Arquivo diários:20 de julho de 2018

Nova sede da Nike desafia as da Google e da Apple.

No Campus, cada prédio receberá o nome de um atleta famoso patrocinado pela Nike. Crédito: Nike Inc.

Complexo de US$ 1 bilhão tem prédios conectados, será inaugurado no início de 2019 e funcionará também como uma universidade do esporte.

As sedes da Google e da Apple, ambas na Califórnia, nos Estados Unidos, estão entre as construções mais inovadoras do mundo. Mas ter prédios corporativos que são referência para a engenharia civil e a arquitetura não são privilégio das empresas de tecnologia. Que o diga a Nike, que está perto de inaugurar sua nova sede mundial, em Oregon-EUA. As obras começaram em 2016 e a previsão é que a inauguração ocorra entre o final de 2018 e o início de 2019. Quando pronta, a edificação agregará uma série de soluções arquitetônicas inéditas.

Área de 300 mil m² será também um parque linear para ser frequentado por crianças, jovens e adultos.
Crédito: Nike Inc

Assinado por três renomados escritóriosZGF Architects, SRG Partnership e Skylab Architecture -, a sede da gigante de materiais esportivos foi batizada de Campus. Não à toa. O complexo de um bilhão de dólares terá prédios conectados, e que funcionarão como uma universidade do esporte. Neles, a Nike pretende formar pesquisadores, testar equipamentos em laboratórios e criar produtos cada vez mais personalizados, principalmente para os atletas por ela patrocinados.

O projeto da nova sede da Nike atende requisitos da certificação LEED Platinum. Alguns dos aspectos sustentáveis ​​do Campus incluem iluminação diurna natural dos prédios, vigas de concreto aparente que permitem a circulação de água, a fim de refrigerar as instalações, dispensando onerosos sistemas de ar-condicionado, além de uma estação de tratamento de águas cinzas para utilizá-las nas instalações hidrossanitárias dos banheiros e no paisagismo que envolve o Campus.

Para a Nike, o novo complexo corporativo representa também sua evolução como indústria de equipamentos esportivos. Fundada em 1964, ela iniciou a internacionalização de sua marca em 1984, quando inaugurou a sede da Nike World no edifício One Bowerman Drive, em Beaverton, no Oregon-EUA. O prédio homenageia seu fundador – Bill Bowerman. Em 2001, já transformada em uma multinacional, a Nike construiu novas sedes em Boston-EUA, em Xangai, na China, e em Milão, na Itália.

Cada prédio receberá o nome de um atleta patrocinado pela marca

Nova sede da Nike atende requisitos da certificação LEED Platinum. Crédito: Nike Inc.

No Campus, cada prédio receberá o nome de um atleta famoso patrocinado pela Nike. Dois já foram homenageados: a tenista Serena Williams e o ex-atleta Sebastian Coe, campeão olímpico e presidente do comitê que organizou os jogos olímpicos de 2012, em Londres. Em sua apresentação, a Nike fala da identidade dos prédios com as personalidades esportivas. “A arquitetura em si foi inspirada pelo movimento, enquanto os novos espaços de trabalho permitem que os funcionários continuem a imaginar, a inventar e a projetar o futuro do esporte em um ritmo cada vez mais acelerado”, diz.

Para que projetos de novos artigos esportivos possam surgir, a Nike não dará atenção apenas aos atletas de ponta patrocinados por ela. O Campus, cuja extensão engloba uma área de 300 mil m2, será também um parque linear para ser frequentado por crianças, jovens e adultos. Ao longo do espaço haverá quadras esportivas, pistas para correr e caminhar e equipamentos para manter a boa forma. Será a oportunidade que os pesquisadores terão para ver quais os desafios que o cidadão comum impõe a todo o aparato tecnológico que a empresa terá em sua nova sede para produzir seus artigos esportivos.

