Arquivo diários:12 de junho de 2018

Vila Madalena vira atração turística e vê imóveis novos crescerem 300% após a Copa-2014.

Bares só vão poder exibir jogos do lado de dentro para evitar aglomerações nas ruas.

A Vila Madalena, na Zona Oeste de São Paulo, se transformou com a experiência de festas, baladas e confusão promovidas na última Copa do Mundo, em 2014. O bairro virou atração para turistas estrangeiros, o número de apartamentos novos aumentou 300% e os moradores lutam para evitar a bagunça.

Para evitar as confusões vistas quatro anos atrás, os bares só poderão transmitir os jogos do lado de dentro, nada do lado de fora.

Ilustração no Beco do Batman, na Vila Madalena (Foto: TV Globo/Reprodução)

Marina Moretti, dona de um hostel, diz que o bairro ficou famoso entre os estrangeiros. “Com a Copa, a Vila Madalena virou um ponto turístico, as pessoas querem vir pra cá, querem se hospedar aqui, querem conhecer os grafites do Beco do Batman.”

Vila Madalena ganhou fama mundial após a Copa de 2014 (Foto: TV Globo/Reprodução)

“Está sendo bem legal, essa lembrança não só de hóspedes, mas de pessoas que vieram aqui assistir ao jogo voltando a nos procurar, não para se hospedar, mas para assistir aqui de novo como se a Copa fosse no Brasil”, disse Pedro Moretti.

De 2014 para cá, o hostel dobrou de tamanho.

A Vila Madalena não voltou ao que era antes do mundial, e isso vale para o bem e para o mal.

“As pessoas aglomeravam, as calçadas, as ruas, carro não conseguia passar, você não conseguia trabalhar direito, clientes não conseguiam chegar e começaram a mudar depois, mudar de lugar e assim foi com todos os outros eventos”, diz Alberto Altman, dono de um bar.

Número de apartamentos novos aumentou mais de 300% na Vila Madalena (Foto: TV Globo/Reprodução)

O Alberto tem três bares num dos pontos mais movimentados da Vila Madalena. Ele conta que nem para os comerciantes é bom que o bairro fique tão lotado. Mas, que vazio demais também é ruim. Nos carnavais pós-copa, por exemplo, a prefeitura criou regras, limitou horários e a passagem de blocos.

Se foi complicado para os comerciantes, imagina para os moradores. De 2014 pra cá, o número de apartamentos novos na Vila Madalena aumentou 300%.

O Beco do Batman ficou ainda mais movimentado depois da Copa. Muitos turistas vão ao local para tirar fotos dos grafites nos muros do beco. Mas isso incomoda muitos moradores. “Você acorda com gente gritando, tirando fotos porque o povo não sabe conversar, acaba gritando.” A associação de moradores promove reuniões para deixar a Vila Madalena pós-Copa um lugar melhor para todo mundo.

Torcedores argentinos comemoram a classificação para a final da Copa de 2014, no cruzamento das ruas Aspicuelta com Morato Coelho na Vila Madalena em São Paulo (Foto: Alice Vergueiro/ Estadão Conteúdo)

Fonte: https://g1.globo.com

Por Philippe Guedes, SP1, São Paulo

Secovi vê reação à pior crise do setor.

Capital paulista respondeu por 35% dos lançamentos e 25% das vendas do País, carregando o crescimento acumulado de todas as regiões.

O início da retomada no mercado imobiliário de São Paulo, a partir do segundo semestre, fechou o ano com crescimento de 48% nos lançamentos de novos projetos e de 46% nas vendas de imóveis novos , de acordo com os dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Foram lançados 28,7 mil apartamentos e comercializados 23,7 mil, brecando as quedas consecutivas entre 2014 e 2016.

No primeiro trimestre, as vendas registram aumento de 117%, subindo para 5,8 mil unidades. Fechando os dados de abril, o economista- chefe do Secovi, Celso Petrucci, diz que agora é hora de “consolidar a reação do ano passado”. Segundo ele, 2017 marcou o ano da retomada em São Paulo. Para o presidente do Secovi, Flavio Amary, os fundamentos da economia deram impulso para uma “recuperação consistente” do mercado em 2018. Segundo ele, a redução da taxa básica de juros fez compradores capitalizados voltarem a buscar no ativo imobiliário um melhor retorno para seus investimentos.

Brasil. Em lançamentos, a performance de São Paulo puxou a subida do mercado nacional, que cresceu 5% em 2017, quando foram registrados 82,3 mil novos imóveis residenciais no País, uma diferença de 4 mil a mais que no ano anterior. 

São Paulo e região metropolitana somaram 36,6 mil apartamentos, ou seja, 45% de todos os lançamentos. Especificamente, a capital teve uma diferença de 9,3 mil unidades no mesmo período. “É uma das melhores participações da cidade de São Paulo e da região metropolitana”, diz Petrucci, acreditando que vai haver “diluição” no porcentual.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também apurou um volume de vendas que chegou a 94,2 mil unidades. A cidade de São Paulo, neste caso, representou um quarto do total do Brasil. Petrucci declara que outros mercados estão reagindo. “Existe delay entre o que acontece aqui e em outras praças”, avalia. “Não sei se a cidade termina o ano com 25% de participação nas vendas.” 

Retomada. Flavio Amary explica que a recuperação do mercado imobiliário em São Paulo, como no restante do Brasil, está se consolidando, com crescimentos em vendas e lançamentos. Os resultados no primeiro trimestre, segundo ele, foram “consideravelmente superiores” aos de 2017. “Porém, as empresas não estão suficientemente estimuladas a lançarem dentro do limite de seu potencial”, analisa o presidente do Secovi.

Na sua opinião, a recuperação do setor ainda “não foi suficiente” para estimular as empresas. “O que está havendo é o atendimento da demanda reprimida dos últimos anos”, afirma. Petrucci vai no mesmo tom. “Está faltando mais coragem do incorporador em acreditar na economia”, diz. “E colocar seu produto no mercado.”

Tipologia. No primeiro trimestre, o volume de lançamentos apresentou queda de 8%. Foram 2,4 mil novas moradias. Petrucci crê que o resultado deste ano será bem próximo do registrado em 2017. “Havendo outra distribuição de tipologias”, ressalva, referindo-se à predominância dos lançamento de imóveis populares sobre os outros segmentos durante o ano passado. No caso das vendas, ele prevê que o setor, “talvez, feche o ano com 20% a mais”.

Apesar dos resultados positivos de 2017, os números ainda estão abaixo da média histórica anual, observada no período de 2004 a 2017, que é de 30 mil unidades lançadas e 27,4 mil comercializadas.  Em 2017, o valor global de lançamentos (VGL) foi R$ 14,7 bilhões, também abaixo da média histórica, que é de R$ 19,8 bilhões, segundo Petrucci .  No valor geral das vendas (VGV), a média é de R$ 17,6 bilhões. “Ano passado, vendemos R$ 11,5 bilhões, quase R$ 1 bilhão por mês”, diz, enfatizando que os valores são atualizado pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC). “Este ano, deve chegar ao que vendemos em 2014, com R$ 14 bilhões.”

Fonte: https://economia.estadao.com.br

Heraldo Vaz ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo