Arquivo diários:10 de julho de 2017

Mobilidade e prédios novos atraem famílias de volta ao centro de SP.

Vista do centro de São Paulo e da Praça da República a partir de edifício em obras

Vista do centro de São Paulo e da Praça da República a partir de edifício em obras

“Vir e voltar a pé não tem preço”, pensou Talita Paes, 36, quando virou coordenadora do núcleo educativo do Espaço Cultural Porto Seguro, nos Campos Elíseos, em maio de 2016. Em agosto, ela trocou Pinheiros pelo centro. “Queria estar perto do trabalho e do metrô. Consegui mais: tudo fica a duas quadras de casa.”

Mobilidade é palavra-chave também para construtoras que apostaram em apartamentos menores na região central.

O preço por metro quadrado equivale ao de bairros nobres, mas o custo total é menor —vantagem competitiva na crise, segundo o sindicato do setor (Secovi). Até a falta de garagens, que já foi motivo de repulsa, virou atrativo.

Nos novos prédios, todos com bicicletário, até metade dos apartamentos não tem vaga. Eles custam dois terços do preço.

A incorporadora Setin adotou essa estratégia em 2013: tem seis projetos perto de estações ou terminais no centro, por onde passam três linhas de metrô, quatro de trem e quatro corredores de ônibus.

“Achava que ia agradar a jovens alternativos”, diz o CEO, Antonio Setin. “Encontrei casais com crianças, famílias, avós.”

Para o empresário, a região é interessante ainda para um novo modelo de negócio, em que investidores compram para alugar. “Os jovens pensam menos em ‘ter’, mas todo mundo ainda quer estar sob uma laje, num sofá confortável.”

Dona de uma agência de comunicação, Dani Borges, 37, tornou-se há 13 anos um dos cerca de 430 mil moradores centrais.

Em 2016, fez disso um programa: todo mês, abre sala e cozinha para um jantar vietnamita.

Os participantes vão de universitários a casais de 55 ou 60 anos e turistas de fim de semana. “Muitos acham que ir ao centro é uma aventura e ficam curiosos sobre como é morar aqui.” O resultado da empreitada, conta, é que “eles perdem o preconceito de que a região seja perigosa ou complicada”.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

Hospitais, escolas e construtoras apostam na realidade virtual.

Em três dos laboratórios paulistanos da rede Hermes Pardini, desde junho, as crianças que vão tomar vacina podem colocar óculos especiais e vivenciar cenas de um reino encantado. As enfermeiras sincronizam o momento da injeção com o filme. “Elas ficam mais relaxadas”, diz a pediatra Melissa Palmieri. No Hospital Sírio-Libanês, a ferramenta é aliada no tratamento de pessoas com problemas no labirinto, região da orelha interna responsável pela noção de equilíbrio.

 

Há cerca de três anos a realidade virtual desembarcou na capital de vez. A partir de então, os equipamentos com imagens em 360 graus que acompanham os movimentos da cabeça do usuário e dão a impressão de um universo paralelo espalharam-se por diversos setores da cidade.

O caráter imersivo da tecnologia fez o negócio ir além do mercado de games, pioneiro na brincadeira por aqui. O apetrecho moderninho aparece com objetivos variados em escolas, construtoras, hospitais… A agência de design Antídoto cria vídeos para a área. Quando é preciso registrar um ambiente real (e não uma animação), a equipe utiliza, entre outros modelos, um bastão com seis câmeras GoPro acopladas para captar todos os ângulos do local. Os preços variam de 5 000 a 300 000 reais, de acordo com a complexidade do projeto.

Hermes Pardini: laboratórios oferecem os óculos para aliviar a tensão de crianças na hora da vacina (Leo Martins/Veja SP)

“Há três anos, eu fazia um serviço desses a cada trimestre”, afirma Gustavo Perucci, sócio da empresa junto de Fernando Dranger e Diego Ville. “Agora, faço cinco trabalhos por mês.”

Há pouco mais de um ano a construtora Cyrela elabora apresentações para seus empreendimentos de alto padrão. Assim, os futuros proprietários podem “visitar” apartamentos que só devem ficar prontos em até quatro anos. “Investimos 250 000 reais em nove vídeos e três óculos”, diz o diretor de incorporação, Eduardo Leite.

Cyrela: cliente experimenta óculos em lançamento imobiliário da marca (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Na educação, alguns colégios, a exemplo do Visconde de Porto Seguro, na região do Morumbi, oferecem atividades como analisar a Via Láctea com os óculos. Desde junho as escolas de inglês Uptime proporcionam exercícios em realidade virtual, por meio de um aplicativo para celular. As inovações não devem parar por aí.

Em setembro vai rolar o primeiro festival brasileiro sobre o tema, na Escola Britânica de Artes Criativas, na Vila Madalena. “É uma tecnologia que ficará cada vez mais popular”, acredita Fabio Hofnik, um dos criadores do evento.

Fonte: http://vejasp.abril.com.br