Arquivo mensais:abril 2019

Saiba a diferença entre os sistemas de financiamento SAC e Price

É importante ficar atento ao tipo de amortização da dívida.

Deixar de pagar o aluguel para pagar as parcelas de um financiamento para casa ou apartamento, é um sonho de milhares de brasileiros. A grande vantagem nesse tipo de negócio é poder investir em um imóvel que, no fim das contas, será seu.

Os diversos financiamentos imobiliários têm se tornado cada vez mais comuns no Brasil. É possível optar, por exemplo, pelo Sistema de Amortização Constante, o SAC, ou então a Tabela Price.

Está considerando pegar um empréstimo imobiliário, mas não sabe qual é a modalidade mais vantajosa para você, o SAC ou o Price? Nós elaboramos um pequeno guia com as principais diferenças dos dois. 

Como funcionam os financiamentos
Os financiamentos imobiliários são uma modalidade de empréstimo. Bancos, construtoras e outras instituições financeiras concedem um crédito de até 60% do valor do imóvel e quem empresta pode ter até 30 anos para pagar.

Parcelas
As parcelas dos financiamentos imobiliários, geralmente, são compostas pelas seguintes tarifas:
– uma quantia de amortização da dívida (quantidade referente ao valor emprestado em si);
– encargos obrigatórios (como taxas de administração e seguros de vida e residencial),
– e os juros.

Juros
No empréstimo imobiliário, os juros são altos porque são calculados sobre o saldo devedor. Então, quanto mais se deve para o banco, maior o juros? Exatamente.

É por isso que é mais recomendado que a pessoa tente emprestar menos dinheiro da instituição financeira. Dessa forma, o juros cobrados serão menores e o valor final a ser pago também.

Mas, além do valor total emprestado, é importante ficar atento ao tipo de amortização da dívida. No mercado, há dois principais o SAC e o Sistema Price. 

SAC
SAC é a abreviação de Sistema de Amortização Constante e costuma ser um financiamento mais vantajoso a longo prazo, principalmente quando comparado ao Price. No SAC, geralmente, as primeiras parcelas são mais altas, mas não são fixas. Com o passar dos anos, o valor vai diminuindo de forma gradativa.

Logo de início, paga-se um valor mais alto pela quantidade efetivamente emprestada que é a amortização da dívida. Consequentemente, o valor que será desembolsado para pagar os juros será progressivamente menor.

Vamos a um exemplo prático. Para um empréstimo de R$ 100 mil, por exemplo, suponha que a parcela referente à amortização seja de R$ 1 mil. Então, no próximo cálculo, o juros será sobre os R$ 99 mil ainda devidos.

Então, de forma geral, no SAC, a redução total do valor emprestado é feita de forma constante e progressiva. Geralmente, no fim do empréstimo, as parcelas ficam mais suaves. 
Reajustes
Geralmente, a parcela e o saldo devedor são reajustados mensalmente pela Taxa Referencial (TR).

O valor do seguro obrigatório é outro fator que pode impactar a quantia devida ao banco. Se, por exemplo, você faz aniversário, o seu seguro de vida tende a ser recalculado, gerando um novo encargo para as parcelas. 

Quando emprestar
Geralmente, o SAC requer uma renda um pouco maior, isso porque, as primeiras parcelas costumam ser mais pesadas. O banco geralmente não concede empréstimo se a parcela comprometer mais de 30% da renda.

Apesar disso, este é um empréstimo vantajoso porque a quantia de juros a ser paga é menor.

Então, às vezes, compensa incluir alguém para compor renda e apostar no financiamento do tipo SAC.

Price
Já no Price, conhecido também como Sistema Francês, o valor das parcelas não oscila, ao contrário, são sempre fixas. Isso acontece porque os bancos e instituições financeiras já fazem um cálculo estimado das correções monetárias e embutem o valor já nas parcelas.

Geralmente, a primeira parcela do financiamento pelo Sistema Price é mais barata e se refere, basicamente, ao pagamento de juros. Ao longo do tempo, o valor pago de amortização aumenta e cresce o de pagamento de juros.

Embora pareça mais vantajoso ter parcelas fixas, a longo prazo, o valor pago tende a ser um pouco maior. 

Quando emprestar
É claro que pagar menos juros é o desejo de todo mundo que está pensando em financiamento. Neste caso específico, é mais vantajoso optar pelo Sistema de Amortização Constante. No entanto, por serem parcelas mais puxadas no começo, nem todo mundo consegue comprovar a renda.

Neste caso, às vezes compensa mesmo optar pelo Price. Os juros, a longo prazo, costumam ser maiores, mas as parcelas costumam ser mais acessíveis. Os administradores sempre lembram que o melhor financiamento é aquele que cabe no bolso.

Fonte: www.agoravale.com.br

Importância do armazenamento correto dos materiais da obra

Em grande parte das obras é comum se deparar com o armazenamento de materiais feito de maneira inadequada nos canteiros de obra. Isso é um grande problema, pois além de causar atrasos na construção e na rotina de trabalho dos funcionários, a desorganização e a falta de preparo dos responsáveis por essa tarefa fazem com que muitos materiais sejam desperdiçados ou até mesmo inutilizados, assim havendo prejuízos.


Realizar a gerência desses materiais é um conceito vital que pode resultar na redução de custos e no aperfeiçoamento do desempenho de uma organização quando é adequadamente entendida e executada.


Afinal, como fazer o armazenamento de materiais de construção?

De acordo com a NR-18, os materiais devem ser armazenados e estocados de modo que não prejudique o trânsito de pessoas e de trabalhadores, a circulação de materiais, o acesso aos equipamentos de combate a incêndio, não obstrua portas ou saídas de emergência e não provoque empuxos ou sobrecargas nas paredes, lajes ou estruturas de sustentação.


É importante que os trabalhadores fiquem atentos à forma correta de manusear os materiais e guardá-los conforme as etapas da construção forem acontecendo. Assim, é possível manter o canteiro bem organizado, além de evitar perdas e prejuízos!

Por que é importante organizar o canteiro de obras?

A falha na organização da obra pode causar diversos problemas, tais como: atrasos nas etapas e na rotina dos operários, desperdício de materiais, dificuldade para encontrar os produtos e, até mesmo, acidentes. Portanto é indispensável que os construtores saibam como guardar corretamente todos os itens necessários, evitando que eles fiquem danificados e sejam jogados fora.
Cada material tem sua forma correta de armazenamento, de acordo com o seu tipo, tamanho e aplicação e a boa organização desses produtos ajuda na hora da execução das etapas construtivas, além de deixar a limpeza em dia e manter o canteiro livre de acidentes. 

Como realizar o armazenamento de materiais de construção na obra?

Conhecendo a importância de manter o canteiro de obras organizado, confira alguns exemplos de práticas para armazenamento correto dos materiais utilizados na construção:


Evite o contato do cimento com a umidade

Como o cimento reage ao contato com a água, o indicado é que ele seja armazenado em local impermeável. Sendo assim, os sacos podem ser colocados sobre paletes de madeira, ou até mesmo tábuas; o importante é que eles fiquem acima do nível do solo.


Na hora de empilhar, é fundamental garantir que haja um espaço entre os sacos de cimento, para que não haja circulação de ar entre eles. Para evitar que desmoronem no chão, o ideal é montar as pilhas com os sacos de forma alternada, mantendo, assim, um maior equilíbrio. 

