Arquivo diários:5 de junho de 2019

Mercado imobiliário se molda a preferências de paulistanos

84% dos contratos firmados nos primeiros 4 meses de 2019 foram para apartamentos, indica pesquisa Foto: DREAMSTIME


Ao alugar ou comprar imóvel, consumidores consideram mais a proximidade com metrô e linhas de ônibus que com o espaço físico do empreendimento

O mercado imobiliário vem percebendo mudanças nas preferências dos paulistanos em relação à compra de imóveis. O tamanho dos empreendimentos está perdendo para a localização. Além disso, a opção de alugar ao invés de comprar tem se fortalecido.

Para o vice-presidente de intermediação imobiliária e marketing do Secovi-SP, Elbio Fernandez Mera, as principais mudanças nas preferências dos paulistanos seguem dois modais. O primeiro é o de mobilidade, ou seja, os consumidores têm apostado mais em comprar ou alugar imóveis considerando sua proximidade com estações de metrô e linhas de ônibus do que em relação ao tamanho.

“As pessoas querem morar a, no máximo, 30 minutos de onde onde trabalham”, afirma. Esse critério, segundo ele, acaba sendo mais importante que as características do apartamento ou da casa negociada, como o tamanho.

Outro modal que tem conduzido as preferências do paulistano, na visão de Mera, é a proximidade com as opções de lazer da cidade. Ele explica que as regiões ao entorno de parques, por exemplo, estão bem valorizadas e com grande demanda. “Os consumidores querem estar próximos de áreas verdes e ter um local para ‘esticar as pernas’ no fim de semana”, comenta o executivo.

Já para o economista-chefe do Grupo ZAP, portal de informações sobre o mercado imobiliário e de classificados, Sergio Castelanni, a principal mudança no perfil do consumidor foi o crescimento das buscas por aluguel.

Na visão do especialista, o gatilho para essa alteração foi o período de crise enfrentado pelo segmento nos últimos anos. “Os consumidores que queriam comprar um empreendimento, com a crise, passaram a querer alugar. Ou então procuraram por uma casa menor”, analisa.

De acordo com ele, o ápice da crise no mercado imobiliário ocorreu entre 2012 e 2013, com preços estagnados e, em alguns casos, com queda. Segundo um estudo da Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (Arisp), divulgado nesta semana, em 2012, foram comprados ou vendidos 146.779 imóveis. Nos últimos 12 meses, encerrados em março, esse número caiu para 112.956 unidades.

Castelanni avalia que, embora a procura por locação esteja cada vez maior, o mercado nacional de aluguéis de imóveis ainda é pequeno em comparação com o de países desenvolvidos. A previsão, porém, é que o segmento se consolide nos próximos anos. “As famílias estão cada vez menores e não valorizam tanto a casa própria ou imóveis muito grandes”, diz.

Fonte de renda

Mera, do Secovi-SP, considera que a percepção dos consumidores mais velhos em relação ao retorno financeiro que o mercado imobiliário oferece está fomentando a procura por locação. Ou seja, o interesse dos paulistanos, principalmente os que estão na chamada “terceira idade”, na compra de imóveis para, posteriormente, alugá-los vem ganhando força nos últimos anos.

“Quem está com mais idade pensa como vai ser sua aposentadoria. Por isso, ao analisar o cenário atual, acabam preferindo comprar um imóvel e contar com a renda de aluguel”, afirma o especialista.

Ele explica que, atualmente, o mercado vende ou aluga imóveis para três gerações diferentes. Segundo Mera, é preciso considerar as preferências dos Baby Boomers (pessoas nascidas até a década de 1960); os Millennials (nascidos entre 1980 e 1990); e os jovens da “geração z” (nascidos em meados de 2000). “Quanto mais jovem, maior a preferência por praticidade e por morar perto de locais com fácil acesso ao transporte e ao lazer”, afirma.

Além disso, os especialistas consideram que os bairros do centro ou aqueles mais consolidados e, logo, os mais valorizados, estão com a maior vantagem na preferência dos paulistanos. Segundo um levantamento divulgado pela imobiliária Lello nesta semana, considerando o primeiro quadrimestre de 2019, a média do valor de aluguéis nos bairros Pinheiros e Itaim é de R$ 3,5 mil mensais. Já em Santana, a média é de R$ 1,9 mil.

Garagens

A pesquisa realizada pela Lello também revelou que 84% dos contratos firmados foram para apartamentos, os outros 16% para casas residenciais. Um dos pontos que favorecem a escolha por apartamentos, segundo Mera, é que a maior parte das pessoas que moram na capital não necessita mais utilizar garagens.

“Pelo mesmo valor, as pessoas trocam as casas com garagem por outras que não tem espaço para veículos, mas compensam com um ou dois cômodos a mais”, diz.

