De janeiro a agosto, as vendas de cimento cresceram 7,5% ante o mesmo período do ano anterior, puxadas pelas reformas e pela retomada nas novas obras.

Basílio Jafet, presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação), diz que a expectativa é de retomada dos lançamentos no segundo semestre. Em julho, 2.015 unidades foram lançadas em São Paulo, avanço de 30% em relação ao que foi colocado no mercado em junho, mas ainda abaixo das 4.183 do mesmo período em 2019.

A partir da liberação para abertura gradual dos estandes de vendas, no início de junho, quem fez lançamentos diz ter conseguido bons resultados.

Mirella Raquel Parpinelle, diretora comercial da Lopes Imobiliária, diz que o resultado em julho foi histórico para a empresa em São Paulo e que o desempenho foi bom em todos os segmentos –o tíquete médio foi de R$ 450 mil.

Um dos lançamentos, um edifício de alto padrão com 144 apartamentos de 36 m² em Pinheiros, foi totalmente vendido em apenas um dia.

Fonte: www.selecoes.com.br

Venda de imóveis novos supera período da pré-pandemia

Público que mais tem procurado residência nova é o que possui renda entre R$ 7.875,01 reais e R$ 13.492,00 reais

Pequenas, médias e grandes construtoras alcançaram em agosto resultados melhores que os registrados em fevereiro de 2020, no período anterior ao da pandemia de COVID-19. As empresas com faturamento até 9 milhões de reais viram suas vendas crescerem de 39% para 80%. Já as com faturamento entre 9 milhões de reais e 100 milhões de reais tiveram um salto de 68% para 92%. Melhor ainda tem sido o desempenho das que faturam acima de 100 milhões de reais. Para essas, o crescimento saiu de 84% para 97%, na comparação entre o final de fevereiro e os números de agosto.

Imóveis que tenham varanda que possam abrigar um home office são os preferidos pelos compradores  Crédito: Pinterest

Imóveis que tenham varanda que possam abrigar um home office são os preferidos pelos compradores Crédito: Pinterest

 

O público que mais tem procurado imóveis novos é o que possui renda familiar entre R$ 7.875,01 reais e R$ 13.492,00 reais. Esse comprador revelou uma mudança de hábito na escolha de sua nova residência: não dispensa a varanda com multifunções, e que possa abrigar, inclusive, um home office. É o que mostra a 4ª rodada da pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, que desde março analisa o comportamento do mercado imobiliário ao longo da pandemia. “Devemos esse crescimento ao fato de que as pessoas, obrigadas a ficarem reclusas em casa, começaram a ver a necessidade de mudança de imóvel”, avalia o economista Fábio Tadeu Araújo, que coordena o estudo.

De acordo com o levantamento, que ouviu consumidores nas cinco regiões do país, em agosto, 40% dos entrevistados manifestaram a vontade de adquirir apartamentos ou casas novas. Desse percentual, 32,5% já estavam no mercado à caça de oportunidades. Com isso, a intenção de compra atual está perto de retornar ao patamar pré-pandemia, quando o indicador estava em 43%. Os dados da pesquisa também mostram que 15% dos entrevistados apontaram que o isolamento interferiu no estilo de imóvel desejado. Por exemplo, 19% responderam que não comprariam uma unidade sem varanda.

Disposição dos bancos privados em baixar juros do crédito imobiliário reforça bom momento do mercado

Outro estudo que vai ao encontro do que detectou a 4ª rodada da pesquisa da Brain Inteligência Estratégica é o realizado pelo Banco BTG Pactual. Os analistas da instituição financeira entendem que o cenário positivo para as construtoras brasileiras está ainda mais reforçado, principalmente depois que os bancos privados decidiram competir com a Caixa Econômica Federal pela oferta de crédito imobiliário com juros baixos. A mais recente iniciativa foi do Itaú Unibanco, que anunciou uma nova linha atrelada à remuneração da caderneta de poupança.

financiamento corresponderá ao rendimento da poupança mais uma taxa anual de 3,99%, totalizando 5,39% ao ano. “Esse é de longe o financiamento mais barato que já vimos no Brasil, o que é definitivamente uma notícia positiva para o setor”, afirmaram Gustavo Cambauva e Elvis Credendio, autores do relatório divulgado pelo BTG Pactual. Os autores do estudo também entendem que, apesar do impacto causado pela pandemia, as construtoras tendem a fechar 2020 com solidez. “Acreditamos que as construtoras aproveitarão um ano sólido, com maiores vendas e crescimento da lucratividade”, finalizam.

Assista ao vídeo da Brain Inteligência Estratégica

Entrevistado
Reportagem com base na apresentação da 4ª rodada da pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, sobre o comportamento do mercado imobiliário na pandemia

Contato
contato@brain.srv.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fonte: https://www.cimentoitambe.com.br/

Não existe cidade inteligente sem cidadão inteligente

Conscientização do usuário é fundamental para que investimento em projetos sustentáveis não se perca

Para se manterem sustentáveis ao longo de seu ciclo de vida, os “prédios verdes” têm que seguir os parâmetros de manutenção definidos pelos certificadores. Além disso, a sustentabilidade das edificações passa por educar quem vai fazer a gestão dos prédios (síndicos e administradoras de condomínios) e quem irá utilizar o empreendimento (usuários). A mesma cartilha vale para projetos de cidades inteligentes.

“A conscientização do cliente é fundamental para que o investimento em tecnologia e engenharia para construir um edifício sustentável não se perca. Da mesma forma, não existe cidade inteligente sem cidadão inteligente”, destaca o engenheiro civil Fábio Villas Bôas, coordenador do Comitê de Meio Ambiente (Comasp) e coordenador adjunto do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP.

