Arquivo diários:9 de fevereiro de 2018

Movido a crédito.

O menor juro básico da história vai ajudar a impulsionar diversos setores que dependem de financiamentos. Falta, no entanto, que as taxas cobradas de empresários e consumidores caiam com a mesma intensidade.

Diante de um cenário de inflação baixa (3%) e de desemprego ainda elevado (11,8%), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu, na noite da quarta-feira 7, a taxa básica de juros (Selic) pela décima primeira vez consecutiva, para 6,75% ao ano. Quando assumiu a presidência do BC, em junho de 2016, o economista Ilan Goldfajn encontrou um cenário com Selic em 14,25% e inflação anual em 8,84%. A taxa, que está no menor patamar da história, ajuda a aguçar o apetite de consumidores e de empresários, que, aos poucos, voltam a demandar financiamentos após um longo período de recessão.                                 

Gilberto De Abreu, presidente da Abecip: “Após três anos consecutivos de queda, prevemos uma alta de 15% no crédito imobiliário” (Crédito:Divulgação)

O Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco prevê o maior impulso do crédito desde 2007, com uma expansão de 5% neste ano, sendo de 6,5% na carteira de pessoa física e de 3,4% na carteira de pessoa jurídica. “A queda da inadimplência abre um espaço para as pessoas voltarem a se endividar”, afirma Thaís Zara, economista-chefe da consultoria Rosenberg Associados, que participou do programa “Papo de Economista”, na TV Dinheiro.  

Apesar de saudarem a queda da Selic, os empresários reclamam que as taxas não caem na ponta com a mesma intensidade. E eles têm razão. Um levantamento feito pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que as empresas pagam 29% ao ano de capital de giro e os consumidores desembolsam 27% em financiamento de automóveis (leia quadro ao final da reportagem). Detalhe: essas duas taxas são até pequenas se comparadas com as linhas de conta garantida (146%) e de cheque especial (295%).

A culpa é do chamado spread bancário, que é a diferença entre a taxa que os bancos captam e a taxa cobrada dos clientes. As instituições financeiras alegam que a carga tributária elevada e o risco de inadimplência justificam o spread elevado. Porém, na avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, “o Banco Central precisa deixar de só fazer ameaças ao sistema bancário e tem de tomar ações incisivas para reduzir a taxa de juros ao tomador final”. Aumentar a concorrência bancária seria um bom caminho.
A despeito das taxas de juros ainda altas, vários setores apostam no crédito mais farto para crescer muito acima dos 3% previstos para o PIB, em 2018.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp: “O Banco Central tem de tomar ações incisivas para reduzir os juros ao tomador final” (Crédito:Rafael Hupsel / Ag. Istoe)

O Secovi-SP, por exemplo, calcula que os lançamentos e as vendas de imóveis terão uma expansão de 10% neste ano. Para isso, as construtoras contam com mais financiamentos, que lubrificam a engrenagem do setor.

“Após três anos consecutivos de queda, prevemos um crescimento de 15% no crédito imobiliário”, diz Gilberto Duarte de Abreu Filho, executivo do Santander e presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). “Inflação baixa, juros menores, geração de emprego e alta na confiança ajudam muito.” Além disso, Abreu Filho salienta que a caderneta de poupança, responsável por quase metade dos recursos destinados aos financiamentos imobiliários, precisa ter captações positivas.

A indústria automotiva também aposta suas fichas no crédito mais barato ao projetar alta de 11,7% nas vendas de veículos em 2018. “Financiamento é fundamental”, afirma Antonio Megale, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “A queda dos juros faz com que a prestação caiba no bolso dos consumidores.” O setor acredita que uma parte da clientela, que havia migrado para o segmento de carros usados durante a crise, voltará a frequentar as concessionárias. Otimismo semelhante é constatado na indústria de eletroeletrônicos, que tende a crescer à medida que os bancos forem reabrindo a torneira do crédito. Para 2018, ano de Copa do Mundo, a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) prevê alta de quase 10% nas vendas de televisores, totalizando 12,6 milhões de aparelhos. Boa parte será paga em prestações.

O atual ciclo de juros baixos não tem data para acabar. Ao contrário do que ocorreu no governo Dilma Rousseff, quando a taxa Selic foi derrubada na canetada, os fundamentos macroeconômicos atuais permitem a manutenção dos juros básicos em patamares inferiores a 10% por um longo período. “Sem aparecer uma Dilma no caminho e sem um choque externo grave, não há motivos para a Selic voltar ao patamar de dois dígitos”, diz Evandro Buccini, economista-chefe da Rio Bravo Investimentos. “Mas o Brasil precisa equacionar o rombo fiscal, e isso inclui a reforma da Previdência.”

Fonte: www.istoedinheiro.com.br

Luís Artur Nogueira

O futuro da inteligência artificial e as empresas que a adotaram.

“A inteligência artificial pode antecipar os desejos dos clientes e solucionar os problemas antes que eles surjam”, afirmou especialista.

