Arquivo diários:8 de março de 2018

Morar perto do trabalho garante mais qualidade de vida.

Deslocamentos menores garantem menos tempo nos congestionamentos e mais tempo para o lazer. Saiba quais as soluções para conseguir alcançar essa equação.

Seja para fugir do trânsito caótico, do agito ou para buscar uma rotina menos acelerada, a busca por mais qualidade de vida se tornou uma constante para população das grandes cidades. São várias as alternativas para tentar uma relação mais tranquila com a cidade. Os bairros mais verdes ou a escolha de um lugar fora dos grandes centros urbanos já são opções reais.

Hoje temos uma herança da revolução industrial na forma como as cidades enfrentam os grandes congestionamentos. “Naquela época, todos os horários foram sincronizados e, enquanto for assim, os engarrafamentos vão acontecer”, explica Francisco Cunha, formado em Arquitetura e Urbanismo e sócio da TGI Consultoria e Gestão. O problema acontece de forma mais forte porque os horários de entrada e saída do trabalho são basicamente na mesma hora.

Outra herança segundo Francisco Cunha é a forma como os cidadãos são zoneados nas cidades, já que, de uma forma geral, existe um lugar para morar, outro para trabalhar e um para o lazer. “É preciso estar conectado com carro ou com um bom transporte público. E tem a questão também que antigamente existiam poucos carros e hoje fica difícil chegar com rapidez”, acrescenta.

A capital de São Paulo, que concentra 58,2% da população ocupada, levou em média 139 minutos nos deslocamentos casa-trabalho-casa (Foto: ShutterStock)

O uso múltiplo do solo é importante nesse processo. Ou seja, os lugares residenciais não devem ser isolados para, desta forma, diminuir os impactos. “Tem que ter moradia, comércio, serviços, lazer, saúde e emprego próximos. De preferência, até no próprio prédio”, afirma James Wright, professor de Estratégia da Universidade de São Paulo e coordenador do Profuturo-Fia. Francisco Cunha reforça que ter esses elementos juntos ajuda na ocupação da cidade. “Não adianta ter só uma coisa ou outra porque fica isolado e se torna perigoso. É preciso ter gente circulando para que aquele local não tenha os horários de uso limitados com espaços construídos desocupados. As ruas só são seguras quando tem gente circulando”, completa.

A capital de São Paulo, que concentra 58,2% da população ocupada, levou em média 139 minutos nos deslocamentos casa-trabalho-casa. Já na Região Metropolitana a média foi de 137 minutos. O último levantamento do Sistema Firjan, de 2013 e divulgado em outubro passado, leva em consideração a população ocupada com deslocamentos acima de 30 minutos. O município de São Paulo ainda respondeu a 64,1% do total da Região Metropolitana quando considerado o custo nominal dos deslocamentos. Os dados mostram que a dinâmica econômica (PIB e empregos) é determinante para o impacto do custo dos deslocamentos sobre a produtividade. Isso significa que, quanto maior o PIB, maior o volume da produtividade sacrificada per capita.

Ou seja, é preciso pensar em soluções para aproximar a população de seus locais de trabalho como forma de garantir mais qualidade de vida e também de ocupar melhor as cidades. Morar perto do ambiente físico profissional é uma alternativa, mas nem sempre viável. A reurbanização dos centros das cidades pode despontar como uma alternativa, desde que siga seja feito de forma organizada.

“Existem movimentos para reocupar com qualidade os centros da cidade, isso está acontecendo, mas desde que se possa morar com segurança”, afirma James Wright. Porém, esse é um processo que ainda promete demorar para se tornar uma realidade concreta. “A reurbanização não é um projeto de uma gestão apenas. É para olhar para os próximos 40 anos”, completa André Gomyde, presidente da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas.

Atualmente a tecnologia também é uma aliada para aqueles que podem trabalhar remotamente, de casa, no home office. “Empresas e governos precisam se reinventar e entender que a presença não é mais necessária. Qualquer trabalho hoje cabe essa lógica, até mesmo o trabalho braçal, que está acabando com as máquinas controlando mais. Desta forma, evitaria mais os deslocamentos”, conclui Gomyde.

Fonte: www.zappro.com.br

O futuro da habitação: drones, automação e moradias compartilhadas.

O escritório de arquitetura Humphreys and Partners, com sede em Dallas, apresentou no início deste ano durante a exposição ‘International Buiders’, uma perspectiva particular daquilo que poderá vir a ser a arquitetura residencial em um futuro próximo. A proposta considera questões importantes na arquitetura como a habitação social e a sustentabilidade na construção, além de como a tecnologia tem transformado a maneira como habitamos nossas cidades. Este projeto futurístico composto de dois arranha-céus chamados de Pier 2: Apartment of the Future, não poderiam estar situados em um lugar mais sugestivo: a orla Manhattan.

via Humphreys & Partners Architects

O projeto está situado em um futuro aonde veículos autônomos, inteligência artificial, drones e casas automatizadas estão espalhados por toda parte e são fundamentais para nossa vida cotidiana. Talvez essa perspectiva não seja apenas coisa de ficção científica como pode parecer em um primeiro momento. O projeto do Hyperloop proposto por Elon Musk recentemente recebeu autorização do departamento de transporte do D.C. para iniciar suas escavações preliminares. O Hyperloop é um sistema de transporte previsto para iniciar sua operação em 2021, e consiste em túneis de vácuo onde cápsulas são lançadas através de propulsão a ar. O projeto do Humphreys and Partners para as futuras torres gêmeas de Manhattan, incorpora o sistema do Hyperloop em sua estrutura, além de outras tecnologias relacionadas ao transporte, como estações de bicicleta, plataformas de pouso para drones e passarelas geradoras de energia. O projeto também prevê um futuro aonde o comércio é completamente automatizado, assim como a recém inaugurada loja da Amazon Go em Detroit.

via Humphreys & Partners Architects

Pier 2: Apartment of the Future também aborda a uma questão latente na arquitetura contemporânea, a habitação social. Através de um projeto modular é possível criar unidades acessíveis que poderiam ser adaptadas junto a estrutura da torre conforme a necessidade. O projeto incentiva os espaços de convívio que promovem um senso de comunidade em uma paisagem urbana frequentemente alienante. Com o advento da “giga economia”, onde a usual ideia de construir uma carreira para toda a vida é substituída pelo desenvolvimento de atividades empreendedoras baseadas em contratos, o projeto incorpora uma série de espaços de co-working nos níveis inferiores próximos do térreo.

via Humphreys & Partners Architects

Em termos de sustentabilidade, todo o edifício seria composto de vidros fotovoltaicos, reduzindo o consumo de energia elétrica da rede em até 34%. O projeto também conta com turbinas eólicas que estão localizadas sob a plataforma superior que conecta as duas torres, gerando mais energia para as unidades residenciais, além dos diversos painéis solares instalados na cobertura, tecnologias da Tesla e a produção de energia a partir do fluxo do rio Hudson. Nas laterais das torres, paredes verdes são utilizadas para a agricultura vertical e para a filtragem do ar atmosférico.

Mais informações no vídeo abaixo:

Fonte: www.archdaily.com.br

por Yiling Shen – Traduzido por Vinicius Libardoni

Via: Humphreys and Partners Architects.