Construção sustentável é um equilíbrio entre engenharia, tecnologia e cidadania Crédito: Banco de Imagens

Construção sustentável é um equilíbrio entre engenharia, tecnologia e cidadania Crédito: Banco de Imagens

 

Sua fala ocorreu no webinar “Finanças sustentáveis: estímulos e barreiras para o setor imobiliário”, promovido recentemente pelo SindusCon-SP. O encontro debateu incentivos para as “construções verdes” e para as cidades inteligentes no Brasil. Foi lembrado que em países desenvolvidos os governos e o próprio mercado já incentivam projetos de edificações sustentáveis, dando inclusive subsídios tributários a quem compra unidades com essas características.

A Alemanha é um exemplo onde o crédito imobiliário é mais barato quanto mais sustentável for o edifício. Villas Bôas afirma que o ideal é que o Brasil siga na mesma direção. “Falta uma legislação sobre isso, mas já existem alguns grupos de trabalho propondo que se exijam parâmetros de sustentabilidade, o que fará a diferença para as gerações futuras e para a própria economia do país”, diz.

Setor brasileiro está preparado para viabilizar projetos de construção sustentável

O dirigente do SindusCon-SP lembra que, do ponto de vista técnico, o setor brasileiro está preparado para viabilizar projetos de construção sustentável. Porém, segundo ele, falta conscientizar parte do segmento. “Essa conscientização abrange as grandes empresas formais de engenharia. O que necessita é incentivar as pequenas construtoras a se capacitarem e a projetarem dentro dos conceitos de edificações sustentáveis. Não precisa muito, mas pensar em painéis solares e sistemas economizadores de água já seria um grande avanço”, avalia.

Fábio Villas Bôas avança na sua análise ao citar que a construção formiguinha – aquela que geralmente não utiliza projeto, não contrata engenheiro civil ou arquiteto, e que utiliza modelos arcaicos de construção – tem um impacto muito grande na conta da construção sustentável no Brasil. Sob esse aspecto, cita que os agentes financeiros podem ter papel preponderante para mudar o cenário. “Quem empresta dinheiro para reformas ou construções de casas pode definir novos critérios. Por exemplo, amortizar as prestações se a obra adotar minimamente conceitos de sustentabilidade”, sugere.

Ele ainda salienta as vantagens de se projetar e construir pensando em preservar recursos como água e energia elétrica, por exemplo. “Se um projeto não economizar nos 20%, que equivalem à construção, vai gastar mais nos 80%, que representam a operação da edificação. Edificações sustentáveis, geralmente, se pagam em no máximo 4 anos”, assegura.

Assista ao vídeo do webinar promovido pelo SindusCon-SP

Entrevistado
Reportagem com base na participação do engenheiro civil Fábio Villas Bôas, coordenador do Comitê de Meio Ambiente (Comasp) e coordenador adjunto do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP, no webinar “Finanças sustentáveis: estímulos e barreiras para o setor imobiliário”

Contato
comasp@sindusconsp.com.br
sindusconsp@sindusconsp.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fonte: https://www.cimentoitambe.com.br/

Cingapura constrói prédio mais alto do mundo em pré-fabricado

Edifícios terão 56 pavimentos e empregarão a tecnologia conhecida por Construção Volumétrica Pré-fabricada

Cada prédio terá 1.074 unidades residenciais e nos andares 19 e 36 haverá grandes vãos para abrigar terraços verdes a céu aberto
 Crédito: ADDP

Cada prédio terá 1.074 unidades residenciais e nos andares 19 e 36 haverá grandes vãos para abrigar terraços verdes a céu aberto
 Crédito: ADDP

 

Duas torres residenciais, cada uma com 56 pavimentos, serão os prédios mais altos do mundo construídos com elementos pré-fabricados de concreto. Os projetos arquitetônicos e estruturais são do escritório ADDP Architects e a execução da obra acontecerá em Cingapura. Os edifícios atingirão mais de 200 metros de altura, contando hall de entrada, andares para área técnica e cobertura. Todas as peças para a montagem dos prédios serão fabricadas em ambiente industrializado e transportadas até o canteiro de obras.

Estima-se que a obra empregue 40% menos mão de obra que uma construção convencional. O projeto arquitetônico já contempla um novo modelo de construção em período de pandemia. “conceito live-work-play (viver-trabalhar-divertir) atende aquilo que as famílias buscam, que é estar em casa 24 horas por dia”, explica Markus Cheng Thuan Hann, sócio da ADDP Architects. Cada prédio terá 1.074 unidades residenciais e nos andares 19 e 36 haverá grandes vãos para abrigar terraços verdes a céu aberto.

Na construção dos prédios será empregada a tecnologia Prefabricated Prefinished Volumetric Construction (PPVC) (Construção Volumétrica Pré-fabricada). Diferentemente dos sistemas de pré-fabricação convencionais, em que após erguer a estrutura da edificação vem a etapa da montagem das paredes e depois se busca a fase de acabamento, na PPVC a construção é feita por módulos que se encaixam. Salas, quartos, banheiros, cozinhas, lavabos e áreas de serviço chegam montadas no canteiro de obras, incluindo instalações hidrossanitárias, elétrica, janelas e tratamento termoacústico das paredes.

“Cada módulo chegará 80% pronto no canteiro de obras, incluindo impermeabilização, azulejos, pintura, vidros, armários, encanamentos, eletricidade, escadas, fossos de elevadores e outras estruturas. Isso reduzirá muito o tempo de construção e também o desperdício de material. Além de assegurar melhor controle dos processos de produção e de logística. Também haverá um aumento da segurança no local da obra, pois a montagem dos edifícios minimiza a poluição sonora, o volume de poeira e também preserva a saúde no local da obra”, confirma Markus Cheng Thuan Hann.

