Arquivo diários:6 de julho de 2018

Igreja ‘flutua’ para ser preservada em obra do complexo Matarazzo.

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Um delicado projeto de engenharia executado nos últimos nove meses conseguiu deixar suspensa, a uma altura de 31 metros, uma capela de 1.200 toneladas do antigo Hospital Matarazzo, a uma quadra da av. Paulista, na região central de São Paulo.

A operação, que surpreendeu quem mora e trabalha ao lado do terreno, foi projetada para proteger a estrutura da Igreja de Santa Luzia durante as obras do futuro complexo Cidade Matarazzo. Inaugurada em 1922 pelo arquiteto italiano Giovanni Battista Bianchi, ela é tombada pelo Condephaat (conselho estadual do patrimônio histórico).

Ao redor da igreja, será construído um conjunto com hotel, shopping e uma torre de 22 andares assinada pelo arquiteto francês Jean Nouvel, vencedor do prestigiado prêmio Pritzker, em 2008, e autor do ambicioso projeto do museu do Quai Branly, em Paris.

Em São Paulo, será o primeiro projeto do arquiteto. Em 2001, ele foi contratado no Rio para a instalação de uma filial do museu Guggenheim na região do Píer Mauá, mas a execução acabou barrada após polêmicas (inclusive pelo custo) que chegaram à Justiça.

De acordo com o engenheiro Maurício Bianchi, responsável pela obra no complexo Matarazzo, foi necessário manter a capela suspensa para aproveitar ao máximo o terreno de 27 mil m². Ele explica que várias partes do antigo hospital são protegidas pelo patrimônio histórico, o que obriga o aproveitamento máximo de cada centímetro.

Um sistema de oito profundas colunas -com 31 metros de altura, além de outros 23 metros sob o solo – conectadas por uma laje foi construído no entorno e abaixo da capela, que originalmente possuía só 1,5 metro de fundação.

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Para evitar qualquer rachadura, a escavação das colunas não foi feita com bate-estacas, mas sim com uma perfuratriz de baixa percussão, da maneira mais lenta possível. “Eu deixava até um copo de água sobre o altar para ter certeza de que as vibrações eram mínimas”, conta Bianchi.

Só então foi iniciada a etapa mais delicada. Por processos como o hidrojateamento, espécie de bombeamento de água sob alta pressão, a terra acomodada sob o prédio foi lentamente removida – e a enorme estrutura se revelou.

Ao longo de semanas, o solo sob a capela erodiu até que a construção se acomodasse sobre a nova sustentação. “Ficamos ilhados”, brinca Bianchi, que instalou uma ponte entre o nível da alameda Rio Claro e o perímetro da capela.

Questionado sobre os eventuais prejuízos que a operação causou ao prédio, ele é categórico: “O resultado é impecável. Apesar da estrutura de tijolos antigos, não houve absolutamente nenhum dano”.

Abaixo da capela, serão construídos oito subsolos. Cinco deles serão destinados a estacionamentos. Os demais abrigarão áreas de apoio para o hotel (como cozinhas e cinema) e um espaço chamado “creativity center”, destinado a conferências e eventos.

Apenas o piso da capela Santa Luzia sofreu modificações. Para mantê-lo intacto e sem quebras, foi necessário desmontá-lo em peças, que foram catalogadas uma a uma, como em um quebra-cabeças. O altar também seria removido, mas os engenheiros temeram danos ao mármore e preferiram instalar sob ele uma laje adicional de sustentação.

Hoje, toda a área ocupada pelo antigo Hospital Matarazzo pertence ao empresário francês Alexandre Allard, conhecido por investir em projetos de modernização de edifícios antigos. O negócio foi fechado em 2010 pelo valor de R$ 117 milhões, após oito anos de negociação. A expectativa é que o restauro das instalações, assim como sua expansão, custe ao Grupo Allard R$ 1 bilhão e que a obra fique pronta no final de 2019.

O hospital (cujo nome original era Umberto I) foi erguido em 1904 pelo empresário Francesco Matarazzo e se tornou um ícone da arquitetura neoclássica de São Paulo.

O interior da capela Santa Luzia tem detalhes em escaiola amarela, técnica italiana do século 17 com pó de jaspe para reproduzir a textura polida e as cores do mármore.

