Arquivo diários:3 de abril de 2019

O futuro imediato do mercado imobiliário indica: mudança nos hábitos das famílias impõe metragens menores

Se no passado morar em um apartamento grande, e em condomínios com muitos itens na área de lazer era sinal de status e prestígio, a tendência agora é exatamente o contrário: metragens privativas reduzidas, áreas de lazer mais compactas e bem equipadas, além de muitos serviços e tecnologia dão o tom dos investimentos mais assertivos já para a próxima década.

Menos é mais, resume o estatístico Marcus Araujo, presidente-fundador da Datastore, especialista em pesquisa e inteligência de mercado que tem viajado pelo Brasil para compartilhar informações essenciais sobre a reinvenção do imóvel para a nova década que se aproxima.

“A demanda por metragem no mercado imobiliário encurtou 15% em todo o país. As pessoas hoje compram aquilo que precisam”, aponta o criador do algoritmo que já avaliou mais de 555 bilhões em empreendimentos imobiliários, ao longo dos últimos 25 anos.

“O imóvel além do imóvel”

O especialista, que é referência no setor, esteve em Curitiba no dia 2 de abril para o Roadshow Tendências do Mercado Imobiliário 2019 – que tem patrocínio do Grupo Haganá e BeeMob – com a palestra O imóvel além do imóvel.

O evento, exclusivo para empreendedores e profissionais do mercado, é promovido pela Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR) e destaca, ainda, a presença de Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon – empresa inovadora do setor imobiliário no desenvolvimento e construção de empreendimentos residenciais e comerciais em São Paulo, que obteve desempenho marcante no ano de 2018, período em que o setor imobiliário ainda amargava maus resultados de vendas.   

A tendência dos apartamentos menores, é bom que se diga, não vale apenas para os imóveis voltados às faixas de renda mais baixas. “O alto padrão não está mais relacionado ao tamanho. Isso passou”, chancela Araujo. Mesmo em relação aos terrenos, a metragem menor também é o que se vislumbra. “Terrenos de loteamentos fechados, a partir de 2020, devem ficar abaixo dos 250m²”, declara. 

Entre os fatores que levam a essa tendência forte do mercado para os próximos anos, quatro se destacam: a presença crescente das mulheres no mercado de trabalho; as famílias menores, já que os casais têm menos filhos; a vida digital, que diminui a circulação das pessoas dentro dos ambientes da casa e a redução da presença dos trabalhadores domésticos, devido, entre outras coisas, ao aumento dos custos com esses empregados.

Segundo Araujo, o mercado precisa se adequar a estas mudanças das organizações familiares que impactam diretamente na expectativa dos consumidores, ávidos por novos empreendimentos. Para se ter uma ideia, pesquisa realizada em Curitiba, no primeiro trimestre de 2019, com 387 famílias com renda acima de R$ 8 mil, apontou que o tamanho da família está majoritariamente em 3,3 pessoas. “O resultado é que os casais estão optando, cada vez mais, por terem apenas um filho ou ainda, estão abrindo mão deste papel para investir em viagens, experiências gourmet, além do convívio com um pet”, afirma o presidente da Datastore.

Esse mesmo levantamento apontou que, entre essas famílias, 25% têm interesse de comprar um imóvel nos próximos 24 meses – o mesmo percentual se estende em todo o país. Já o interesse em comprar para os próximos 12 meses chega a 32%, dentre os que querem comprar no período de dois anos. Segundo o especialista em demandas, esses números apontam para a retomada do mercado comprador, que já deseja novos produtos.

Tecnologia

O estudo da Datastore aponta, ainda, um dado que mostra a dimensão desta relação das famílias com a tecnologia. Em média, os entrevistados curitibanos declararam ficar cerca de 8 horas conectados diariamente. Ou seja, é mais tempo dentro do quarto, no smartphone ou no computador, e menos tempo circulando pela casa ou por áreas de lazer. “O tempo de conexão alto está fazendo com que as pessoas precisem de menos espaço”, avisa. “Até o salão de festas pode ser menor. Afinal, são uns 10 amigos próximos para cantar os parabéns pessoalmente e, os demais, mandam as mensagens pelo Whatsapp e pelo Facebook”, defende.