Torre no Bahrein, com 165 metros de altura, é atualmente a maior com tecnologia pré-fabricada

Tecnologia Prefabricated Prefinished Volumetric Construction (PPVC) (Construção Volumétrica Pré-fabricada) utiliza módulos que se encaixam
 Crédito: Banco de Imagens

Tecnologia Prefabricated Prefinished Volumetric Construction (PPVC) (Construção Volumétrica Pré-fabricada) utiliza módulos que se encaixam
 Crédito: Banco de Imagens

 

As duas torres farão parte do condomínio Avenue South Residence e atendem a nova política habitacional de Cingapura, que determina melhora da produtividade da construção civil em 40%. Os edifícios não só se tornarão os maiores do mundo em construção industrializada do concreto como irão superar em altura o Clement Canopy, que tem 140 metros e atualmente é o maior da cidade-estado construído com a tecnologia de pré-fabricados. No mundo, o maior prédio erguido com esse sistema é o The Breaker Tower, no Bahrein, com 165 metros.

No ENECE 2019 (Encontro Nacional de Engenharia e Consultoria Estrutural) o engenheiro-projetista britânico George Jones, coordenador do GT 6.7 (grupo de trabalho) de Edifícios Altos Pré-Fabricados da fib (International Federation for Structural Concrete), disse que atualmente a tecnologia pode viabilizar torres com até 300 metros de altura, com ampla segurança.

Entrevistado
ADDP Architects (via assessoria de imprensa)

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admin@addp.sg

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fonte: https://www.cimentoitambe.com.br/

Mesmo com pandemia, vendas de imóveis caem apenas 2,2% no primeiro semestre de 2020 em relação a 2019

Número de unidades lançadas no primeiro semestre de 2020 foi 43,9% menor que no ano anterior. No mesmo período, vendas subiram nas regiões Sul, Norte e Nordeste. Previsão é de aumento substancial em lançamentos no 2º semestre.


Confira o vídeo da coletiva no YouTube.

Brasília, 24/8/2020 – O Brasil registrou uma queda de 16,6% nas vendas de imóveis residenciais novos (apartamentos) no 2º trimestre de 2020 em relação ao trimestre anterior. Embora as incertezas por causa da pandemia de covid-19 tenham interrompido uma tendência de crescimento que vinha desde janeiro de 2018, os impactos no mercado foram menores que os estimados anteriormente. Na comparação entre o 1º semestre de 2020 e o 1º semestre de 2019, as vendas caíram apenas 2,2%.

Os números fazem parte do estudo Indicadores Imobiliários Nacionais do 2º trimestre de 2020. Realizado desde 2016 pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional), o trabalho foi divulgado durante coletiva de imprensa online nesta segunda-feira (24/8), com os dados coletados e analisados de 132 municípios, sendo 19 capitais, de Norte a Sul do Brasil. Algumas cidades foram analisadas individualmente ou dentro das respectivas regiões metropolitanas.

Clique aqui para fazer o download da apresentação.

Enquanto as vendas sofreram quedas leves, houve grande diminuição no número de lançamentos. Adiamentos em função da pandemia levaram a uma queda de 43,9% no número de lançamentos no 1º semestre de 2020, na comparação com o mesmo período de 2019.

Previsão

Para a CBIC, a previsão é de um aumento substancial nos lançamentos no 2º semestre. Com as vendas praticamente estabilizadas e os lançamentos muito reduzidos no 1º semestre, em função do que foi adiado por conta da pandemia, a expectativa é que agora as empresas lancem aquilo que foi represado nos últimos meses.

Para o presidente da CBIC, José Carlos Rodrigues Martins, a estabilidade no índice de vendas em plena pandemia é um dado bastante relevante e que comprova a força do setor. “Todo esforço que foi feito para a manutenção dos canteiros de obras funcionou. Tivemos uma queda de 2,2% nas vendas, o que é uma estabilidade total e demonstra como lidamos bem com a crise nesse período”, explicou.

Martins também prevê um boom de lançamentos no segundo semestre, o que é importante para a retomada econômica do país. “Nós represamos os lançamentos no 1º semestre, o que indica que no segundo os números devem crescer consideravelmente. A alta de lançamentos é importante porque representa emprego futuro. O Caged de julho já demonstrou isso, ao contratarmos mais que o dobro de mão de obra que o mesmo mês do ano passado. Estamos otimistas com os pés no chão. Sabemos das dificuldades, mas somos conscientes da nossa responsabilidade de ajudar o Brasil a sair dessa crise”, disse.

A divulgação dos Indicadores Imobiliários Nacionais do 2º trimestre de 2020 contou com a participação do secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia, Carlos Alexandre da Costa. Ele afirmou que irá propor uma série de medidas para ajudar a desburocratizar a construção civil. “Vamos apresentar um pacote de ações, já conversadas com a CBIC e outras entidades do setor, resolvendo problemas históricos. Precisamos desacorrentar os empresários para que eles façam investimentos e consigam crescer.”

Lançamentos

No 2º trimestre de 2020, os lançamentos de imóveis (16.659 unidades) apresentaram uma queda de 60,9% na comparação com o 2º trimestre de 2019. Houve redução no número de unidades lançadas em todas regiões. A maior queda foi observada na região Norte (660 unidades), com 73,3% menos lançamentos que no 2º trimestre de 2019, seguida pelo Nordeste, com diferença de 70,0% (3.244 unidades). A região Sudeste teve variação negativa de 68,3% (18.238 unidades).

No comparativo de lançamentos do 1º semestre de 2020 (37.596 unidades) com o 1º semestre de 2019 (67.034 unidades), houve queda geral de 43,9%. A maior diferença foi no Nordeste, com 6.690 unidades a menos ou 60,1% menos lançamentos que no mesmo período de 2019.

