Arquivo diários:1 de fevereiro de 2019

Capacete nas mãos e sorria: reconhecimento facial no canteiro de obras.

Foto: Shutterstock

Ter total controle sobre quem entra e sai das obras é um dos grandes desafios das construtoras e incorporadoras

Reconhecimento facial para identificar os trabalhadores que entram no canteiro de obras? Se eu te convidar para imaginar isso em um cenário de construção civil, cheio de terra e poeira, este tipo de controle de acesso (que não é muito comum nem em ambientes super tecnológicos) pode parecer algo futurístico. Mas, hoje, aqui no Brasil, já temos grandes players do setor apostando nessa inovação – e colhendo benefícios, inclusive, para outras áreas extremamente sensíveis dos seus negócios.

Ter total controle sobre quem entra e sai das obras é um dos grandes desafios das construtoras e incorporadoras. A alternativa de realizar a identificação por biometria digital nas catracas de acesso, por exemplo, acaba dificultada pelo desgaste natural da pele das mãos dos trabalhadores da construção civil. Para lidar com este e outros pontos das suas operações no dia a dia, as empresas encontraram respostas na tecnologia.

Com o reconhecimento facial, garante-se que apenas a pessoa autorizada entre na obra, mas isso vai muito além da segurança de acesso ao espaço físico. Normalmente, a construtora contrata uma empreiteira para a realização da obra e, a partir daí, ela é responsável por todos os funcionários, inclusive dos seus fornecedores terceirizados. Porém, há algumas peculiaridades nessa dinâmica.

 
 

E como o reconhecimento facial pode ajudar a eliminar esse risco? É possível integrar o sistema de leitura facial nas catracas a um software de cadastro dos trabalhadores, com as suas respectivas documentações. No primeiro acesso, a tecnologia faz a identificação dessas pessoas, cruzando os seus dados à sua imagem. A partir daí a entrada só é liberada para quem está com a documentação 100% em dia, caso contrário, o bloqueio é imediato e automático.

Dessa forma, a construtora se protege, com a certeza que todos estejam dentro das exigências legais, e garante que o trabalhador no canteiro seja, de fato, aquele que consta em registro e não um substituto, que não tenha passado por um controle interno, algo comum de acontecer. Assim, a tecnologia também ajuda a reduzir, consideravelmente, possíveis perdas com multas trabalhistas.

Posso citar, ainda, outro benefício da adoção do reconhecimento facial. As construtoras passam a ter em mãos relatórios diários de entrada e saída, com os horários e o número exato de trabalhadores em campo. Com isso, têm melhor visibilidade em relação ao avanço da obra, por parte do serviço prestado pela empreiteira contratada. Em caso de queda na produtividade, por exemplo, é possível determinar se houve uma redução de profissionais alocados e se isso implicará em atrasos na conclusão do projeto. A incorporadora consegue ser mais rígida nas suas cobranças, baseada em dados, e, com isso, executa uma gestão cada vez mais precisa, com foco no cumprimento dos prazos.

O mundo já se digitalizou e essa transformação também precisa fazer parte da construção civil, não apenas na forma de levantar as paredes, mas na inclusão da tecnologia no dia a dia dos trabalhadores. Os benefícios da inovação na segurança e controle são múltiplos para as construtoras, profissionais e todo o ecossistema. Portanto, sorria! Você pode estar sendo filmado!

*Valmor Fernandes é diretor presidente Teltex

Fonte: computerworld.com.br

Faixa de pedestre em 3D lembra elementos de concreto.

 

Na Islândia, é onde há os resultados mais positivos. Os atropelamentos caíram 25% nas ruas em que as faixas 3D foram pintadas. Crédito: Gusti Productions

Ideia se espalha pelo mundo para conseguir combater uma estatística perversa: as mortes por atropelamento

Cidades do Amazonas, do Acre, do Mato Grosso e de São Paulo decidiram copiar ideias que trouxeram bons resultados na Índia, na China e na Islândia: as faixas de pedestres em 3D. As pinturas criam uma ilusão de ótica que induz o motorista a frear. A uma distância de até 20 metros, lembram elementos de concreto encravados no asfalto. Na Islândia, é onde há os resultados mais positivos. Os atropelamentos caíram 25% nas ruas em que as faixas 3D foram pintadas. No Brasil, existe a expectativa de alcançar percentuais próximos disso.

A ponto de a ideia começar a se espalhar pelo país. Também já existem cidades dos estados do sul pensando em adotar o mesmo modelo de faixa de pedestre. A iniciativa deve partir das Circunscrições de Trânsito, as Ciretrans, que são os organismos municipais encarregados de fiscalizar, organizar e planejar o trânsito em cada cidade.

No Brasil, quem primeiro colocou a ideia em prática foi o município de Primavera do Leste, no Mato Grosso, onde quatro faixas de pedestres em 3D foram pintadas por grafiteiros. O secretário de infraestrutura da prefeitura, Eduardo Wolff, comenta os resultados. “A repercussão foi boa. Como é algo novo, os motoristas se assustam com o aparente volume da faixa e diminuem a velocidade. Já deu para sentir o efeito”, diz.

A segunda cidade brasileira a adotar a ideia também avalia como positiva as pinturas de faixas de pedestres em 3D. “Essa faixa em 3D cria um impacto visual maior. Isso deve alertar mais o condutor em relação à existência da faixa de pedestres nestes locais. Queremos que o condutor tenha o sentido de alerta aguçado”, afirma o chefe da Ciretran de Cruzeiro do Sul, no Acre, Valdeci Dantas.

Alto índice de atropelamentos levou Nova Déli, na Índia, a ser pioneira

Primavera do Leste e Cruzeiro do Sul são municípios com menos de 100 mil habitantes. A cidade brasileira mais populosa a adotar as faixas de pedestres em 3D é Santo André, no ABC Paulista, com mais de 500 mil habitantes. Dois projetos-pilotos foram instalados no município, no final de 2017. O trabalho foi executado por funcionários do Departamento de Engenharia de Tráfego (DET) de Santo André, treinados para esse tipo de pintura. 

Fora do Brasil, a cidade pioneira na pintura de faixas de pedestres em 3D foi Nova Déli, na Índia, em 2015. A metrópole indiana tem algumas das maiores incidências de atropelamentos de pedestres no mundo. A ideia se espalhou para outras cidades do país e chegou em Xingsha, China. Na Europa, Ísafjörður, na Islândia, foi a primeira.


Na Califórnia, nos Estados Unidos, também existem faixas de pedestres em 3D. O conceito se espalha pelo mundo para conseguir combater uma estatística perversa. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 22% das mortes no trânsito no mundo são causadas por pedestres atropelados. O Brasil aparece em 5º lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, precedido por Índia, China, EUA e Rússia e seguido por Irã, México, Indonésia, África do
Sul e Egito.

Entrevistado
Reportagem com base em relatório da Organização Mundial de Saúde sobre alternativas para minimizar mortes no trânsito

Contato: eportuguese@who.int

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fonte: http://www.cimentoitambe.com.br