Arquivo diários:15 de maio de 2018

Materiais alternativos para aumentar a sustentabilidade no Brasil.

Materiais alternativos para aumentar a sustentabilidade no Brasil

Painéis solares são responsáveis por converter a luz do sol em energia. A alternativa tem sido implantada em muitas obras brasileiras Créditos: Shutterstock

Sustentabilidade deve ser planejada em projeto e estar presente desde o canteiro de obras

Preocupadas com o meio ambiente e com a implantação da sustentabilidade, as incorporadoras têm investido cada vez mais na projeção de empreendimentos sustentáveis. Painéis solares com placas fotovoltaicas, utilização de sistemas de reuso de água, jardins suspensos, sistemas construtivos com menos desperdício em canteiro, são algumas das ações que as companhias têm realizado.

Ao mesmo tempo, para agregar valor aos imóveis, essas empresas estão buscando também conquistar certificações e selos como AQUA, da Fundação Vanzolini e Leed, do Green Building Conciul Brasil (GBC). Cada uma das certificações apresenta uma série de exigências listadas em itens para que o empreendimento que deseja se certificar, preencha. E, caso o edifício faça a solicitação, os responsáveis dentro das entidades fazem verificações nas obras para atestar o cumprimento desses itens.

Manuel Martins, coordenador executivo do AQUA-HQE, explica que os materiais não são sustentáveis sozinhos e que para chegar ao conceito de sustentabilidade em obra é preciso pensar no projeto como um todo. Deve-se considerar desde os impactos em canteiro até o resultado do empreendimento final que será utilizado pelo proprietário. “Existem vários sistemas e várias inovações que ajudam. Mas não há uma orientação do que seja melhor fazer. Isso depende de cada projeto”, explica.

 

Sustentabilidade em materiais

Uma das alternativas sustentáveis aplicadas pela Votorantim Cimentos na produção do seu cimento é o uso de escorias e pozolanas em substituição ao clínquer. Vicente Bueno Verdiani, consultor do departamento de desenvolvimento técnico de mercado da Votorantim Cimentos, explica que, cimentos com maiores teores de adição seja de escorias ou pozolanas, na sua produção, auxiliam na redução da emissão do CO².

Funciona da seguinte maneira: quando se vai produzir o cimento, a sua matéria prima básica é o clínquer, que é obtido por meio da queima da farinha. O processo consiste na calcinação do calcário e nessa queima ocorre a emissão de CO².  Quando se utiliza a pozolana, por exemplo, se substitui na sua composição química parte desse clínquer por uma adição. “Então, se eu coloco 30% de adição de escoria ou 30% de pozolana, eu tiro 30% de clinquer. Logo, eu uso menos clínquer, que é o material que polui na hora da queima”, ressalta Verdiani. Essa é a correlação que auxilia na diminuição da emissão do CO².

 

EPDs

Além das certificações e selos já citados sobre sustentabilidade, uma iniciativa nova que está sendo implantada no Brasil pela Fundação Vanzolini é a EPD(Environmental Product Declaration). A EPD é um documento verificado e cadastrado que comunica informações transparentes e comparáveis sobre o impacto ambiental a partir do ciclo de vida dos produtos.

Segundo Manuel Martins, do AQUA, o programa ainda está engatinhando no Brasil, mas a expectativa é de que muitas empresas se adaptem ao sistema e gerem suas documentações. A Votorantim Cimentos é uma das pioneiras no Brasil e gerou sua EPD para seu cimento, confira aqui. “A EPD traz o perfil do produto em termos de impacto ambiental e com isso pode-se olhar esse perfil, comparar com outro produto e escolher o melhor, o que tem menos impacto. Para isso que elas funcionam”, complementa.

 

O que a Certificação AQUA solicita?

De acordo com Manuel Martins, o selo AQUA visualiza conforto e saúde de um lado e baixo impacto ambiental do outro nos projetos. “O projeto precisa ser desenvolvido pela arquitetura pensando no conforto térmico, em uma temperatura interna agradável, em conforto acústico, ou seja, isolamento acústico de modo que minimize o ruído exterior, ruído de um apartamento entre duas unidades, entre outros pontos”, explica.

Há também a questão do conforto visual e do conforto olfativo. O primeiro inclui tanto a iluminação natural que é importante para as pessoas e, também, para a economia de energia, quanto a iluminação artificial equilibrada. Já, o segundo vislumbra identificar fontes de odores tanto externas quanto internas e tentar evitar ou reduzir pela ventilação.

No caso do tópico saúde, a certificação verifica se as redes não causam danos à qualidade sanitária da água, por exemplo, para que tenha sempre água potável em boas condições de uso disponível aos moradores do empreendimento. Nesse ponto, a qualidade do ar também é atestada, verificando os sistemas de condicionamento de ar, a fim de evitar a proliferação de fungos e bactérias por meio deles.

Garantindo essas premissas, é preciso assegurar também que o empreendimento apresente o menor impacto ambiental possível. Existe uma integração do edifício com seu entorno? Há serviços próximos? Transporte público? Todos os aspectos que facilitam a vida das pessoas são positivos do ponto de vista da certificação.

Outro ponto que é considerado é a eficiência energética. Nesse tópico, pode-se considerar a iluminação e ventilação natural como fatores positivos e também a utilização de produtos e sistemas, quando necessários, de menor consumo, que sejam etiquetados nível A do Procel. A questão da utilização da água também deve ser pensada aqui. “Pode-se usar água de chuva para limpeza de áreas externas e para irrigação de áreas vegetais, por exemplo – se for viável captar água de chuva pra isso”, ressalta Martins.

Na questão dos materiais, a primeira coisa a ser vista é se eles funcionam para as suas finalidades. Por exemplo, uma janela precisa vedar chuva e vento, vedar ruído, abrir e fechar e, se possuir norma técnica, estar em conformidade com a mesma. Dessa forma, se verifica a qualidade do produto e depois a facilidade da sua manutenção.

“Se eu conseguir um revestimento de piso ou de paredes que exija menos produtos de limpeza, menos água para limpeza e conservação, que seja de manutenção mais fácil, eu estou economizando para o meio ambiente e para o bolso do condomínio também”, explica o coordenador. Além disso, produtos que contém elementos que agridam a saúde humana não são considerados como sustentáveis.

Também se olha a questão dos transportes dos materiais até a obra. Dependendo da distância e da modalidade do transporte é possível estimar a emissão de gases de efeito estufa. Procurar materiais que estão mais perto do canteiro também facilita nesse sentido.

E, por final, é preciso verificar como aquela obra está sendo realizada em canteiro. Os materiais que vão ser utilizados e o consumo de água entre outros elementos são evidenciados nesse tópico a fim de reduzir gastos e evitar desperdícios.

Fonte: http://www.mapadaobra.com.br