Arquivo mensais:junho 2018

Preservação de bairros históricos paulistanos precisa ser repensada.

Pesquisadora propõe discussão sobre o conceito de patrimônio ambiental urbano: como definir e produzir urbanidade?

Escadaria do Bexiga – Foto: Dornicke via Wikimedia Commons / GFDL

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Nadia Somekh propõe, em seu artigo publicado na Revista CPC, a discussão sobre o conceito de patrimônio ambiental urbano: como definir e produzir urbanidade? Como preservar o patrimônio cultural levando em conta o desenvolvimento sustentável? Como ficam essas questões em São Paulo? A autora toma o bairro do Bexiga* como ponto de partida de análise do assunto, apresentando, em sua pesquisa, três questões: “a política da preservação, a renovação de bairros históricos, terminando com a proposta de novas agendas para a preservação”.

As cidades brasileiras, com o crescente processo de expansão urbana, carecem de um modelo no qual se leve em conta as desigualdades sociais na questão habitacional, “garantindo a permanência da identidade e democracia urbana”. A autora propõe repensar a construção da cidade, com a criação, por exemplo, de espaços públicos de qualidade e preservação do patrimônio histórico. Sendo assim, como construir a cidade a partir do patrimônio, preservando-se zonas que contam com recursos naturais?

Sítio e principais pontos de referência do Bexiga no séc. XVI/ Sítio e primeiro parcelamento do território do bairro em 1897 – Fonte: STEVENS, 2013

O artigo introduz o conceito de cidade compacta e a possibilidade de conviver-se com espaços públicos democráticos e novas formas de proteção do patrimônio cultural e histórico, no resgate da memória e das características da cidade. Nesse contexto, observa-se que o conceito de patrimônio ambiental urbano vem mudando com a criação do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), em 1968, “e hoje não se poderia entender a preservação do patrimônio ambiental urbano fora do planejamento das cidades”.

A autora escolhe o Bexiga para sua análise, “lugar de parada de escravos fugidos, local de assentamento dos primeiros imigrantes italianos e hoje abrigando importante parte da comunidade nordestina recém-chegada à cidade”. Sempre em constante transformação, representante de momentos significativos do desenvolvimento de São Paulo, o bairro, alvo de vários projetos, passou por fases de expansão vertical, mas grande parte de suas edificações e patrimônio cultural estão intactos, graças ao seu tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – Conpresp, em 2002.

Estudo de intervenção em miolo de quadra realizado por uma das equipes escolhidas – Fonte: GIANOTTO, 2015

Para a preservação cultural do patrimônio no Bexiga foi proposta a preservação das vias públicas originais, de bens imóveis e elementos importantes levantados no inventário, mas a efetiva política de preservação, entretanto, encerrou-se com o tombamento do bairro. Espaços produtivos esvaziados, projetos urbanos obsoletos em que o desperdício é notório, frutos do capitalismo tardio, acabam por resultar em experiências que geram empreendimentos imobiliários ambientalmente insustentáveis, que “fazem parte da cidade contemporânea, em que o patrimônio não conta com uma busca efetiva para protegê-lo e conservá-lo”, explica Nadia.

Proposta de calçadão na Rua Treze de Maio, em frente à Igreja Nossa Senhora Achiropita, realizado por uma das equipes escolhidas – Fonte: GIANOTTO, 2015

Em relação à valorização do patrimônio, atualmente, nota-se resultados positivos na cidade, dos quais destacam-se algumas iniciativas da prefeitura de São Paulo como a criação e regularização da Jornada do Patrimônio, com visitação de locais preservados e atividades nos bairros, e a Fábrica de Restauro, que divulga “a promoção da coesão social em áreas com grande incidência de imóveis tombados na cidade”. A autora, em seu artigo, propõe a criação de uma “agenda do patrimônio ambiental urbano”, no intuito de engajar os cidadãos no reconhecimento e valorização de sua história, o que aponta para a urgência de “programas de sensibilização”. E, finalizando, Nadia afirma: “Ampliar a participação, ampliar a disseminação do conhecimento, da sensibilização ao patrimônio pode conduzir a projetos urbanos com inclusão social”.

Nadia Somekh é doutora em Arquitetura e Urbanismo e professora titular do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, SP.

SOMEKH, Nadia. A construção da cidade, a urbanidade e o patrimônio ambiental urbano: O caso do Bexiga, São Paulo. Revista CPC, São Paulo, n. 22, p. 220-241, dez. 2016. ISSN: 1980-4466. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/cpc/article/view/12199. Acesso em: 17 jan. 2017.

Margareth Artur / Portal de Revistas da USP

*A grafia “Bixiga” também é usualmente adotada. Esta resenha optou por seguir a grafia trazida no artigo original de que trata, isto é, “Bexiga”.

Fonte: jornal.usp.br

LEGO House do BIG é tema de documentário da Netflix.

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A LEGO House projetada pelo Bjarke Ingels Group terá seu próprio documentário da Netflix. Levando os espectadores em uma jornada através da concepção, design, construção e inauguração da LEGO House, o documentário oferece uma visão sobre os desafios enfrentados ao longo do processo, além de pensamentos e reflexões dos principais colaboradores do projeto, incluindo o próprio Bjarke Ingels.

