Arquivo diários:13 de junho de 2018

Caça ao terreno pressiona o preço de áreas em SP.

 
Desde o final de 2017, a procura por terrenos aumentou, afirma o diretor geral da Tegra São Paulo, Thiago Castro. Para ele, isso é indicador de uma retomada do mercado imobiliário, com as empresas pensando mais na frente com base no crescimento. “Já noto encarecimento”, diz. “Perdemos um negócio porque outra empresa pagou um valor acima do que havíamos negociado com o dono.”
 
Para 2018, a Tegra tem previsão de VGV potencial de R$ 2,3 bilhões com seu banco de terrenos, sendo R$ 2 bilhões em São Paulo. “Vamos ter R$ 250 milhões, verba já aprovada pelos acionistas, para compra de terrenos”, diz. “Em 2017, foram investidos R$ 140 milhões, com VGV de R$ 1,5 bilhão.”
 
A Tegra formou um banco de terrenos em bairros nobres, para um perfil de produtos de alto padrão e também de luxo, como é o caso do Curitiba 381 Ibirapuera. Em construção na Rua Curitiba, nº 381, em terreno de 2 mil m², o empreendimento de apenas 15 unidades, de frente para o Parque Ibirapuera, foi lançado no ano passado. O tipo padrão tem 332 m² e a cobertura, 715 m². Com preço médio de R$ 10,6 milhões, segundo a Embraesp, foi o segundo lançamento mais caro de São Paulo em 2017 – atrás somente do Heritage, da Cyrela. “Foram vendidas oito unidades do Curitiba 381”, diz Castro.
 
O sócio diretor da Plano & Plano, Rodrigo Luna, concorda que a perspectiva de um novo ciclo de crescimento é uma razão para o aumento da procura de terrenos. Mas, na sua opinião, está desequilibrada. “Nas áreas destinadas ao médio padrão, a redução dos gabaritos de altura e o baixo coeficiente de aproveitamento dificultam a recuperação desse mercado, que está ainda estagnado”, diz.
 
Para ele, os negócios estão concentrados em uma duas pontas do mercado: o segmento de classes altas em terrenos “excepcionalmente localizados e muito valorizados”, como os eixos das grandes avenidas, como por exemplo a Avenida Rebouças, e nas áreas para o programa Minha Casa Minha Vida.
 
“Outro produto em alta são os terrenos próximos às estações de metrô e trem e dos corredores de ônibus”, declara.
 
A Plano & Plano, segundo Luna, dobrou o investimento na compra de terrenos em São Paulo no ano passado. Agora, o landbank tem VGV potencial de R$ 4,5 bilhões para os próximos três anos.
 
Os preços dos terrenos para habitação social estão relacionados à disponibilidade de infraestrutura, redes de abastecimento de água, redes de coleta e tratamento de esgoto, explica a diretora de operações da Tenda, Daniela Ferrari. No primeiro trimestre do ano, a ampliação do landbank foi para R$ 6,9 bilhões com uma aquisição no volume de R$ 443 milhões. Ela não diz quanto se refere a São Paulo. Todos os projetos serão viabilizados dentro do programa Minha Casa Minha Vida.
 
Terrenos bem localizados como o do Grand Reserva Paulista, em Pirituba, zona norte de São Paulo, são cada vez mais raros, afirma o diretor comercial de vendas da MRV em São Paulo, Sérgio Paulo dos Anjos. Na avaliação da MRV, os mercados já mostram uma competição maior em determinadas praças, mas o momento ainda está propício para a compra. O landbank da empresa saltou de R$ 41 bilhões em 2016 para R$ 46 bilhões em 2017 com potencial de construção de 305 mil unidades. “Procuramos espaços bem localizados, próximos a centros comerciais e de serviços, abastecidos por transporte público.”
 
“Com certeza, há aumento na procura por terrenos”, afirma o diretor de negócios da Cury Construtora, Leonardo Mesquita. Ele também acredita que as empresas estão se preparando para atuar em novo ciclo, “se as condições macroeconômicas deixarem”. O banco de terrenos da Cury tem um VGV potencial de R$ 2,2 bilhões.
 
No final do ano passado, a Cyrela adquiriu cinco terrenos, sendo três em São Paulo. “Com a retomada da economia e juros mais baixos, pequenos incorporadores voltaram ao mercado”, diz o co-presidente da Cyrela, Efraim Horn. O estoque de terrenos da empresa fechou 2017 com 13 milhões de m² de área útil comercializável, sinalizando um potencial de vendas total de R$ 45 bilhões. 
 

Mercado imobiliário se transforma para manter-se ativo.

 

As mudanças no segmento refletem no comportamento de quem quer comprar imóvel para morar ou como investimento. Empresa segue antenada a essas transformações

Em meio às mudanças decorrentes das crises econômicas e das projeções macroeconômicas, como a redução das taxas de juros e a queda da inflação, o mercado imobiliário tende a se transformar como forma de se manter ativo. Neste cenário de instabilidade e diante de uma sociedade que muda com os avanços tecnológicos, o setor sofre impactos diretos e indiretos.

De acordo com Rui Gondim, sócio-diretor da Vivar Imóveis, como qualquer setor produtivo, o mercado sofre, porém se beneficia com as mudanças, quer por via normal ou por via da crise. “A empresa que não acompanhar a evolução do mercado em que está inserida, morre. Então, sempre estamos e estaremos atentos às mudanças de comportamento de quem quer comprar, alugar e vender um imóvel. O mercado é um corpo vivo em constante mudança”, pontua. 

Essa transformação de mercado acaba refletindo no perfil de um novo consumidor, mais consciente e precavido. “O mercado vem mudando bastante, mas isso sempre foi assim. A forma como nosso cliente busca e compra seu imóvel já não é mais como antes. Hoje, nosso cliente tem uma jornada de compra mais consciente, faz muitas pesquisas e coleta o máximo de informações sobre o imóvel antes de fechar um negócio. O ir e vir, o deslocamento e o tempo são variáveis muito caras para todos”, ressalta o diretor da Vivar Imóveis. 

A mais recente mudança no mercado foi a redução das taxas de juros do crédito imobiliário e o aumento do percentual do valor do imóvel usado financiado pela Caixa Econômica Federal. A medida foi considerada positiva pelo setor imobiliário. As taxas mínimas passaram de 10,25% ao ano para 9%, no caso de imóveis do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e de 11,25% ao ano para 10% ao ano para imóveis enquadrados no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). Além de voltar a financiar até 70% do imóvel usado. “Extremamente interessante para quem quer investir ou comprar. Toda vez que os juros caem, o mercado imobiliário se beneficia de forma geral com novos lançamentos e a especulação financeira fica prejudicada.” 

Com as transformações trazidas pelo marketing digital e a popularização do acesso à internet, as imobiliárias e corretores começaram a se preocupar cada vez mais em atrair e facilitar o acesso às novas tendências. “Estamos atento às mudanças de mercado e ao comportamento do consumidor. Percebemos que o mercado está mais digital e começamos a reforçar nossa presença nesse meio de forma mais contundente e expressiva”, salienta Rui Gondim. 

As eleições em 2018 também são fator de preocupação para o mercado. Para Gondim, todo ano eletivo, especialmente no período eleitoral, é sempre conturbado para todos os mercados, já que a instabilidade política provoca insegurança do investidor. “Por outro lado, essa mesma instabilidade política causa uma turbulência maior na área financeira, o que favorece a decisão para um investimento mais seguro no setor imobiliário.” (EM)

Fonte: http://gestor-imobiliario.blogspot.com.br