Vendas

No país todo, as vendas apresentaram uma queda de 23,5% no 2º trimestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Nas regiões Norte e Nordeste praticamente não houve variação, com -0,5% e +0,1%, respectivamente. Na região Sul, houve variação positiva de 5,0% (333 unidades). As regiões mais afetadas foram a Sudeste, onde o número de apartamentos vendidos foi 39,3% menor (9.321 unidades a menos), e Centro-Oeste, onde o número de apartamentos vendidos foi 22,9% menor (947 unidades a menos),

No 1º semestre de 2020, houve queda de 2,2% no número de unidades vendidas em todo o país, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A maior variação positiva foi observada na região Sul, com aumento de 15,1% no número de unidades vendidas. No mesmo período, as vendas também cresceram nas regiões Norte (10,3%) e Nordeste (6,2%). A maior queda foi observada na região Centro-Oeste, com -12,8%, seguida pelo Sudeste, com variação negativa de 9,6%.

Com as vendas superiores aos lançamentos, a oferta final no 2º trimestre de 2020 apresentou uma queda de 8,7% em relação ao trimestre anterior, a primeira diminuição desde o segundo trimestre de 2019. Na comparação com o 2º trimestre de 2019, houve uma queda de 7,1% na oferta final no 2º trimestre de 2020.

Minha Casa Minha Vida

O estudo Indicadores Imobiliários Nacionais do 2º Trimestre de 2020 também analisou a participação do programa habitacional Minha Casa Minha Vida (MCMV) nas unidades lançadas e nas unidades vendidas por região brasileira. A representatividade do MCMV sobre o total de lançamentos, no período, foi de 55,6%. Sobre o total de vendas, essa participação foi de 56%.

O vice-presidente de Indústria Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci, reforçou o papel do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para o MCMV. “A CBIC vem promovendo o aculturamento no Congresso da importância do Fundo para a geração de empregos, tributos e melhoria de vida para famílias. Conseguimos, via FGTS, colocar 500 mil operações no bolso de pessoas de baixa renda para acessar a primeira moradia. Por isso é tão importante o aprimoramento do MCMV pelo programa Casa Verde e Amarela, que será lançado amanhã”, explicou.

Vendas Online

Na avaliação das empresas, no segundo trimestre de 2020 as vendas online supriram o fechamento dos pontos de venda. De abril a junho, mesmo com parte dos stands fechados em praticamente todo o país em função da pandemia de covid-19, as vendas foram mantidas. Em 32,5% dos locais pesquisados, foi observado aumento nas vendas.

Para Fábio Tadeu Araújo, sócio da Brain Inteligência Corporativa, que produziu a pesquisa, a digitalização do mercado imobiliário foi fundamental para que as vendas não desabassem no segundo trimestre. “A pandemia reforçou formas de negócio, fazendo com que portais como OLX e outras plataformas online batessem recordes de buscas por imóveis na internet”, destacou.

Durante a coletiva, Araújo também apresentou uma sondagem sobre impactos e desafios para o mercado imobiliário na pandemia, com dados atualizados até agosto. Um dos apontamentos é sobre a mudança na intenção de compra das famílias nos últimos 60 dias, o que comprova a retomada do setor. “De 40% das famílias com intenção de compra em agosto, 13% já estão visitando plantões de imóveis. Essa volta à estabilidade se baseia na comparação com os números de março, onde 43% das famílias tinham essa intenção. Ou seja, já estamos quase no mesmo patamar pré-pandemia”, disse.

Fonte: https://cbic.org.br/

 

De olho na retomada, Gafisa propõe fusão com a Tecnisa

Segundo fato relevante divulgado hoje pela empresa, a integração das operações criaria uma operação com um portfólio de lançamentos de R$ 2 bilhões até 2021 e um estoque de terrenos no valor de R$ 10,3 bilhões

A construção e incorporação é um dos segmentos que estão engrossando o reaquecimento das ofertas públicas iniciais de ações na B3. Além da fila de possíveis estreantes na bolsa brasileira, as empresas do setor já listadas também começam a se movimentar, de olho na retomada do mercado imobiliário.

Hoje pela manhã, a Gafisa anunciou que enviou ao Conselho de Administração da Tecnisa uma proposta de fusão entre as duas operações. Em fato relevante, a companhia afirmou que a potencial integração dos negócios teria “características transformacionais” para as duas empresas.

“A definição dos procedimentos aplicáveis ficará a cargo das negociações entre as administrações de ambas as sociedades, cujos estudos já foram iniciados na Gafisa, conforme aprovação de seu Conselho de Administração”, afirmou a Gafisa, em fato relevante.

Também por meio de fato relevante, a Tecnisa comunicou que recebeu, “de forma inesperada”, uma proposta não solicitada, enviada por meio Bergamo, fundo de propriedade da Gafisa e que detém uma fatia de 3,1% na Tecnisa.

A Tecnisa informou ainda que o fundo Bergamo requereu a convocação de uma assembleia geral extraordinária para deliberar sobre a proposta de fusão e sobre temas como um aumento do capital autorizado para R$ 200 milhões e um aumento de capital de R$ 500 milhões.

Segundo a empresa, todas essas pautas serão discutidas em uma reunião, em caráter extraordinário, de seu Conselho de Administração. A companhia esclareceu que, até o momento, não há qualquer tratativa entre as duas partes e acrescentou que manterá o mercado informado sobre eventuais desdobramentos.

No documento divulgado nessa manhã, a Gafisa traz alguns dados sobre as possíveis sinergias e ganhos a partir de uma integração das operações. Segundo a companhia, um acordo criaria uma companhia com R$ 2 bilhões em lançamentos previstos até 2021, sendo R$ 1,5 bilhão de seu portfólio e R$ 500 milhões da Tecnisa.

Ao mesmo tempo, a fusão traria uma capacidade anual de lançamentos recorrente entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões, além de um landbank de R$ 10,3 bilhões. Já levando-se em conta o estoque das duas companhias, o valor de mercado do portfólio seria de R$ 1,12 bilhão e a posição de caixa de R$ 1,05 bilhão.

