Arquivo diários:9 de outubro de 2019

Home office altera projetos arquitetônicos de edifícios

Mudança conceitual na forma de trabalhar impacta, principalmente, as edificações no sul e sudeste do Brasil


Levantamento feito por um grupo de consultorias em recursos humanos mostra que, após a entrada em vigor da nova legislação trabalhista, 45% das empresas brasileiras já aderiram parcialmente ao home office para seus funcionários. Significa que pelo menos duas vezes por semana essas corporações permitem que seus colaboradores atuem remotamente, ou seja, trabalhando de casa. Essa mudança conceitual no mercado de trabalho impacta também os projetos arquitetônicos de edifícios residenciais, principalmente nas regiões sul e sudeste. 

Há prédios que já projetam o home office dentro do apartamento. Outros lançam mão de um espaço batizado de meeting room (sala de reuniões), que funciona com um coworking para os condôminos. O ambiente é projetado para atender as demandas do morador que trabalha em home office. A ideia é importada, já que em países como Holanda, Alemanha, Espanha e Canadá boa parte dos projetos arquitetônicos dos edifícios residenciais já vem com o conceito de meeting room em suas plantas.

O que incorporadoras e construtoras estão fazendo é captar os sinais de um novo mercado de trabalho que surge. Levantamento da consultoria de recursos humanos Randstad, realizado com empresas de 33 países – incluindo o Brasil -, mostra que 7 em cada 10 entrevistados gostariam de trabalhar de casa. Na mesma pesquisa, 45% dos consultados reconhecem que a maneira tradicional de trabalho está mudando para formas mais flexíveis. 

Outros estudos apontam para a mesma tendência. Por exemplo, a Pesquisa Home Office Brasil 2018, realizada pela SAP Consultoria em Recursos Humanos, detectou crescimento de 22% na modalidade home office, desde 2016. A maioria das empresas adeptas atua nas áreas de Tecnologia da Informação, Telecom ou serviços. Juntas, elas somam 44% das que dão flexibilidade aos colaboradores. Por região do país, o sudeste tem uma adesão de 89% das empresas ao home office, seguido do sul, com 8%. 

Consultorias já detectaram que home office não funciona para todos

Melhorias na qualidade de vida dos colaboradores (70%), mobilidade urbana (63%) e concessão de benefícios (47%) são as principais motivações para a adoção do home office, segundo as companhias. Entretanto, a flexibilidade da jornada de trabalho ainda é um benefício do “alto escalão” (executivos, diretores, coordenadores e supervisores), sendo que 66% têm carga horária definida, mesmo podendo trabalhar de casa.

Os levantamentos das várias consultorias que estudam o home office no mercado de trabalho também já detectaram que a modalidade não funciona para todos os colaboradores nem para todas as empresas. Adaptam-se melhor os que possuem idade acima de 34 anos, tem familiaridade com o trabalho informatizado e fazem parte das classes A, B e C. Para ilustrar, existem os exemplos conhecidos mundialmente de IBM e Yahoo, que implantaram o home office e, meses depois, chamaram seus funcionários de volta ao escritório, por causa da queda na produtividade. Por outro lado, as mesmas pesquisas veem potencial na geração Z (1990-2010) para o trabalho remoto com bom desempenho. É nessa população que o mercado imobiliário está focado.

Entrevistado
Reportagem com base em pesquisas de consultorias de recursos humanos, como Randstad, SAP Consultoria em Recursos Humanos e MindMetre Research (via assessorias de imprensa)

Contatos
marketing@randstad.com.br
sap@sapconsultoria.com.br
info@mindmetre.com 

Fonte: https://www.cimentoitambe.com.br

Cai número de escritórios vazios em regiões nobres de SP, diz pesquisa

Levantamento realizado pela empresa Buildings monstra que taxa vacância desses imóveis em regiões como Faria Lima está abaixo de 4%

No início de 2019, a empresária Juliana Saraiva inaugurou seu novo escritório, localizado na Avenida Paulista, um cartão-postal da cidade e também uma das principais vias da capital. Antes disso, a sede de seus negócios funcionava em um imóvel próprio de 120 m² em Santo Amaro, na Zona Sul.

