Arquivo diários:17 de abril de 2019

Saiba o que é solo-cimento e qual sua aplicação na construção civil

Construir com materiais provindos diretamente da terra é uma das práticas mais antigas da civilização humana, vide as obras vernaculares, por exemplo. O resgate desses modelos tem se intensificado nas últimas décadas, através da criação de novos sistemas, como a permacultura. E muitas pessoas já estão mais conscientes sobre a necessidade de se realizar arquiteturas sustentáveis. Por isso, elas têm voltado sua atenção para o passado, na busca de alternativas que possam substituir os materiais utilizados hoje, que apresentam um alto custo energético e se baseiam numa ideia errada de que os recursos naturais são inesgotáveis e acessíveis a todos.


(imagem extraída de Tijolo Solo Cimento)

Solo-cimento

Há pouco mais de três séculos, o homem deixou de valorizar a terra crua como material construtivo. Técnicas simples, como o adobe, a taipa de mão e o pau a pique, foram substituídas pelo tijolo cozido. Só que no Brasil, outra tecnologia, muito menos agressora, vem sendo difundida e consagrada desde o final da década de quarenta – embora seja conhecida há mais tempo em outras partes do mundo. Trata-se do tijolo ou bloco modular de solo-cimento, que mesmo de uso restrito, é uma excelente alternativa para a construção civil.

As peças em solo-cimento podem ser empregadas para vários fins e de inúmeras formas. Elas podem ser utilizadas, principalmente, para erguer paredes monolíticas, fundações, pisos, passeios, muros de arrimo e barragens. E, geralmente, são indicadas para construções de habitações populares ou instalações mais econômicas, como galpões, aviários e armazéns, em regiões rurais e suburbanas.


(imagem extraída de Tijolo Solo Cimento)

Fabricação dos tijolos

A fabricação dos tijolos ou blocos de solo-cimento é bastante simples. Não há necessidade de mão de obra qualificada. O serviço pode até ser feito de forma manual, com auxílio de pequenas fôrmas em madeira. Mas, no mercado, podem-se encontrar diversas empresas oferecendo prensas próprias para a criação das peças. Todos os modelos são de custo relativamente baixo. E a vantagem é que o processo torna-se mais ágil, permitindo uma produção de até mil e quinhentos tijolos por dia.


(imagens extraídas de Salo nem prendedor, Armazém automotivo)

(imagens extraídas de Recriar com Você, Recriar com Você)

Podem ser produzidos até cinco modelos diferentes de peças em solo-cimento, basta que se troquem os moldes metálicos das prensas. São exemplos os blocos maciços, de encaixe, canaletas, placas de revestimentos e outros padrões mais sofisticados, como elementos decorativos. Em poucos dias eles já adquirem a consistência compacta necessária. Essa variedade permitirá a elaboração de projetos com maior qualidade e a execução mais racional da técnica. Apenas as instalações hidráulicas e elétricas serão feitas de modo semelhante ao que se vê nas construções convencionais.


(imagens extraídas de Tijolo Solocimento e Portal Bonfinopolis)

Composição do material

O solo-cimento é um material obtido a partir de uma mistura simples, feita com terra, encontrada disponível, geralmente, no próprio local da obra. O preparo da massa é semelhante ao que se faz em outras argamassas. É usado água; cimento (preferencialmente do tipo Portland comum) e areia argilosa, sem pedregulhos maiores ou qualquer material orgânico, como raízes.

Quando a obra é de pequeno porte, a dosagem dos materiais pode ser feita in loco, mas o mais indicado é sempre se fazer a avaliação em laboratório. Desse modo, consegue-se atender melhor a qualidade final desejada, já que um traço exageradamente rico em cimento, por exemplo, poderia comprometer a construção. A mistura deve ser homogênea e de coloração uniforme. Existem vários procedimentos simples para se verificar a umidade da mistura, mas, apertando com os dedos, ela deve parecer semelhante à de um bolo comestível.


(imagem extraída de Feita de Bem)

Características e benefícios

Os tijolos de solo-cimento proporcionam às construções excelentes índices de conforto ambiental e controle de pragas, atendendo às mínimas condições de habitabilidade. As peças também costumam ter aspecto visual muito bonito, serem muito resistentes, de perfeita impermeabilidade e, desse modo, de fácil conservação. Não há a necessidade da aplicação de chapisco, emboço ou reboco sobre as lisas paredes monolíticas. Pode-se fazer apenas uma aplicação de pintura com tinta à base de cimento.

A utilização de peças em solo-cimento se mostra sempre vantajosa. Fabricação, cura e secagem dos elementos, além da montagem das paredes ou pisos, são atividades muito simples e rápidas. Há muita economia de tempo e de material. Mas, talvez, o principal benefício esteja na questão ecológica, já que, diferente dos tijolos convencionais, nessa tecnologia não há a necessidade da queima de nenhum material.

Para mais informações sobre o tijolo de solo-cimento, recomendados a leitura da NBR 8491

Fonte: engenharia360.com

Referências: CEPLACFórum da ContruçãoTéchne.