“LEGO House – Home of the Brick” oferece uma visão completa sobre a criação do projeto, detalhando os principais problemas iniciais de construção, atrasos e a conclusão de um dos projetos mais icônicos dos últimos anos. O documentário mergulha na história da marca LEGO, na visão e na importância atribuída à LEGO House pelos diretores da empresa e, talvez o mais interessante, a uma série de entrevistas com Bjarke Ingels, nas quais ele reflete sobre o papel da LEGO no desenvolvimento de sua própria trajetória profissional.

Concluída em 2017 em Billund, na Dinamarca, a LEGO House trouxe a escala de brinquedos do clássico tijolo LEGO para a escala humana, com espaços de exposição e praças públicas. O projeto de 12.000 metros quadrados é dividido em zonas de experiência e conta com três restaurantes, uma LEGO Store, um centro de conferências e um espaço público de dois mil metros quadrados conhecido como LEGO Square.

O documentário, infelizmente, ainda não está disponível para assinantes do Brasil.

Fonte: https://www.archdaily.com.br

Presidente da CBIC, Celso Petrucci fala sobre benefícios da lei do distrato.

Para conversar sobre o tema, nosso convidado de hoje é o presidente da comissão imobiliária da Câmara Brasileira da Indústria de Construção, Celso Petrucci.

Para começar, eu gostaria que o senhor falasse sobre como são as regras atuais de distrato e se elas continuam eficazes.

“Nós incorporamos e vendemos imóveis através do compromisso de compra e venda desde 1964 com a mesma lei, a lei 4.591. Até os anos de 2011, 2012, 2013, os nossos contratos eram respeitados. No seguinte sentido: quem compra um imóvel não está comprando um celular, uma geladeira. É um bem que os brasileiros só vão comprar uma vez na vida, outros nem vão conseguir.

Normalmente se pressupõe que quem compra tem responsabilidade sobre o que está fazendo. De repente, como o mercado teve um boom nos anos de 2010, 2011, 2012, o mercado cresceu muito, financiamento imobiliário cresceu. Acabou acontecendo uma situação que nos causou muito estrago, que é essa decisão unilateral da rescisão de contrato que é chamado de distrato, que é a forma mais simples de explicar essa situação.

Ou seja, quando eu faço uma incorporação e eu vendo essa incorporação, eu crio a obrigação de entregar o imóvel em uma data futura, e a pessoa cria a obrigação de me pagar. Isso sempre pressupôs que esse contrato não poderia ser rescindido unilateralmente, a não ser em caso de inadimplência ou do comprador que deixa de pagar por mais de três meses, ou atrasar a entrega do bem. De repente, a Justiça passou a legislar em cima disso e aceitar que as pessoas fossem ao Judiciário e solicitassem a rescisão desse contrato unilateralmente, cada um criando sua regra.

De repente, nosso setor sentiu a necessidade de participar desta negociação, deste acordo que está sendo feito para ter um marco regulatório e trabalhar para o futuro com mais segurança.”

Na avaliação do senhor, o projeto de lei que está tramitando no Congresso representa um avanço ou um retrocesso para o setor imobiliário?

“Esse projeto de lei não é bom nem ruim para nós. Nós achamos que se a lei fosse seguida, seria a melhor situação, ou seja, quando você comprasse seu imóvel e tomasse a decisão responsável de comprar o imóvel na planta, você saberia que teria que pagar por um ano e meio, dois anos aquela parcela, sabendo que precisaria de um financiamento mais na frente e, somente em casos excepcionais, como perda de emprego, algum acontecimento na família, algo assim.

Isso sempre aconteceu na incorporação e os acordos sempre foram feitos com as incorporadoras, com os consumidores. Nós trabalhamos para a aprovação desse projeto contrariados porque queríamos que nosso contrato continuasse valendo e que as pessoas tivessem responsabilidade para comprar o imóvel.

De toda forma, são dois anos e meio de negociação com o Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor, com a Casa Civil, Ministério da Fazenda, Ministério do Planejamento, que culminou com a aprovação deste projeto, e queremos que agora este projeto também seja aprovado no Senado para que a gente se sinta um pouco mais tranquilo, para voltarmos a vender imóveis igual fazemos desde 1964, com compromisso de compra e venda irretratáveis e irrevogáveis e com as novas condições que vão ser colocadas nesta lei.”Celso Petrucci, presidente da comissão imobiliária da Câmara Brasileira da Indústria de Construção, é o entrevistadoCelso, você comentou no primeiro bloco que este projeto de lei não favorece nem prejudica o setor imobiliário. Qual seria a situação ideal na sua opinião, o que poderia ser mudado?

“O bom para nós é que não tivesse acontecido essa interferência do Judiciário nos nossos contratos. Como a situação já foi criada, como isso prejudicou as empresas e alguns consumidores também, porque se eu cheguei a ter aqui na cidade de São Paulo um índice de distrato que chegou a quase 25%, ou seja, a cada quatro vendas eu perdia uma, e hoje isso está em torno de 10%, a cada dez vendas eu continuo perdendo uma, seria preferível que isso não tivesse ocorrido.

