Arquivo diários:25 de junho de 2019

Primeira ‘cidade inteligente’, Toronto será cobaia para o futuro


Projeto da Sidewalk Labs promete mudar parte da metrópole canadense, e a reação dos moradores mostra discussões essenciais para pensarmos o futuro do urbanismo


Obras da Sidewalk Labs em Toronto Foto: Andrew Francis Wallace / Toronto Star via Getty Images

Tentamos construir as tais “cidades inteligentes” há quase 20 anos, mas só nos últimos meses engenheiros implementaram uma série de melhorias que usam sensores interconectados para monitorar o tráfego, pedestres, clima, poluição, ocupação residencial e tratamento de esgoto. O objetivo é criar uma cidade mais eficiente, facilitando a vida de todos.

A Sidewalk Labs, uma subsidiária do Alphabet (a empresa que controla a Google), está prestes a levar a tecnologia cívica a um novo patamar em Toronto, onde faz testes da primeira cidade verdadeiramente inteligente numa área de 12 acres conhecida como Quayside, um espaço subutilizado às margens do Lago Ontário e que é geralmente considerado pouco atrativo e negligenciado.

Apesar dos problemas dos moradores de Toronto com Quayside, eles têm muitas restrições quanto a entregar o local ao experimento da Sidewalk Lab. O projeto envolveria carros  e transporte público autônomos; semáforos inteligentes que coletam informações sobre pedestres, ciclistas e veículos; robôs correio e coletores de lixo; elaboradas galerias de túneis subterrâneos para fazer com que entregas sejam mais eficientes; e prédios modulares que podem ser expandidos sob demanda conforme a população aumente. Sensores serão capazes de rastrear pessoas, temperaturas das construções, uso de água e eletricidade e muito mais.

2019 marcará a implementação da proposta final dessas tecnologias, mas os locais já estão demonstrando seu descontentamento sobre quanta monitoração será feita e como o projeto será custeado.

ARTIGO: Por que temos que falar de ética na tecnologia

Não é possível construir uma cidade inteligente sem a ajuda de instituições privadas. Isso significa que os dados das pessoas serão compartilhados com essas empresas para que elas possam aperfeiçoar seus serviços de entrega ou compartilhamento de veículos, mas para que elas também possam fazer anúncios melhores para seus moradores.

Seria bom que prestássemos atenção à reação dos canadenses ao anúncio desta nova empreitada. Diversos jornais publicaram artigos informativos sobre o projeto e coletaram depoimentos do público sobre a iniciativa, encorajando as pessoas a pensar sobre o que está por vir e dando tempo para que façam perguntas relevantes.

A cidade de Toronto Foto: NurPhoto / NurPhoto via Getty Images
A cidade de Toronto Foto: NurPhoto / NurPhoto via Getty Images

O Torontoist coletou as 35 perguntas mais recorrentes sobre essa nova tecnologia, e cabe ao Sidewalk Labs respondê-las, se desejar apoio do público. Elas incluem:

  • Quem é  o usuário realmente beneficiado pelo Sidewalk Labs? Quais empresas querem saber sobre como as pessoas interagem em espaços físicos? Construtoras? Cidades?
  • Como a Sidewalk Labs será cobrada caso ela não cumpra seus objetivos?
  • Quem vai controlar/possuir/acessar os dados capturados pelos sensores usados nesse projeto?
  • Como esse projeto transformará a alfabetização digital, incluindo informações sobre dados e seus usos, como algoritmos e “machine learning”? Mais especificamente, como comunidades historicamente marginalizadas que podem não ter experiência ou contato com as implicações desse projeto participarão dos diálogos públicos sobre ele?
  • A maneira como os dados serão processados pelos algoritmos será aberta?
  • Quem pagará se essa tecnologia experimental não funcionar? Se o projeto for à falência, quem cobrirá os custos de pavimentação dessas ruas e do despejo dos LEDS e demais infraestrutura?
  • Quem será responsável para dar uma satisfação caso a infraestrutura do projeto seja hackeada?

Está claro que os moradores de Toronto estão de olho nesse projeto e que ele só será bem sucedido com o apoio deles. É uma demonstração importante da necessidade do engajamento público com novas tecnologias que nós poderíamos tentar emular.