Faça um sobrevoo sobre a nova sede da Nike

Entrevistado
Nike.Inc (via assessoria de imprensa)

Contato: media.relations@nike.com

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fonte: http://www.cimentoitambe.com.br

Segurança não tem idade.

 
 
Só quem tem na família um idoso que sofreu fratura após cair dentro de casa sabe o problema que isso é. Além da dor e, muitas vezes, da internação hospitalar, a recuperação costuma ser lenta e sofrida para o morador – que ainda precisa lidar com o constante medo de cair novamente.
 
Por isso, casas onde residem idosos requerem algumas adaptações específicas, que são fundamentais não apenas para a segurança, mas também para o conforto.
 
As mudanças não precisam ser necessariamente complexas ou caras. Evitar degraus e não ter tapetes ou móveis baixos com quinas pontiagudas são alguns deles.
 
Se puder acrescentar também recursos como barras de apoio no banheiro, ao lado do vaso sanitário e no chuveiro, e sensores de luz no caminho do quarto para o banheiro, melhor ainda. Já se for construir uma nova casa ou fazer uma grande reforma, é bom pensar a longo prazo.
 
“Quem já passou dos 50 anos e quer trocar de casa já deve procurar um imóvel preferencialmente sem escadas. A prevenção é o melhor a ser feito. O morador nunca acha que vai acontecer com ele, mas depois da queda é muito pior”, alerta o professor de geriatria da faculdade da Medicina da USP Alexandre Leopold Busse. Além destas soluções, ele destaca a necessidade de uma iluminação adequada, principalmente no quarto e no caminho para o banheiro:
 
“O interruptor deve estar acessível e é bom ter um abajur perto da cama. Outro recurso relevante é ter uma luz de emergência, caso ocorra um blecaute no condomínio. Já tive pacientes que sofreram queda nessa situação.
 
NINGUÉM ASSUME A IDADE
 
Segundo a arquiteta Cristina Bezamat, apesar de os cuidados serem simples, alguns moradores idosos se irritam com a sugestão de instalar certos itens, pois ainda não se julgam com dificuldades ou limitações. Aí, acabam fazendo as adaptações somente após algum acidente.
 
“O importante é que o idoso se sinta confortável e adaptado sem se sentir tolhido. Ao reformar uma casa para uma pessoa idosa devemos ter em mente a dificuldade no seu deslocamento, a eventual perda de equilíbrio e a fragilidade. Temos que criar circulações mais largas para o uso de cadeiras de rodas e retirar todos os tapetes. Além disso, as maçanetas ou puxadores não podem ser pontudos”, diz Cristina.
 
Assim como o professor e a arquiteta, o engenheiro civil e designer de interiores Luciano Costa também chama a atenção para a prevenção simples, ainda que o morador se ache distante da “melhor idade”.
 
Ele, que reforma instituições de caridade em Belo Horizonte (sendo uma dessas um lar para idosas), reforça que a circulação é muito importante no envelhecer e quanto menos objetos de decoração pela casa, mais seguro o idoso fica.
 
A arquiteta Luciana Machado ressalta, ainda, que para facilitar a circulação de um morador de idade mais avançada, o ideal é que a largura das portas seja superior a 70 centímetros, pois deve-se considerar a necessidade da cadeira de rodas futuramente.
 
Na reforma de uma casa que a arquiteta está fazendo agora para um morador com mais de 70 anos, algumas medidas estão sendo tomadas. Serão aplicados um piso antiderrapante e corrimãos nos dois lados da escada.
 
“Neste projeto, as escadas fazem parte da estrutura e não era possível tirá-las. Então as fiz mais baixas e com as quinas arredondadas. E no banheiro haverá barras e o vaso sanitário será mais alto, para diminuir o esforço do morador ao se sentar e levantar”, explica Luciana.
 
A arquiteta Lucilla Pessoa de Queiroz acrescenta que é sempre preciso ter em mente um piso mais uniforme, sem desníveis, para uma melhor circulação. Em um de seus projetos para atender uma casa com idoso, ela pôs barras de apoio e piso especial na área do chuveiro, além de uma cadeira plástica retrátil caso ele precise se sentar para tomar banho.
 