Para atender a esta demanda, de acordo com Castelanni, o mercado já vem se adaptando há algum tempo. Ele explica que os lançamentos já estão sendo menores e, em muitos casos, sem garagens. “Atender a essas mudanças é um processo demorado, envolve planejamento e construção. No entanto, o segmento já está se moldando para isso”, afirma o especialista.

Fonte: www.dci.com.br

Por: Rebecca Emy • São Paulo

Tecnologia como obrigação: quem não inova, fica fora do jogo

A transformação digital já faz parte do cotidiano das pessoas e não poderia ser diferente no mundo dos negócios. Porém, muitos empreendedores acreditam que tecnologia é só para quem entende, e acaba ficando para trás. Durante sua participação no Vtex Day, na última sexta-feira (31), o economista e consultor Ricardo Amorim afirmou que todos podem se beneficiar da tecnologia, desde que saibam se inovar. “Se as pessoas não arriscam, elas não inovam, são engolidas pelo concorrente e ficam fora do jogo”, decreta.

Ricardo Amorim durante o Vtex Day/ Dinalva Fernandes (E-commerce Brasil)

No mundo digital, o crescimento é mais rápido e as margens de lucro são maiores, como podemos perceber pela valorização de empresas como Google, Apple, Amazon e Facebook, mas a transformação digital é para todo mundo, afirma o economista. “A separação entre tecnologia e negócios acabou. Precisamos experimentar mais, ver o que funciona e, cada vez mais isso se torna uma obrigação. Ninguém é especialista em tudo, mas tem que saber o mínimo de como funciona”.

A razão do negócio

Para Amorim, o cliente é a razão de ser de qualquer negócio, e isso nunca vai mudar, mas, com a tecnologia de dados, passamos a conhecer cada vez mais as necessidades do cliente, pois cada um é único. “Mas ainda hoje tratamos as pessoas como massa, e esse processo de linha de montagem faz cada vez menos sentido”.

No entanto, o marketing está transformando o cliente no centro das atenções, segundo o consultor. “Eu fiquei hospedado em um hotel em João Pessoa, e levei um susto quando vi fotos minhas do lado da cama. Eles se deram ao trabalho de entrar na internet, imprimir as imagens e colocar no quarto. Me senti tratado de forma especial, pois me impactaram de forma diferente. Assim, eles me transformaram em um instrumento de marketing deles, pois é claro que comentei nas minhas redes sociais. O hotel usou as informações disponíveis no meios digitais e dá para fazer isso em qualquer negócio”.

As paletas mexicanas

De acordo com Amorim, estamos vivendo na era de maior geração de oportunidades que a humanidade já viu, e estamos no coração deste processo por dois motivos: o primeiro é a tecnologia, e o segundo é que estamos no Brasil. “De cada US$ 4 gerados [no mundo] US$ 3 são de países em desenvolvimento. Ou seja, estamos na hora certa e no lugar certo. É por isso que a oportunidade é tão grande. Porém, falta ambição no Brasil. A gente pensa pequeno porque acha que não dá para pensar grande. Em parte isso acontece porque é difícil fazer negócio no Brasil, mas também porque inovamos pouco”.

“Um dia, alguém pensou em encher um picolé com leite condensado e vender bem mais caro que um picolé comum. Quatro anos depois, já eram 1.200 redes de paletas mexicanas no Brasil. Aí você vê que até seu vizinho ficando rico com as paletas, decidi abrir uma paleteria e quebra. Sabe o que deu errado? Não foram as paletas, mas o momento. As pessoas investem quando dá certo, mas tudo que vai dar certo já deu certo. O que é o oportunidade para os primeiros é fria para os demais”.

Crescimento no mundo digital

O economista também defende que a quantidade de empregos gerados pela nova tecnologia é maior. “Quando lançaram o carro, quem cuidava da charrete ficou desempregado, mas a indústria automobilística gerou mais empregos. Nós não sabemos quais empregos serão gerados. Uma recente pesquisa mostrou que duas a cada três crianças que entraram na escola neste ano, vão trabalhar em profissões que ainda não existem quando se formarem. Se você perguntar o que a molecada quer ser, eles vão responder “youtuber”. Motorista de Uber e operador de drone, por exemplos, não existiam dez anos atrás e devem acabar em pouco tempo”.

E, para fechar, quatro dicas diretas do especialista:

  • Ter bom modelo de negócios
  • Inovar sempre
  • Não basta ter boas ideias, tem que executar
  • Não basta só fazer o certo, mas na hora certa. E a hora certa é agora!

Fonte: https://www.ecommercebrasil.com.br/

Por Dinalva Fernandes, da redação do E-Commerce Brasil