Arquivo diários:19 de julho de 2019

Queda de juros de financiamento aquece mercado imobiliário

Câmara Brasileira da Indústria da Construção registrou avanço de 9% nas vendas e de 4% nos lançamentos residenciais no país no primeiro trimestre.

O setor imobiliário começa a dar sinais de recuperação. E um dos motivos é a queda dos juros dos financiamentos.

No horizonte, a paisagem vertical de São Paulo vai ganhar mais uma torre. Num dos 18 andares, o futuro apartamento da empresária Flávia Bozian. Ela parcelou uma parte com a construtora e pretende financiar o resto com o banco.

“Vai ser meu primeiro apartamento. Vou estar mudando para algo novo, algo meu, junto com meu marido”.

Flávia é protagonista da recuperação de um setor estratégico: o imobiliário.

Depois de bater recorde em 2014, e cair no precipício, o financiamento de imóveis com recursos da poupança voltou a crescer em 2018 e, apesar de ainda longe dos melhores tempos, acelerou o ritmo agora.

Nos primeiros cinco meses de 2019, o volume cresceu quase 40% e ultrapassou R$ 27 bilhões. Esse dinheiro financiou a compra de 104 mil imóveis no país, 31% a mais do que no mesmo período de 2018.

Em São Paulo, as vendas de imóveis novos cresceram 27% e o número de lançamentos, 60%. Isso inclui apartamentos populares, como os do Minha Casa Minha Vida, e também de médio e alto padrões.

No país, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção registrou avanço de 9% nas vendas e de 4% nos lançamentos residenciais no primeiro trimestre.

Não é um negócio qualquer. Os valores são altos. Por isso, a compra de um imóvel envolve vários fatores como a renda das pessoas, a confiança no futuro e as condições de crédito. A pergunta é: num momento de economia fraca e desemprego alto, o que explica esse apetite por imóveis?

Fomos em busca da resposta num empreendimento com apartamentos de R$ 370 mil a mais de R$ 1 milhão. Um mês e meio depois do lançamento, 70% das unidades foram vendidas. O diretor Sérgio Marão atribui o sucesso à queda dos juros.

“O comprador, o investidor, ele desloca esse dinheiro ele num CDI, numa aplicação e acaba comprando, investindo no imóvel. E também a queda nos juros do financiamento para o mutuário, para conseguir adquirir o apartamento via financiamento bancário”, disse.

Os últimos dados do Banco Central mostram que a taxa média do financiamento imobiliário está em 7,8% ao ano.

“O acesso ao crédito voltou, os juros estão bastante baixos, a confiança, melhor do que já esteve, ainda não nos patamares mais altos, mas parece que está voltando, e a renda para quem se mantém empregado ainda está disponível”, explicou Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fipe.

Como ainda tem muito imóvel vazio, apesar do aumento das vendas, os preços praticamente não subiram no primeiro semestre.

Flávia aproveitou o momento e conseguiu um desconto. “Eu não levantei da mesa enquanto a gente não fez o valor que eu pretendia que fizesse. E no caso foi o que foi feito aqui”, conta.

Fonte: g1.globo.com

Inovação e novas tecnologias na indústria da construção

É preciso incentivar a inovação dentro do setor, facilitando a integração entre os profissionais envolvidos Créditos: Shutterstock

Máquinas e robôs podem ser utilizados em funções que ofereçam riscos aos funcionários

Por Carla Rocha

Enquanto a Indústria 3.0 é mais focada na automação de máquinas e processos, a Indústria 4.0 está centralizada na digitalização de ponta a ponta em todos os ativos físicos e integração dos ecossistemas digitais em todos os vetores da cadeia da construção. Entre os recursos que trouxeram a revolução para um setor tão tradicional, estão a geolocalização e as pesquisas em alta definição, que servem para evitar diferenças entre a realidade do solo e o projeto. Além das máquinas automatizadas e robôs, que também podem ser utilizados em funções que ofereçam riscos aos funcionários e são programados para capturar dados que serão analisados e utilizados posteriormente para a melhoria de processos.