“As adaptações podem ser simples, rápidas e baratas. A grande questão numa adaptação é que, para o formato ideal de acessibilidade, demandasse bastante espaço livre. Por isso, não é simples fazê-lo em qualquer imóvel. É preciso fazer um bom estudo para pôr em pratica uma residência acessível.” O arquiteto Thoni Litsz ressalta que, em casas com idosos, é melhor deixar os acessos livres e sem muitos móveis. “Além disso, o vaso sanitário deve ser totalmente desobstruído para dar acesso à cadeira de rodas ao lado e, ao mesmo tempo, não
pode ter armário embaixo da pia, para facilitar as manobras da cadeira dentro do banheiro”, diz.
 
FACILIDADES FORA DE CASA
 
A adaptação das áreas sociais é outro entrave para a segurança e o conforto dos idosos nos imóveis. Para o professor Alexandre Busse, os cuidados com a segurança de idosos dentro de casa avançou nos últimos anos, mas ainda está muito aquém do ideal.
 
“Existem campanhas e há vários profissionais especializados orientando idosos sobre esses cuidados e sobre as consequências das quedas, assim como adultos presenciando estas situações”.
 
As adaptações para garantir o conforto e a segurança dos idosos em suas casas, porém, tem outro entrave. Apesar de a lei garantir acessibilidade para todos, muitos vizinhos não querem instalar rampas de acesso, seja pelos custos, pelo transtorno da obra ou por pura falta de empatia.
 
“Já vi este tipo de situação em alguns prédios onde tive que construir a rampa. Alguns acham um exagero instalar em todos os acessos, pois julgam suficiente uma rampa na entrada de serviço”, conta a arquiteta Luciana Machado.
 
Luciana lembra que, por mais que os moradores do prédio não tenham nenhuma dificuldade de acesso, podem precisar disso na hora de receber um parente ou um amigo.
 
“Por isso a necessidade. E é lei, logo, tem que ser cumprida”.
 
Além de ser lei e fruto do bom senso, vale lembrar: todos vão envelhecer e estarão sujeitos a precisar de facilidades para entrar em casa.
 
A arquiteta Lucilla Pessoa de Queiroz explica que a Lei de Acessibilidade, em vigor desde 2004, determina que é obrigatória a acessibilidade em todas as partes de uso comum ou abertas ao público nas construções de uso privado multifamiliar. Nos edifícios antigos, é preciso fazer a adaptação – mesmo que seja difícil em alguns casos. Nos novos, o projeto já tem que ser feito respeitando a lei:
 
“O piso deve ser regular, firme e antiderrapante. Os portões devem ser mais largos e a inclinação das rampas precisa ter um ângulo de fácil acesso, pois se o espaço for curto, esta inclinação pode ficar inviável”.
 
Ela esclarece que as condições de acessibilidade são regidas pela norma NBR 9050, onde estão todas as regras e dimensionamentos de rampas.
 
A arquiteta Cristina Bezamat acrescenta que outra dificuldade para os idosos são os entulhos deixados pelos moradores nas vias de acesso aos condomínios, tornando o caminho cheio de obstáculos para eles.
 
Por outro lado, ela afirma que os novos edifícios residenciais já têm espaços pensados para a mobilidade dos moradores em todas as fases da vida.
 
O diretor comercial da Jeronimo da Veiga, Maurício Santos, concorda com esta percepção. E conta que os projetos da construtora já são feitos exatamente desta forma.
 
“Entendemos que uma casa é um bem de longo prazo, por isso já prevemos as alterações. Entre as opções estão o alargamento das portas e dos corredores, a posição de pias e vasos no banheiro que permitam um giro de 360° em possível uso de cadeira de rodas e o nivelamento do box”, afirma ele.
 
 
Por: O Globo, Raphaela Ribas