Coloque a areia em um local plano

Uma boa dica é colocar a areia sempre em um local plano, pois, como é um material fino e dependendo da inclinação ele pode acabar se espalhando pelo canteiro, provocando sujeira e desperdício.
Quando a areia não estiver sendo utilizada, o ideal é cobrir o material com um plástico ou uma lona, para que não molhe ou tenha contato com a umidade, pois o excesso de água pode acabar afetando negativamente a qualidade do concreto que vai ser produzido.


Faça uma pilha baixa de tijolos e cubra-os

Neste caso, o empilhamento deve ser feito da mesma forma que os sacos de cimento, para que seja possível manter um equilíbrio. Portanto, não faça pilhas muito altas, pois, se alguma peça cair, pode resultar em acidentes ou na quebra do material.


Assim como é feito com a areia, a pilha de tijolos deve ser coberta com uma lona ou um pedaço grande de plástico, evitando a passagem de água e umidade. O excesso de umidade pode fazer com que essas peças fiquem mais pesadas e percam parte de sua aderência à massa de cimento. 

Posicione corretamente pisos e revestimentos

Peças como essas devem ser posicionadas corretamente, visto que são frágeis e quebram com muita facilidade. Além disso, usar itens danificados não é recomendável por aumentar as chances de dano ao material, além de prejudicar a apresentação visual.

Coloque as telhas inclinadas

Com as telhas, o processo é um pouco diferente: elas devem ser posicionadas de forma inclinada, garantindo um apoio mais firme, aumentando o equilíbrio e evitando que elas quebrem durante o armazenamento. 


Sendo adotado esse principio de armazenamento e organização, pode-se diminuir custo, tempo para execução de tarefas e desgastes dos colaboradores.

Fonte: www.engenhariamoderna.net

Por: Maria Clara Netto Gonçalves Ribeiro

Otimismo com imóveis atinge recorde, mas preço ainda deve demorar a subir

A confiança dos brasileiros na compra de imóveis como fonte de renda continua firme, mesmo diante da multiplicação de produtos financeiros disponíveis

Herança de um passado de hiperinflação, a confiança dos brasileiros na compra de imóveis como fonte de renda continua firme, mesmo diante da multiplicação de produtos financeiros disponíveis. Ainda que os preços no País tenham caído 0,2% em 2018, o investimento no setor suscitou forte otimismo: 60% dos que compraram imóvel no ano passado acreditam que o preço vai subir em 2019. É o maior nível registrado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que faz o levantamento desde 2014.

Em média, os investidores consultados acreditam que a valorização será de 6,1%. Apenas 4% pensam que o preço deverá cair. Os participantes responderam à pesquisa entre 23 de janeiro e 11 de fevereiro. A parcela de otimistas era de 39% e a expectativa de alta, de 1,9% em 2015, quando se começou a reverter o forte movimento de alta provocado pela combinação de aumento de renda, baixo desemprego e melhores condições de crédito. Os preços subiram 1% naquele ano, mas o custo de oportunidade foi alto – a poupança, por exemplo, rendeu 7,3% em 2015.

Para especialistas, é pouco provável que a visão desses investidores se torne realidade. Eles ponderam que outros investimentos podem ter balanço de risco e retorno mais atrativos. A esperança de que a economia do País volte a crescer com mais vigor está por trás da animação no setor, explica Bruno Oliva, economista da Fipe

Segundo ele, leitura parecida impulsiona a oferta, levando as incorporadoras a “voltarem a níveis elevados de lançamentos”. Pesquisa do Secovi-SP, entidade que representa empresas do setor mostra que, nos 12 meses até fevereiro, foram lançados 32,8 mil imóveis na capital paulista, nível parecido com o período anterior à recessão, em 2015.

Com base nos preços de aluguéis, que antecipam tendências na compra e venda, Oliva prevê que a valorização real (acima da inflação) dos imóveis deve se concretizar apenas a partir de 2020. “Há muitas incertezas no cenário político. Os preços de venda ainda estão andando de lado, acho muito improvável ter ganho real em 2019”, avalia.

Estoque

Para o coordenador do laboratório de finanças do Insper, Michael Viriato, um empecilho para a alta dos preços é o excesso de imóveis no mercado. “A alta nos preços virá depois que se eliminar o estoque de imóveis não vendidos ou recuperados pelas instituições”, afirma. 

Segundo o Secovi-SP, o estoque de imóveis prontos na cidade de São Paulo fechou 2018 em 1.671 unidades – 8% do total disponível para venda. O enxugamento desse mercado não deverá ser simples. Segundo a velocidade de venda captada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em janeiro, as ofertas de imóveis duram mais de 16 meses antes de fechar negócio. 

Mas Viriato alerta que, assim como acontece no mercado de ações, quem investe em imóveis pode dar menos atenção aos riscos à medida que o País engate trajetória de crescimento. “É provável que em algum momento o imóvel comprado fique desocupado, gerando apenas custos com IPTU, condomínio, manutenção”, destaca. 

Para ele, como investimento, a compra de imóveis é menos recomendável do que a aplicação em fundos imobiliários. Viriato aconselha a aquisição apenas com o objetivo de residência. E, mesmo nesse caso, é preciso calcular se o aluguel não é melhor opção.

Regulação

Entre os fatores que podem levar o setor a deslanchar mais à frente estão mudanças regulatórias. Mirella Parpinelli, diretora da rede de imobiliárias Lopes, cita a elevação do teto para financiamento com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por meio do Sistema Financeiro de Habitação para R$ 1,5 milhão, que entrou em vigor em outubro.

Ela lembra ainda do Plano Diretor na cidade de São Paulo, que incentivou lançamentos próximos a eixos de transporte. “O emprego ainda precisa voltar, mas estamos vendo um ânimo no mercado.”

Para a professora Márcia Silva, de Hortolândia (SP), a proximidade do metrô pesou na hora de escolher um apartamento para investir na capital. A locação do apartamento rende R$ 3 mil ao mês, o que deu ânimo para ela repetir a dose. “É uma tradição de família, meus pais sempre investiram em propriedade.”

O otimismo do médico Thiago Fraga, que comprou um imóvel na região do Ibirapuera, vem da aposta na saturação do mercado paulistano. “Acho que a tendência é de valorização, daqui a pouco a cidade não tem espaço para construir”, diz. “É um investimento seguro, mesmo que desvalorize, não vou perder tanto.” 

Fonte: exame.abril.com.br

LIG: Como esse novo investimento deve impactar o mercado imobiliário

Primeiras emissões ocorreram no fim de 2018 e mercado acredita que sua expansão será fundamental para o crédito imobiliário

As duas principais fontes de recursos para o mercado imobiliário, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a poupança, estão no seu limite – é o que constata o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Duarte de Abreu Filho. Porém, paralelamente a essa situação, começaram as emissões da Letra Imobiliária Garantida (LIG), tipo de fundo de investimento para o mercado imobiliário que tem grande potencial de expansão. “A LIG tem um papel fundamental no mercado, porque hoje essas duas fontes de recursos principais já estão nos seus limites. O FGTS não vai conseguir manter o crescimento dos desembolsos e a poupança, deve até voltar a crescer, mas é muito limitada e não atenderá a um novo patamar de mercado. Logo, necessariamente, precisamos acessar outros recursos de mercados que deveriam vir ou por meio da LIG ou por meio da securitização”, explica o representante da entidade.

