Arquivo diários:23 de julho de 2018

Tudo sobre o aumento dado ao limite no financiamento de imóveis pela Caixa.

As novas medidas da CEF buscam aquecer o mercado imobiliário e gerar mais empregos para construção civil.

Ainda que, anteriormente, a Caixa Econômica Federal tenha diminuído o limite para o financiamento imobiliário e, ao mesmo tempo, aumentado os juros dessa modalidade, hoje, dois anos mais tarde, ela volta a aumentar o crédito e a abaixar as taxas.

Foto: DINO / DINO

Como resultado, isso demonstra uma facilidade maior para financiar imóveis e, claro, deve resultar em um aumento significativo da demanda por imóveis no país. O consultor imobiliário da Porto Seguro, Roger Oliveira, explica “o limite para financiar imóveis é fator decisivo na tomada de decisão de um futuro comprador; quando as condições são facilitadas, é esperado que mais pessoas busquem por essa negociação”.

Para financiamentos de R$ 300 mil, em 30 anos, o futuro comprador poderá economizar cerca de R$ 50 mil; para R$ 450 mil, a economia poderá bater a casa dos R$ 75 mil. Esses valores dependem, obviamente, do sistema de financiamento escolhido: ou Sistema Financeiro de Habitação, ou Sistema de Financiamento Imobiliário.

Para o Sistema Financeiro de Habitação, ou SFH, os imóveis podem ser financiados com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS. Existe um limite para essa negociação que varia de acordo com o estado em que o imóvel se encontra – para São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal, esse valor é de R$ 750 mil; para as outras localidades, o limite é de apenas R$ 650 mil.

Para o Sistema de Financiamento Imobiliário, ou SFI, os imóveis financiados são aqueles que não são contemplados pelo SFH, isto é, para São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal, são negociados imóveis acima de R$ 750 mil; para o restante do país, acima de R$ 650 mil.

Para o primeiro caso, são negociados imóveis de até R$ 950 mil, cujas taxas de juros mínimas passaram de 10,25% para 9%, ao ano. Para o segundo caso, os imóveis que ultrapassam o limite do SFH ficam com as taxas mínimas a 10%, diferente dos 11,25% anteriores. As máximas ficam em 10,25% para SFH e 11,25% para SFH, por ano.

Para imóveis usados, as regras da Caixa Econômica Federal também foram alteradas e tornaram-se mais viáveis para os futuros compradores. Anteriormente, o limite para financiamento era de apenas 50% do imóvel, mas foi aumentado para 70%, competindo com os 80% dos imóveis novos.

Para Roger de Oliveira, essa é uma medida que também ajuda a aquecer o mercado, “parte-se da ideia de que as pessoas buscam sempre imóveis novos para a compra, mas é algo ilusório: grande parte da população ainda busca por imóveis usados, mas em boas condições”.

Na prática, o aumento do limite para a compra de imóveis usados ainda ajuda na criação de novos empregos e na movimentação do setor imobiliário do país inteiro. “O sonho de ter uma casa própria ainda está muito presente na vida dos brasileiros, não é? Ter uma oportunidade de comprar um imóvel é o que eles precisam”, reflete Roger.

Quanto aos prazos, no entanto, é importante salientar que eles permanecem os mesmos. Para as negociações na modalidade SFH, é possível variar entre 156 e 420 meses (ou seja, de 13 a 40 anos); já para as negociações no SFI, a variação é de 120 a 420 meses (isto é, de 10 a 40 anos).

Impactos no mercado imobiliário

Como resposta às mudanças da Caixa Econômica Federal, o mercado já mostra sinais de aquecimento como reação positiva. “Acredito que tenha sido o momento certo para as mudanças da CEF, porque as pessoas estavam bastante receosas de contrair dívidas agora”.

Principalmente quando se fala na crise financeira ainda presente no país, diante da possibilidade de desemprego, é natural que os brasileiros queiram assumir um financiamento imobiliário. Por essa razão, a redução das taxas e aumento do limite dado pela Caixa é uma medida inteligente para aquecer o mercado.

Além disso, é nítido que, desse modo, ela pode voltar à competitividade no mercado imobiliário. Ainda que ela seja a instituição financeira detentora da maior porcentagem de negociações, cerca de 70%, os juros não eram os mais vantajosos.

Ainda assim, os futuros compradores ainda se veem em uma pesquisa minuciosa para comparar as melhores taxas de financiamento a fim de adquirir condições menos pesadas para o bolso. “Com essas medidas, o ideal é que se aproveite as condições da Caixa Econômica Federal, principalmente porque não sabemos a durabilidade delas; a qualquer momento, ela pode voltar atrás”, alerta Roger.