De acordo com Francisco Vasconcelos, diretor de mercado imobiliário do SindusCon-SP, o que se observa é que as construtechs têm atuado muito mais nas relações onde a empresa tem contato direto com o cliente do que na operação da construtora. “Na hora que você vai ver o processo produtivo, existem algumas coisas no sentido de controle de mão de obra e na relação da obra e do controle gerencial, mas no processo de produção em si, o uso das tecnologias ainda é bastante tímido”, aponta o diretor. Ainda de acordo com ele, o avanço maior das construtechs está muito mais ligado ao real state, ou seja, a relação da incorporadora com o seu cliente e toda a interface entre quem está vendendo o imóvel e o seu consumidor.

Porém as novas tecnologias têm um potencial imenso para melhorar os processos no canteiro de obras e os projetos das incorporadoras. “O BIM, por exemplo, é uma ferramenta fantástica que possui uma gama enorme de possibilidades e melhorias de processos, juntamente ao uso do Big Data, que começa a ser uma realidade na maioria das indústrias devido à queda dos custos”, destaca. A tecnologia pode ser utilizada em funções que ofereçam riscos aos trabalhadores, captura de imagens, transporte de objetos, topografia, estudos volumétricos e levantamento de áreas, que já começam a se tornar atividades facilmente substituídas pelo uso de drones.

Para André Medina, gerente de inovação da Andrade Gutierrez, a Indústria 4.0 não será apenas um diferencial no mercado de Engenharia e Construção, mas o que definirá as empresas que continuarão no mercado. “No Brasil, ainda estamos iniciando, mas já vemos uma tendência clara de crescimento das iniciativas do setor em relação à inovação”, afirma. Ainda de acordo com o especialista em inovação, são poucas startups atendendo ao mercado da construção e infraestrutura – que ainda se limitam a softwares e aplicativos para a melhoria de processos. “Existem poucas soluções reais de engenharia que alteram a forma de construir com novos materiais ou novas tecnologias de construção”. Por isso é preciso incentivar a inovação dentro do setor por meio da atualização para facilitar a integração entre os profissionais envolvidos, fazendo com que eles aprendam a lidar com o ambiente digital e, assim, criar novas soluções para demandas mais específicas dessa área.  

Algumas startups da construção ou construtechs, como são conhecidas, já possibilitam a gestão colaborativa de projetos e a comunicação integradaentre os envolvidos, e outras utilizam a tecnologia da Indústria 4.0 para otimizar processos e serviços:  

Gestão de obra

Além de gerenciar orçamentos, alguns aplicativos, como o Construon, são utilizados para acompanhar clientes, materiais e até as finanças da empresa. O sistema on-line é indicado para a gestão de empresas e obras.

Compra de insumos e materiais

O app Orça Aqui aperfeiçoa todo o processo de compra de insumos da construção civil, desde a cotação de materiais até a análise de compras das construtoras.

Uso de drones

Maply é uma construtech que possui drones que utilizam a plataforma cloud, permitindo geração de mapas e modelos de alta precisão por meio do processamento das imagens coletadas.

Gestão de estoques e resíduos

O VG Resíduos é um app onde é possível acompanhar a gestão de resíduos em obra, gera relatórios ambientais e ainda possibilita a venda desses materiais para reaproveitamento.

Gestão de projetos

O ConstruCode é um software de gestão de projetos de construção
que converte suas plantas em etiquetas, acessíveis por celulares e tablets.

Para Francisco, toda mudança e evolução industrial e tecnológica é positiva, mas é sempre uma questão dúbia. “Você tem uma série de coisas extremamente positivas e uma série de coisas negativas, e o trabalho é para maximizar cada vez mais os efeitos positivos e minimizar os negativos”, complementa.

Para que todas essas soluções sejam utilizadas de maneira que possam auxiliar no desenvolvimento do mercado da construção civil, é preciso capacitar todos os profissionais envolvidos no projeto. “Sou bem positivo quanto ao futuro da construção, acredito que as startups e inovações virão mudar todo o cenário do setor e, assim, teremos obras mais rápidas, mais seguras, mais sustentáveis e com menores custos” prevê Medina.

Fonte: www.mapadaobra.com.br