Arquivo diários:11 de setembro de 2019

Como a tecnologia pode aumentar a produtividade na construção civil?

Realidade virtual, softwares de gestão e aplicativos reduzem custos e otimizam processos que vão da obra ao plantão de vendas

Foto – Gelson Bampi

Com participação de 4,5% no PIB brasileiro em 2018 (IBGE), a indústria da construção civil se prepara para a retomada econômica apostando em tecnologia. Com o uso de softwares e equipamentos de inteligência artificial, o setor desenha novos caminhos para o mercado imobiliário. De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, os lançamentos de imóveis residenciais cresceram 4,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo trimestre de 2018. As vendas aumentaram 9,7% ante o mesmo período do ano passado.

Os recursos que podem contribuir com as vendas já estão disponíveis. Desde 2010, a empresa de tecnologia AZUBA desenvolve soluções de realidade virtual e aumentada, que simulam detalhes de uma construção a partir do projeto. “As aplicações vão desde verificações em tamanho real dos setores e detalhes dos projetos, até deixar uma reunião de medição de obra com o cliente mais interativa, clara e lúdica”, explica Joel Stival, fundador da AZUBA.

Para enxergar aquilo que até então só era visível no papel, basta ter um smartphone ou óculos de simulação. A solução também é utilizada em feiras e plantões de vendas – o cliente visualiza o imóvel decorado e até a vista que terá da janela, por exemplo. A economia de recursos é o ponto forte do uso dessa tecnologia, já que dispensa apartamentos decorados físicos e otimiza processos ainda na fase de planejamento da obra. “A realidade virtual e a aumentada são as ferramentas mais modernas para eliminar ou reduzir dúvidas que só serão percebidas durante a fase de execução de um projeto”, comenta Stival.

BIM: de tendência à pauta estratégica

A partir de 2021, o governo federal passará a exigir o uso da tecnologia BIM nos setores de construção civil e infraestrutura. O Building Information Modeling (Modelagem da Informação da Construção, em tradução livre para o português) reúne as informações e detalhes de um projeto, contemplando os aspectos hidráulicos, elétricos, civis e arquitetônicos, e cria um modelo 3D da obra, muito mais próximo do resultado do que os protótipos 2D. A expectativa é de que, com o BIM, o setor aumente em 10% a produtividade e reduza os custos em até 20%, segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). “O BIM permite testar as soluções de um empreendimento antes de sua produção e possibilita a colaboração, já que requer um ambiente em que as decisões são tomadas em conjunto”, explica Alexia Gassenferth Motter, sócia-fundadora da Campestrini, empresa de inovação para a construção civil.

A ausência de processos mais digitais e de softwares para gestão de dados ainda são gargalos para o setor, analisa Alexia. “Identificamos a falta de dados de produção, especialmente na fase de construção, como um entrave para o desenvolvimento da indústria. Enquanto a construção não se digitalizar para gerir os dados e entender suas deficiências, não há como implantar inovações mais avançadas”, conclui.

Soluções para o futuro

No ecossistema de inovação, cresce o número de startups voltadas ao setor. São as construtechs, que devem trazer automação aos processos por meio de aplicativos e pelo uso de câmeras de celulares. Segundo Fabiano Rogerio Corrêa, professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP, há muitos benefícios para a indústria. “Com as construtechs, haverá aumento da produtividade e da qualidade, redução de custos e de prazos, além da possibilidade de oferecer produtos diferenciados. Antes disso, é necessário promover uma mudança considerável no produto, na organização e nos processos, para que essas tecnologias possam dar os frutos esperados”, analisa o professor.

O Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil, em Ponta Grossa, é capaz de auxiliar empresas e profissionais da construção civil em todo o ciclo de vida da edificação. “Atuamos desde a fase de projeto, com consultorias para implantação do BIM – Building Information Model, suporte para a cadeia produtiva de insumos e produtos por meio de desenvolvimento, melhoramento e acompanhamento do desempenho dos itens fornecidos; na fase de execução de obra, com consultorias e ensaios em tecnologias construtivas; e na fase de uso, com elaboração de manuais e orientações aos usuários”, explica Robson Gravena, gerente da unidade.

Pesquisa do Secovi-SP aponta bom início de 2º semestre no mercado de imóveis

Foto: Divulgação Pesquisa do Secovi-SP aponta bom início de 2º semestre no mercado de imóveis

A Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada mensalmente pelo departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), apurou em julho a comercialização de 3.284 unidades residenciais novas. O resultado foi 48% inferior ao total comercializado em junho (6.319 unidades), mas 113,0% superior às vendas de julho de 2018 (1.542 unidades).

Em termos de lançamentos, e de acordo com dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), a cidade de São Paulo registrou, em julho deste ano, o total de 3.567 unidades residenciais lançadas, volume 62,1% abaixo do mês de junho (9.415 unidades) e 25,0% acima do total de julho do ano passado (2.854 unidades).

