Arquivo diários:11 de julho de 2017

Cartão postal de Nova York é exemplo de gestão compartilhada.

Modelo de gestão do Central Park, em Nova York, inspira projetos semelhantes pelo mundo, incluindo um brasileiro.

Com mais de 3,4 quilômetros quadrados de área, Central Park recebeu investimentos de US$ 875 milhões desde que sua gestão passou para a iniciativa privada. – Foto: STAN HONDAAFP

Com mais de 3,4 quilômetros quadrados de área, Central Park recebeu investimentos de US$ 875 milhões desde que sua gestão passou para a iniciativa privada. – Foto: STAN HONDAAFP

Parada obrigatória para quem visita Nova York, o Central Park é considerado um oásis para quem vive no ritmo agitado da cidade mais populosa dos Estados Unidos. Anualmente, mais de 42 milhões de pessoas visitam o local, inaugurado em 1857 a partir do apelo da população por mais áreas livres para os momentos de lazer. Localizado no coração da Big Apple, em Manhattan, o Central Park possui 4 quilômetros de extensão e 800 metros de largura, resultando numa área de 3,41km².

Entre os anos de 1960 e 1980, o parque sofreu pela falta de manutenção, em virtude da crise econômica que ocasionou cortes no orçamento público da cidade. A partir de então, moradores do entorno e instituições civis nova-iorquinas se mobilizaram para arrecadar fundos para a revitalização e conservação do lugar. Para regulamentar essas ações foi criada a organização sem fins lucrativos, a Central Park Conservancy (CPC), no modelo de parceria público-privada (PPP) com a prefeitura. A parceria já investiu mais de US$ 875 milhões no parque em seus 36 anos de administração.

A CPC é responsável por toda a gestão do local, desde serviços de restauros e coleta de lixo até programas de educação ambiental e atividades culturais. A equipe gestora é composta por mais de 50 membros, entre filantropos, representantes de empresas parceiras e indicados pela prefeitura.

Em entrevista ao canal público Thirteen, o presidente da CPC, Douglas Blonsky, disse que o parque “ajudou a moldar a economia dos bairros ao redor, tornando-os mais habitáveis, atrativos e econômicos”. De acordo com Blonsky, o parque, através de valores imobiliários e criação de empregos, contribui com mais de US$ 1 bilhão para a economia de Nova York anualmente.

Anualmente, são investidos cerca de US$ 67 milhões (aproximadamente R$ 200 milhões) no Central Park. A maior parte deste montante, 75%, é arrecadado pela CPC. O restante é de responsabilidade da prefeitura de Nova York, que mantém o controle geral sobre o parque. Qualquer projeto de melhoria passa, primeiramente, pela aprovação do poder Executivo antes de ser executado. Comparativamente, o orçamento de 2016 para os 109 parques de São Paulo foi de R$ 70 milhões.

Para manter o investimento frequente o Central Park recebe doações de empresas, fundações, de milionários generosos e de seus frequentadores. Eles podem financiar o plantio de novas árvores, um pedaço de pavimento ou adotar um dos milhares de bancos espalhados pelo parque, a quantias acima de US$ 10 mil. Geralmente, o patrocinador recebe uma placa para gravar uma mensagem com seu nome ou recado. Dos quase 9,5 mil bancos instalados no Central Park, mais de 4,2 mil são adotados por filantropos.

No Brasil, exemplo semelhante em Passo Fundo (RS)

Parque da Gare

Projeto de revitalização do Parque da Gare foi feito por escritório de arquitetura espanhol e custou cerca de R$ 10 milhões. Departamento de Comunicação Social Prefeitura de Passo Fundo

O Parque da Gare, localizado em Passo Fundo (RS), tem uma história semelhante à do Central Park. O espaço, criado nos anos 1980, após a desativação da estação ferroviária, que foi porta de entrada para o desenvolvimento da cidade no início do século 20, estava sem manutenção e nunca teve suas obras concluídas. Era um lugar evitado pela população, que o frequentava apenas quando era promovida alguma atividade cultural, informa a secretária municipal de Planejamento, Ana Paula Wickert.

Foi somente na metade do ano passado, com o projeto de revitalização desenvolvido pela empresa espanhola de arquitetura Idom, que o local foi resgatado. “A cidade é uma referência importante nos setores de saúde e educação, mas não oferecia ao cidadão espaços de lazer”, diz Ana Paula.

Atualmente, o Parque da Gare é um espaço equipado. Com cerca de 50 metros quadrados, oferece aos moradores de Passo Fundo quadra de esporte; pistas para skate, caminhada e ciclovia; a feira do produtor, que para funcionar paga uma concessão à prefeitura; anfiteatro e playground para as crianças. Além disso, um espaço multimídia voltado para jogadores de videogame, chamado Prisma, será inaugurado até o final deste ano. “Muitos nem conheciam alguns espaços do parque. Hoje, chega a 20 mil o número diário de pessoas que circulam pelo parque nos finais de semana”, conta a secretária de Planejamento.

O projeto de revitalização, que custou aproximadamente R$ 10 milhões, com obras executadas no período de um ano, é considerado pelo escritório responsável pela reforma um marco pela transformação das opções de lazer de Passo Fundo. “É uma cidade pequena (aproximadamente 190 mil habitantes) e você vê que dá pra fazer um projeto transformador dentro do orçamento e das possibilidades. Isso é bom para que outras cidades se inspirem a fazer o mesmo”, diz o diretor de Arquitetura e Urbanismo do Idom, Pedro Paes Lira.

O Parque da Gare é gerenciado pela Fundação Turística Passotur e mantido com verbas advindas de secretarias municipais. Segundo a secretária de Planejamento, a previsão para os próximos meses é que seja implementado um programa de voluntariado para reduzir os custos.

Fonte: incorporacaoimobiliaria.com