Arquivo diários:12 de fevereiro de 2019

Quem tem medo do Patrimônio de Afetação?

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Quando o termo “Distrato” ganhou as páginas dos jornais recentemente – após a lei que estabeleceu o valor da multa para quem desistir da compra de um imóvel –, uma outra expressão também se tornou frequente nas reportagens sobre o tema: o Patrimônio de Afetação. A bem da verdade, poucas pessoas entenderam o que isso significa. O que é um erro, pois se trata de um regime jurídico capaz de proteger o consumidor em determinadas situações e uma condição relevante nas regras do distrato.

De acordo com a Lei 13.786/18, que regulamentou o distrato no Brasil, a construtora tem o direito de reter até 50% do investimento feito pelo comprador de um apartamento, por exemplo, caso ele desista do imóvel. Esse percentual é válido apenas quando o empreendimento em questão está submetido ao tal “patrimônio de afetação”. Porém, na ausência desse regime jurídico, a mordida da construtora sobre o montante pago será menor, de 25%. Para os dois cenários, haverá a dedução do valor da corretagem.

Na ponta do lápis, a conta ficaria assim: João comprou um imóvel na planta no início do ano passado e hoje, depois de ter pago uma entrada de R$ 10 mil e 12 prestações de R$ 5 mil/mês, mudou de ideia e quer reaver seus R$ 70 mil [10 + (12 X 5)]. O primeiro pagamento, no ato da compra, não será recuperado, pois foi dado à imobiliária como comissão pela venda. Dos R$ 60 mil restantes, João poderá receber R$ 30 mil (50%) se o empreendimento contar com patrimônio de afetação, ou R$ 45 mil (multa de 25%) na ausência dessa condição contábil.

Será, então, que a compra de um imóvel sem esse regime jurídico é melhor para o consumidor? Aí que mora a grande confusão. Por mais que, em caso de distrato, o percentual a ser devolvido seja maior, os empreendimentos sem patrimônio de afetação representam um grave risco para o comprador em caso de falência da incorporadora.

Nas obras erguidas sob essa condição, o dinheiro que entra por meio das prestações dos mutuários é separado da contabilidade geral da incorporadora, isto é, destinado exclusivamente à construção do imóvel colocado à venda. Mesmo se a incorporadora falir, o caixa do empreendimento estará blindado, pronto para ser devolvido aos compradores, de forma proporcional à unidade adquirida.

Criado em 1997, o patrimônio de afetação foi uma forma de evitar que os brasileiros passassem pela mesma situação de milhares de compradores que negociaram com a falida Encol. Na época, era uma das maiores empresas do País e não despertava suspeitas de que o dinheiro que entrada pela venda dos imóveis estava sendo desviado pelos donos.

Infelizmente, quem criou esse mecanismo se esqueceu de torná-lo obrigatório para todas as incorporadoras. Por isso, nem todas os empreendimentos hoje estão sob o regime do patrimônio de afetação. Um estudo feito pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), com base em 5.229 contratos de financiamento no Brasil, revelou que 54% dos empreendimentos negociados não dispunham dessa proteção jurídica. A amostra da pesquisa foi bastante representativa, com informações sobre o crédito liberado pelos oito principais bancos neste setor no país.

Torna-se claro, então, a necessidade de o consumidor fazer uma leitura atenta do contrato antes de se comprometer com uma incorporadora. Em caso de dúvidas, é fundamental buscar a opinião de uma fonte imparcial, para evitar futuras dores de cabeça com a compra de um imóvel desprotegido.

Daniele Akamine é advogada, especialista em Economia da Construção Civil e sócia da Akamines Negócios Imobiliários.

Fonte: noticias.r7.com

5 fatores críticos no marketing digital imobiliário.

