Arquivo diários:4 de janeiro de 2018

Redução de número de distratos mostra melhora do mercado imobiliário.

Para brevemente tratar do que se viu no mercado imobiliário em 2017, parece importante dar um passo atrás e voltar, ao menos, até o ano de 2014, quando a economia nacional passou a sentir com certa angústia as dificuldades do mercado. Nessa época, aos olhos dos afetos aos estudos econômicos, teria se evidenciado, com certa clareza, que o modelo de crescimento econômico adotado pelo governo federal havia se esgotado e precisava de medidas urgentes de renovação e definição de novas bases.

Para o mercado imobiliário, especificamente, o ano de 2014 foi marcado por incertezas e grandes expectativas vinculadas à Copa do Mundo e às Olimpíadas. Ambos os eventos, com potencial de grande captação de investimentos e de desenvolvimento e/ou, ao menos, impulso, para a economia nacional, trouxeram momentos de esperança e de receio por parte dos empresários da área imobiliária e da construção civil.

Sem prejuízo dos acontecimentos de 2014, o ano de 2015 apresentou cenário político mais incerto do que no ano anterior, tendo se visto a piora de indicadores econômicos, o enxugamento das concessões de crédito, em geral e em especial para a aquisição de imóveis e, como consequência lógica, os lançamentos de unidades imobiliárias tiveram queda significativa. Entramos em 2016 e dele saímos sem encontrar as tão buscadas e necessárias saídas para o momento político e econômico vivido.

Iniciamos 2017 novamente com esperança. Receio e cautela presentes, como não se pode deixar de ver como reação natural decorrente de experiências negativas, mas certamente com esperança. Ano identificado como “de transição” por alguns, em que pese no Brasil não se tenha visto uma curva ascendente regular e significativa de crescimento, no aspecto global, a economia viveu momentos de melhora.

Fazendo uma retrospectiva dos principais movimentos do mercado no ano de 2017, é importante mencionar, em especial,

(i) o cenário político, que em continuidade ao que se viu em 2016, permaneceu sob a mira de investigações de atos de corrupção envolvendo as cúpulas governistas mais influentes e tomados de decisões do país, causando incertezas e receios para o desenvolvimento econômico interno e para as relações com outros países e

(ii) as reformas econômicas e de institutos democráticos da economia, que tiveram papel significativo na criação de medidas que visavam viabilizar a alavancagem do crescimento do país.

O cenário político não permitiu que a economia atingisse índices de desenvolvimento necessários à retomada do crescimento econômico. No entanto, há que se destacar que a situação, apesar de ainda bastante crítica, não foi pior do que aquela vista em 2016. Isso, por si só, foi fator que não atrapalhou as tentativas de recuperação dos mercados, permitindo que se verificasse, ao menos, que a economia brasileira não piorou em 2017 em decorrência das incertezas políticas da nossa jovem democracia.

Neste ano, foi possível ver a economia brasileira iniciando trajeto crescente de recuperação, trazendo esperanças de se ver em 2018, algum crescimento efetivo, pois em aspecto global, é possível reconhecer a existência de tendência de fortalecimento econômico e aumento de estímulos governamentais que permitam o crescimento econômico na maioria dos países, em especial, daqueles de economias emergentes.

Tendo-se em mente o cenário econômico que marcou o ano de 2017, passa-se a trazer alguns eventos e indicativos de performance e principais acontecimentos que atingiram o mercado imobiliário no período.

Do cenário político, destaca-se que grandes construtoras e empresas atuantes no ramo da construção civil foram personagens marcantes na divulgação dos escândalos de corrupção que acabaram por derrubar, se não governos, a segurança da governabilidade nos níveis federal, estadual e municipal. As maiores construtoras do Brasil, com atuação internacional, reconheceram a prática de atos ilícitos, fizeram acordos de leniência, seus representantes, grandes influenciadores do mercado, celebraram acordos de delação premiada, foram presos e as operações e desenvolvimento das atividades operacionais das empresas, como não poderia deixar de ser, foram intensa e instantaneamente abaladas.

Esta situação provocou o pedido de recuperação judicial e até a falência de parte das empresas investigadas pela Polícia Federal. O abalo que atingiu o mercado imobiliário não foi só moral, mas também financeiro, visto que obrigações assumidas por estas empresas sofrerem interferência decorrente dos atos praticados e, portanto, não puderam ser cumpridas nos termos originalmente previstos.

De forma comparativa ao que se viu do mercado no ano de 2016, em razão da fragilidade econômica do país e das incertezas políticas, apesar dos escândalos envolvendo as maiores construtoras, foi possível ver alguma reação das incorporadoras, construtoras e demais agentes do mercado imobiliário.

Pesquisa divulgada em aula ministrada na Universidade Secovi no dia 25 de agosto de 2017 pelo economista chefe da instituição, Celso Petrucci, demonstrou aumento no volume de unidades imobiliárias residenciais lançadas no primeiro semestre de 2017 em São Paulo se verificado o índice aplicável no primeiro semestre de 2016. Ainda, se comparável ao que se viu entre os anos de 2015 e 2016, o resultado de 2017 é ainda mais animador, visto que anteriormente, de um ano a outro, o volume havia caído, ao invés de se manter equilibrado ou de se recuperar.

Na mesma oportunidade foram divulgadas informações relacionadas à comercialização de unidades imobiliárias residenciais da cidade de São Paulo. Enquanto houve queda importante no volume de unidades vendidas entre o primeiro semestre de 2015 e de 2016, a análise deste dado para o primeiro semestre de 2017 mostra crescimento de 10% entre o volume de unidades comercializadas entre estes dois anos.