Para Renato Lomonaco, diretor de projetos da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), o funding é o grande gargalo do mercado imobiliário brasileiro, que tem um déficit habitacional de 7,8 milhões de pessoas e necessidade de crescimento por habitação. “Mas o mercado de habitação só consegue andar se tiver juros compatíveis e um financiamento que caiba no bolso, principalmente, da população mais pobre. Para isso é preciso ter um fundingbarato. A LIG é um modelo que serve de alternativa para os fundings que temos e pode atender às necessidades do mercado”, acredita.

Como funciona?

No fim de 2018, bancos como: Santander, Itaú, Banco Inter e Bradesco, começaram as emissões de papéis da LIG. De acordo com dados divulgados pela Abecip, o saldo registrado na B3 foi de R$ 2 bilhões, emitidos até 31 de dezembro do último ano. Atualmente, não é todo investidor que pode realizar as emissões, se restringindo aos considerados qualificados. “Para emitir a LIG, é preciso ter o lastro (o recebível) e hoje a emissão é restrita aos investidores qualificados que precisam ter o mínimo para investir. Como será uma emissão de colocação privada (de acordo com a regra 476 da CVM), é preciso colocar grandes volumes em poucos clientes, por isso, o ticket médio precisa ser muito alto – acredito que ele deva estar superior a R$ 2 milhões por investimento na LIG. É um público muito qualificado e restrito”, explica Duarte de Abreu Filho. Além disso, existe um grande incentivo para que esse tipo de papel seja emitido como um investimento de longo prazo, com prazo mínimo de dois anos de vencimento.

Com relação ao investimento, o coordenador do curso de economia da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EESP), Joelson Sampaio, explica que uma das alternativas da LIG é atrelar seu retorno à variação cambial. “Os outros tipos de investimentos são mais ligados ao mercado imobiliário diretamente quando se compara à LIG. Mas, o que mudaria a opinião do investidor ao final é um investimento mais barato quando comparado ao LCI, por exemplo”, ressalta.

Entenda: LIG x LCI x CRI

A LIG não é o primeiro nem o único tipo de investimento voltado ao mercado imobiliário – existem outros fundos destinados ao segmento. A Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) são velhos conhecidos do mercado. A primeira é lastreada por créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de algo imóvel, diferentemente da LIG, é um investimento de curto prazo e possui menor rentabilidade líquida. Já os CRIs são títulos de renda fixa que não possuem garantia do Fundo Garantidor de Crédito, mas, por outro lado, são considerados de baixa oscilação e indicados para investidores com perfil moderado.

“A LIG, quando comparada ao LCI, tem uma parte atrelada ao câmbio e oferece uma segurança maior pelo fato de ser lastreada”, explica Sampaio. “Vale ressaltar que o funding da LIG é mais de longo prazo. O CRI possui uma característica mais voltada para o atacado enquanto a LIG é mais voltada para pessoa física”, complementa Lomonaco.

Dupla garantia

Para que a LIG seja emitida é necessária uma garantia dos recebíveis. Basicamente, isso significa que, a primeira garantia de pagamento é dada pela instituição financeira que emite o papel, a segunda garantia aparece no caso dessa instituição ter um problema financeiro. O pool de recebíveis se separa da instituição financeira e quem comprou a LIG deixa de depender do banco e volta a tratar o recebível de forma direta. “Ele [investidor] tem uma dupla garantia. Esse orçamento é muito usado na Europa com o covered bond, onde os bancos fazem o financiamento e mantêm ele em carteira, mas não há dupla garantia”, explica o presidente da Abecip.

Para Joelson, coordenador da FGV, a segurança é o principal fator para o crescimento da letra no país. “Ela traz uma diferença bem significativa para o investidor com a dupla garantia. E também tem a isenção do Imposto de Renda, que nisso se iguala às outras opções”, ressalta.

Desafios

Um dos pedidos do setor é que seja feita uma simplificação do fluxo de emissão para garantir que a LIG possa atingir públicos mais massificados. “Um dos desafios é simplificar as emissões no modelo como foi feito no Certificado de Operações Estruturadas, que permite aos bancos massificar esse tipo de instrumento. Logo, queremos fazer a mesma coisa com a LIG, para possibilitar que o investidor pessoa física tenha acesso, porque esse papel tem características de pessoa física; e o segundo desafio é trazer simplificações para permitir que o investidor estrangeiro também consiga emitir o papel”, explica Duarte de Abreu Filho. Hoje, para investir na LIG, há a exigência que o investidor abra uma conta no Brasil. “O desafio é poder fazer uma emissão direta no exterior denominada na moeda estrangeira”, complementa.

Entenda como o Banco Central do Brasil compreende a LIG em entrevista com o diretor de regulação, Otávio Damaso.

Mapa da Obra – De acordo com reportagens do setor, o processo de regulamentação da LIG durou cerca de três anos. O que foi analisado para regulamentá-la no país?

Otávio Damaso – Em maio de 2018, o Banco Central complementou a regulamentação necessária para emissão de LIG no país, concluindo o processo iniciado com a criação do título em 2014, por meio da edição da Medida Provisória nº 656, posteriormente convertida na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015.

Por se tratar de um instrumento complexo e inovador no âmbito do Sistema Financeiro Nacional, a regulamentação da LIG demandou uma série de estudos e de discussões técnicas ao longo desse período. Foram analisadas práticas e padrões adotados em países que contam com mercados desenvolvidos de títulos com as características da LIG, visando disponibilizar à sociedade uma regulamentação alinhada com as melhores práticas.

Além disso, destaca-se a realização de consulta pública previamente à edição da Resolução nº 4.598, de 29 de agosto de 2017, que estabeleceu as condições gerais a serem observadas para a emissão de LIG. Esse processo representou um importante mecanismo de discussão com os participantes do mercado e permitiu a coleta de subsídios para o estabelecimento de regras que propiciem segurança aos investidores e, ao mesmo tempo, viabilizem a utilização do instrumento como fonte de recursos para o financiamento imobiliário.

Mapa da Obra – Qual a expectativa do Banco Central após as primeiras emissões do título?

Otávio Damaso – Na nossa visão, a LIG tem o potencial de se consolidar como uma alternativa complementar às fontes tradicionais de recursos utilizadas para o financiamento de imóveis, como os depósitos de poupança e os recursos do FGTS. Com isso, espera-se que a criação do título, em conjunto com outras medidas adotadas no âmbito da Agenda BC+, a exemplo da revisão das regras de direcionamento dos recursos de poupança, contribua para fomentar o crescimento sustentável do mercado de crédito imobiliário, com impactos positivos na geração de emprego e renda e na redução do déficit habitacional.

Mapa da Obra – Existe algum tipo de cuidado ou verificação que aqueles que procuram esse título devem ter antes de emiti-lo?

Otávio Damaso – Do ponto de vista do emissor, é necessário que sejam cumpridas tanto as regras específicas relacionadas ao título quanto as gerais que disciplinam o seu funcionamento, em particular aquelas relativas ao relacionamento com os seus clientes. Nesse sentido, a instituição emissora, ao ofertar determinado produto, como a LIG, deve assegurar que o cliente tem perfil compatível com as características do título e acesso às informações necessárias, à livre escolha e à tomada de decisão.

