Arquivo diários:11 de março de 2019

Consumidores apostam na energia solar para economizar

Energia solar: garantia de economia: Foto arquivo

Imagina reduzir sua conta de luz em, no mínimo, 80%. O que é sonho para muitos tem sido alcançado por alguns consumidores por meio da energia solar. Com crescimento previsto de quase 100% para 2019, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a alteração da matriz energética tem se tornado um bom investimento para proprietários de imóveis e donos de comércios e indústrias (veja as projeções abaixo).

“Sempre tivemos problemas com o custo de energia. Ao construir a minha casa, não pensei na despesa com a conta de luz. Nos primeiros meses, tivemos gastos de até R$ 800. No verão, a conta foi para R$ 1.200. Compramos a ideia da energia solar e estamos notando a diferença. A conta, hoje, é de R$ 180”, festejou o construtor Marcone Severino da Silva, morador do Jardim Sulacap, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Marcone é um dos exemplos de consumidores que apostaram nas alterações propostas pelas empresas que atuam na troca da matriz energética. O procedimento requer um investimento inicial, com o cálculo base partido do metro quadrado das placas de captação da energia.

“Para realizar uma instalação, nós fazemos um projeto para o cliente e apresentamos todos os tipos de viabilidade. Sempre indicamos que o retorno do investimento acontece, na média, entre 3 a 6 anos, dependendo do tamanho do empreendimento”, explicou Pablo D’ornellas, responsável pela Solfortes Engenharia Sustentável, que adiantou o tempo necessário para instalação.

“Estamos encontrando um entendimento maior com as distribuidoras de energia. Antes, a gente demorava de três a quatro meses para fazer a troca da matriz energética de um cliente. Esse tempo caiu para até 30 dias”, festejou D’ornellas.

É possível compartilhar

Desde 2012, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabeleceu a possibilidade de consumidores aderirem o sistema de créditos de energia solar. A base da distribuição funciona da seguinte forma: o usuário que possui uma matriz energética solar pode acumular toda a produção que não é utilizada durante o mês pela sua residência ou pelo imóvel comercial. Esse estoque poderá ser utilizado pelo “dono” da forma que ele considerar mais apropriada.

“É possível jogar os créditos de um dos imóveis que você possui para outro que não tem a área disponível para a instalação. Isso é possível. Se você tiver uma casa no campo e quiser compartilhar a energia que é produzida lá para outro imóvel, é algo viável de ser feito”, explicou Pablo D’ornellas, responsável pela Solfortes.

Para calcular o excedente, o proprietário precisa instalar um relógio especial para registrar consumo. O compartilhamento é possível quanto os imóveis estão sob o mesmo CPF ou CNPJ, e estejam situados na área da mesma distribuidora de energia.

Sindicato tem programa para nova gestão

Com o crescimento da procura pela energia solar, o Sindicato da Indústria de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias do Rio de janeiro (Sindistal) tem disponibilizado a consumidores residenciais, empresas e indústrias a adesão ao Programa de Gestão em Eficiência Energética (PGEE).

“O PGEE não só reduz e otimiza o consumo de energia, mas também promove para a sociedade a consciência da necessidade do uso racional dela. Além disso, atua na busca de alternativas energéticas, mais sustentáveis e economicamente mais viáveis”, disse Fernando Cancella, presidente do Sindistal.

Desde o 1º semestre de 2018, o PGEE passou a catalogar as empresas responsáveis por serviços de troca da matriz enérgica. Hoje, por meio da representação de empresas, é possível solicitar a análise da instalação de placas geradoras de energia solar e uma avaliação sobre os custos que envolvem a alteração.

Segundo o Sindistal, foi disponibilizada uma Central de Serviços com cerca de 130 empresas cadastradas, certificadas e tecnicamente aptas a prestarem serviços referentes ao PGEE. Do total, são 26 empresas de sistemas fotovoltaicos, 45 de sistema de energia elétrica e 68 de sistema a gás.

“Cada projeto desenvolvido dentro do PGEE visa contribuir para o aumento da produtividade e competitividade das empresas de nosso estado, mas também tem foco na redução do impacto ambiental promovido”, concluiu Cancella.

Fonte: extra.globo.com

Produção de concreto sustentável avança em São Carlos

Pesquisador do IAU trabalha para diminuir danos ambientais do cimento, responsável por 5% da emissão de CO2 no mundo

Foto: annawaldl via Pixabay / CC0

O cimento é responsável por 5% das emissões de gás carbônico (CO2) no mundo. Também é o segundo material mais consumido no planeta, perdendo apenas para a água. Apesar dos benefícios, sua presença em escala massiva na construção civil implica em elevados danos ambientais. O professor Bruno Luís Damineli, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP, em São Carlos, vem trabalhando em formas sustentáveis de concreto desde seu doutorado, realizado na Escola Politécnica (Poli) da USP, com estágio no Royal Institute of Technology (Suécia).

No doutorado, o pesquisador desenvolveu misturas de concreto com baixo teor de cimento. Isto é, criou composições mais brandas para o concreto – composto basicamente de água, cimento, areia e brita – sem comprometer seu desempenho. O pesquisador estudou como diminuir os vazios entre os agregados que vão na mistura. Quanto mais vazios entre eles, mais cimento precisa ser utilizado para preenchê-los. Da mesma forma, quanto menos vazios, menos cimento é necessário.

Utilizando duas técnicas diferentes (empacotamento e dispersão de partículas), Damineli diminuiu o vazio entre os agregados e reduziu em 75% a quantidade de cimento utilizada no concreto, quando comparado a concretos de boa qualidade produzidos no mercado. “Nos testes de laboratório, esta redução fica bem alta, pois o controle sobre os testes e materiais utilizados é maior. Mesmo assim, na prática, pensamos que seja possível reduzir 50% sem diminuir a resistência do concreto”, afirma. Os resultados renderam ao cientista o 1º lugar no Starkast Betong, em 2012, além do Prêmio Tese Destaque USP 2015.

Esquema ilustrativo de: a) vazios entre agregados em concreto convencional, contendo brita (círculos cinzas) e areia (amarelos); b) vazios reduzidos em concreto com maior grau de empacotamento (Créditos: Bruno Damineli)

Nada de brita: casa protótipo com agregado reciclado

A segunda vertente de sustentabilidade do concreto com a qual Damineli trabalha consiste na substituição das britas por agregados reciclados. “O problema é que o agregado reciclado é mais fraco do que o natural e, para compensar isso, é comum se aumentar o teor de cimento na mistura, fazendo também aumentar ainda mais o impacto no meio ambiente”, critica o docente.

Foto: Life Of pix via Pixabay / CC0

Portanto, sua atual preocupação é pensar em como manter a resistência do “concreto sustentável”. Para isso, já firmou convênio com uma empresa nacional para construir uma casa protótipo, com início previsto para agosto de 2019, utilizando agregado reciclado. A ideia é analisar até que ponto é possível utilizar esse material, mantendo uma boa relação entre quantidade de cimento na mistura e desempenho mecânico, ou seja, sem comprometer sua resistência.

Damineli já publicou um artigo em 2017 no qual é descrita a utilização de agregados reciclados com baixa dose de teor de cimento. Na casa protótipo, diversos testes estão em andamento na busca de se atingir a melhor relação possível entre teor de cimento e desempenho. Se os testes forem bem-sucedidos, o principal material utilizado nas construções mundiais terá seu impacto ambiental reduzido drasticamente.

Fonte: jornal.usp.br

Assessoria de Comunicação IAU