Arquivo diários:20 de março de 2019

Estátua da Liberdade: a Engenharia dos Grandes Monumentos

Além de muitas vezes representarem pontos turísticos, levando beleza, cultura e arte para as cidades, os grandes monumentos envolvem muita engenharia para a sua construção, principalmente os mais antigos. Grande exemplo disso é a Estátua da Liberdade, grande símbolo da cidade de Nova York.

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O Monumento à Liberdade (ou Estátua da Liberdade) foi construída entre os anos de 1875 e 1886, como um presente da França aos EUA pelo centenário da independência americana. A fim de representar a grandiosidade das terras americanas para os que ali chegassem, o escultor Frédéric-Auguste Barthold idealizou o monumento até hoje localizado na ilha da Liberdade, no porto de Nova  York.Sua construção contou com a colaboração de Gustave Eiffel, engenheiro especializado em estruturas de ferro. Para a sustentação da estátua, ele sugeriu uma estrutura com uma torre central em ferro, firmemente ancorada no pedestal, e ela consistiria em um andaime de ferro com reforços diagonais. A esse esqueleto seria acoplada uma estrutura secundária, mais próxima da forma da estátua, de onde sobressairiam diversas barras de ferro, planas e flexíveis, que se ligariam com o que podemos chamar de “pele” do monumento.

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Essa “pele” foi constituída por 300 pranchas de cobre norueguês, moldadas manualmente e unidas com rebites, somando 80 toneladas. Inicialmente, Bartholdi fez diversos modelos em argila, e depois em gesso até chegar ao cobre, em chapas bem finas com 2,3 mm de espessura. A estátua foi montada, provisoriamente, no pátio do ateliê onde fora modelada, e somente em 1885 o monumento de 46,5 metros e com quase 225 toneladas foi enviado para Nova York, desmontado e acondicionado em 214 caixas

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O pedestal  da estátua, porém, só ficou pronto em 1886. O seu projeto consistia em um sólido simples com vagas influências egípcias, de 27 metros de altura e fundações de 20 metros, de autoria do arquiteto norte-americano Ricardo Morris Hunt. Os pilares foram erguidos em torno das paredes de um antigo forte, que recebeu como enchimento um imenso volume de concreto.O ferro da estrutura reagiu, eletroliticamente, com o cobre da “pele” da estátua, o que causou sérios danos à estrutura até a década de 1980, que ainda foi agravado pela penetração da água da chuva nas chapas de cobre que se dilataram com o tempo, formando aberturas entre elas. Para sanar o problema, a estrutura do monumento foi trocada por aço inoxidável, o que levou um ano. Ao todo, foram trocados 3000 metros de barras da estrutura.

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Na época em que foi construída, a estátua da liberdade era o monumento mais alto do mundo, com 92 metros, sendo capaz de oscilar 7,5 cm com um vento de 80 km/h, como um ótimo exemplo da combinação entre resistência e flexibilidade.

Referências: https://blogdaengenhariacivil.wordpress.com/2015/04/15/estatuas-e-monumentos/http://engenheirocaicara.com/construcoes-extraordinarias-monumento-liberdade/https://www.hometeka.com.br/pro/9-monumentos-historicos-em-construcao/

Fonte: civilizacaoengenheira.wordpress.com

50 Anos do Primeiro Plano Urbanístico Básico de São Paulo

Lendo o jornal da Folha de São Paulo de hoje, dia 12 de março, uma importante memória foi impressa na pequena parte que trata do Acervo do jornal. Trata-se de uma matéria veiculada no dia 12 de março de 1969 com o seguinte título: Uma cidade nova nascerá em São Paulo. Na ocasião, um grupo técnico, formado por brasileiros e norte-americanos desenvolveu um estudo para definir o que foi chamado de “Plano Urbanístico Básico” para São Paulo.

O jornal, inclusive, dá a essa iniciativa a característica de ser a primeira do gênero na cidade. O serviço, que fora contratado pela Prefeitura de São Paulo, indica uma série de diretrizes para “ditar o futuro” da cidade. A ideia, vejam só que interessante, era a de acabar com a “desordem” na qual o município vinha crescendo. O plano demorou oito meses para ser confeccionado e contou com a participação de urbanistas, planejadores, economistas, sociólogos, arquitetos e engenheiros.

Na época, o prefeito da cidade, Faria Lima, falava em “humanizar a cidade”, tornando o local “feliz para seus habitantes”. É de conhecimento geral para todos que, Faria Lima, foi um prefeito à frente de seu tempo, com diversas obras que fazem parte da nossa história. Entre elas, claro, o Metrô.

As sugestões do Plano

O estudo foi feito pelo Consórcio Asplan, Daly, Montreal e Wilbur Smith que entregou 12 volumes com 500 páginas cada um, acompanhados por mapas e gráficos. O grande resumdo do plano fica por conta da melhoria nas condições de trânsito, transporte e, principalmente, deixar a cidade mais humana, por assim dizer. Há, inclusive, a recomendação de que se use a região de Paralheiros, uma região até então “despovoada”, que poderia surgir uma nova cidade com capacidade de abrigar de 600 mil a 1,5 milhão de pessoas. O plano ainda sugeria que indústrias e outros serviços fossem instaladas por ali, visando empregar 200 mil pessoas e, a transcrição do plano, diz o seguinte:

“O empreendimento se assemelhará a construção de uma nova cidade. A municipalidade deverá entrar em entendimentos com os proprietários de terras e desapropria-las quando necessário, proporcionar meios de transporte e os serviços urbanos, elaborar o plano de urbanização e associar de formas diversas a iniciativa privada ao empreendimento (de Parelheiros)”. Outras ideias extremamente interessantes eram: a instalação de dois novos campus universitários na cidade, um em Santo Amaro e o outro na Penha, perto do Rio Tietê e, também, aumentar para 450 quilômetros a rede de metrô da cidade.

Além disso, já em 1969, estimava-se que o Estado deveria manter constante a construção desse modal em 24 quilômetros por ano. Também constava a ideia de criar vias expressas, com extensão de 815 quilômetros, formando uma malha retangular sobre a cidade para atender o tráfego total de veículos. Os intelectuais propuseram que fossem criados sete centros sub-regionais em pontos estratégicos, com o objetivo de “polarizar populações da ordem de 1,5 a 3 milhões de habitantes. Três dos centros ficariam em São Paulo: Santo Amaro, Itaquera e Parelheiros e os outros nas regiões do ABC, Osasco, Guarulhos e Moji das Cruzes.

Por fim, na questão de “quem pagará” a conta desse projeto, a porcentagem era bastante interessante: 30% vindo da Prefeitura, 18% do Estado, 2% da União e a iniciativa privada contribuiria com 27%. Os outros 23% seriam oriundos de financiamentos, além de manter a “atual política de atualização anual dos tributos municipais”.

Qual sua opinião sobre esse plano? Implantariam alguma mudança nesse sentido?

Referênciashttps://www1.folha.uol.com.br/banco-de-dados/2019/03/1969-grupo-prepara-1o-plano-urbanistico-basico-para-organizar-sao-paulo.shtml

Fonte: http://www.saopauloinfoco.com.br