Ainda que existam essas regras de proteção, cabe ao investidor avaliar as características do produto e a adequação ao seu perfil de risco. Em relação à LIG, cabe destacar que o título possui garantia dupla, proveniente da instituição emissora e de uma carteira específica de ativos, sobre a qual os investidores possuem preferência em relação aos demais credores em caso de insolvência da instituição emissora, o que confere uma segurança adicional ao título. Por outro lado, o investidor deve ter ciência de que o investimento em LIG, diferentemente de outros produtos, não possui cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Além disso, deve prestar atenção em questões como prazo de vencimento e condições de resgate, de modo a avaliar se pode manter os recursos investidos pelo prazo definido.

Mapa da Obra – Entidades do setor imobiliário acreditam que a LIG tem potencial para se tornar tão importante quanto a poupança para o mercado imobiliário. O que o Banco Central acredita nesse sentido?

Otávio Damaso – As instituições financeiras possuem uma série de instrumentos de captação de recursos disponíveis, como os depósitos de poupança, as LCIs, os CRIs e agora as LIGs. Entendemos que há espaço para todos os produtos e que o mais importante é que os diferentes tipos de investidores possuam opções alternativas adequadas de aplicação e que as instituições financeiras disponham de todos esses instrumentos, a exemplo do que ocorre em mercados mais maduros, de modo que possam utilizar a ferramenta mais apropriada em relação à finalidade pretendida, ao público-alvo e às demais condições verificadas no mercado. Entendemos que a LIG tem potencial para se tornar uma fonte complementar de recursos relevante para o mercado imobiliário. Por contar com as características essenciais de um covered bond, tipo de título muito utilizado na Europa e reconhecido por sua robustez, entendemos que o título poderia atrair investidores que tradicionalmente não aplicam seus recursos nos produtos existentes voltados para o setor imobiliário, em especial investidores estrangeiros.

Mapa da Obra – Existe alguma alteração ou algum ponto que deve ser remodelado desde a Resolução nº 4.598, publicada em agosto de 2017?

Otávio Damaso – Com o objetivo de aperfeiçoamentos na Resolução nº 4.598, de 2017, foram editadas as Resoluções nº 4.647, de 28 de março de 2018, e nº 4.654, de 26 de abril de 2018, aprimorando o processo de autorização para que determinados tipos de instituição possam atuar como agentes fiduciários e definindo de forma clara as medidas que a instituição emissora, caso esteja sob a administração de interventor, liquidante ou administrador judicial, deve adotar para que a transferência da carteira de ativos ao agente fiduciário seja efetivada.

Com esses ajustes e com a edição das normas complementares, entendemos que a regulamentação vigente está aderente às melhores práticas internacionais, e adequada em relação às características do mercado de crédito brasileiro, propiciando uma alternativa robusta para instituições financeiras e investidores. Mas, como parte do processo de acompanhamento da regulação, estamos continuamente monitorando as discussões técnicas e as manifestações de participantes do mercado, com vistas a identificar, ao longo do tempo, possíveis melhorias na regulamentação

Fonte: www.mapadaobra.com.br

Por Aline Mariane e Carla Rocha

Tarjab lança empreendimento inteiramente projetado em BIM

O Residencial Tangram será o primeiro empreendimento desenvolvido com todas as etapas e disciplinas de projetos contratadas para trabalhar em BIM
Créditos: Divulgação/Tarjab

As novas tecnologias têm sido amplamente difundidas pela indústria 4.0 que tem ganhado destaque também na construção civil. Nos países de primeiro mundo, por exemplo, é obrigatório entregar os projetos finalizados em BIM em qualquer tipo de edificação, o que garante um dinamismo muito grande e evita retrabalhos. Pensando nisso, a Tarjab Incorporadora está trabalhando o seu primeiro empreendimento desenvolvido com todas as etapas e disciplinas de projetos contratadas para trabalhar em BIM. Essas simulações são muito úteis até para ter a noção de como vai ficar o projeto, o prazo das ações e o impacto que cada uma delas terá, além dos custos inerentes a cada empreendimento. Trata-se do residencial Tangram Conceição, localizado a 300 metros da estação de metrô Conceição, na Zona Sul da capital paulista.

Para o diretor técnico da Tarjab, Sérgio Domingues o uso do BIM por todos os projetistas, na arquitetura, estrutura, instalação elétrica, instalação hidráulica, paisagismo, entre outros, ajuda a realizar o projeto de forma simultânea e em conjunto dentro do mesmo projeto. “A informação fica automatizada e o processo é realizado de forma contínua e com todo mundo enxergando o que o outro está fazendo em tempo real, além de poder interagir com o outro profissional”, destaca.   “Nós reproduziremos o empreendimento virtualmente para depois executá-lo na prática. Isso mitiga o risco de uma interferência e reduz as chances de haver uma incompatibilidade quando a obra for efetivada”, pondera Domingues. “Normalmente, a metodologia BIM só é usada em algumas partes no processo de concepção de um produto imobiliário e na Tarjab, o diretor técnico destaca que a plataforma de modelagem BIM será utilizada de forma completa, do início ao final do fluxo de produção de um lançamento, em todos os âmbitos incluídos no projeto, planejamento e execução. Ao projetarmos em BIM também conseguiremos visualizar de forma mais explícita o cumprimento de uma norma técnica e inserir novos dados nos projetos sem comprometer o resultado de um trabalho já feito anteriormente”, completa Sérgio.

Com a implementação da plataforma de modelagem BIM, todas as áreas da empresa comprometidas na composição do empreendimento estarão trabalhando simultaneamente, reunidas e se comunicando. “Uma vantagem é não precisar de alguém fazendo verificação no projeto inteiro e a outra é a possibilidade de visualizar o projeto em 3D de maneira automática para ter uma ideia de como será construído, é possível enxergar como vou construir o edifício e o objetivo final de maneira virtual e perceber se ele vai ficar exatamente como eu quero”, aponta. “O projetista já faz o projeto lastreado com base em questões normativas e de legislação, mas ele não sabe como eu construo e ele será informado por meio dos projetos de produtividade”, complementa.

De acordo com Domingues, é possível extrair do sistema a evolução da obra e seus impactos e isso torna muito mais fácil se ter uma noção de como a obra será executada.  Ainda de acordo com o diretor técnico da Tarjab, o ganho em comparação aos métodos tradicionais está no fato de que todos os participantes do projeto conseguirão trabalhar simultaneamente, enxergando as mesmas informações e tomando suas decisões de forma integrada e sinérgica. “A maneira como operaremos a plataforma de modelagem BIM será nosso grande diferencial”, finaliza.

Fonte: www.mapadaobra.com.br

A nova tecnologia chinesa em que os trens andam sobre linhas pintadas no chão

A inovação chinesa, trata-se de um uma pintura ao chão, que em vez de pneus ou trilhos, o modelo de trem segue as demarcações. A invenção é da CRRC, que também fabrica trens comuns para transporte de longas distâncias. Batizado de ART (“Autonomous Rapid Transit”, literalmente “Transporte Rápido Autônomo”), o veículo conta com sensores capazes não apenas de identificar o caminho graças às linhas no piso, mas também de reconhecer possíveis obstáculos para evitar acidentes.