Sócia da empresa Certifique-se – Inteligência da Informação, que atua no mercado de investimentos e consultoria em tecnologia, Saraiva decidiu se mudar para um espaço alugado, com quase o dobro do tamanho (220 m²) e uma vista privilegiada para o Instituto Moreira Sales. Todo mês, a empresária paga cerca de 16.500 reais de aluguel.

A decisão de trocar de endereço foi motivada por uma série de fatores. Além de agora estar em uma região mais centralizada e mais próxima aos seus clientes, Saraiva aproveitou o crescimento da empresa para dar mais comodidade aos funcionários. “Com o crescimento dos negócios, era importante estarmos em uma região com mais opções de transporte público e alimentação, beneficiando quem trabalha aqui”, diz a empresária.

Saraiva faz parte de um movimento detectado por um levantamento realizado pela Buildings, empresa especializada em pesquisa imobiliária corporativa. No estudo mais recente feito pela companhia e divulgado na sexta-feira (4), a Buildings identificou que o número de grandes escritórios desocupados em edifícios de alto padrão localizados em regiões importantes da cidade, como a Avenida Paulista, está caindo nos últimos anos. 

Segundo a pesquisa, imóveis em algumas regiões de São Paulo apresentaram taxa de vacância abaixo de 4% no terceiro trimestre de 2019, sinal de que o mercado de edifícios corporativos de alto padrão está se recuperando. Esse índice chegou a 24,11% no mesmo período de 2016.

A Buildings realiza esse levantamento desde 2005. Na tabela abaixo, é possível comparar as taxas de vacância na capital identificadas nos terceiros semestres de cada ano.

Ano Índice de
vacância em SP (%)
2005 13,42
2006 9,5
2007 7,01
2008 5,13
2009 6,17
2010 4,95
2011 2,42
2012 6,77
2013 14,54
2014 16,54
2015 18,72
2016 24,03
2017 18,82
2018 19,21
2019 13,66

Na edição deste ano, a empresa apontou que houve queda significativa de vacância de imóveis comerciais de alto padrão na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima (3,7%), Avenida Paulista (8,5%) e Vila Olímpia (8,5%), bairro da Zona Sul de São Paulo.

Para o sócio da Buildings Fernando Didziakas, as empresas têm se mudado para bairros onde o valor dos aluguéis chegou até a aumentar nos últimos anos. “Vemos nesse ano um crescimento mais orgânico no mercado, onde as empresas continuam expandindo suas operações e os proprietários conseguem praticar valores de locação maiores que os vistos nos últimos anos”, afirma.

Didziakas diz ainda que a vacância caiu nessas regiões por serem áreas muito procuradas pelas empresas e onde o número de empreendimentos comerciais se manteve estável. “Tudo o que tem para ser ocupado nesses locais já está ocupado. São pouquíssimos os novos empreendimentos na região. Na Faria Lima, por exemplo, tem dois previstos para os próximos anos. E já sabemos que há duas empresas interessadas neles”, avalia.

A título de comparação, o sócio da Buildings citou o exemplo da Avenida Engenheiro Luis Carlos Berrini, na Zona Sul da capital. Lá, segundo as pesquisas da empresa, a taxa de vacância chegou a 27% no primeiro trimestre de 2017. “Isso é bem alto. No primeiro trimestre de 2019, esse índice caiu para 13,9%”, afirma. “Se a empresa quiser alugar 12.000 m² nessa região, ela ainda vai conseguir. Na Vila Olímpia, Paulista ou Faria Lima, ela não consegue mais”.

Em São Paulo, o levantamento realizado pela empresa abrange imóveis distribuídos em 240 edifícios comerciais. A Buildings também realiza levantamentos sobre a vacância de imóveis comerciais de alto padrão em cidades da região metropolitana.

Em Alphaville, bairro nobre das cidades de Barueri e Santana do Parnaíba, que no passado recente atraiu uma série de empresas a partir de incentivos fiscais, o número de imóveis comerciais desocupados continua alto. De acordo com o levantamento da Buildings, o índice de vacância na região era de 2% em meados de 2010. Atualmente, está na casa dos 29,7%.

“Para a empresa, ficou desinteressante se mudar para Alphaville, principalmente pela quantidade de oportunidades que se encontra em São Paulo”, argumenta Didziakas. “Na capital, ainda há muitos escritórios vazios, a preços bem baixos”.

Fonte: https://vejasp.abril.com.br

Por Ricardo Chapola