Loja do Walmart no Brasil: nos EUA, o Google Home permite fazer compras na varejista apenas com a voz (Germano Luders/Revista EXAME)

As novas tecnologias surgem em ondas cada vez mais rápidas e as empresas que não se adaptam correm o risco de ficar para trás. Um exemplo é a inteligência artificial.

A tecnologia imita a capacidade humana de resolver problemas, de acordo com Eva Farah, expert da consultoria WGSN. A partir da inserção de dados, a ferramenta sugere decisões e também pode aprender com o tempo.

As possibilidades de aplicação são inúmeras, diz a especialista. Pode aumentar a eficiência operacional, atuar na gestão de estoque, logística, segurança da informação e otimização de custos. Já externamente pode oferecer uma experiência melhor de consumo e de atendimento aos clientes.

“A inteligência artificial pode antecipar os desejos dos clientes e solucionar os problemas antes que eles surjam”, afirmou.

Veja abaixo algumas empresas que já implementaram a tecnologia em seus negócios.

Assistentes virtuais

Pode parecer coisa de filme, como 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas conversas com assistentes virtuais já são realidade, como a Alexa, da Amazon, a Cortana da Microsoft e o Google Home.

De acordo com Farah, 30% das pesquisas feitas pela internet serão realizadas por voz até 2020, sem o auxílio de telas, o que deve mudar a forma como pessoas fazem compras.

Um exemplo é a inclusão da Cortana, assistente pessoal da Microsoft, em carros da Nissan. O consumidor pode acessar mapas, trânsito, agenda e outras informações importantes através de seu computador de bordo.

Compras por um robô

Entre as empresas que já usam a inteligência artificial para vender, está o Walmart, integrado ao Google Home nos Estados Unidos. O assistente permite fazer compras apenas com a voz.

Com acesso ao histórico de compras, não é preciso indicar a marca ou modelo preferido, é só dizer “Google, compre uma margarina”, por exemplo.

Facilitar processos

Comprar uma casa ou apartamento não é fácil. Encontrar o imóvel ideal, conseguir o financiamento imobiliário e acompanhar a obra são tarefas árduas.

A Cyrela está se unindo a startups para tornar pelo menos alguns desses processos menos estressantes. Para facilitar a contratação de um financiamento, por exemplo, ela firmou uma parceria com a Homelend, startup de inteligência artificial.

Ao invés de passar em diversos bancos para aprovar a contratação de empréstimo, a tecnologia analisa o perfil do cliente a partir do histórico de aprovação e indica ele para a instituição na qual ele tem mais chances de conseguir aprovar o empréstimo.

“Esse processo era feito por tentativa e erro. Mandávamos o cliente para um banco, depois para outro… no terceiro ou quarto, o cliente já não tem mais a esperança de aprovar o crédito e comprar aquele apartamento”, diz Juliano Bello, diretor administrativo da Cyrela. De cerca de 30 dias no formato anterior, hoje os clientes levam de 4 a 5 dias para aprovarem o crédito.

Atendimento a clientes

Atendimento aos clientes é uma área que, cada vez mais, conta com a ajuda da inteligência artificial.

A Cyrela incluiu a tecnologia de chatbot em seu site, desenvolvido pela startup Neurologic. Hoje, mais de 1.500 clientes são atendidos pelo canal, que resolve 70% dos problemas no primeiro atendimento – pelo call center, essa porcentagem é de 75%, muito similar.

De acordo com o diretor da Cyrela, em muitos casos, o atendimento por um robô é até mais eficiente do que o feito por um ser humano. “As pessoas preferem renegociar uma dívida com o robô, pois muitas vezes ficam envergonhadas de falar sobre isso com o atendente”, disse Bello.

O Bradesco também usa a tecnologia para melhorar o atendimento a clientes. A tecnologia vem sendo usada há cerca de um ano e se chama BIA (Bradesco Inteligência Artificial). O objetivo é dar autonomia aos seus clientes e, ao mesmo tempo, trazer maior eficiência ao banco ao desafogar canais de atendimento.

Nas lojas

Mesmo em lojas físicas, com mais contato humano, robôs são usados para vender mais e melhor.

Na Lowe’s, rede de materiais de construção dos Estados Unidos, um robô recepciona os clientes e dá indicações da localização de cada produto. Também fiscalizam os corredores para verificar se os itens estão no local correto e ajudam os vendedores a realizar o inventário da loja. Por enquanto, 11 unidades na região do Vale do Silício já contam com os assistentes.

Na Macy’s, os consumidores podem pedir orientações sobre produtos ou departamentos na loja americana através de um aplicativo. A partir do tom de voz usado, a loja identifica se a pessoa está satisfeita ou insegura com a compra e envia um vendedor pessoalmente para auxiliar o consumidor. A tecnologia foi criada em parceria com o Watson, supercomputador da IBM.

Fonte: exame.abril.com.br

Por Karin Salomão