Esse trem / bonde/ metrô é equipado com rodas de borrachas que sustentam o equipamento de dimensionamento de 3,4 metros de altura, 2,65 metros de largura e 31,64 metros de comprimento.

Apesar de a ideia ser utilizar o ART de forma autônoma, isto é, sem motorista, os modelos contam com cabine de comando e volante: a princípio eles serão guiados por humanos para evitar possíveis acidentes. O veículo conta com 3 vagões, que comportam até 100 passageiros cada, e há planos para disponibilizar versões com 5 vagões.

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‘Trem’ por sobre as faixas de navegação. 

CARACTERÍSTICAS

  • Sistema de aviso de partida Lane

Este sistema ajuda a guiar o veículo para continuar funcionando em sua trilha e avisa sempre que ele deriva longe da pista.

  • Retrovisor eletrônico

Esses tipos de espelhos retrovisores são ajustáveis eletricamente e processam uma visão mais clara. Além disso, estas também estão equipadas com auto escurecimento tecnologia para reduzir o brilho.

  • Sistema de alerta de colisão

O aviso de colisão ajuda o condutor a manter uma distância segura com outros veículos na estrada e quando reduz a proximidade, ele mostra um sinal de modo a fornecer um aviso.

  • Autorização de mudança de rota

A facilidade de navegação, equipada com o veículo pode analisar a rota em que ele está viajando e redireciona para uma rota diferente para evitar o congestionamento do tráfego.

RAPIDEZ

Uma vez que é um autônomo, veículo todo-elétrico, o papel do powertrain é interpretado pelas baterias. O ônibus inteligente é embalado com baterias de titanato de lítio e não há flash de instalação que permite que o trem railless cobrir mais de 25kms 15 milhas, ou seja, em apenas 10 minutos de carregamento de carga. Além disso, com a carga completa, o veículo pode encobrir a 40kms. Quanto a velocidade máxima é, a agulha do velocímetro do trem autónomo pode cruzar 43 mph ou 70 km/h.

De acordo com Feng Jianghua, engenheiro-chefe do projeto, esta é a melhor opção de transporte coletivo para cidades pequenas e médias, que vêm aumentando de número rapidamente por conta da urbanização chinesa. O custo de implantação é o principal motivo: enquanto para construir 1 km de metrô é preciso investir cerca de 400 milhões de Yuans (mais ou menos R$192 mi), todo o projeto de ART para uma cidade pequena custa 15 milhões de Yuans (cerca de R$7 mi).

Além disso, o projeto também leva em conta a necessidade cada vez mais urgente de evitar combustíveis fósseis: o híbrido de trem e ônibus é movido a energia elétrica, com autonomia para circular cerca de 40 km antes de ser carregado. Zhuzhou, uma cidade de 3 milhões de habitantes no sudeste do país, será a primeira a testar a novidade, com inauguração prevista para 2018.

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‘Trem’ na sua inauguração, este ano.

Os testes ocorreram em 8 de maio do ano passado, o trem tinha um tamanho total de 30 metros e andou com cerca de 70 km/h., o teste aconteceu ao longo de 3 km por dentro da cidade e contou com 4 paradas.

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‘Trem’ na sua inauguração.

Fonte: civilizacaoengenheira.wordpress.com

Quais serão as profissões do futuro na construção civil?


Até 2030, canteiros de obras terão especialistas em robótica, impressão 3D de grande porte e inteligência artificial

Presença de máquinas robotizadas exigem profissionais com maior qualificação nos canteiros de obras. Crédito: Divulgação

Nos próximos 11 anos, a construção civil deverá agregar pelo menos cinco novas profissões na área de planejamento e no canteiro de obras. É o que aponta o 8º Mapa do Ensino Superior, divulgado pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior). A projeção vai de encontro ao que prevêem consultores de recursos humanos. Entre as profissões que devem ganhar espaço nas construtoras, empreiteiras e incorporadoras estão o de gestor de novos negócios em inteligência artificial, gestor de resíduos, especialista em impressão 3D de grande porte, engenheiro climático e técnico de manutenção de robôs.

São especializações às quais os engenheiros civis podem se encaixar. No caso do gestor de novos negócios em inteligência artificial, a função será desenvolver projetos que melhorem a área de suprimentos, de planejamento e de segurança no canteiro, a fim de mitigar o risco de atrasos no cronograma. Para a função, é preciso ter conhecimento de programação e de gestão de obras. Já o gestor de resíduos deve pensar em estratégias que dêem o direcionamento correto aos descartes do canteiro de obras, além de viabilizar o encaminhamento dos resíduos para a reciclagem, transformando-os em fonte de renda.

No caso do especialista em impressão 3D para obras de grande porte, a aposta é de que futuramente esse se torne um ramo da engenharia civil e da construção industrializada do concreto. A tecnologia tende a abraçar a construção de pontes, viadutos, túneis e ferrovias, além de estruturas para usinas eólicas, hidrelétricas e rodovias que usem pavimento rígido. É uma especialidade que, assim como a do gestor de inteligência artificial, tende a andar casada com a de técnico de manutenção de robôs. A previsão é de que as máquinas substituam a mão de obra em várias funções dentro do canteiro de obras, e será necessário alguém que as conserte quando precisarem de reparo ou manutenção.

Mais de dez áreas serão impactadas pela transformação em curso do mercado de trabalho

Outra nova profissão que deve se agregar à construção civil é a de engenheiro climático. Com conhecimento em meteorologia e microclimas, ele poderá influenciar em projetos arquitetônicos, orientando sobre os materiais que melhor cumpram desempenho térmico em determinada região. Além disso, poderá desenvolver relatórios que apontem a vulnerabilidade de certas áreas a desastres climáticos e suas consequências, como desmoronamentos, deslizamentos e enchentes. Isso fornecerá subsídios de prevenção ao projeto-executivo.

O estudo que consta do 8º Mapa do Ensino Superior abrange mais de uma dezena de áreas que devem ser impactadas por novas profissões: educação, humanidades e artes, ciências sociais, negócios e direito, ciências, matemática e computação, engenharia, produção e construção, agricultura e veterinária, saúde e bem-estar social, e serviços. O levantamento teve como base os dados fornecidos por relatórios de Big Data Analytics e analistas de recursos humanos.

Entrevistado
Reportagem com base em projeções do 8º Mapa do Ensino Superior, divulgado pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior)

Contato: universidadecorporativa@semesp.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fonte: www.cimentoitambe.com.br

Evolui aos poucos o mercado de imóveis da capital

O aumento da demanda verificado desde o segundo semestre do ano passado parece permitir uma elevação de preços nas áreas mais procuradas

A comercialização e os lançamentos de imóveis em São Paulo registraram alguns resultados razoáveis em fevereiro, segundo a última Pesquisa do Mercado Imobiliário do sindicato da habitação (Secovi-SP). O levantamento mostrou que o estoque de imóveis caiu. É boa notícia, mas não deve ser tomada ao pé da letra. O que se sabe é que é elevado o número de unidades retomadas pelos bancos nos últimos dois anos, em decorrência da recessão e da falta de capacidade de pagamento dos financiados. Esses imóveis terão de ser vendidos tão logo o mercado tenha maior capacidade de absorção.

