Arquivo diários:22 de janeiro de 2019

Mercado de imóveis residenciais novos em SP cresceu 36,5% em novembro de 2018.

A Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada pelo Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), apurou em novembro de 2018 a comercialização de 3.843 unidades residenciais novas. O resultado foi 36,5% superior às 2.815 unidades comercializadas em outubro, e se manteve estável frente às vendas de novembro de 2017 (3.869 unidades).

No acumulado de janeiro a novembro de 2018, foram vendidas 24.725 unidades, um aumento de 32,5% em comparação ao mesmo período de 2017, quando as vendas totalizaram 18.660 unidades.

Imóveis de dois dormitórios destacaram-se nas vendas, correspondendo a mais de dois terços (67,3%) do total comercializado em novembro do ano passado. “As unidades compactas com até 45 m² de área útil continuam com boa aderência ao mercado, assim como os imóveis com preço até R$ 240 mil”, ressalta Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP.

Lançamentos – De acordo com dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), a cidade de São Paulo registrou, em novembro do ano passado, o total de 6.068 unidades residenciais lançadas, resultado 29,3% superior ao mês de outubro (4.694 unidades) e 7,3% abaixo do de novembro de 2017 (6.549 unidades).

Com um total de 25.042 imóveis lançados no período de janeiro a novembro de 2018, que representaram crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior (21.629 unidades), pela primeira vez no ano, os lançamentos superaram as vendas.

Recuperação – Apesar da ligeira retomada dos lançamentos, ainda preocupam o setor as restrições da Lei de Zoneamento, que precisa de calibragens pontuais para estimular a recuperação do mercado na cidade de São Paulo. “Ainda aguardamos os ajustes necessários na Lei de Uso e Ocupação do Solo para voltarmos a lançar novos empreendimentos”, diz Emilio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Sindicato da Habitação.

“O consumo das unidades ofertadas, aliado à retomada da produção imobiliária dentro das regras urbanas mais restritivas, que elevam os custos de produção, pressionará os valores dos imóveis novos. Esta é uma das razões que nos levam a defender a rápida calibragem da lei de zoneamento”, completa Petrucci.

Kallas ressalta, ainda, que na cidade de São Paulo há poucos terrenos viáveis para incorporação de novos empreendimentos imobiliários. “As áreas viáveis para empreendimentos imobiliários estão se esgotando e o valor resultante da outorga para empreender fora destas áreas inviabiliza os empreendimentos. Este valor impacta fortemente nos preços de venda dos imóveis, que ficam altos demais para os consumidores. Além disso, os empreendimentos viáveis apresentam produtos imobiliários muito semelhantes, para nichos específicos da demanda e deixam de atender a outras necessidades do mercado.”

De acordo com o vice-presidente, o custo da terra tende a aumentar no segundo semestre deste ano em função da recuperação da economia e da crescente escassez de áreas para empreender, decorrente da retomada acelerada das atividades do setor imobiliário. Para ele, a escassez de áreas é facilmente detectada pelos proprietários de terras urbanas que, por sua vez, aumentam os preços de seus insumos e pressionam os valores dos imóveis. “Apenas a revisão da Lei de Zoneamento poder reequilibrar as relações entre preço de terreno, valor de outorga e valor final do imóvel para o consumidor, permitindo aos empresários atender à ampla demanda por diversos tipos de moradia no município de São Paulo”, diz Kallas.

Oferta – A capital paulista encerrou o mês de novembro de 2018 com a oferta de 20.237 unidades residenciais disponíveis para venda. Esta oferta é composta por imóveis na planta, em construção e prontos (estoque), lançados nos últimos 36 meses (dezembro de 2015 a novembro de 2018). A quantidade de imóveis ofertados aumentou 10,6% em relação a outubro (18.293 unidades) e 3,6% em comparação a novembro de 2017 (19.538 unidades).

“Tivemos feriados prolongados em novembro do ano passado e, mesmo assim, não houve impacto nas visitações dos plantões de vendas da capital. Entendemos esse comportamento como reflexo do aumento da confiança dos empresários e dos compradores com os novos rumos do País. Em uma economia liberal, sem interferência do Estado na gestão das empresas, o mercado tende a se regulamentar, alcançando equilíbrio e crescimento sustentado”, opina Basilio Jafet, presidente do Secovi-SP.

O desempenho do mês de novembro de 2018 comprova que a recuperação do setor está se consolidando. “Isso nos leva a traçar um cenário positivo para o ano de 2019. Olhamos para o Brasil com otimismo e confiança renovada, que se refletirão no crescimento das vendas de imóveis novos, usados, residenciais, comerciais e industriais. Acreditamos que 2019 será um ano bastante saudável, com os empreendedores lançando produtos adequados a regiões e públicos”, conclui Jafet.

Fonte: http://www.investimentosenoticias.com.br

(Redação – Investimentos e Notícias)

MRV e VITACON criam startup e partem para mercado de locação de imóveis.

Parecem mercados concorrentes, mas não é no que acreditam MRV, maior construtora do país, e a paulista Vitacon, especializada em microapartamentos. As duas empresas estão investindo em um segmento de aluguel de imóveis.

A MRV criou uma startup, a Luggo, apenas para atuar no setor de aluguel. O projeto-piloto foi lançado no fim do ano passado, em Belo Horizonte, assim que o empreendimento Luggo Cipreste, no Bairro Betânia, foi finalizado. Os apartamentos começaram a ser oferecidos ao mercado neste mês. A obra é da construtora mineira. Só que, em vez de vender os apartamentos, de dois dormitórios, a empresa os oferece a quem procura um imóvel para locação.