Análise por segmento – Imóveis de 2 dormitórios destacaram-se no mês de julho em todos os indicadores: maior volume de vendas (2.410 unidades), lançamentos (2.921 unidades), imóveis ofertados (14.601 unidades), maior VGV – Valor Global de Vendas (R$ 714,8 milhões) e melhor desempenho de vendas, com VSO (Venda Sobre Oferta) de 14,2%, resultado de 2.410 unidades comercializadas em relação aos 17.011 imóveis ofertados e lançados no mês.

Unidades com menos de 45 m² de área útil lideraram em todos os indicadores: vendas (2.032 unidades), lançamentos (2.803 unidades), imóveis ofertados (11.937 unidades), VSO de 14,5% e maior VGV (R$ 424,5 milhões). Imóveis com valor de até R$ 240 mil lideraram em vendas (1.822 unidades), lançamentos (2.808 unidades), oferta final (9.670 unidades) e maior VSO (15,9%).

Oferta – A capital paulista encerrou o mês de julho com a oferta de 23.168 unidades disponíveis para venda. A quantidade de imóveis ofertados cresceu 0,6% em relação a junho (23.033 unidades) e 26,6% em comparação a julho de 2018 (18.306 unidades). A oferta é composta por imóveis na planta, em construção e prontos (estoque), lançados nos últimos 36 meses (agosto de 2016 a julho de 2019).

Imóveis econômicos – Em julho, imóveis enquadrados nas condições de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida registraram a venda de 1.467 unidades e o lançamento de 1.873 unidades. A oferta totalizou 7.427 unidades disponíveis para venda e o VSO foi de 16,5%.

Nos outros segmentos de mercado, a pesquisa identificou 1.817 unidades vendidas, 1.694 unidades lançadas, oferta final de 15.741 unidades e VSO de 10,3%.

O destaque no crescimento porcentual em termos de tipologia ficou por conta dos imóveis de 4 ou mais dormitórios. De janeiro e julho, foram comercializadas 868 unidades, uma alta de 145,9% em relação ao acumulado do ano passado no mesmo período (353 imóveis). Em termos de unidades, predominam os imóveis de 2 dormitórios, com 14.849 unidades comercializadas nos primeiros sete meses do ano e variação de 64,5% em relação às 9.026 unidades vendidas no mesmo período de 2018.

Conclusão – “Julho costuma ser influenciado por fatores como férias escolares e, geralmente, apresenta queda sazonal em relação ao mês de junho. Neste ano, não foi diferente: houve redução de 48,0% nas vendas e 62,1% nos lançamentos, principalmente porque a base de junho havia apresentado recordes históricos”, afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP.

Imóveis de 2 dormitórios continuam predominando no mercado imobiliário, com participação porcentual de 73,4% no total de vendas e 81,9% no volume de lançamentos do mês.

No acumulado do ano, as 22.029 unidades comercializadas representam um aumento de 62,7% em relação às 13.543 unidades apuradas no acumulado do mesmo período de 2018. O lançamento de 21.949 unidades resultou em aumento de 92,8% em relação às 11.384 unidades lançadas em igual intervalo do ano passado.

O bom desempenho do mercado imobiliário exerceu positiva influência na economia. O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) acima do esperado, de 0,4% no segundo trimestre em relação ao trimestre anterior, afastou o temor de que o País entrasse em recessão técnica.

Os três subsetores que apresentaram os maiores aumentos e contribuíram para o desempenho do PIB foram a Indústria de transformação (2,0%), a Construção (1,9%) e as Atividades imobiliárias (0,7%).

Outro indicador econômico influenciado positivamente pelo setor imobiliário foi a geração de empregos. No acumulado de janeiro a julho, a Construção Civil gerou 77.481 empregos, com participação de 17% do total de 461.411 empregos gerados no País, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

“Este ambiente pode ser prejudicado em breve. Continuamos preocupados com a falta de calibragem na Lei de Zoneamento da cidade de São Paulo. Somente com os necessários ajustes será possível fazer com que o nosso setor contribua ainda mais com a economia, gerando empregos, aumentando a arrecadação de impostos e mantendo o equilíbrio do mercado imobiliário, com a adequada e necessária oferta de imóveis à população”, afirma Emilio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Secovi-SP.

Para o presidente do Sindicato, Basilio Jafet, o ajuste na Lei é indispensável e urgente, principalmente neste momento favorável para o Brasil, graças às reformas estruturais e à correta agenda econômica. “Dentre as medidas de estímulo ao mercado, vale destacar a recente opção de financiamento pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que amplia a possibilidade de acesso à moradia, com valor inicial de prestação mais baixo.”

Porém, Jafet adiciona à lista de preocupações as frequentes ameaças de desvirtuamento na destinação de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que devem ser aplicados em habitação, saneamento e infraestrutura.

(Redação – Investimentos e Notícias)

Fonte: http://investimentosenoticias.com.br