Para o futuro, a tecnologia deve ganhar ainda mais espaço e afetar o dia a dia nos novos modelos de empreendimentos, com mais áreas compartilhadas. “As pessoas começaram compartilhando fotos nas redes sociais. Depois vieram os compartilhamentos através da economia colaborativa e, na sequência, os aplicativos de transporte dominaram. Agora, isso está chegando dentro de casa. No futuro do imóvel, as áreas de convívio, inclusive as áreas de alimentação, serão para fora de casa”, afirma o especialista. “A pessoa mora sozinha no apartamento, pede uma comida pelo aplicativo e vai fazer a refeição junto com outros moradores, compartilhando o espaço. Na economia digital, compartilhar significa, acima de tudo, racionar recursos para preservar o planeta”, completa.       

Fração: a economia cresce com compartilhamento

Até onde pode ir esta tendência dos imóveis com metragens cada vez menores? Marcus Araujo sentencia pautado por suas pesquisas e experiência: “Em 2050, vamos chegar aos apartamentos de 3m², produto que, inclusive, já existe no Japão. Essa segmentação não significa que todas as pessoas terão interesse por este tipo de proposta, mas as pessoas que quiserem viver sozinhas ou, ainda, viajantes – pessoas que pretendem ocupar apenas algumas horas do imóvel – poderão adquirir frações de empreendimentos. Tudo caminha para esse modelo compartilhado. Do contrário a economia mundial desacelera”, provoca.“Com apartamentos pequenos, e até com uso compartilhado, as pessoas gastam menos condomínio e menos IPTU, apenas para citar as maiores despesas. Isso tudo para gastar o dinheiro com outras experiências que hoje elas consideram mais valiosas, como conhecer o mundo, por
exemplo”
, conclui Araujo.

Fonte: paranashop.com.br

Cinco descobertas sobre o futuro das famílias

Crédito: Shutterstock

Estudo da Euromonitor aponta novos formatos familiares, redução do número de filhos, longevidade, mercado de trabalho e mudanças no estilo de moradia

A tradicional definição de família, com dois adultos e uma criança, se transformou rapidamente. Junto com os novos formatos familiares vieram consequências e expectativas para o futuro.

Um estudo da companhia de pesquisa global Euromonitor aponta as mudanças que aconteceram ao longo do tempo, como redução do número de filhos, aumento na longevidade, inserção no mercado de trabalho, mudanças no estilo de moradia, individualização dos membros do conjunto e a relação com o mercado.

Menos filhos não significam menos oportunidades

Embora o número médio de crianças por família esteja em declínio em todo o mundo, a atratividade dos segmentos relacionados a crianças não vai diminuir, necessariamente. Os pais normalmente investem mais dinheiro no menor número de filhos que possuem, enquanto segmentos como roupas e brinquedos para crianças ainda estão em fase inicial de crescimento em mercados emergentes lucrativos.

Desafios para o Estado

De acordo com o estudo, os novos formatos da unidade familiares podem trazer consequências para o Estado, principalmente em áreas como assistência social, mercado de trabalho, produtividade e habitação.

Mudanças familiares significam novas residencias

A transformação da família está levando à transformação da casa. A demanda por apartamentos pequenos tem aumentando, principalmente por conta da diminuição do número de filhos, segundo mostra o levantamento da Euromonitor.

A diminuição das crianças por família, segundo estimativa da empresa, será de 33,8% maior em países em desenvolvimento do que em economias já desenvolvidas.

Família monoparental

As taxas de divórcio são as que mais aumentaram entre os anos 2000 e 2030, revela a pesquisa. No mesmo período, o número de agregados familiares monoparentais aumentará três vezes a taxa de agregados familiares de casal com filhos.

De acordo com a Euromonitor, alguns fatores levam à essa realidade, como o casamento visto mais como um contrato social do que uma união sagrada e a independência econômica crescente das mulheres.

O maior impacto do declínio da família nuclear (lares de casal com filhos) será refletido no aumento dos lares de pessoas solteiras e solteiras. Essas famílias requerem abordagens distintas e individuais, precisando de uma mudança nos métodos de marketing e estratégias de segmentação.

Envelhecimento das famílias

O mundo está se tornando cada vez mais rápido. Hoje, as famílias são lideradas por pessoas com mais de 60 anos, acompanhando o envelhecimento natural da população mundial e aumentando a demanda por soluções de moradia e serviços de saúde adaptados.

Um segmento em rápido crescimento é a habitação modificada, onde a tecnologia é usada para cuidar de um idoso, como o uso de sensores inteligentes, elevadores, botões de emergência entre outras.

Outra tendência crescente é casas de repouso e comunidades. Em vez do tradicional lar de idosos, essas casas e apartamentos independentes são mais sofisticados, com adaptações para o público mais velho e com várias atividades sociais e opções de saúde.

Fonte: www.consumidormoderno.com.br

Por: Jade Gonçalves Castilho Leite