A reação positiva pode ser vista não apenas no aquecimento do setor imobiliário de forma direta, mas também de toda sua cadeia produtiva, como a construção civil. Afinal, os benefícios oferecidos pela Caixa não apenas incentivam a compra de novos móveis, como, também, estimulam a geração de empregos relacionados a compra e venda dessas casas. A expectativa é de que o ano feche em alta de 2%, melhor do que a relação observada no ano anterior.

Desde os primeiros sinais da crise, a Caixa Econômica vem buscando aumentar a competitividade perante outras instituições financeiras que oferecem crédito imobiliário. Ainda assim, tanto as taxas de juros quanto o limite para financiamento vêm sofrendo oscilações desde 2015; a última redução, no entanto, ocorreu apenas em 2016, quando as taxas passaram para 9,25% no SFH e 10,75% no SFI.

Fonte: https://www.terra.com.br

Website: https://www.gearseo.com.br/

A Perdizes dos anos 1910 a 1940 vira patrimônio da cidade de SP.

Prefeitura homologou o tombamento do Colégio Santa Marcelina e de outros 39 imóveis; do total, a maioria se tornou espaço de comércio e serviços.

Uma idealizada vida campestre, natural e simples” é como o Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) descreve o estilo do antigo chalé do Dr. Homem de Melo, construído em 1910. Essa Perdizes, do início do século passado, hoje escondida por prédios, virou patrimônio. Na quinta-feira, 19, a Prefeitura de São Paulo homologou o tombamento de 40 imóveis no entorno de Perdizes, incluindo espaços na Água Branca e na Barra Funda. Dentre eles, originalmente, 37 eram residências unifamiliares.

Hoje, o modelo prossegue em apenas cinco. Nas restantes, foram instalados escolas e espaços de comércio e serviços, além de duas pensões e residenciais para idosos. O chalé do doutor, dos anos 1910, de bangalô, se tornou uma farmácia em 2014. Hoje vive realidade distinta, em um dos distritos mais populosos da zona oeste de São Paulo.

Mas não é caso isolado. Na região, a maioria da população vive em edifícios, erguidos principalmente após os anos 1970, período em que o Plano Diretor proibia prédios de uso misto. Por isso, o comércio migrou para as casas, explica Lucio Gomes Machado, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). “Tudo que não é usado vira ruína”, pontua. “Já existiu, durante uma certa época, a identificação entre construção antiga e centro cultural, mas isso não tem nada a ver. O importe é continuar vivendo”, acrescenta.

O tombamento reúne imóveis construídos nas primeiras quatro décadas do século 20. Os bens têm estilo neocolonial e eclético, sem assinatura de arquiteto famoso. A exceção é o único edifício tombado, que foi reformado em 1948 por Oswaldo Bratke, autor da sede da Fundação Maria Luiza e Oscar Americano.

Além de sobrados, casarões e afins, também foram tombados o Colégio Santa Marcelina e o Centro de Educação Infantil MMDC. Com exceção da escola e de uma casa, que hoje abriga uma instituição católica, os demais precisam preservar apenas as características externas. Todos foram apontados para preservação por moradores em processos em 2011 e 2016.

Entre os proprietários, a decisão divide opiniões. A aposentada Marilda Carvalho, que viveu 70 dos seus 80 anos em uma residência na Água Branca, discorda do tombamento e diz que a casa é “como outra qualquer”.

“É minha e não posso mexer”, reclama, em relação à necessidade de aprovação para fazer modificações na fachada. O aposentado, Celso Paschoal Moraes, de 71 anos, vê de outra forma. “Para mim não tem diferença. A única deve ser econômica, porque não pode derrubar, mas nunca fui atrás”, aponta. Morador de um sobrado na Barra Funda há 13 anos, herdou o imóvel de um tio. “Hoje não se tem nenhuma pretensão de uma casa durar o que essa dura, com material bom”, elogia.

Ângela Castello Branco, de 41 anos, e Giuliano Tierno, de 40, alugaram um espaço na região justamente pelas características dos anos 1930. Em 2015, fundaram o centro de arte e educação A Casa Tombada, instalado em duas casas geminadas na Avenida Ministro de Godoi. “Estava caindo aos pedaços. Investimos o que tínhamos na reforma, pelo gosto de cuidar da casa”, conta Ângela. “O projeto teve muito esse apelo da casa como elemento central, a sala é uma sala, o quintal é um quintal de convivência. Chamamos os alunos de moradores. É uma outra forma de morar, em torno de ideias.”

Fonte: https://www.terra.com.br