No primeiro bimestre, os dados de vendas foram mais favoráveis do que os dos lançamentos. Em fevereiro, foram vendidas 2.176 residências novas, número 34,2% superior ao de janeiro e 50,3% maior que o de fevereiro de 2018. O número de unidades vendidas em 12 meses, até fevereiro de 2019, atingiu 30,6 mil, bem acima das 25,3 mil comercializadas nos 12 meses anteriores.

Em igual período, foram lançadas 32,8 mil unidades, mas os números do primeiro bimestre deste ano não foram alentadores. Apenas 286 unidades novas foram lançadas em janeiro e 870, em fevereiro. Trata-se de um período sazonalmente fraco, mas será necessária uma recuperação forte daqui para diante para que se possa retornar à tendência positiva que marcou o quarto trimestre de 2018.

As vendas e os lançamentos estão concentrados em imóveis com áreas de até 45 m², ou seja, apartamentos compactos com um ou dois dormitórios. A preferência de grande parte dos compradores é por unidades localizadas em áreas onde existe ampla oferta de serviços e, ainda mais, próximas do local de trabalho. Algumas incorporadoras se especializaram no atendimento desse nicho.

O aumento da demanda verificado desde o segundo semestre do ano passado parece permitir uma elevação de preços nas áreas mais procuradas. Os incorporadores apresentam como justificativa as limitações de construir em São Paulo.

Na média de mercado, os preços ainda evoluem lentamente e, em geral, mal acompanham os índices de inflação. A questão é que a renda dos consumidores também cresce pouco e os empregos são escassos. Assim, mesmo sendo módicos os juros dos financiamentos, nem sempre as prestações cabem na renda dos compradores potenciais.

Fonte: opiniao.estadao.com.br

Conheça 4 ferramentas de marketing digital para imobiliárias

Estar presente no ambiente digital é uma obrigação para praticamente todos os negócios que buscam o sucesso atualmente. As novas tecnologias e a internet hoje dão as coordenadas aos clientes em busca de produtos e serviços e às empresas que objetivam a aproximação e fidelização de seus consumidores.

No mercado de imóveis não é diferente. Por isso, o marketing digital para imobiliárias não é mais novidade ou diferencial. É uma necessidade para se manter competitivo em um ramo cada vez mais disputado.

Assim, é preciso identificar quais as estratégias mais adequadas para se destacar no ambiente online. Neste post apresentamos algumas ferramentas que podem ser utilizadas com sucesso por imobiliárias de todos os portes. Confira de que forma elas podem impulsionar o seu negócio.

Afinal, por que utilizar marketing digital nas imobiliárias?

As transformações pelas quais o ambiente de negócios passou nas últimas décadas e, também, os avanços nas tecnologias e comunicações foram especialmente sentidas no ramo imobiliário. Hoje, é muito pouco provável que alguém saia de casa para negociar um imóvel sem antes realizar uma boa pesquisa na internet.

Tampouco é possível que a imobiliária obtenha sucesso no modelo tradicional de atuação passiva, aguardando nos plantões pelos clientes que acessam as ofertas de imóveis em classificados de jornal.

Atualmente, é preciso proatividade para ir ao encontro do cliente e mostrar-se relevante para auxiliá-lo a atingir seus objetivos. No entanto, isso precisa ser feito por meio de estratégias digitais, que incluem o uso correto e eficiente da internet, redes sociais, conteúdo de relevância e muito relacionamento.

Além de ser uma estratégia de custo reduzido, o marketing digital permite uma comunicação com o cliente mais eficiente e personalizada, com alto poder de engajamento. Conheça, a seguir, algumas ferramentas que podem ser utilizadas nessa estratégia e saiba quais resultados elas podem trazer para sua imobiliária.

Quais as principais ferramentas que podem ser utilizadas?

Veja como as ferramentas de marketing digital podem ajudar a melhorar os resultados da sua imobiliária. Separamos 4 principais!

1. Inbound marketing

inbound marketing é uma estratégia que busca inverter a ordem tradicional da relação da empresa com o consumidor. A ideia é não mais correr atrás do cliente e, sim, ser procurado por ele. Para isso, são utilizadas ferramentas como a produção de conteúdo, SEO e redes sociais.

Embora recente, o inbound marketing se propagou com rapidez, acompanhando o crescimento dos negócios no ambiente digital. Hoje, é uma das estratégias mais efetivas de atração e conversão de clientes.

Uma estratégia de inbound marketing envolve, pelo menos, quatro etapas: atração, conversão, venda e análise. Ela permite transformar pessoas que sequer conhecem o seu negócio não apenas em clientes, mas em verdadeiros multiplicadores de seu produto ou serviço.

Por característica, o mercado imobiliário pressupõe aspectos específicos quanto ao inbound marketing. Diferentemente de outros negócios, a compra de um imóvel não se resolve de forma 100% online. Assim, o processo de geração e qualificação de leads se complementa com outros processos de venda, o que não torna o processo menos eficiente.

2. CRM

Um CRM, ou Customer Relationship Management, é uma solução que ajuda a atrair e fidelizar os seus clientes, tornando-os o centro das práticas de gestão da empresa. O acesso ágil e sistematizado dos dados de cada contato permite tornar mais eficientes todas as etapas do processo de negociação, da prospecção ao pós-vendas.

A ferramenta centraliza todas as informações e documentos dos seus clientes, tornando-se essencial para que se identifique suas demandas e necessidades. Assim, a eficiência na conversão em vendas é bem maior, já que o CRM fornece as informações necessárias para aprimorar as estratégias de aproximação e negociação.

O CRM aumenta a produtividade e a eficácia no relacionamento da imobiliária com seus clientes, seja qual for o seu perfil e o seu objetivo. Uma ferramenta de CRM, como o inGaia Imob, permite automatizar as rotinas da empresa, centralizando todos os processos de vendas.

3. Marketing de indicação

O tradicional boca a boca entre clientes pode se tornar uma eficiente estratégia de negócios. Porém, o marketing de indicação ou “referral marketing” ainda não recebe a devida atenção no ambiente de negócios no Brasil — e não é pouco o que se perde sem ele.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Buzzlead, mais de 90% dos consumidores dizem ter total confiança em empresas, produtos e serviços indicados por amigos ou familiares. Startup com atuação focada no marketing de indicação, a Buzzlead prega que estratégia de marketing gera a confiança e o valor que se alcança quando se é indicado por alguém da confiança do cliente.

A possibilidade chegar a um novo consumidor por indicação de um antigo ganhou projeção com as redes sociais. Portanto, se antes era preciso encontrar com um amigo para indicar a ele um produto ou serviço, agora as redes sociais facilitam esse contato.

Para o sucesso do marketing de indicação no mercado imobiliário, a Buzzlead indica a observação de quatro pilares:

  • identificar o momento de pedir que um cliente o indique;
  • disponibilizar as ferramentas para que ele faça essa indicação;
  • oferecer uma recompensa;
  • ser transparente com quem indica, cumprindo o prometido.

4. Mídia paga

Os anúncios pagos podem ser uma excelente forma de entrar no radar de seus clientes, direcionando seu conteúdo para um público-alvo específico e segmentado, potencializando o alcance do seu negócio.