Inovação e novas tecnologias na indústria da construção

Máquinas e robôs podem ser utilizados em funções que ofereçam riscos aos funcionários

Por Carla Rocha

É preciso incentivar a inovação dentro do setor, facilitando a integração entre os profissionais envolvidos Créditos: Shutterstock

Enquanto a Indústria 3.0 é mais focada na automação de máquinas e processos, a Indústria 4.0 está centralizada na digitalização de ponta a ponta em todos os ativos físicos e integração dos ecossistemas digitais em todos os vetores da cadeia da construção. Entre os recursos que trouxeram a revolução para um setor tão tradicional,estão a geolocalização e as pesquisas em alta definição, que servem para evitar diferenças entre a realidade do solo e o projeto. Além das máquinas automatizadas e robôs, que também podem ser utilizados em funções que ofereçam riscos aos funcionários e são programados para capturar dados que serão analisados e utilizados posteriormente para a melhoria de processos.

De acordo com Francisco Vasconcelos, diretor de mercado imobiliário do SindusCon-SP, o que se observa é que as construtechs têm atuado muito mais nas relações onde a empresa tem contato direto com o cliente do que na operação da construtora. “Na hora que você vai ver o processo produtivo, existem algumas coisas no sentido de controle de mão de obra e na relação da obra e do controle gerencial, mas no processo de produção em si, o uso das tecnologias ainda é bastante tímido”, aponta o diretor. Ainda de acordo com ele, o avanço maior das construtechs está muito mais ligado ao real state, ou seja, a relação da incorporadora com o seu cliente e toda a interface entre quem está vendendo o imóvel e o seu consumidor.

Porém as novas tecnologias têm um potencial imenso para melhorar os processos no canteiro de obras e os projetos das incorporadoras. “O BIM, por exemplo, é uma ferramenta fantástica que possui uma gama enorme de possibilidades e melhorias de processos, juntamente ao uso do Big Data, que começa a ser uma realidade na maioria das indústrias devido à queda dos custos”, destaca. A tecnologia pode ser utilizada em funções que ofereçam riscos aos trabalhadores, captura de imagens, transporte de objetos, topografia, estudos volumétricos e levantamento de áreas, que já começam a se tornar atividades facilmente substituídas pelo uso de drones.

Para André Medina, gerente de inovação da Andrade Gutierrez, a Indústria 4.0 não será apenas um diferencial no mercado de Engenharia e Construção, mas o que definirá as empresas que continuarão no mercado. “No Brasil, ainda estamos iniciando, mas já vemos uma tendência clara de crescimento das iniciativas do setor em relação à inovação”, afirma. Ainda de acordo com o especialista em inovação, são poucas startups atendendo ao mercado da construção e infraestrutura – que ainda se limitam a softwares e aplicativos para a melhoria de processos. “Existem poucas soluções reais de engenharia que alteram a forma de construir com novos materiais ou novas tecnologias de construção”. Por isso é preciso incentivar a inovação dentro do setor por meio da atualização para facilitar a integração entre os profissionais envolvidos, fazendo com que eles aprendam a lidar com o ambiente digital e, assim, criar novas soluções para demandas mais específicas dessa área.  

Algumas startups da construção ou construtechs, como são conhecidas, já possibilitam a gestão colaborativa de projetos e a comunicação integrada entre os envolvidos, e outras utilizam a tecnologia da Indústria 4.0 para otimizar processos e serviços:  

Gestão de obra

Além de gerenciar orçamentos, alguns aplicativos, como o Construon, são utilizados para acompanhar clientes, materiais e até as finanças da empresa. O sistema on-line é indicado para a gestão de empresas e obras.

Compra de insumos e materiais

O app Orça Aqui aperfeiçoa todo o processo de compra de insumos da construção civil, desde a cotação de materiais até a análise de compras das construtoras.

Uso de drones

Maply é uma construtech que possui drones que utilizam a plataforma cloud, permitindo geração de mapas e modelos de alta precisão por meio do processamento das imagens coletadas.

Gestão de estoques e resíduos

O VG Resíduos é um app onde é possível acompanhar a gestão de resíduos em obra, gera relatórios ambientais e ainda possibilita a venda desses materiais para reaproveitamento.

Gestão de projetos

O ConstruCode é um software de gestão de projetos de construção
que converte suas plantas em etiquetas, acessíveis por celulares e tablets.

Para Francisco, toda mudança e evolução industrial e tecnológica é positiva, mas é sempre uma questão dúbia. “Você tem uma série de coisas extremamente positivas e uma série de coisas negativas, e o trabalho é para maximizar cada vez mais os efeitos positivos e minimizar os negativos”, complementa.

Para que todas essas soluções sejam utilizadas de maneira que possam auxiliar no desenvolvimento do mercado da construção civil, é preciso capacitar todos os profissionais envolvidos no projeto. “Sou bem positivo quanto ao futuro da construção, acredito que as startups e inovações virão mudar todo o cenário do setor e, assim, teremos obras mais rápidas, mais seguras, mais sustentáveis e com menores custos” prevê Medina.

Fonte: www.mapadaobra.com.br