Agora, isso prejudicou as empresas e por mais que tenha sido alto, repito, chegando a 25%, você tem os outros 75%, hoje 90% dos compradores que estão cumprindo suas obrigações e também têm o direito de receber na data e da forma que foi comprometido no contrato.”

Falando agora sob o aspecto do consumidor, qual seria sua orientação quem planeja comprar um imóvel?

“Quando for comprar um imóvel na planta, que ele faça muito bem as contas, pense no que pode acontecer na vida dele dentro de um ano, dois anos. Ninguém compra imóvel achando que a vida está pior. Tem que fazer isso com muita segurança, muita tranquilidade. Falo isso para as pessoas, cada família. A aquisição de um imóvel, na maioria das vezes, exige um sacrifício da família, exige um grande comprometimento de renda da família. Isso deve ser feito com muita responsabilidade. Você não deve comprar imóvel na planta tempestivamente. ‘Ah, passei por um plantão de vendas, comprei, voltei depois de dois dias, assinei o contrato e nem li o que estava escrito’. Muito pelo contrário. Deve-se ler atentamente o contrato, saber quem é o incorporador, para ver se esse incorporador já fez outros empreendimentos, conhecer os empreendimentos que já foram feitos. Conhecer empreendimentos que já foram entregues por esse incorporador, para que ele faça a coisa com bastante responsabilidade e sabendo que ele está assumindo um compromisso por uma vida. Porque ele vai ter que pagar a poupança para o incorporador durante 18, 24, 30 meses, mas depois vai fazer um financiamento em 10, 15, 20 anos.”

Fonte: http://jornaldiadia.com.br

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Saiba o quanto e como o cenário atual está impactando o mercado imobiliário.

Foto: Divulgação VivaReal

Comprar apartamento exige coragem! Muitas pessoas passam noites sem dormir só de pensar em não conseguir pagar as prestações acertadas, principalmente em caso de perda de emprego. No ano passado a economia brasileira cresceu apenas 1% e escancarou o cenário complicado em que o país vem atravessando.

Apesar do fim da recessão dos dois anos anteriores (quando o Produto Interno Bruto recuou), o crescimento baixo de 2017 não foi sentido diretamente pela maior parte dos brasileiros.

De acordo com dados oficiais do governo, até 2020 o Brasil vai crescer apenas para recuperar as perdas do período de recessão. Isso significa que o país só voltará a crescer efetivamente a partir de 2021, tendo perdido seis anos para correr atrás da recuperação.

Em 2018 ainda teremos eleição, o que aumenta ainda mais as incertezas políticas e econômicas. Um cenário tão complicado como esse dificulta a situação de vários setores, principalmente os que atuam com investimentos de longo prazo, como o imobiliário.

Receio da população em investimentos de longo prazo

Comprar um apartamento é um projeto de longo prazo e, em tempos de crise, isso afugenta o interesse das pessoas de se lançarem neste tipo de empreendimentos. Mas é importante notar que “país em crise” não é um termo absoluto para todas as áreas. Por isso é recomendado que as pessoas acompanhem o noticiário econômico mais à fundo antes de tomar qualquer decisão.

Por exemplo: a queda gradativa da Taxa Selic anunciada nos últimos anos faz com que o momento seja relativamente propício para a compra do imóvel, já que os custos das atividades econômicas ficam mais baratos. Além disso, mais pessoas decidem tirar o dinheiro da poupança para buscar outros tipos de investimentos, já que ela passa a render menos. Isso leva a um aumento na demanda e as construtoras tiram da gaveta novas opções de plantas para vendas.

Mudanças no Programa Minha Casa, Minha Vida

Outro fator que impacta diretamente o mercado imobiliário diz respeito às mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida do Governo Federal. Algumas regras foram modificadas para ampliar o acesso a ele como, por exemplo, a ampliação do limite da renda dos que aderem ao programa: desde o fim do ano passado esse limite subiu de R$ 6,5 mil para R$ 9 mil.

Dinheiro da poupança na compra de imóveis

Como ainda não temos os comparativos de 2018 fechados, é possível entender o cenário a partir de dados dos últimos anos. Um recente boletim de crédito do Banco Central aponta que, em março de 2017, o volume de empréstimos com recursos retirados da poupança para aquisição e construção de imóveis chegou a R$ 4,01 bilhões, o que representa um crescimento de 36% na comparação com fevereiro daquele ano.

Por outro lado, isto é uma queda de 9,2% se comparado com o mesmo mês de 2016. Diante destes números podemos concluir que há um interesse do cidadão em investir em novos imóveis, o que ajuda a aquecer o mercado.

Mudanças no FGTS

Estimativas de empresas especializadas em comércio apontam que a poupança é, historicamente, o segundo caminho mais utilizado pelos brasileiros para financiar imóveis, enquanto o primeiro é o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, mais conhecido como FGTS. Trata-se de um dinheiro depositado na conta do trabalhar pela própria empresa onde ele trabalha e que pode ser retirado em situações muito pontuais, como para comprar um apartamento ou em caso de doenças, como AIDS e câncer.

