Arquivo diários:23 de outubro de 2018

Fechado há um ano e meio, o mirante do Martinelli continua sem turistas, sem projeto e sem prazo para reabrir.

O mirante do Martinelli. Foto Tiago Queiroz/Estadão

O edifício Martinelli é um dos melhores pontos para ver a cidade de cima. Tem uma vista sensacional do centro, tem a incrível história do edifício que já foi o mais alto de São Paulo e ainda é grátis. Ou melhor, era. Porque o mirante continua fechado.

O fechamento aconteceu em março de 2017, após uma tragédia em que um rapaz caiu lá de cima. Desde então, não há notícia oficial sobre o destino do local.

Mandei uma mensagem para a Secretaria de Comunicação da Prefeitura e para a Secretaria de Urbanismo, que é a responsável pelo prédio, para ter certeza. Recebi a confirmação de que não há projeto, nem prazo para a reabertura.

Na foto de Hildegard Rosenthal, na década de 1940, o Martinelli desponta imponente no centro.

É claro que há coisas mais prementes no Brasil e na cidade. Mas vale a pena lembrar que lugares como esse são parte da nossa memória e são pontos turísticos que deveriam ser valorizados.

Eu levei meus filhos lá para cima, quando eram pequenos, e a visita valeu ótimas conversas. Na saída, é só atravessar a praça Antonio Prado e o programa fica completo com os inevitáveis doces portugueses da Casa Matilde.

A praça Antonio Prado, vista de um dos andares intermediários do edifício Martinelli. Foto: M.Calliari

Na verdade, a Prefeitura poderia colocar uma lanchonete lá em cima do mirante; poderia também promover a guia oficial aquele simpático ascensorista que contava histórias do prédio; poderia colocar vidros de proteção como no Terraço Itália ou lunetas como no Empire State Building, em Nova York. Poderiam até pensar em cobrar ingresso, se isso fosse melhorar a experiência dos turistas. Mas preferiram não fazer nada mesmo, e um ano e meio já se passou.

O pior de tudo é que o mirante só havia sido reaberto em 2010, depois de três anos de reformas. E, depois de sete anos aberto, fechou de novo. Numa outra ironia, o Martinelli abriga a Secretaria de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo, o que quer dizer que os arquitetos e técnicos que poderiam fazer um projeto estão a um elevador de distância.

É triste ver que algo que está ali, prontinho para fazer, a custo irrisório, com alto valor simbólico, mas que sucumbe diante de prioridades difusas e burocracias.

Há sempre uma razão para algo não ser feito, mas o fato é que o mirante do Martinelli vem se juntar ao Museu do Ipiranga, que continua fechado depois de quatro anos, sem que a reforma tenha sequer começado, para nos lembrar que dá trabalho manter aquilo que construímos.

Fonte: sao-paulo.estadao.com.br

Moradia compartilhada ganha espaço e garante receita aos incorporadores.

Empresas como Gamaro e Mitre lançaram, este ano, empreendimentos exclusivos para aluguel voltados à geração millenial, que apresenta comportamento compatível à partilha de serviços.

A geração millenial ainda não tem condições de adquirir imóveis
FOTO: FOTOS: DIVULGAÇÃO E DREAMSTIME

Em função da baixa procura para a compra de imóveis durante a crise, incorporadoras encontraram na moradia compartilhada uma forma de garantir o faturamento. Seguindo tendências estrangeiras as empresas atingem, principalmente, a geração de millenials.

Este é o caso da incorporadora do Grupo Mitre, que inaugurou em agosto deste ano o Share Student Living, empreendimento voltado exclusivamente para moradia estudantil por meio de aluguel. Localizado na região da Consolação, na cidade de São Paulo, o edifício conta com cinco tamanhos de apartamentos a partir de 25m². O local conta com serviços de limpeza, academia, lavanderia, áreas de lazer, bicicletas compartilhadas, salas de estudo e aluguel de carro.

Acostumados com o desemprego e recebendo salários escassos, a alternativa dos millenials foi partir para os compartilhamentos, principalmente utilizando a tecnologia. “Para que haja a condição de compra do imóvel é preciso que o mercado responda com oferta de emprego para este público, juntamente com a movimentação da economia”, analisa a gerente de financial advisory da Deloitte, Ana Carnaúba.

Diferente do empreendimento da Mitre, que aceita somente estudantes, a Gamaro inaugurou, em julho deste ano, o Kasa, um edifício de moradia compartilhada voltado tanto para universitários quanto para executivos. O imóvel está localizado na Vila Olímpia, em São Paulo, e próximo a faculdades e centros empresariais. A incorporadora disponibiliza dois tipos de apartamentos: um individual (com apenas uma cama) e um compartilhado (com mais de uma cama), ambos com 64m².

No Share Student Living, os serviços já estão inclusos no preço do condomínio – com exceção do aluguel de carros e da lavanderia. Já no Kasa, todos os serviços são pagos à parte de acordo com as necessidades de uso de cada morador. “Não são todas as pessoas que utilizam academia, vagas de estacionamento e lavanderia, por isso achamos mais justo baratear o condomínio oferecendo somente o básico”, explica o gerente geral do Kasa, Renato Marostega.

Para administrar o empreendimento, a Mitre conta com parceria da Redstone Residential, operadora de residências estudantis presente nos EUA e no Canadá. No caso da Gamaro, a gestão é totalmente realizada pela própria incorporadora. Segundo Ana, é preciso cuidado ao gerenciar negócios deste tipo: “É uma receita que deve ser cautelosa, porque a empresa é responsável por garantir a qualidade a longo prazo e evitar a evasão de aluguéis”, ressalta.

A Mitre investiu em torno de R$ 45 milhões no primeiro empreendimento com a marca Share Student Living e pretende construir mais unidades, uma delas no bairro do Butantã, também em São Paulo. Para a especialista em negócios imobiliários, Paula Farias, a taxa de retorno para as incorporadoras acaba saindo acima da média de mercado: “Ao invés de apenas vender os imóveis na planta ou após a inauguração, as empresas conseguem aplicar o aluguel sobre a valorização, que tende a crescer.” Segundo índice da Fipe Zap, o retorno médio anualizado do aluguel foi de 4,4% em agosto de 2018. Já para Ana, este investimento, diferentemente de apartamentos construídos para venda, conta com retorno a um prazo bem maior.

Tendência ou não?

A cultura brasileira, segundo ambas as especialistas, prega uma necessidade de adquirir a casa própria. “Incorporadoras e imobiliárias ainda enfrentam a barreira da ideia de que comprar imóveis ainda é necessário, tanto para o futuro quando por questões de necessidade”, comenta Paula. Entretanto, para Ana, esta tendência é passageira e está mais ligada à necessidade de uma geração do que a uma mudança por escolha: “O discurso mostra que, futuramente, pretendem adquirir bens como imóveis.”

Fonte: www.dci.com.br

Giovanna Bueno Dagnino • SÃO PAULO