A venda de imóveis tem mostrado uma tendência de crescimento nos últimos anos. Houve aumento de 38,4% na comercialização de unidades residenciais de julho de 2017 ao mesmo período de 2018, segundo levantamento do Sindicato da Habitação (Secovi -SP). Essa reação deveu-se principalmente à queda de preços – relacionada ao desemprego e à piora da concessão de crédito –, e ocorre ao mesmo tempo em que se aquece o consumo digital e mobile neste segmento, impulsionado pelos jovens da geração millennial à procura de sua primeira casa.

Gabriel Santacreu, sócio-fundador da Agência 242 (www.agencia242.com.br), diz que esse novo público, moldado pelo maior acesso de todo tipo de informação, é cada vez mais preparado e exigente, o que demanda das construtoras, incorporadoras e imobiliárias o investimento cada vez maior em estratégias de marketing digital.

“Quem compra ou aluga imóveis na internet hoje é bem informado e já tem uma imagem clara do que quer. É a mesma postura do consumidor que busca um tênis ou um eletrodoméstico, por exemplo, e pesquisa bastante antes de bater o martelo e chegar ao e-commerce com uma ideia objetiva do que vai adquirir”, afirma Gabriel. O especialista enumera cinco fatores para construir uma base sólida de clientes e concretizar vendas:

1 – Transparência

Lidar com consumidores mais preparados requer atenção e cuidado redobrados nas ações de marketing. Divulgar dados com pouco embasamento, informações que podem ser facilmente contra-argumentadas ou prometer serviços que não serão entregues após a concretização da venda do imóvel prejudicam a imagem da empresa e afastam potenciais leads. “É necessário fazer um bom monitoramento do público, conhecendo seus objetivos e necessidades e, com isso, construir uma boa relação”, afirma Gabriel.

2 – Conteúdo

Entender o público-alvo determina que tipo de conteúdo será a ele direcionado, e diversificar essa produção é uma boa maneira de despertar a curiosidade e tornar o produto ainda mais atrativo. “Descobrir o bairro favorito dos consumidores, por exemplo, possibilita a criação de textos ou vídeos sobre a história e personagens daquela região, o que cria uma conexão a nível humano e os ajuda a fazer sua avaliação pessoal sobre onde pretendem morar”, explica o especialista da Agência 242.

3 – Leads

Para garantir a conversão dos consumidores em leads, é fundamental traçar uma boa estratégia. O primeiro passo é ter um site apresentável, prestativo e de boa navegação, além de investir em técnicas de SEO. No setor imobiliário, também é importante fazer uso de landing pages, páginas com conteúdo interessante aos visitantes, cujo objetivo principal é fazê-los deixar algum dado de contato, que será convertido em lead. “Utilizar palavras e frases afirmativas, depoimentos de quem já utilizou o serviço e aprovou e vídeos explicativos curtos são boas técnicas para aplicar nessas páginas”, destaca Gabriel.

4 – Redes sociais

A esta altura, é impensável ter alguma presença digital sem planejar em ações nas redes sociais, que são meios essenciais para se aproximar do público-alvo e concretizar vendas, seja pela produção de conteúdo, monitoramento dos usuários para captar dados ou por meio dos anúncios. Para as construtoras e imobiliárias, o Facebook é a que mais gera retorno, mas é importante atuar em outras populares, como o Twitter e o Instagram. Apesar de benéficos para o negócio, esses espaços também servem para trocas e feedbacks dos clientes, por isso é necessário ter engajamento e ser cuidadoso nas respostas a comentários em publicações e depoimentos na página, por exemplo.

5 – Atendimento

“Uma avaliação negativa pode acabar com uma empresa”. A mesma máxima que se aplica em negócios no mundo físico também vale na era digital, na qual pecar no atendimento ao cliente prejudica todo o esforço feito na captação de leads. Assim, o investimento no treinamento dos corretores deve ser constante, a fim de que estejam preparados para um novo perfil de consumidor. A abordagem pessoalmente e por telefone deve andar de mãos dadas com as ações de marketing digital.

Fonte: https://ecommercenews.com.br