Com o anúncio, as ações da Gafisa operavam em queda de 3,62% por volta das 11h. No mesmo horário, os papéis da Tecnisa registravam ligeira alta de 0,54%. As duas empresas estão avaliadas, respectivamente, em R$ 636 milhões e R$ 826 milhões.

Os números vão ao encontro das perspectivas de reaquecimento do mercado imobiliário, diante de fatores como a expectativa de manutenção da taxa básica de juros em patamares baixos e o aumento da atratividade dos imóveis como alternativa de investimento.

Segundo a pesquisa Raio-X FipeZAP, divulgada hoje pela manhã, o índice de participantes que declarou a intenção de adquirir um imóvel nos próximos meses passou de 36%, entre janeiro e março, para 43%, no segundo trimestre. Esse é o maior patamar reportado no estudo desde 2014.

Fonte: https://neofeed.com.br/

Por: Moacir Drska

Itens que não podem faltar em apartamentos studio de quem mora sozinho

Itens que não podem faltar em apartamentos studio de quem mora sozinho

Foto: Google

Morar sozinho é visto como algo solitário, mas nem sempre é assim. Geralmente, as pessoas saem da casa dos pais e compram o primeiro imóvel para morar sozinhos. Compactos, os apartamentos studio são perfeitos para essa situação. A decoração e a compra de todos os itens ficam sob a sua responsabilidade, saiba o que não pode faltar!

Se você ainda não mora sozinho, mas está pensando em morar, aproveite as dicas também! De acordo com dados divulgados pelo IBGE em 2015, cerca de 10,4 milhões de brasileiros vivem sozinhos.

Conte com um confortável sofá (mesmo que seja pequeno!)

Não há como comparar uma sala de um apartamento compacto com os grandes apartamentos em São Paulo, mas o conforto deve estar presente nos dois ambientes. O sofá é o principal item do espaço, precisando ser elegante, confortável e que caiba no espaço.

Hoje em dia, não é difícil achar um que tenha todas essas características. Embora você more sozinho, com certeza receberá amigos e parentes, não é? Por isso, um sofá não pode faltar na sua sala!

Uma dica bastante útil é preferir sofás que viram camas, caso você goste de receber muitas visitas. Unir funcionalidade e estética é o segredo!

Uma boa TV para distrair

Depois de um dia cansativo de trabalho, chegar em casa e não conversar com ninguém pode ser ruim para algumas pessoas. Use esse tempo para descansar e assistir aos filmes e programas favoritos na TV!

Com amigos, uma boa televisão faz diferença para fazer uma sessão de cinema ou torcer pelo seu time.

Cadeiras dobráveis

Quero chamar mais pessoas para a reunião de amigos, mas o meu apartamento studio em SP só tem um sofá para acomodar a galera. E agora? Ter cadeiras dobráveis é muito importante nesses momentos. Elas não ocupam espaço quando não estiverem sendo usadas e quebram um galho quando você recebe mais visitas em casa!

Nos apartamentos em SP ou em outra região, é comum ter móveis com mais de uma função. Existem bancos que também são usados para guardar itens, mesas que se abrem, entre outros, que são incríveis para espaços pequenos!

Já deu para perceber que você não ficará tão sozinho assim, principalmente em fim de semana, não é? Como muitas pessoas que procuram apartamentos à venda compactos são jovens e solteiros, reunir os amigos e dar boas risadas são atitudes comuns.

Mas durante a semana, a rotina festiva é menos agitada e o que ocupa a mente é o trabalho e/ou estudos. Por isso, é essencial que o seu apartamento studio tenha uma área para você fazer as atividades profissionais e acadêmicas.

Quando estiver procurando apartamentos à venda em SP, já pense no cantinho de estudos. Por ser pequeno, o imóvel precisa ser arrumado visando atender todas às suas necessidades.

Cada pessoa tem uma rotina diferente, mas todas precisam de um lar confortável!

Redação 

Por RAY SANTOS

Fonte: http://jornaldiadia.com.br/

Cultura doméstica: muito além da sustentabilidade

A consciência da sustentabilidade como uma ferramenta de integração amplia nossa responsabilidade como cidadãos co-criadores

Muito tempo atrás, quando não falávamos de sustentabilidade, tínhamos uma prática altamente sustentável, aproveitando o que o mundo nos oferecia, com respeito e compromisso pela continuidade da vida. Uma vez que, como humanidade, perdemos o respeito e a reverência zelosa pela natureza e pelos recursos que ela nos dá, as demandas pela sustentabilidade surgiram em diversas áreas, no início da década de 70.

E do grito solitário de alguns, passou a integrar um movimento de redenção nos anos 80, passando pelo modismo até começar a sedimentar seus conceitos e virar prática cotidiana, construindo uma cultura. Esse assunto é muito amplo, e vai além de mini hortas domésticas, reuso de água, compostagem, lixo reduzido e separado por tipo de reciclagem, lâmpadas de LED, etc. Integra áreas como economia, política, sociedade e cultura.

Os investimentos em tecnologia e ampliação das energias renováveis, seja eólica, solar ou hídrica, são capazes de suprir totalmente as demandas do nosso mundo. Deixando de fora questões político-econômicas, focando na nossa prática diária, já alcançamos a realidade de que cada edificação pode se tornar independente, com instalações de geração de energia solar, que estão mais acessíveis no mercado.

E é com base nesta premissa, que desenvolvo a reflexão aqui. Quero fazer uma ligação com a simplicidade e eficiência, que nossa ancestralidade carrega nas veias, considerando como uma prática esquecida. Estamos reaprendendo e resgatando essa atmosfera orgânica para dentro de nossos ambientes de vivência.

