Arquivo diários:15 de agosto de 2019

Casas ecossustentáveis são construídas com materiais reciclados e captação de água da chuva em MT

As casas construídas em Chapada dos Guimarães contêm fossa ecológica, captação de água da chuva e reaproveitamento funcional de materiais.

Técnica da bioconstrução utiliza métodos que diminuem o impacto ambiental — Foto: Jeferson Lima/ Arquivo pessoal

Três casas ecossustentáveis foram construídas pelos moradores em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, utilizando métodos para diminuir o impacto ambiental. Os imóveis são feitos com materiais reciclados e até produzidos pelo mercado da construção civil com o conceito do ecológico.

A bioconstrução é um termo utilizado para referir as construções onde o objetivo principal é a preocupação ecológica desde a concepção da estrutura até na ocupação do imóvel. Além disso, os processos de infraestrutura também são sustentáveis.

Ginovan Paulo de Lima contou ao G1 que é bioconstrutor há mais de 25 anos e que construiu várias casas sustentáveis. Neste ano, ele já construiu dois imóveis a partir do conceito do ecologicamente correto. Usou na construção contêineres, telhado de fibras vegetais e madeiras de demolição.

As casas contêm fossa ecológica, captação de água da chuva e faz o reaproveitamento funcional de materiais.

 

O engenheiro ambiental Jefferson Lima também construiu uma casa que funciona como residência e agência de turismo. O imóvel pode ser visitado com agendamento. O projeto foi concluído em um ano e três meses.

Foram utilizados terra, bambu, areia, pedra canga, cimento em pequena quantidade, saco de malhas rasquel feito de polietileno de alta densidade para formar as paredes.

O modelo de construção ecossustentável é voltado para o reaproveitamento de materiais recicláveis e a eficiência energética, intuito principal. Os métodos são desenvolvidos com a prática do zero desperdício de materiais, zero produção de entulhos durante a construção e o acabamento.

 
Modelo de construção é direcionado para o reaproveitamento de materiais recicláveis e a eficiência energética — Foto: Gino Lima/Arquivo pessoal

 

Na infraestrutura da bioconstrução é comum o reaproveitamento da água da chuva e posteriormente a reutilização da água após o uso. Algumas estruturas são construídas como base para a instalação de placas solares e sistema de aquecimento térmico d’água para diminuir o consumo de energia elétrica.

A casa que o Jefferson construiu possui propriedade térmica cuja a temperatura interna se regula de acordo com a temperatura externa, propriedade acústica e tanque de evapotranspiração para a destinação correta dos efluentes. A construção conta com processos de menor consumo de materiais e reflorestamento da mata ciliar.

“Durante todo período de desenvolvimento da obra, muitas pessoas que passaram e participaram da construção ficaram interessadas. A perspectiva é muito boa, creio que teremos muitas bioconstruções pela região. As pessoas abrem um sorriso e perguntam como é feita. É positivo, podemos contribuir muito mais com a natureza, com esse tipo de construção”, destacou o engenheiro ambiental.

Tanto o engenheiro quanto o bioconstrutor se capacitaram com cursos e aprenderam técnicas, métodos e processos sustentáveis. Toda a mão de obra utilizada pelos bioconstrutores para desenvolver o projeto foi desenvolvida e testada por eles mesmos.

De acordo com os dois bioconstrutores, a casa ecossustentável pode ser mais barata. Cerca de 30% menor o valor em comparação com uma construção convencional de alvenaria. Porém, deve-se levar em conta vários fatores, como os materiais utilizados e a mão de obra.

Algumas casas são feitas com contêineres — Foto: Gino Lima/Arquivo pessoal

 

Bioconstrução

Para cada projeto de bioconstrução deve-se levar em conta o clima da região, o que pode contribuir para as construções e métodos escolhidos. A primeira etapa de um projeto de bioconstrução é buscar quais são os materiais disponíveis na região e de que forma eles podem ser aproveitados.

 
Casa ecossustentável pode ser mais barata — Foto: Gino Lima/Arquivo pessoal

 

Existem várias técnicas utilizadas para a construção de imóveis sustentáveis, e cada uma utiliza materiais com baixo impacto ambiental. Como Superadobe, que usa os saco de ráfia, arame farpado, terra local. O Adobe, utiliza-se a areia, argila e palha, com madeira e pregos para a forma. O Cob, que usa argila, areia e palha.

Também tem a técnica com Taipa de pilão com terra, madeira e prego. O Solo-cimento, que é com argila, cimento e água. O Ferrocimento que utiliza a malha de vergalhões finos, malha de tela de galinheiro hexagonal, fio de arame recozido, cimento, areia e água. Os contêineres podem ser reciclados com esse intuito ecológico.

A ecovila é um conjunto de bioconstruções em ambientes urbanos e rurais, onde todas as residências são ecossustentáveis. Desde a estrutura até a rede de esgoto, o abastecimento de água, aproveitamento de resíduos, utilização de luz natural, entre outros processos que visam diminuir a degradação do meio ambiente.

 
Métodos são desenvolvidos com a prática do zero desperdício de materiais — Foto: Gino Lima/Arquivo pessoal

 

Fonte: https://g1.globo.com

Setor Imobiliário: os bons tempos estão de volta

Entretanto, até o mês de maio, o IMOB acumulava alta de somente 10%, comparado à valorização de 8% do Ibov.

O índice imobiliário foi deslanchar apenas a partir de junho e deu uma lavada no principal índice de ações brasileiras: 28,75% IMOB versus 5,9% Ibov.

IMOB vs IBOV
IMOB vs IBOV

O que poderia explicar esse desempenho tão superior do IMOB? O meu palpite é a queda na taxa de juros e a recuperação do ciclo de negócios do setor imobiliário.