Fonte: epoca.globo.com

Jessica Baron

Tradução de Daniel Salgado

No alto padrão, o tamanho já não é mais documento


Movimento muda a concepção de projetos ao reduzir metragens, mas oferece em troca conjuntos com grife

Os números de 2018 apontam aumento do peso dos imóveis de alto e médio padrão nos lançamentos em São Paulo. No ano, apartamentos com valor superior a R$ 1,5 milhão registraram o maior crescimento porcentual, com 2.134 unidades lançadas – variação de 142% em relação às 882 unidades de 2017. É nesta faixa de preços que também houve a maior variação (123%) nas vendas, comparando-se as 1.626 unidades comercializadas em 2018 com as 729 negociadas no ano anterior, de acordo com dados do Sindicato da Habitação (Secovi). 

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Design e muitas facilidades marcam projetos como o Cyrela Ibirapuera by Yoo. Foto: Perspectiva/Cyrela

E os sinais emitidos pelo mercado indicam que neste ano o segmento poderá ganhar participação maior. No primeiro trimestre, os lançamentos somaram 3.020 unidades de médio e alto padrão, aumento de 89% comparado às 1.599 unidades lançadas em igual período de 2018. Para Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, o desempenho do mercado de alto e médio padrão indica que as empresas estão buscando alternativas para suprir a demanda não atendida durante a crise.

Na busca pelo cliente, para as empresas, tamanho não é mais documento. Se antes, alto padrão era sinônimo de apartamento de 4 dormitórios e com grandes áreas, hoje não é bem assim. A proposta de incorporadoras foi reduzir, em muitos projetos, as metragens desse tipo de imóvel em troca de uma série de atrativos. 

Um dos destaques entre os 11 lançamentos feitos na Região Metropolitana no ano passado pela Cyrela, empresa com tradição nessa faixa do mercado, foi o Thera Ibirapuera by Yoo – alto padrão com VGV de R$ 415,7 milhões, cujo projeto é do famoso estúdio inglês do designer Phillipe Starck. São três torres com características e áreas comuns diferentes. Uma com estúdios de 27 m² a 35 m² , outra com unidades de dois e três quartos e metragens de 60 m², 65 m² e 77 m². O terceiro prédio, o The Residences, é mais exclusivo e tem apartamentos com 161 m² e 244 m². com duas, três ou quatro suítes. 

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O Pinifarina tem unidades de 50m2 que custavam R$ 25 mil/m2. Foto: Perspectiva/Cyrela

Foram comercializados, em média, por R$ 750 mil, os residenciais pequenos, e até R$ 2,8 milhões para os mais amplos, segundo imobiliária Lopes. 

Ainda na linha de unidades tamanho P com preços G ou GG, o diretor de Incorporação da Cyrela, Piero Sevilla, ressalta o Cyrela by Pinifarina, projeto do conceituado escritório italiano de design, situado na Vila Olímpia. “Tem apartamentos de 50 m², mas o consideramos de alto padrão por ter preço do m² acima de R$ 25 mil.” Sevilla diz que a empresa também possui apartamentos com os mesmos 50 m² que custam R$ 12 mil/ 15 mil o m². “Já seriam alto padrão, mas sem aquela exclusividade e acabamento do altíssimo padrão.” 

Nesta edição do Top Imobiliário, a empresa ficou em 5º lugar no ranking das Incorporadoras. e também no das Construtoras. O VGV total lançado pela Cyrela na região Metropolitana em 2018 superou R$ 1 bilhão como incorporadora e R$ 1,46 bilhão como construtora, segundo dados da Embraesp.


Mirela Parpinelle, diretora da imobiliária Lopes

Mirela Parpinelle, diretora da imobiliária Lopes, afirma que o cliente também mudou. “Houve uma readequação na renda dele”, diz. “Se antes ele comprava um apartamento de 200 m², hoje, com uma planta inteligente, toda aberta, que corresponde ao novo modo de vida dele, ele vive num 160 m². ”

Ela conta que a redução do número de vagas de garagem já sofre menos resistência. “Estamos vendo mudanças gradativas, as pessoas se adaptando à nova realidade do mercado.” 

Mas Mirela alerta que não basta entregar um conjunto todo equipado e decorado. “Tem de entregar com grife, com diferencial. “Projetos que têm design diferente é o que dá uma velocidade de vendas boa.” Há outros benefícios, ela ressalta, que o comprador do alto padrão também considera, como proximidade do metrô, verde e regiões com oferta de serviços.

Fonte: economia.estadao.com.br

Cláudio Marques, Especial para O Estado