Na intenção de reaquecer a economia, o governo liberou o saque das contas inativas do FGTS no fim de 2016 e muitas pessoas optaram por pegar esse dinheiro e quitar imóveis ou mesmo dar entrada em algum novo. Na época, o governo alegou que as contas tinham R$ 30 bilhões disponíveis para sacar, sendo que 86% delas tinham menos de um salário mínimo de saldo.

Fonte: https://jeonline.com.br

Relator do projeto dos distratos não deve propor redução de multa.

Senador Ricardo Ferraço diz que a crise criou dificuldades para construtoras e que é preciso buscar equilíbrio.

O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que será o relator do projeto que regulamenta a cobrança de multas em caso de desistência da compra de um imóvel, o chamado distrato, sinalizou que não deve propor a redução das multas. Pelo texto aprovado pela Câmara dos Deputados, o valor a ser pago pelo consumidor poderá chegar a 50% das parcelas já quitadas.

“Essa crise econômica vivida pelo País revelou enormes dificuldades para os adquirentes – isso é uma realidade – mas gerou problemas também para o construtor porque tem alguém que acorda cedo, que empreende, que corre risco, que gera empregos, que paga imposto e que precisa ser olhado sem preconceito. A indústria da construção civil é uma das mais importantes do País, sobretudo para a geração de empregos. Nós precisamos buscar um equilíbrio”, disse.

Ferraço afirmou ainda que pretende apresentar o seu relatório até quinta ou sexta-feira, para que o projeto possa ser votado na próxima semana na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. “O projeto dialoga com uma necessidade inadiável, que é a necessidade de a gente ter regra para uma evidência econômica que está presente na economia brasileira. Na ausência de uma regra, de uma disciplina, isso está sendo judicializado em larga escala e essa controvérsia tem produzido prejuízo para o equilíbrio econômico do País”, disse.

Desde que o projeto foi aprovado na Câmara, no início de junho, representantes das grandes construtoras têm feito pressão para que o projeto seja votado com rapidez no Senado e não sofra alterações. O texto elaborado pelos deputados estabelece uma multa de 50% nos casos de devolução de imóveis construídos no chamado regime de afetação – regime da maioria dos empreendimentos, pelo qual cada prédio tem CNPJ próprio para proteger interesses dos compradores.

O governo trabalha para reduzir a multa para 25% para todos os casos de devolução do imóvel. Assim, a penalidade ficaria mais próxima de decisões recentes da Justiça que estabeleceram valor de 10% a 25% do valor pago à construtora. Ferraço disse que não vai consultar o governo para fazer seu relatório. “Não conversei com o governo, até porque essa não é uma matéria que dialoga com interesses do governo e de oposição. É uma matéria que dialoga com o interesse da economia brasileira.”

Fonte: https://www.terra.com.br

Por Isadora Peron

Verticalização urbana: solução ou problema?

Foto – Divulgação

Processo global, a construção de prédios mais altos pode trazer benefícios, dependendo do planejamento urbano

Quando se fala em planejamento urbano, é impossível evitar o tema da verticalização, ou seja, a construção de prédios cada vez mais altos. Esse é um caminho do qual o Brasil, com a quarta maior população urbana do mundo, não tem como escapar. Mas esse processo traz mais benefícios ou prejuízos? Qual o seu impacto sobre as cidades?

A verticalização é um fenômeno global, diretamente ligado à urbanização – ou seja, o aumento populacional das grandes cidades, em detrimento da vida no interior. De acordo com o último Censo do IBGE, o número de apartamentos no Brasil cresceu 43% entre 2000 e 2010, passando de 4,3 milhões para 6,1 milhões.

Os especialistas em planejamento urbano concordam que a verticalização é um processo sem volta. Para que ele traga benefícios, é preciso garantir que, ao acomodar moradores em prédios mais altos, seja possível aumentar a densidade demográfica, ou seja, ter mais pessoas morando em uma determinada área.

“A altura pode ajudar no aumento da concentração populacional em uma determinada região, respondendo às demandas por espaço e aumentando a eficiência das redes de infraestrutura, que podem atender mais pessoas em caminhos mais curtos”, diz o arquiteto e urbanista Anthony Ling, do projeto Caos Planejado.

Para viabilizar esse adensamento, o planejamento urbano é fundamental, na opinião de Claudio Bernardes, presidente do Conselho Consultivo do Secovi-SP. Para ele, isso não é possível sem uma infraestrutura de transportes de massa, a adequação de vias a pedestres e ciclistas e induzir atividades que possibilitem às pessoas morar, trabalhar e se divertir em uma mesma localidade.

“Enquanto o mundo tem cerca de 50% das pessoas morando em cidades, o Brasil já tem 85%, e infelizmente não temos dado a devida atenção ao planejamento urbano”, diz Bernardes. Ele acredita, no entanto, que essa conscientização já está ocorrendo, com as cidades planejando melhor seu crescimento.