Somente em 1986, os prédios que compõem o complexo foram tombados pelo patrimônio histórico e cultural do estado de São Paulo. A partir de 1993, com a falência da fundação que o administrava, o Hospital Matarazzo acabou fechando as portas.

 

Fonte: http://www.ademi.org.br

Por: Folha de São Paulo, Fillipe Mauro, 05/jul

Nascem os primeiros Robocops para a construção civil.

Em breve, empilhadeiras, pequenos tratores e guindastes poderão ser substituídos por armaduras robóticas conhecidas como exoesqueletos.

Startups trabalham no desenvolvimento de exoesqueletos que protejam os trabalhadores da construção civil e agilizem tarefas
. Crédito: Divulgação

O mercado de robôs voltados para a construção civil tende a movimentar 166,4 milhões de dólares até 2023, nos Estados Unidos. Da ficção do Robocop para a realidade, a indústria da robótica avalia que conseguirá povoar os canteiros de obras investindo na tecnologia dos exoesqueletos. São equipamentos que podem revestir os operários, dando a eles a força de uma máquina. Os projetistas avaliam que empilhadeiras, pequenos tratores e guindastes, além de andaimes e escadas, poderão facilmente ser substituídos pelas armaduras robóticas.

Protótipos de exoesqueletos buscam poupar esforços com equipamentos como britadeiras, furadeiras e lixadeiras
Crédito: Divulgação

Nos Estados Unidos, o mercado de desenvolvimento de exoesqueletos está entregue às startups. Uma delas é a Built Robotics, cujo CEO é Noah Ready-Campbell, um ex-engenheiro da Google, que saiu da gigante de tecnologia para fundar sua empresa de inovação. Filho de construtor, ele trabalha para transformar escavadeiras, empilhadeiras e guindastes em exoesqueletos. “A ideia por trás da Built Robotics é usar a tecnologia de automação para tornar a construção mais segura, mais rápida e mais barata”, resume.

Noah Ready-Campbell não está sozinho. Há um grupo de engenheiros que abraçaram a missão de desenvolver a robótica como solução para os trabalhos de risco da construção civil. Eles não pesquisam apenas exoesqueletos, mas projetam robôs capazes de substituir o homem em funções que envolvem a construção de elementos estruturais de uma obra, como paredes, lajes, vigas e fundações. Interessadas neste mercado, gigantes como a Caterpillar já se associaram a algumas dessas startups.

Um dos desafios da robótica é conseguir criar um processo de linha de montagem para os canteiros de obras, a fim de que os robôs possam operar com a mesma eficácia já consolidada, por exemplo, na indústria automobilística. Como isso nem sempre é possível, exoesqueletos tornam-se opções mais versáteis para a construção civil. No entender dos engenheiros que atuam nessa nova revolução industrial, as futuras ferramentas vão mudar também o conceito de mão de obra na construção civil.

Canteiro de obras do futuro não está tão longe quanto se imagina

Primeiro exoesqueleto mecânico desenvolvido pela Ekso Bionics facilita o trabalho braçal no canteiro de obras.
Crédito: Ekso Bionics

Atenta a esse mercado, a Ekso Bionics espera lançar até 2020 os primeiros exoesqueletos robotizados para a construção civil. A empresa é uma das pioneiras dos Estados Unidos no desenvolvimento de exoesqueletos para o mercado da medicina, cuja prioridade é ajudar na reabilitação de acidentados que perderam a mobilidade nos membros inferiores.

No entanto, de olho em um mercado interno que pode atender 11 milhões de trabalhadores – número estimado dos que atuam na construção civil dos Estados Unidos -, a Ekso Bionics criou uma divisão voltada exclusivamente para desenvolver equipamentos para o setor. No começo de junho de 2018, ela apresentou na feira Safety 2018, realizada em San Antonio, no Texas-EUA, um exoesqueleto protótipo. Batizado de EksoVest, ele alivia a sobrecarga sobre os braços para quem usa ferramentas como furadeiras e britadeiras. É o primeiro passo para o canteiro de obras do futuro.

Veja vídeo do primeiro exoesqueleto usado na construção civil

Entrevistado

Reportagem com base em artigo da revista digital ZDNet e informações da Ekso Bionics (via departamento de comunicação)

Contato: Enquiries@eksobionics.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fonte: http://www.cimentoitambe.com.br