Análise semelhante a esta acima mencionada, do Secovi, foi realizada não apenas para a cidade de São Paulo, mas abrangeu todo o território nacional. A tendência de crescimento do mercado, neste caso, não é vista ao compararmos o número de unidades lançadas e comercializadas, individualmente, entre os mesmos períodos de 2016 e 2017, mas por meio da análise conjunta destes dados. De forma mais objetiva e utilizando os números divulgados pela CBIC, por meio de pesquisa realizada pela Brain, no quarto trimestre de 2016, foram lançadas 21,6 mil unidades residenciais, e comercializadas 20,9 mil. Enquanto isso, apesar de no primeiro trimestre de 2017 ter se visto número menor de lançamentos de unidades residenciais (8,2 mil unidades), foram comercializados 18,6 mil imóveis.

Em outro formato de divulgação de dados, o que se viu em 2017 foi a comercialização de unidades em volume muito acima dos lançamentos realizados na mesma época, demonstrando que a demanda de aquisição de imóveis permaneceu firme, mesmo em momento de queda na produção imobiliária. A mesma tendência se manifestou ao longo do segundo trimestre de 2017, tendo as unidades imobiliários sido comercializadas em maior volume do que as unidades lançadas.

Fora do cenário político e da análise de dados a respeito de unidades lançadas e comercializadas, merecem destaque alguns acontecimentos vistos em 2017, que tiveram início já em 2016, seja em razão das consequências provocadas neste setor, seja em razão do potencial de que interferência que possuem.

Um destes acontecimentos envolve a questão dos distratos, por exemplo, cujos pedidos vistos nos últimos anos abalaram o mercado imobiliário, seja por terem colocado em risco sistêmico a produção imobiliária em escala, seja por terem dado espaço a interpretação e construção jurisprudencial de precedentes que, se mal aplicados, podem colocar em xeque a saúde e estabilidade do mercado imobiliário como um todo. Continue lendo

O mercado imobiliário em 2017 e suas projeções para 2018.

O mercado imobiliário em 2017 e suas projeções para 2018

Parte do avanço econômico no setor, em 2017, se deve aos empreendimentos Minha Casa Minha Vida Créditos: Shutterstock

O mercado imobiliário em 2017 apresentou sutil recuperação em comparação aos anos anteriores.

Nos últimos anos, os indicadores apontaram que vendas e aluguéis de imóveis diminuíram em quase todas as regiões do Brasil, consequentemente, a exigência por novas construções também. O mercado imobiliário em 2017 teve uma leve recuperação nas vendas, principalmente em empreendimentos voltados a programas do governo.

Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada pelo Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), mostra que de janeiro a agosto de 2017, foram comercializadas 10.991 unidades na cidade de São Paulo, alta de 20,8% em comparação ao mesmo período de 2016, quando os resultados mostraram um total de vendas de 9.100 unidades. Embora a pesquisa aponte apenas dados regionais da capital paulista, os números mostram uma retomada econômica no setor.

Os motivos do otimismo se dão pela diminuição das taxas de juros e inflação, crescimento do PIB, redução na taxa de desemprego, preços dos imóveis mais estabilizados e mudanças nas regras de financiamento. Esses resultados fortalecem tanto a confiança do consumidor, que está mais encorajado a investir em imóveis, quanto a das incorporadoras, que terão menos riscos de prejuízo. A recuperação caminha a passos lentos, uma reviravolta completa não ocorrerá até meados de 2018.

MCMC x Médio e alto padrão

O sinais de recuperação que vem marcando 2017, mostram, porém, um desequilíbrio. Enquanto os negócios no setor popular evoluem, com empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), o setor de médio e alto padrão ainda sente a crise mais presente.

Com base em oito empresas listadas na Bolsa, os números divulgados em relação ao primeiro semestre de 2017 são:

 

  • Total de lançamentos: R$ 5,14 bilhões (valor), 10% mais que no mesmo período do ano passado.
  • Vendas líquidas: R$ 5,19 bilhões, 16% a mais que no mesmo período do ano passado.

 

As empresas que participam do programa MCMV são as responsáveis pelo avanço econômico no semestre, sendo assim, as grandes beneficiadas também. Em parte, o bom momento se deve às novas regras do MCMV, que ampliou de R$ 6,5 mil para R$ 9 mil o limite da renda daqueles que pretendem utilizar o programa. Outra vantagem é a oferta de financiamento com taxas reduzidas, graças a recursos do FGTS.

 

  • Total de lançamento: R$ 3,70 bilhões, alta de 22% na comparação anual.
  • As vendas das empresas atingiram R$ 3,33 bilhões, alta de 22% na comparação anual.

 

Já no médio e alto padrão, o cenário mostra números bem diferentes.  

  • Total de lançamentos: R$ 1,44 bilhão, retração de 13% ante 2016.
  • As vendas totalizaram R$ 1,85 bilhão, alta de 7%.

Mercado imobiliário em 2017 x expectativas 

Se o mercado imobiliário começa dar os primeiros indícios de alta, o setor da construção ainda opera em queda. Segundo projeções da CBIC, a construção civil como um todo (inclusive infraestrutura) fechará 2017 com retração de 3,5% no quarto ano consecutivo de queda.

José Carlos Martinspresidente do CBIC, diz que os recursos cativos da habitação também minguaram, o que retirou a verba da construção. Uma das medidas listadas pelo setor para ajudar na recuperação é a legislação para regular a desistência na compra de imóveis, os distratos. Com a crise econômica, muitos consumidores desistiram da compra, fazendo drenar a capacidade de investimento das construtoras.

A Secretaria de Defesa do Consumidor do ministério da justiça finalizou uma medida provisória para regularizar distrato, mas o texto está parado na Casa Civil. 

Fonte: http://www.mapadaobra.com.br