No entanto, verticalização e adensamento podem não vir lado a lado, segundo Nívea Oppermann, diretora de Desenvolvimento Urbano da ONG WRI. Dependendo do perfil do empreendimento, a densidade pode ficar abaixo do que seria ideal para a cidade.

“Se temos um prédio de 30 andares, é melhor que ele tenha quatro apartamentos por andar do que apenas um. Isso porque o custo para a prefeitura colocar ônibus, coleta de lixo, fibra ótica, gás e saneamento para 30 famílias será o mesmo do que para 120, mas com mais apartamentos, é possível atender mais gente”, afirma.

Ilhas de calor

Outro ponto negativo que a verticalização sem planejamento adequado pode gerar é o fenômeno da “ilha de calor”, em que as áreas urbanas ficam com temperaturas maiores do que as zonas rurais mais próximas. A disposição de prédios altos também pode provocar a canalização de ventos, gerando desconforto no nível das calçadas.

Outros fatores podem tornar o processo de verticalização mais nocivo, segundo os especialistas. Para Anthony Ling, um deles é o afastamento e isolamento dos edifícios da calçada e dos prédios próximos, para que tenham maior altura. Segundo ele, isso prejudica a caminhabilidade das ruas, por afastar as atividades do edifício dos pedestres consumidores, e quebra a homogeneidade da paisagem, prejudicando a harmonia visual – fator importante, na sua opinião, da vida urbana.

Como resposta a isso, ele sugere a eliminação da exigência de recuos ou afastamentos obrigatórios e dos limites de altura para novas construções, para que a cidade possa responder às demandas por espaço construído em cada região.

Para o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, que já foi vereador e redigiu o Plano Diretor de São Paulo, a obsolescência dos edifícios também é resultado da verticalização sem planejamento. A modernização e adaptação de prédios antigos para novas exigências é cara, segundo ele. Além disso, a reciclagem de edifícios comerciais para se tornarem residenciais é difícil, porque as torres de iluminação e sanitárias desses locais não são adequadas para receber moradores.

Como resultado, muitos edifícios acabam abandonados. O município de São Paulo, por exemplo, tem hoje mais de 700 edifícios não utilizados, 70 deles no centro da cidade. Alguns deles são ocupados por sem-teto, como o edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou após um incêndio ocorrido em maio.

Fonte: https://g1.globo.com

Na construção, tecnologia 3D chega lentamente ao Brasil.

Segmento de maquetes é o primeiro a se beneficiar da tecnologia no país. Já, na Holanda, equipamentos constroem de pontes a condomínios.

Maquetes que utilizam gesso como material são o primeiro passo da impressão 3D no Brasil. Crédito: ZPrint

No mundo, a impressão 3D já movimenta um mercado de 35 bilhões de dólares. Um dos setores que usufrui desta tecnologia é a construção civil. No Brasil, equipamentos capazes de moldar de artefatos a casas começam a ser apresentados ao mercado, ainda que lentamente. Por enquanto, o segmento de maquetes é o primeiro a se beneficiar da tecnologia, já que máquinas conseguem imprimir em gesso, em tempo recorde e com muito mais precisão as miniaturas.

Existem também as impressões 3D em nylon, como explica Tiago Ferraz de Barros, gerente de marketing para a América Latina da 3D Systems. “As impressões em gesso servem para modelos visuais completos, sendo ideais para apresentar conceitos e para a aprovação de projetos. Já as impressões em nylon, na tecnologia SLS, permitem criar modelos com resistência e boa resolução, podendo ser usados para testar projetos funcionais”, diz.

Por sua capacidade ilimitada de reproduzir qualquer objeto, as impressoras 3D também possibilitam que os engenheiros criem novos projetos, testando materiais mais leves, flexíveis e resistentes. Porém, apesar de toda a potencialidade da tecnologia, ela ainda é pouco explorada pela construção civil brasileira. “A impressão 3D amplia o leque de possibilidades dentro dos projetos, principalmente se eles estiverem ligados ao uso do BIM”, destaca Tiago Ferraz de Barros.

A quebra de patente da impressão 3D, ocorrida em 2014, passou a tornar a tecnologia cada vez mais popular e com custos cada vez mais palpáveis. Atualmente, existem impressoras cujos preços variam de 500 dólares a 20 mil dólares. A viabilidade econômica passou a gerar uma série de startups vinculadas à tecnologia, inclusive dentro da construção civil. Porém, o setor ainda perde para outros segmentos em que a impressão 3D já está completamente agregada ao dia a dia das pesquisas e do desenvolvimento de projetos e materiais.

Carga tributária nacional é um dos obstáculos para a impressão 3D

Entre eles, o aeroespacial, onde a tecnologia possibilita a produção de peças de alta performance e resistência. A medicina também se beneficia intensamente das impressões 3D, criando próteses e órteses cada vez mais eficazes e adaptadas ao corpo humano. O mesmo ocorre com a odontologia, o setor automotivo, a moda e a indústria plástica.