As novas gerações, já estão incorporando alguns conceitos como prática diária, que eu precisei reaprender, pensar e prestar atenção. Um exemplo bem típico, é a questão da reciclagem do lixo. Do discurso passou à prática, e hoje é um hábito!

A compostagem do lixo doméstico, já é algo bem mais difícil de incorporar, pois nem tudo que é orgânico (como carnes, queijos, salgados e comidas ácidas) pode entrar neste processo. Para quem mora em apartamento, então, as possibilidades são muito reduzidas. E a compostagem, só faz sentido, se você vai usar o resultado como adubo! Solução foi a coleta seletiva.

Os telhados verdes, começam a surgir. Ainda um pouco mais caros para executar, exigindo estrutura física e mão de obra técnica. Mas, vem ganhando adeptos no mundo todo, unindo várias pessoas, trazendo a certeza da força comunitária para a construção de qualidade de vida.

A consciência da sustentabilidade como uma ferramenta de integração, une o discurso e prática, amplia nossa responsabilidade como cidadãos co-criadores, revigorando nossa mente, direcionando nosso olhar para nosso pequeno mundo do dia a dia, que constrói a base para possibilidades de sobrevivência e bem-estar.

Aos poucos temos incorporado hábitos, fundamentados em conhecimento sólido de como fazemos a limpeza dos nossos ambientes e quais produtos usamos. Simplificando nossa casa, nossas empresas, simplificamos nossa carga de preocupação com higiene e limpeza. Conhecimento tão importante, hoje, em plena pandemia do COVID-19! Algo sem muita importância, sobe o ranking e ocupa primeira posição, exigindo que a complexidade do momento seja simplificada. Senão, nós não aguentamos mais uma complicação.

As áreas de serviço e lavanderias se tornam ambientes com muita atenção, pois é lá que encontramos algum tipo de segurança, higienizando nossas roupas, sapatos, e tudo aquilo chega de fora. Bancadas bem planejadas, armários para guardar o que já foi higienizado, evitando novo contato com possíveis contaminações, produtos em lugar de fácil acesso. Voltamos nosso olhar para um lugar sem muita fama nos projetos!

Um aspecto que faz parte da nossa história é a agricultura familiar. Percebo um ensaio, da população urbana, na retomada e adaptação dessa cultura, no cultivo de mini hortas, seja no quintal, ou nas varandas dos apartamentos. O artista Zin Cruz propõe, com verdadeiras obras de arte, as hortas verticais e vasos com pinturas especiais, que acolhem de forma estética e harmônica esse cultivo doméstico.

O cultivo do próprio alimento, já é uma prática, com muitos adeptos. Neste sentido, pessoas que se importam com a alimentação, que encontram prazer no cultivo paciente, no cuidado e observação do crescimento dos brotos, grãos e temperos, integram uma grande parte da população que volta às raízes da agricultura doméstica.

No cultivar, aprendemos com a natureza o respeito por ciclos, a persistência necessária, a surpresa do novo surgindo. E você? Como é sua experiência? O que essa prática contribui com seu desenvolvimento e crescimento?

Bia Sartori , designer de interiores formada pelo SENAC e pós-graduada pelo IPOG; personal organizer formada pela OZ!, pedagoga com especialização em Orientação Educacional pela PUCC.

Fonte: https://pleno.news/

Cidades turísticas estão revendo o modelo de negócios?

Com a queda no número de viajantes causada pela contaminação de Covid-19, governos e moradores de cidades impactadas pelas moradias de temporada, têm uma nova chance de transformar a atividade turística

 
Nos últimos anos, um terço da cidade de Lisboa era ocupado com aluguel de temporada, estilo Airbnb. | Foto Unsplash.

Nos últimos 10 anos, plataformas como o Airbnb ajudaram a bombar o número de viajantes de cidades turísticas como Lisboa e Amsterdã, o que levou à escalada do custo de vida para os habitantes destes locais. Com menos de 830 mil habitantes, a cidade de Amsterdã recebeu, só em 2019, cerca de 19 milhões de turista. Na França, o número bateu 80 milhões. Em Portugal, foram 23 milhões de pessoas.

O que os dados sozinhos não revelam é o enorme impacto do turismo nesses países. Se, por um lado, a receita gerada pela atividade traz muito dinheiro – só na economia portuguesa foram 34,8 bilhões de euros no último ano – por outro, os efeitos colaterais dessa sobrecarga de viajantes podem virar um fardo na vida de moradores locais.

Momento de mudanças

Agora, com a escassez de visitantes causada pela pandemia, lugares antes superlotados têm a chance de rever esse modelo. Para se ter ideia, nos últimos anos, um terço da cidade de Lisboa era ocupado com aluguel de temporada, estilo Airbnb. Inflacionado pela alta procura por  locações de curto prazo, o mercado imobiliário viu os preços explodirem. A vida não só se tornou mais cara para os habitantes, como o processo de gentrificação acabou expulsando muitos deles para bairros afastados ou mesmo para outras cidades.

Até o início de 2020, esse jogo ainda estava a favor dos proprietários, que tinham uma demanda absurda por seus imóveis. Com o coronavírus, no entanto, eles viram a procura despencar, ao mesmo tempo que precisam continuar pagando hipotecas altíssimas, sem contar a dívida de impostos. Assim, cidades europeias estão sendo praticamente obrigadas a repensar uma forma de turismo com consequências menos agressivas para seus habitantes, sem no entanto deixar  de socorrer os donos de imóveis.

Outras formas de alugar ?

Lisboa, por exemplo, está substituindo o Airbnb por aluguéis seguros. “Estamos oferecendo incentivos fiscais e financeiros aos proprietários por até cinco anos, através do programa Renda Segura”, explica o prefeito Fernando Medina. A ideia é transformar esses imóveis em moradias para trabalhadores essenciais, que foram afastados dos centros devido à inflação do setor imobiliário.

