Arquivo diários:30 de agosto de 2019

Primeiro ‘arranha-céu’ de SP, com apenas 12 andares, faz 95 anos

Edifício Sampaio Moreira foi inaugurado em 1924 na Rua Líbero Badaró e era considerado o mais alto da metrópole até 1929, quando o edifício Martinelli foi entregue.


Edifício Sampaio Moreira, atual sede da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo — Foto: Eduardo Ogata/SECOM

Edifício Sampaio Moreira, atual sede da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo — Foto: Eduardo Ogata/SECOM

O arranha-céu mais antigo de São Paulo, o Edifício Sampaio Moreira, completa 95 anos em 2019 com história e conceitos quebrados no plano urbano da cidade. Projetado pelo engenheiro Samuel das Neves e pelo arquiteto Christiano Stockler, pai e filho respectivamente, o prédio foi o mais alto da cidade rompendo a vista horizontal de São Paulo entre os anos 1924 e 1929, quando o Edifício Martinelli foi inaugurado.

Seu tamanho, apesar de pequeno nos dias de hoje, era significativo na década de 1920: 12 andares e 50 metros de altura. Com esses números, foi considerado um edifício de grande porte, tendo em vista que os prédios da época contavam com uma média de 4 pavimentos.

 
Skyline de São Paulo a partir de 1924, quando o Edifício Sampaio Moreira, ao centro, foi inaugurado — Foto: Reprodução/Cartão Postal

Skyline de São Paulo a partir de 1924, quando o Edifício Sampaio Moreira, ao centro, foi inaugurado — Foto: Reprodução/Cartão Postal

A professora de história de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, Aline Nasralla, comentou sobre a importância do Sampaio Moreira para a mudança urbana de São Paulo:

“O Sampaio Moreira com certeza marcou a história de São Paulo, no sentido de verticalização, por ter sido o primeiro edifício alto. O projeto dele começa em 1920 e é inaugurado em 1924. É difícil imaginar isso, mas na época em que ele foi construído ele era o único edifício alto da cidade. Ele só vai perder esse título com a construção do Martinelli, que acontece em 1929, então ele tem essa importância no sentido de ser o primeiro arranha-céu da cidade”.

 
No primeiro plano é possível ver o Martinelli, a prefeitura, o Automóvel Clube, o Sampaio Moreira e o Clube Comercial. — Foto: Reprodução/Jornal A Gazeta

No primeiro plano é possível ver o Martinelli, a prefeitura, o Automóvel Clube, o Sampaio Moreira e o Clube Comercial. — Foto: Reprodução/Jornal A Gazeta

O empreendimento foi construído pelo português José Sampaio Moreira com a finalidade de ser um edifício comercial. Desde sua inauguração, com suas 180 salas, o edifício abriga em seu pavimento térreo a Mercearia Godinho, tradicional estabelecimento comercial de São Paulo, fundado em 1890.

A planta do edifício, por sua vez, merece destaque por ser semelhante ao que era projetado nos Estados Unidos na época. Vale dizer que, o arquiteto do edifício, Christiano Stockler das Neves, fora para a Pensilvânia estudar arquitetura e trouxe um pouco disso para o Brasil, como destaca a professora de história da arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de São Paulo, Maria Lucia Bressan Pinheiro:

“Quando você vê a planta do Sampaio Moreira, são só salas comerciais e uma bateria de poucos banheiros. Projetavam-se poucos banheiros naquela época se compararmos aos padrões atuais. Eles eram coletivos, sendo usados por todos que alugassem as salas daquele andar. É uma planta muito curiosa, diferente do que estamos acostumados hoje. Se você comparar o Sampaio Moreira com os edifícios de Chicago, na mesma época, eles eram mais ou menos do mesmo jeito A planta dele era bem fora do usual”.

A arquitetura do edifício também merece destaque. Planejado no estilo eclético, o Sampaio Moreira exemplifica a habilidade de Christiano Stockler das Neves em trabalhar com os estilos em voga na época.

“Acho que a linguagem eclética também merece destaque. Ele tem uma qualidade muito grande nesse ecletismo, ele é muito ornamentado e o arquiteto que trabalha com o eclético precisa dominar bem todos os estilos. Imagina misturar coisas de períodos muito diferentes e, se você não tem essa habilidade, vira um Frankenstein e o Christiano teve esse mérito”, diz a professora Aline.

 
Edifício Sampaio Moreira inaugurado em 1924 — Foto: Reprodução

Edifício Sampaio Moreira inaugurado em 1924 — Foto: Reprodução

O edifício que é tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), passou por uma grande reforma estrutural em 1990.

A entrada, com seu painel de localização em madeira maciça e letras douradas, as escadarias de mármore de Carrara e alguns detalhes como as esquadrias das janelas, de pinho-de-riga, foram preservados.

Os elevadores suecos Brothers tiveram os motores revisados e mantiveram o design: pórticos de mármore, paredes vermelhas, porta de ferro vazado, espelhos trabalhados, manivela (hoje aposentada) e adornos dourados.

 
Tradicional painel de madeira do edifício Sampaio Moreira — Foto: Eduardo Ogata/SECOM

Tradicional painel de madeira do edifício Sampaio Moreira — Foto: Eduardo Ogata/SECOM

Em 2010, foi desapropriado para abrigar a Secretaria Municipal de Cultura. As obras de restauro, iniciadas em 2012, recuperaram suas características originais, adaptando-o às novas necessidades de acessibilidade e segurança (incluindo a construção de um bloco anexo nos fundos, com escada de emergência). Ele foi entregue reformado em setembro de 2018, quando passou a ser oficialmente a sede da Secretaria Municipal de Cultura da cidade de São Paulo.

Fonte: https://g1.globo.com

Por Abrahão de Oliveira, G1/SP — São Paulo

Volume acumulado de alvarás concedidos aumentou 58,7% em SP

De acordo com as últimas informações disponibilizadas pela Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP), coletadas pela Fipe em parceria com a Abrainc – Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, o número de alvarás concedidos em São Paulo (SP) para construção de empreendimentos verticais totalizou 822 projetos no acumulado dos últimos 12 meses (encerrados em junho de 2019), após atingir o teto da série histórica no período anterior (861 projetos no acumulado até maio de 2019).

Com base nesses dados, o Indicador Antecedente do Mercado Imobiliário – que acompanha a variação no volume acumulado de alvarás concedidos nos últimos 12 meses – encerrou junho com alta de 58,7% na capital paulista.

 

Em termos de distribuição espacial, a maior parte dos alvarás de empreendimentos concedidos para projetos de empreendimentos verticais nos últimos 12 meses envolveu o prospecto de atividade construtiva da Zona Leste do município (região que concentrou 44,4% do volume de alvarás concedidos no período), seguida pela Zona Norte (18,1%), Zona Sul (17,8%), Zona Oeste (16,4%) e Centro (3,3%). Com respeito ao comportamento evolutivo, a análise segmentada do Indicador Antecedente do Mercado Imobiliário para as diferentes regiões da capital paulista destaca o crescimento do interesse em projetos verticais na Zona Oeste, que registrou avanço de 121,3% no volume de alvarás concedidos nos últimos 12 meses em relação ao período precedente – resultado similar ao observado na Zona Sul (+121,2%). Vale notar, finalmente, que o resultado positivo foi compartilhado pelas demais regiões, incluindo: Zona Norte (+73,3%), Centro (+50,0%) e Zona Leste (+27,2%).

Fonte: https://www.ultimoinstante.com.br