Na construção civil, o país que lidera a tecnologia 3D é a Holanda. Em 2017, os holandeses produziram a primeira obra de infraestrutura usando a tecnologia: uma ponte na região rural de Gemert, no norte do país. Impulsionada pelas pesquisas desenvolvidas dentro da Universidade Tecnológica de Eindhoven, a Holanda se prepara para construir condomínios de casas com impressão 3D em concreto.

As unidades terão uma arquitetura futurista, com formatos curvos. Batizado de Project Milestones, o condomínio tem incentivos fiscais da autoridade municipal de Eindhoven. Diferentemente do Brasil, onde a carga tributária para a importação da tecnologia 3D ainda é proibitiva, incidindo tributos como ICMS, ISS e IPI sobre produtos impressos em três dimensões. 

Entrevistados
Universidade Tecnológica de Eindhoven, BAM Infra e 3D Systems 
(via assessorias de comunicação)

Contato
info@tue.nl
info.infra@bam.com
press@3dsystems.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fonte: http://www.cimentoitambe.com.br

Como a realidade virtual está mudando o mercado imobiliário.

REALIDADE VIRTUAL COMEÇA A SER UTILIZADA NO MERCADO IMOBILIÁRIO (FOTO: FELIPE MAIA/ÉPOCA NEGÓCIOS)

Novos dispositivos levam até cheiro e calor ao mundo 3D e mudam a experiência de compra de apartamentos

Já triviais no mundo dos games, experiências de imersão como realidade virtual ou realidade aumentada continuam a adentrar outros setores da indústria de tecnologia. O ramo imobiliário é um desses que vem adotando essas ferramentas com adicionais sofisticados e preços atrativos para consumidores e empresas.

Alguns dos projetos foram apresentados durante a MIPIM PropTech, conferência de tecnologia realizada em Paris nesta penúltima semana de junho. Todos têm em comum o objetivo: transformar a rotineira experiência do “visite o decorado” em algo mais próximo do real, fator que pode ser determinante para o cliente decidir.

“No Cazaquistão, uma de nossas parceiras recentemente vendeu 40% das unidades de um edifício com ajuda desse sistema”, explica Ashton Kehinde, gerente de negócios da The Parallel. A empresa britânica cria modelos completos de edifícios em realidade virtual, da calçada à parede.

Ao colocar os óculos — conectados a um computador e pareados com dois rastreadores de localização —, o cliente entra no que seria o bairro onde estará sua nova casa. Ao usar os botões, ele passeia entre áreas comuns e chega a seu apartamento. Diferentes texturas, reflexos, sombras e jogos de iluminação dão veracidade ao modelo virtual.

Kehinde explica que a equipe da The Parallel é formada por arquitetos e desenvolvedores. O projeto de virtualização de uma planta leva dois meses e custa cerca de cinquenta mil euros. O valor, que depende do tamanho da modelização, pode parecer alto, mas o gerente discorda. “Uma maquete, que é apenas um modelo, pode custar até trinta mil euros”, afirma.

A francesa Quartus também desenvolve experiências de imersão virtual para o setor imobiliário. Uma consiste em um aplicativo que, rodando em um tablet, posiciona móveis virtuais em ambientes reais por meio da realidade aumentada. A outra faz concorrência à Parallel, mas o grupo francês adicionou diferenciais além dos óculos estereoscópicos.

Durante um passeio pelo modelo 3D de apartamento, é possível se sentar em um sofá de couro e sentir o vento de uma janela aberta, o calor de um forno aceso e mesmo o cheiro de um bolo assando. O esquema é simples: a sala real por onde o cliente se movimenta tem um aparelho que libera odores e calor, um sofá de verdade e um ventilador comum. A ilusão está feita com os óculos de realidade virtual e as imagens que vem aos olhos.

Segundo Renaud Marco, diretor da área de realidade virtual da companhia, essas novidades ajudam o cliente a decidir na hora de comprar um dos bens mais importantes de sua vida. Além disso, elas contribuem mais com a realidade do que pode parecer. “Nesses modelos, não é possível aumentar o tamanho da unidade”, diz ele. “O que você vê é a metragem real do apartamento”.

Fonte: https://epocanegocios.globo.com

Holedeck: sistema de laje inovador que economiza 55% mais concreto que o tradicional.

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Já ouviu falar no Holedeck? Que tal optar por algo além do tradicional? Todo engenheiro sabe que escolher os melhores materiais é primordial na hora de construir. Qualquer problema sério é inadmissível em um projeto, que deve ser seguro do início ao fim – além de durar muito tempo.

Mas será que dá para economizar com opções resistentes e duráveis, tão eficientes quanto o tradicional? Com certeza! É o caso do Holedeck, um sistema de laje inovador que gasta 55% menos de concreto que aquele usado há tempos nas construções. Incrível, não é?

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Como funciona o Holedeck?

O Holedeck é um sistema de lajes grelhadas e finas criado pelo empresário espanhol Alberto Alarcón. Com duas espessuras diferentes de telhas – 300 e 450 milímetros -, é bem completo e acomoda sistema de iluminação, dutos e outros equipamentos mecânicos em torno de sua estrutura.