“Queremos que o turista tenha uma cidade mais limpa, sustentável, saudável e equitativa quando retornarem para cá. Ou fazemos isso agora, ou corremos o risco de nos tornarmos apenas um belo museu”, afirma Medina.

Em Paris, a Prefeitura também tem investido na compra de imóveis que foram arrendados como investimento para aluguéis de curto prazo. Amsterdã proibiu o uso de Airbnb no centro da cidade. Moradores de Veneza pressionam para um futuro menos turístico e debatem um outro renascimento para a cidade. Barcelona está forçando os proprietários a alugarem seus imóveis sob o risco de perdê-los. Budapeste planeja limitar a quantidade de diárias por mês com aluguel de curta temporada.

Com o isolamento social dificultando as viagens, a Ópera de Sydney, na Austália, os mercados noturnos de Bangcoc, o Museu do Louvre em Paris ou o Coliseu em Roma estão esvaziados. Velhos espaços agora têm sido ocupados por um novo tipo de turista: os próprios moradores, que estão redescobrindo suas cidades.

Isso tem dado impulso a planos para a indústria turística, só que o incentivo agora é local. Parisienses no Louvre, venezianos na Praça São Marcos, espanhóis de férias nos arredores de Barcelona. Os monumentos agradecem o respiro – e as cidades ganham mais tempo para se levantar.

Fonte: https://www.consumidormoderno.com.br/

POR  – 6 DE AGOSTO DE 2020

Financiamentos imobiliários têm maior alta semestral em 10 anos. É hora de comprar a casa própria?

Redução nos juros, mudança de comportamento com a pandemia e digitalização impulsionaram os financiamentos; veja se é hora de comprar um imóvel

SÃO PAULO – Apesar da chegada da pandemia, 133.786 imóveis foram financiados por pessoas físicas no primeiro semestre de 2020, um aumento de 35,2% na comparação com os seis primeiros meses do ano passado. A alta é a maior para o período dos últimos dez anos.

Os dados são da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e consideram os financiamentos contratados por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que utiliza recursos da poupança e representou 62% dos financiamentos de janeiro a junho de 2020.

De acordo com dados do Banco Central, publicados nesta semana, o volume total transacionado nos financiamentos imobiliários cresceu 20,5% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, somando R$ 50,8 bilhões no período.

Os dados do BC representam o valor total financiado por pessoas físicas no ano em todas as linhas de crédito, tanto aquelas que usam recursos do SBPE, FGTS e fazem parte do programa Minha Casa Minha Vida, quanto aquelas incluídas no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), voltadas a financiamentos de imóveis mais caros.

Selic baixa 

Entre os motivos para o aumento significativo dos financiamentos, o principal, segundo especialistas, é a redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, que está em 2,25% ao ano, menor patamar da série histórica – e deve cair ainda mais a partir da semana que vem, segundo expectativas do mercado.

Na prática, a queda da Selic está diretamente relacionada aos custos dos empréstimos imobiliários porque as instituições financeiras, responsáveis por ofertar esse tipo de financiamento, costumam repassar parte dos cortes da taxa básica de juros às taxas cobradas nos contratos – o que torna as prestações mais suaves e pode viabilizar a negociação para mais pessoas.

Eduardo Zylberstajn, head de pesquisa e inovação da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), explica que justamente pelo baixo patamar dos juros, essa crise é diferente da que enfrentamos em 2015, quando os efeitos no mercado imobiliário foram mais severos.

“Há cinco anos tínhamos juros muito altos, desemprego, falta de confiança. Tudo conspirava contra. Agora, por mais que ainda tenhamos desemprego e um certo receio em relação ao curto prazo, os fatores estruturais do mercado, principalmente pelo lado da demanda seguem firmes. No Brasil, o juro baixo é determinante para impulsionar a demanda no mercado imobiliário”, diz Zylberstajn.

Para ter uma base de comparação, no primeiro semestre de 2015 os financiamentos imobiliários caíram 17,5%, na comparação com o mesmo período de 2014, segundo a Abecip.

A taxa média do financiamento imobiliário caiu de 11,8% para 7,5% ao ano de junho de 2015 até junho deste ano, segundo dados do Banco Central. “Uma redução dessa magnitude em um financiamento de 30 anos possibilita o acesso de muitas famílias que não tinham condições anteriormente. Qualquer ponto percentual já faz diferença na prestação”, explica Cristiane Portella, presidente da Abecip.

Uma simulação da fintech digital de crédito CrediHome mostra que no fim de 2015, com a Selic em 14,25% ao ano e uma taxa média de 11% ao ano no financiamento imobiliário, um empréstimo no valor de R$ 200 mil com prazo de 30 anos, tinha parcela inicial de cerca de R$ 2.600. Hoje, esse mesmo financiamento, mas com a Selic em 2,25% ao ano e 7,5% ao ano de juros, tem parcela de cerca de R$ 1.550, ou 40% menor.

E a economia vale também para quem já está com o financiamento aberto. Reportagem anteriormente publicada pelo InfoMoney mostra que ao migrar um financiamento de um banco para outro, por meio da chamada portabilidade de crédito, é possível trocar uma taxa alta por outra mais baixa, condizente com o atual patamar da Selic, e obter economias de R$ 200 mil ou mais.

Boa oportunidade

Zylberstajn avalia que os preços de vendas dos imóveis estão em recuperação. O Índice FipeZap, um dos principais termômetros sobre os preços dos imóveis comercializados no país, mostra que o valor médio do metro quadrado no Brasil registrou alta nominal (sem considerar a inflação) de 1,11% no primeiro semestre ou de 1,03%, descontando a inflação.

Já nos últimos 12 meses, apesar do avanço nominal de 0,81%, ao considerar a inflação acumulada no período – de +2,11% -, os preços tiveram queda real de 1,27%.