 

Composição do índice imobiliário (IMOB) da B3

O índice das ações das empresas do setor imobiliário é composto por 13 empresas: shopping centers (55% do total), incorporadoras imobiliárias (40%) e propriedades (5%).

São quatro empresas de shopping centers: Aliansce (SA:ALSO3), bralls (SA:BRML3), Iguatemi (SA:IGTA3) e Multiplan (SA:MULT3); duas de propriedades: BR Properties (SA:BRPR3) e Log Commercial Properties (SA:LOGG3); e sete construtoras: Cyrela (SA:CYRE3), Direcional (SA:DIRR3), Even (SA:EVEN3), Eztec (SA:EZTC3), Gafisa (SA:GFSA3), MRV (SA:MRVE3) e Tenda (SA:TEND3).

Importante observar que diversas empresas small caps do setor de construção civil, tais como JHSF (SA:JHSF3), Helbor (SA:HBOR3), Tecnisa (SA:TCSA3) e Trisul (SA:TRIS3), Lopes (SA:LPSB3) e Brasil Brokers (SA:BBRK3), ainda não têm suas ações integrando o índice imobiliário.

 

Taxa de juros em queda: música para ouvidos para o setor imobiliário

Existe uma correlação negativa muito forte entre o nível de taxa de juros (Selic) e o desempenho das ações do setor imobiliário na Bolsa. Em outras palavras: as ações do setor de construção civil tendem a ter bom desempenho quando a taxa de juros está em queda.

A taxa de juros Selic está no mais baixo nível da sua história (6% ao ano), com inflação sob controle (alta de 3,22% nos últimos 12 meses) e virada de ciclo econômico (crescimento esperado de PIB de 0,82% em 2019 e 2,1% em 2020).

Atualmente, o nível de confiança do consumidor está em alta, o que é positivo para a demanda por imóveis, uma vez que a decisão de comprar um apartamento ou um escritório tem horizonte de tempo no longo prazo.

Além disso, a demanda por imóveis depende bastante do nível de renda e do emprego, que vão levar mais tempo para se recuperar. São indicadores “atrasados” da economia que melhoram por último.

 

Ações do setor de construção civil: o beta mais alto da bolsa

O beta é uma medida de risco de determinada ação na bolsa de valores, que relaciona o retorno da ação com o retorno do Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira. Por exemplo: se o beta de determinada ação é 2, quer dizer que se o Ibovespa subir 2%, a ação deverá ter variação positiva de 4% (duas vezes o Ibovespa).

Historicamente, o segmento de construção civil sempre teve nível de risco mais alto, com beta entre 1,5 e 2,0 devido ao longo ciclo de negócios de incorporação imobiliária (5 a 6 anos desde a compra do terreno até a entrega das chaves do empreendimento).

Eu costumo dizer que, nesse setor, o beta das ações é 2 quando as ações estão em alta e 3 quando as ações estão em baixa.

Usando um exemplo prático: num dia bem positivo do Ibovespa, com alta entre +2% e +3%, as ações do setor de construção civil chegam a subir +5% a +6%. Por outro lado, num bem negativo na Bolsa, queda de -3% no Ibov, as ações das construtoras podem chegar a cair quase -10% no dia.

Beta alto quer dizer alta volatilidade no preço das ações

A volatilidade anualizada das ações das empresas do setor imobiliário/construção civil é alta: CYRE3 (32%), MRVE3 (33,8%), EZTC3 (31,5%), EVEN3 (36,1%), TEND3 (29,5%), JHSF3 (44,2%) e TCSA3 (58,5%), bem superior à volatilidade do Ibovespa de 19,2% ao ano e do IMOB (22,2%).

 

O mercado imobiliário de São Paulo

O volume de vendas de imóveis na região metropolitana de São Paulo teve crescimento de +19,5% nos últimos 12 meses encerrados em maio (32,6 mil unidades), com recuperação no volume de lançamentos no período que aumentaram +32% no período (30,7 mil unidades).

Média e alta renda vai ter melhor desempenho que baixa renda

Na construção civil, existem dois grupos distintos de empresas: segmento de baixa renda que depende mais do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV): Tenda (SA:TEND3), MRV (SA:MRVE3) e Direcional (SA:DIRR3) e o segmento de média e alta renda: Cyrela (SA:CYRE3), Eztec (SA:EZTC3), Even (SA:EVEN3), Trisul (SA:TRIS3), Tecnisa (SA:TCSA3), Helbor (SA:HBOR3) e Gafisa (SA:GFSA3).

Acredito que o momento é muito mais favorável para o segmento de média e alta renda, com diminuição do nível de estoques, queda no cancelamento de vendas (distratos) e retomada nos lançamentos.

Existe crédito imobiliário suficiente para a média renda (poupança com saldo de R$ 802 bilhões em julho de 2019), mas no segmento de baixa renda (MCMV) os recursos podem ser mais limitados, ainda mais com a liberação dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

 

Catalisadores das ações do setor imobiliário

Na minha opinião as ações das construtoras mais voltadas ao segmento de média de renda deverão continuar a ter desempenho acima do Ibovespa em 2019 devido aos seguintes fatores: 1) queda na taxa de juros (Selic) para 5% ao ano; 2) recuperação do crescimento econômico, renda e emprego em 2020 e; 3) aumento da alocação em renda variável, fluxo de investidores para as ações do setor.

Em resumo: chegou a hora de correr mais risco investindo em setores e ações de empresas mais arriscadas, mas que podem proporcionar ótimos retornos.

Fonte: https://br.investing.com

Por Eduardo Guimarães