Segundo o responsável, ele usa uma forma inovadora que pode ser considerada essencialmente uma atualização do tradicional sistema de grade, ou seja, uma ideia de otimizar e gastar menos nas construções. Seu formato modular permite a criação de aberturas no topo da laje, fazendo com que os sistemas mecânicos sejam ligados verticalmente e favorecendo ainda o desempenho acústico do ambiente.

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Considerado sustentável e menos agressivo, é ideal para edifícios altos. Mas sua característica principal é o fato de gastar menos da metade do que um sistema tradicional: até 55% de economia, segundo testes realizados pela empresa de Alarcón. Além disso, o sistema tem uma manutenção mais fácil, com limpeza frequente e mais eficaz – um problema do método antigo.

Os resultados são tão impressionantes que o projeto foi até premiado no CTBU 2015 na categoria Inovação. De acordo com especialistas, o Holedeck deverá ser visto nas construções por aqui em breve. É bacana quando as pessoas encontram alternativas incríveis e satisfatórias para melhorar os projetos, não é?

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Por: https://civilizacaoengenheira.wordpress.com

Fonte: Blog da Engenharia

Energia solar mais fácil de usar.

A geração solar ainda tem pouca participação na matriz energética global, mas, de acordo com o último relatório da Agência Internacional de Energia, o segmento é o que mais adiciona capacidade de geração em todo o mundo. Para impulsionar ainda mais o setor, novas tecnologias estão sendo testadas para ampliar sua adoção em áreas urbanas, com soluções de maior apelo estético que os módulos fotovoltaicos tradicionais. Na China, o asfalto de estradas está sendo substituído por um piso especial que capta a luz solar para gerar energia, enquanto o Brasil lidera a produção de um painel leve e flexível, que pode ser incorporado à arquitetura de forma tão simples quanto uma película de vidro.

O bilionário Elon Musk, considerado o gênio da indústria de tecnologia, é um dos que apostam nesta abordagem. Em março, a Tesla, uma das companhias fundadas por ele, começou a comercializar o Solar Roof, uma telha que funciona como painel solar. Disponível em quatro modelos, elas são idênticas às telhas comuns quando vistas da rua, mas produzem energia. O custo de instalação ainda é o dobro das placas tradicionais, mas mesmo assim a companhia enfrenta dificuldades para responder à demanda, com lista de espera que demora meses.

Mariana Padilha C. Lopes, doutoranda do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, observa que o custo em relação às placas tradicionais ainda é um impedimento para a ampla adoção desses tecnologias, mas acredita que, com a maior aplicação nas cidades, o preço tende a ser reduzido:

“A ideia de produzir energia nas cidades evita perdas de carga por transmissão, torna o consumidor produtor da sua própria energia e ainda o conscientiza quanto ao seu consumo de energia.”

ESTRADA ELÉTRICA NA CHINA

Na China, o trecho de um quilômetro de uma rodovia de pista dupla em Jinan, na província de Shandong, teve o asfalto substituído por placas solares recobertas por um polímero transparente, capaz de suportar o peso e o atrito de carros e caminhões. Com área de 5.875 metros quadrados, a estrada elétrica gera energia suficiente para abastecer 800 residências. A iniciativa da Shandong Pavenergy segue experimentos realizados pela francesa Colas em 25 estradas e estacionamentos na França, no Canadá, no Japão e nos EUA, mas ambas padecem do mesmo problema: o custo.

O recapeamento e a manutenção de uma estrada de asfalto custa cerca de US$ 120 o metro quadrado por década. O preço previsto para a estrada solar, considerando a produção em massa, fica entre US$ 310 e US$ 460, segundo cálculos do “New York Times”. Mesmo considerando a energia produzida, a tecnologia levaria mais de 15 anos para se pagar. Por outro lado, a aplicação dos painéis solares traz ares de modernidade, podendo integrar lâmpadas LED para sinalização e, no futuro, oferecer carregamento automático para as baterias de carros elétricos.

As estradas solares ainda têm a vantagem de utilizar áreas já construídas para a geração de energia limpa, ajudando no combate às emissões de gases-estufa. Essa capacidade de se adaptar ou substituir construções já existentes é o principal atrativo dos chamados fotovoltaicos orgânicos (OPV, na sigla em inglês). Francisco Veloso, diretor da área de Performance Materials da Merck, uma das companhias que produzem o material, explica que o composto químico se parece com uma tinta, e é aplicado sobre painéis flexíveis da mesma forma que as impressões em gráficas.

“Por serem flexíveis, transparentes e moldáveis, há um leque de possibilidades para a aplicação desses painéis” – afirma Veloso.”Eles podem ser incorporados à arquitetura, em fachadas de prédios e no mobiliário urbano, como em pontos de ônibus, por exemplo. E também têm um apelo para a mobilidade, podendo ser incorporados a uma mochila ou à capinha do celular.”