“Existe uma demanda clara pela aquisição de imóveis, e conforme a situação da pandemia for se estabilizando, com o juro baixo e bastante crédito disponível no mercado, a demanda vai aumentar. A oferta não deve acompanhar na mesma velocidade, o que vai gerar um aumento mais sólido nos preços. Mas tudo depende da evolução da pandemia. Por enquanto, há boas oportunidades”, diz o head de pesquisa da Fipe.

Arthur Vieira de Moraes, professor de finanças do Ibmec e especialista em fundos imobiliários, diz que a combinação de fatores como a taxa de juros básica no menor patamar já registrado e a expectativa de alta nos preços, faz com que este momento seja propício para a compra de um imóvel.

“É uma boa escolha. Esta crise passa, mas a decisão do financiamento é de longo prazo. Por isso, vale aproveitar o momento de Selic baixa para comprar o imóvel e ter prestações mais atrativas no financiamento. A tendência de alta nos preços é mais um motivo para considerar a aquisição agora”, explica.

Mudança de comportamento

Zylbertajn diz que o aumento observado nos financiamentos não deixa de estar relacionado com o cenário de pandemia. “Com o isolamento social forçado, a relação das pessoas com as suas casas foi fortalecida”. Segundo ele, esse é um fator que pode ter contribuído para estimular as compras.

Nesse sentido, com mais tempo em casa, as pessoas estão buscando mais qualidade de vida e um movimento de êxodo urbano começa a ser identificado. Mas não em uma intensidade suficiente para ser responsável por uma parte majoritária desse incremento nos financiamentos, segundo Bruno Gama, CEO da ChediHome.

No primeiro semestre, 34,92% dos financiamentos fechados pela CrediHome foram para compra de imóveis localizados na cidade de São Paulo. Do “top cinco”, as duas primeiras cidades do interior são Jundiaí e São José do Rio Preto, que aparecem em quarto e quinto lugar, respectivamente, mas ambas representam apenas 3,17% dos empréstimos do período.

Adicionalmente, de acordo com dados do Grupo Zap, a busca por casas em bairros e condomínios no interior, em cidades a 100 quilômetros ou menos de distância da capital, cresceu 480% no primeiro semestre. Em janeiro a procura por esses imóveis era de 0,5% e em junho o número subiu para 2,9%. Por outro lado, a capital ainda representava 96,8% de todas as buscas em junho.

“Não é todo mundo que consegue trabalhar no home office definitivamente ou que pensa em mudar de vida agora. Vemos uma tendência, mas que ainda é pequena quando colocada em perspectiva. Dificilmente veremos perda da relevância dos centros urbanos como zona de atração de grandes sistemas produtivos, como o de serviços e a indústria. São micromovimentos”, pontua o CEO da fintech.

Digitalização

Com a pandemia, a digitalização ganhou espaço no mercado imobiliário, e evitou que as restrições impostas pelo isolamento social prejudicassem as compras de imóveis.

Incorporadoras e imobiliárias começaram a oferecer tours virtuais, integraram simuladores de financiamentos, atendimento virtual, entre outras alternativas que até então tinham menos força. A plataforma E-Notariado, que permite que todos os cartórios do país prestem serviços à distância, também foi um avanço positivo.

A Caixa anunciou recentemente o registro eletrônico de escrituras para contratos pessoa física e jurídica, que antes levava cerca de 45 dias e agora poderá ser finalizado, em média, em cinco dias – mais um exemplo de inovação acelerada pela pandemia que veio para ficar. 

Segundo levantamento exclusivo da CrediHome para o InfoMoney, a procura por financiamentos de imóveis na plataforma em junho teve um aumento de 181,27%, em comparação ao mês de maio e o maior desde o início do ano.

“Inicialmente, com as agências bancárias fechadas, vimos clientes com dificuldades em buscar crédito e dar sequência em operações imobiliárias em alguns bancos. Vimos um aumento da busca porque a nossa experiência é totalmente digital, da aprovação do crédito e envio da documentação até o registro eletrônico em cartório”, diz Gama.

Panorama do mercado

Cristiane, da Abecip, ressalta que o mercado imobiliário como um todo teve uma recuperação importante em 2019, depois de sofrer os efeitos da crise econômica em 2015. “Considerando financiamentos imobiliários com recursos da poupança para pessoas físicas e jurídicas, tivemos crescimento de 37% no ano passado em relação a 2018. Foi um divisor de águas para o setor. Para 2020, a nossa previsão é de um crescimento em torno de 12%”, explica.

Ela explica que em 2019, o salto mais robusto de aquisições e construções foi no segundo semestre, por isso o aumento significativo observado nesses primeiros seis meses de 2020 – que cai de 35,2% para 29% ao incluir pessoas jurídicas-, pode não se repetir entre julho e dezembro comparativamente ao ano passado devido ao cenário de crise.

“Entre janeiro e junho de 2019 tivemos um início de retomada mais forte. Precisamos esperar para ver se o crescimento se concretizará neste ano”, diz Cristiane.

Essa retomada recente também foi notada pelo banco que mais realiza financiamentos imobiliários no país, a Caixa. Recentemente o presidente do banco, Pedro Guimarães, ressaltou que a Caixa nunca teve uma demanda por crédito tão alta nos seus 159 anos de existência como em alguns meses deste ano – em parte impulsionada pelos financiamentos imobiliários.

Guimarães disse que em janeiro e fevereiro deste ano a demanda por crédito foi 20% superior à do mesmo período do ano passado, ainda que março, abril e maio tenham sido meses mais fracos devido ao susto inicial da crise. Mas ele pontuou que em junho já foi observada uma retomada “muito forte” e que julho deve apresentar resultados ainda melhores.

Fonte: https://www.infomoney.com.br/