A mídia paga pode ser uma ótima opção quando se necessita de resultados rápidos em sua estratégia de negócios. A grande decisão no que se refere ao uso dessa estratégia de marketing é onde concentrar seus investimentos.

Entre as opções a se avaliar estão as plataformas de busca, como o Google, que permite melhorar a posição de sua marca no buscador. Já os anúncios em redes sociais têm entre suas vantagens a segmentação do público-alvo. Uma terceira oportunidade de investimento, que pode ser bastante efetiva no mercado imobiliário, diz respeito aos portais imobiliários.

Essas são algumas das mais eficientes ferramentas de marketing digital para imobiliárias. Elas podem ser desenvolvidas de forma conjunta e aliadas a outras iniciativas para reforçar sua presença e relevância junto aos seus clientes. O mais importante é que sua presença online seja eficiente.

Gostaria de saber mais sobre como obter sucesso nas estratégias digitais em sua imobiliária? Então entre em contato conosco, conheça as ferramentas e o suporte que podemos oferecer e turbine a reputação e o potencial online de sua empresa.

Fonte: www.ingaia.com.br

Rua Paim, na Bela Vista, passa por renovação imobiliária

Entre prédios antigos e modernos, trecho na Bela Vista se transformou na rua mais diversa da cidade, com metro quadrado que varia de 5 000 até 12 000 reais


Os antigos edifícios 14 Bis e Demoiselle (à esq. e no centro) e o novo Urbe (à dir.): aumento de 150% no valor do metro quadrado (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Uma rua íngreme de 400 metros de extensão, na vizinhança das valorizadas Paulista e Frei Caneca, conseguiu o que diversos planos diretores, leis de zoneamento e investimentos públicos milionários, da Copa do Mundo ao Minha Casa Minha Vida, jamais conseguiram: ter lado a lado moradores de rendas muito diferentes, em uma área servida por transporte público e com empregos à mão.

Em menos de uma década, metade do tempo em que vários governos prometeram acabar com a Cracolândia da Luz, a Paim deixou de ser um reduto de tráfico de drogas e prostituição. Conflitos ainda existem, e muitas disparidades, mas os números impressionam. “Só computamos cinco furtos na rua neste ano”, diz o delegado Júlio César dos Santos Geraldo, titular do 4º Distrito Policial. Oficialmente houve uma queda de 45% nos crimes cometidos por ali em cinco anos.


O zelador Jeová Bezerra: tiros eram comuns na região (Alexandre Battibugli/Veja SP)

A transformação aconteceu com uma renovação imobiliária no local, quando casarões, cortiços e estacionamentos deram lugar a sete prédios, de padrão bastante mais alto que o dos velhos vizinhos, a partir de 2009. Quase 1 100 apartamentos surgiram no lugar, atraindo cerca de 3 000 novos moradores. Mas com uma similaridade aos da velha Rua Paim: a grande maioria é de apartamentos compactos, chamados estúdios, com menos de 40 metros quadrados. O Urbe, com dezoito andares e 180 unidades de 36 metros quadrados, tem apenas dois apartamentos disponíveis.

Nisso, a nova Paim é neta da velha Paim, que se verticalizou entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1960. Ali, três edifícios históricos que homenageiam as naves de Santos Dumont abrigam igualmente 3 000 moradores em mais de 1 000 apartamentos. O maior deles é o 14 Bis, com 499 unidades entre quitinetes e apartamentos com outros tamanhos. O Caravelle tem 322 unidades de 42 metros quadrados. Já no Demoiselle há 276 apartamentos com área a partir de 28 metros quadrados.


A aposentada Glatina Ritter: caminhada mais longa para as compras (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Todos carregam o apelido informal de “treme-treme”, pelo passado de violência e sexo. A abertura do Viaduto Doutor Plínio de Queiroz, em 1971, na gestão do prefeito Paulo Maluf, degradou a área, como aconteceu no Minhocão e em outros lugares cortados por elevados. A gestão mambembe, a inadimplência e a manutenção sofrível em condomínios com centenas de moradores fez o resto.

Tiroteios, por exemplo, eram corriqueiros. “Isso foi um tiro, mataram um rapaz bem aqui”, afirma o zelador Jeová Bezerra, apontando um buraco de bala na parede ao lado de seu posto de trabalho. “Eu via gente morrendo direto.” Responsável há 35 anos pelo Caravelle, o funcionário também se recorda da ocasião, em 1980, em que encontraram o corpo de uma mulher no terreno ao lado do edifício. “O pessoal ia jogar bola e deu de cara com a mulher morta”, relembra. Outra história que se conta nos corredores desses prédios é a dos botijões de gás que costumavam ser atirados pelas janelas dos apartamentos durante brigas e confusões diversas.


A estudante Isabella: mais segurança no centro que nos Jardins (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Os moradores mais novos elogiam a tranquilidade, comparada à de outros bairros mais badalados da cidade. “Caminho sozinha na rua a qualquer hora do dia e nunca tive nenhum problema aqui”, conta a estudante Isabella Paiva Grillo, que cursa direito no Mackenzie e no ano passado trocou o Jardim Paulista por um apartamento de 39 metros quadrados na Paim. “Já nos Jardins roubaram meu celular, me perseguiram na rua e tive vários outros problemas”, explica. Isso tem levado a região a superar a concorrência. “Procurei imóveis no Anhangabaú e no viaduto da Nove de Julho, mas fiquei escandalizada com a falta de segurança”, diz a produtora de vídeo Lais Fernandes, que optou por um apartamento de 28 metros quadrados no número 307 da Paim, um dos novos.


A produtora de vídeo Lais Fernandes: mudança há cinco anos (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Apesar de estarem lado a lado, os públicos da antiga e da nova Paim raramente se misturam no dia a dia. Apesar de a vizinhança não ser segregada por muralhas como entre Morumbi e Paraisópolis, há quase uma linha imaginária que ainda divide a parte mais rica da parte mais pobre da via. Os botecos pé-sujo da galeria espremida entre o complexo dos prédios antigos, por exemplo, são área cativa da velha guarda, tanto pela tradição quanto pelo preço. “A turma mais nova costuma ir durante a madrugada para comprar cerveja, quando não tem mais nada aberto”, revela o zelador Bezerra, que paga 15 reais para almoçar diariamente nesses locais. Com raras exceções, os recém-chegados frequentam mais a Rua Augusta e a Avenida Paulista.


Tancredo Muniz em seu empório: antigos comerciantes oferecem novos serviços e lucram com os recém-chegados, de oficinas mecânicas a salões de beleza e bares (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Um dos poucos pontos de encontro entre as duas gerações é o empório Frutaria, aberto em 2017. “Sempre vou lá tomar café da manhã, os preços são ótimos”, afirma a farmacêutica Andressa Minuzzi, que se mudou para a Paim em dezembro de 2016. Essa impressão não é compartilhada pelos mais antigos. “Vou ali tomar uma cervejinha e ver futebol na TV, mas iria mais se não fosse tão caro”, reclama a aposentada Luiza Oliveira Vieira, na área há cinquenta anos. O empreendimento admite que mira o público mais novo do pedaço. “Criei uma carta com vários tipos de drinque, como gim-tônica, na faixa dos 20 reais”, explica o empresário Tancredo de Souza Muniz. Antes de abrir a Frutaria, ele já era dono de um restaurante vizinho bem mais simples. Ali também ocorreram transformações. “Passei a comprar picanha importada e o preço subiu de 19 para 42 reais desde a chegada desses novos clientes”, diz. “Se eu não tivesse feito isso, ainda teria cadeiras de plástico.”