Os painéis de OPV são impressos em bobinas, como jornais e revistas em gráficas. As folhas têm cerca de um milímetro de espessura, com peso aproximado de 500 gramas por metro quadrado. Sua principal vantagem é a facilidade de aplicação. As placas tradicionais são grossas e pesadas, com formatos retangulares padrão. Na instalação, devem estar viradas para o norte, com inclinação variando de acordo com a latitude.

“O OPV não precisa ficar direcionado diretamente para o feixe de luz. Pode ser aplicado na horizontal, como na fachada do prédio” – diz Veloso.

Esta foi a solução adotada pela Inovalli Real Estate, responsável pelo projeto e execução da nova sede da fabricante de softwares Totvs, em São Paulo. O edifício moderno, inaugurado ano passado no bairro da Casa Verde, tem 100 metros quadrados da fachada e o logo da companhia em vidro laminado com OPV. Rafael Cosentino, diretor executivo da Inovalli, revela que o projeto previa a instalação dos painéis em toda a fachada norte, cobrindo uma área de aproximadamente 4 mil metros quadrados, mas a disparada do dólar fez com que a ideia fosse abortada. Mesmo assim, trata-se de maior fachada do mundo com a tecnologia.

TECNOLOGIA REVOLUCIONÁRIA

“O OPV é revolucionário. Quando conheci a tecnologia, senti que precisava usá-la em algum projeto, e a oportunidade surgiu. Infelizmente, o componente custo ainda é muito alto” – avaliou Cosentino. – Para o posicionamento trivial de placas solares, em cima do telhado, os painéis tradicionais são mais vantajosos. O OPV é para situações específicas. Mesmo assim, considero uma tecnologia disruptiva. É possível criar uma roupa com OPV, colocá-lo em cima de carros ou num guarda-sol para as pessoas carregarem o celular na praia.

Essa também é a opinião de Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica. O OPV é uma tecnologia recente, que ainda está explorando possibilidades.

“É o mercado que vai dizer qual tecnologia é mais apropriada para determinada aplicação” – afirmou, destacando que as vantagens dos módulos tradicionais são o preço e a eficiência, enquanto o OPV tem a leveza e a flexibilidade.

A mineira Sunew é uma das pioneiras no uso do OPV e possui o maior parque produtivo de todo o mundo, com capacidade para fabricar 400 mil metros quadrados por ano. Foi a empresa, que tem o BNDES como sócio, que forneceu os painéis instalados no projeto da Inovalli. Defensor da tecnologia, Tiago Maranhão Alves, diretor executivo e fundador da companhia, prevê que a facilidade na aplicação poderá quebrar o paradigma de grandes usinas distantes de centros urbanos e fazer de cada construção nas cidades uma geradora de energia.

“Hoje, o problema da Humanidade não é a falta de energia, já superamos a crise do petróleo. Mas a má notícia é que talvez a gente acabe antes do petróleo” – diz Alves. – “No futuro, vamos olhar para trás e questionar por que demoramos tanto para explorar a energia solar nas cidades. Uma das grandes vantagens desse tipo de geração é que o Sol está em todos os lugares.”

Para o professor André Lucena, também do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, a geração de energia nos centros urbanos faz sentido, sobretudo, pelo corte nos custos de transmissão, um dos principais componentes do preço cobrado dos consumidores. De cada real pago na conta de luz, cerca de R$ 0,30 vão para a usina geradora, e o restante é dividido entre custos de transmissão, distribuição e impostos.

“O maior entrave para a instalação em larga escala dos painéis solares nas cidades é institucional. Para o consumidor, isso é vantajoso, mas como as distribuidoras lidariam com isso?” – questiona. – Em pequena escala, não faz diferença, mas, se muitos consumidores passarem a produzir sua própria energia, o negócio delas vai mudar. Essas empresas têm custos para manter a rede funcionando.

PRODUÇÃO DE HIDROGÊNIO GANHA ESPAÇO

Quem fala em fontes de energia renováveis logo lembra da produção eólica ou solar. Outro método, porém, vem ganhando destaque: o uso de hidrogênio, cuja produção e consumo já conquistou espaço em indústrias como a química e a alimentícia. Também já se encaixou no rol de investimentos cruciais para mover a economia de potências mundiais como China, França e Alemanha.

Não à toa a Conferência Mundial de Energia do Hidrogênio, que começa hoje no Rio, atingiu proporções inéditas – as discussões serão acompanhadas por cerca de 800 pesquisadores, empresários e representantes de governos de 50 países.

“Vivemos o alvorecer de uma transição energética” – avalia Paulo Emílio de Miranda, professor titular da Coppe/UFRJ e presidente da Associação Brasileira de Hidrogênio. – Atualmente o hidrogênio é mais popular como um vetor ligado a outras fontes renováveis, como a eólica e a solar, mas em breve isso pode mudar, porque ainda não começamos a explorar os poços de hidrogênio natural localizados no sertão.”

A indústria automobilística percebeu o potencial da fonte e todas as grandes empresas já desenvolveram modelos de veículo a hidrogênio. A Coppe lançou três protótipos desde o início da década e, agora, prepara uma versão pré-comercial.

Fonte: http://www.ademi.org.br