O objetivo é atender quem não tem interesse ou condições de comprar um imóvel, seja por falta de recursos, seja pelo momento que vive — que pode demandar mobilidade, por exemplo, por causa da carreira. Rodrigo Resende, diretor de marketing e vendas da MRV, explica que o Luggo Cipreste, voltado à classe C, é um primeiro teste para a companhia e que ainda não é possível afirmar se serão lançados outros empreendimentos ainda neste ano com a vocação para o mercado de aluguel.

Neste primeiro empreendimento, os apartamentos receberam acabamentos como armários planejados, luminárias, pisos, box blindex e metais. A estrutura do condomínio é a mesma de um edifício tradicional, com academia, playground, churrasqueira e salão de festas. Mas pode ser que sejam feitas adaptações com a inclusão de mais opções, com alguns serviços de uso coletivo, como lavanderia.

Como a proposta da startup da MRV ainda é recente, explica Resende, está aberta a mudanças. À medida que o projeto avançar, poderá ser oferecida, por exemplo, a possibilidade de compra para quem fez o contrato de aluguel, com algumas facilidades na negociação que levem em consideração o valor já pago durante o período de locação. “Queremos oferecer uma alternativa sem burocracia, em que o cliente não precise apresentar fiador, com investimento em tecnologia para que haja qualidade nesse processo”, afirma o diretor.

Modelo americano

O modelo da Luggo foi inspirado em uma outra empresa de Rubens Menin, fundador e controlador da MRV. A ARS, que opera em Miami, criada em 2012, atua apenas no segmento de construção voltada ao aluguel de imóveis e gestão de condomínios. A venda é feita apenas para fundos imobiliários interessados no projeto como investimento patrimonial. Mesmo nesse caso, a operação continua a ser feita pela ARS, que se dedica principalmente no segmento de moradias para trabalhadores.

Esse tipo de empresa já tem um bom mercado nos Estados Unidos, explica o executivo da MRV, mas ainda é muito recente no Brasil. Conforme esse tipo de negócio amadurecer, pode ganhar por aqui características semelhantes às de outros tipos de ativos voltados aos fundos imobiliários, como flats e shoppings. Durante a formatação da Luggo, executivos da ARS participaram do processo, repassando o know-how do empreendimento americano.

Segundo Resende, não há conflito entre o que oferece a MRV e a proposta da Luggo. Isso porque o cliente da MRV procura a empresa já com a certeza de que quer comprar um imóvel. “Ele já sabe a região onde quer morar e normalmente está em uma fase da vida um pouco mais previsível.”

O negócio criado por Alexandre Lafer Frankel, presidente da Vitacon, guarda algumas semelhanças com a proposta da Luggo, mas está em um estágio mais avançado. Criada há nove anos, a construtora se especializou no mercado paulistano e no segmento de apartamentos de pequena metragem — o menor deles tem 10 metros quadrados. Até hoje, foram lançados 61 projetos e 52 já foram entregues.

Frankel percebeu nos últimos anos que começava a crescer um outro perfil de cliente, que em vez da compra, buscava pela locação de imóveis. A partir daí, ele criou a startup Housi, voltada à oferta de apartamentos para alugar. Até agora, a plataforma oferece apenas os projetos construídos pela Vitacon. São edifícios projetados para oferecer um pacote de serviços aos moradores, como restaurante e lavanderia coletivos, até espaço de coworking.

A administração do condomínio também é feita pela Housi. Foram incluídos ainda alguns serviços com o objetivo de atender ao novo perfil de morador, com portaria automatizada, sistema de segurança e até logística para a mudança. Segundo Frankel, a proposta é “reduzir os pontos de atrito para que os moradores não percam tempo e possam se dedicar aos seus afazeres, tudo baseado em muita tecnologia”. “Já nascemos no conceito de economia compartilhada. Nossos empreendimentos sempre tiveram opções de uso comum, como sala de jantar, carros e patinetes”, acrescenta o presidente da Vitacon.

Assim como a Luggo, a ideia é fazer o processo de locação desburocratizado, todo pelo site da empresa. Mas esses apartamentos da construtora de Frankel também são oferecidos em outras plataformas, como Airbnb, Booking e Hoteis.com para períodos mais curtos de aluguel.

O empresário sonha alto. Ele quer que a Housi seja a Netflix do mercado imobiliário como uma grande plataforma digital desse setor. Para isso, além de trabalhar com a possibilidade de incluir imóveis que não sejam da Vitacon, o empreendedor vai partir para outras cidades este ano, abrindo o sistema para outros imóveis. O objetivo em uma primeira etapa é chegar até as maiores capitais, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, para depois partir para cidades de grande porte.

Tendência 

“Acredito muito no modelo de locação. A tendência é cada vez maior de as pessoas não comprarem, mas alugarem imóveis, inclusive entre as pessoas de menor renda, que sempre tiveram a aspiração de ter a casa própria. Esse comportamento tem mudado com o passar do tempo. Mas isso não quer dizer que o desejo de adquirir um imóvel acabou. Os dois modelos terão espaço”, opina o presidente da Vitacon.

Frankel vem tocando o projeto da Housi com capital próprio, mas não descarta a aproximação com fundos de venture capital para irrigar financeiramente e dar mais velocidade ao crescimento da startup. Apesar do perfil do negócio, o fundador não pensa em vendê-lo para um fundo. Para ele, o potencial de expansão ainda é muito grande e deve ser aproveitado.

Quando analisa o potencial do negócio desenvolvido pela Housi, Frankel leva em consideração o comportamento atual, mas também o comportamento futuro dos seus clientes. “Como será a moradia do futuro? Será que as pessoas vão querer passar 30 anos endividadas, pagando por um imóvel? Ou será que vão preferir buscar algo que atenda melhor a sua necessidade em diferentes fases da vida?”.

Fonte: incorporacaoimobiliaria.com