Há outros pontos que se beneficiaram com a mudança no perfil do consumidor e aumentaram a margem de lucro. No principal mercado local, o Adriata, o quilo do feijão é comercializado a 10 reais, enquanto uma caixa de leite sai a quase 5 reais e o saco de 5 quilos de arroz, a 16 reais. Em pontos mais distantes, como o supermercado Master, na Frei Caneca, esses mesmos produtos custam 7, 2 e 11 reais, respectivamente. “É mais longe e eu preciso de ajuda para carregar as sacolas, mas compensa”, explica a aposentada Glatina Ritter, de 82 anos, que mora em um apartamento de 42 metros quadrados no Caravelle.


O aposentado Lourival Prado: transformações em cinquenta anos (Alexandre Battibugli/Veja SP)

A oficina mecânica instalada ali há dez anos também comemora um crescimento de 20% no faturamento nos últimos tempos. “Ao contrário do pessoal mais antigo, a moçada nova que veio para cá tem carro na garagem”, explica o proprietário Ricardo Cabral. O fenômeno do aumento de preços é corriqueiro em locais que experimentaram migrações do tipo. “Se existe um consumidor com poder aquisitivo maior, o comércio se adéqua a esses novos padrões de consumo, subindo os preços”, afirma a economista Julia Ximenes, assessora da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).

Também existem na Paim alguns espaços em que o tratamento é diferenciado de acordo com o tipo de cliente. “Oferecemos alguns descontos se o morador é mais antigo”, diz a manicure Zélia Chang, funcionária do salão de beleza Camarim, inaugurado em 1999. Por ali, fazer as unhas sai por 22 reais, valor mais em conta do que em estabelecimentos do entorno. Na Frei Caneca, o mesmo serviço não custa menos de 40 reais, em média. Com o passar dos anos, o público do Camarim também mudou. “Há dez anos, minhas clientes eram principalmente garotas de programa, agora atendo muitos dos moradores novos”, afirma.

O êxodo de narcotraficantes e a chegada de novos moradores, até nos treme-tremes, melhoraram a condição nos antigos prédios. “Todo mundo aqui paga direitinho, não falta dinheiro para manter o edifício em ordem”, diz Edvaldo Silva, síndico do Caravelle há catorze anos. O contraste dos valores pagos para comprar ou alugar uma unidade na rua persiste. O metro quadrado nos prédios que homenageiam o pai da aviação gira em torno de 5 000 reais. Nos novatos, quase ao lado, o preço supera os 11 000 reais. Um aluguel mais condomínio no 14 Bis pode sair por módicos 1 100 reais. No Urbe, a locação de um apartamento do mesmo tamanho passa dos 3 500 reais.

Quem comprou imóvel ali antes da transformação fez um bom negócio. “Paguei 19 000 reais por meu apartamento há quinze anos. Hoje tem gente pedindo 150 000 reais por unidades do mesmo tipo”, conta o pesquisador Ubirajara Martins Gomes, que mora em uma quitinete de 50 metros quadrados no 14 Bis. A poucos metros dali, nos prédios novos, apartamentos com dimensões semelhantes às das unidades do 14 Bis são comercializados atualmente a 900 000 reais. É o que ocorre no MaxHaus, com imóveis de 74 metros quadrados. O preço médio do metro quadrado para venda por ali cresceu quase 150% entre 2009 e 2019, saltando de 4 500 reais para 11 300 reais, de acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi). O valor já é próximo ao cobrado em bairros badalados da cidade, como Moema e Itaim, onde o metro quadrado custa 11 800 e 11 900 reais, respectivamente, segundo o GrupoZap.


O personal trainer Léo Forte: plano de abrir uma academia na rua (Alexandre Battibugli/Veja SP)

O que parece unir veteranos da área aos recém-chegados é a reclamação contra o inflacionamento dos preços na região, vítima do sucesso da nova Paim. “É caríssimo morar aqui”, afirma o personal trainer Léo Forte, que desde 2014 divide um apartamento de 40 metros quadrados com a mulher, a biomédica Roberta Amarante, no condomínio NKSP. O casal paga 2 700 reais de aluguel e condomínio por mês. De olho em novas oportunidades na região, Forte estuda a compra de um terreno vizinho para abrir uma academia de crossfit. A área que ele está paquerando abrigava um dos antigos cortiços da rua. Dono de um desses locais, o comerciante Marcelo Cardoso, de 70 anos, derrubou outro em 2017 para a construção de um galpão de 280 metros. “Era um cortiço muito feio, vendiam droga ali na frente e nunca entrei lá porque tinha medo”, diz. “Como a Paim tem recebido novos serviços, pensei em criar um espaço.” Moradores mais antigos também têm encontrado oportunidades para lucrar com o aumento do preço dos imóveis no local. Um rapaz conhecido na região apenas como Brito comprou 34 apartamentos no Caravelle para alugar a outras pessoas. Todos estão ocupados, a um preço de 750 reais mensais, além de 350 reais pelo condomínio.

A demolição dos cortiços também colaborou para a limpeza da rua na última década. Os habitantes que estão na região há mais tempo lembram do tempo em que havia pilhas imensas de entulho espalhadas para todos os lados. Atualmente, os vizinhos dizem que a sujeira permanece apenas em uma parte da via. Para alguns, foi necessária a chegada dos moradores mais abastados para a limpeza melhorar. A prefeitura, no entanto, informa que realiza varrição da área todos os dias e que mantém a mesma frequência de outras épocas. “Em média, são coletadas 13 toneladas de resíduos na região”, afirma, em nota, a administração municipal.


Teatro Maria Della Costa, na Paim, nos anos 90: point boêmio (Fernando Sampaio/Estadão Conteúdo)

A Rua Paim, quem diria, era pouco povoada até o início do século passado, conhecida como “Sítio do Capão”. O nome atual surgiu para homenagear José Paim Pamplona, engenheiro português que ajudou a fundar o bairro da Bela Cintra, hoje Bela Vista. “Quando cheguei por aqui, ainda sobravam algumas poucas casas, a maioria ocupada por italianos e espanhóis”, diz o aposentado Lourival Prado, que mora na Paim há mais de cinquenta anos. No início da década de 60, com a construção do Complexo Santos Dumont, composto dos edifícios 14 Bis, Demoiselle e Caravelle, a região passou a ser ocupada pela classe média e muitos artistas que se instalaram em suas quitinetes, como eram conhecidos os quarto e sala. Na época, era um ponto de boemia frequentado por cantores como Aracy de Almeida, o humorista Ary Toledo e grupos musicais como Os Originais do Samba, do comediante Mussum (a irmã dele morava ali). A decadência dos prédios e o trânsito pesado levaram ao êxodo dos artistas, e a transformação das casas dos imigrantes em cortiços. Hoje, apenas um desses casarões continua de pé, abandonado. Vizinhos ainda esperam promessas antigas como a demolição do viaduto que separou a Nove de Julho. Ainda assim, este é um raro caso de transformação positiva com classes diferentes lado a lado.

Fonte: vejasp.abril.com.br

Por Ricardo Chapola