Arquivo diários:23 de janeiro de 2020

Área de lazer para pets vira item obrigatório em novos prédios de São Paulo

O mercado de animais de estimação invadiu de vez o setor imobiliário de São Paulo. A área de lazer para os bichinhos, o pet place, que surgiu há cerca de uma década como diferencial nos condomínios, agora é item básico nos lançamentos na cidade.

Em alguns deles, há ainda espaços de uso coletivo para dar banho nos bichinhos, atividade impensável de se fazer dentro da área compacta dos estúdios que dominam os novos empreendimentos paulistanos.

Com o boom imobiliário iniciado em 2007, as incorporadoras paulistanas foram atrás de terrenos maiores. Foi quando cresceu o conceito de condomínio-clube, aliado a atrativos como o pet place, diz Ricardo Grimone, diretor de incorporação da Gamaro Desenvolvimento Imobiliário.

O movimento das incorporadoras surfa nos números do mercado. São 139,3 milhões de animais de estimação no Brasil, segundo projeção do Instituto Pet Brasil. Só em São Paulo, de acordo com dados da prefeitura, 28,6% dos domicílios possuem cães, 7,7% têm gatos e 6,7% reúnem os dois.

Uma pesquisa realizada pelo Grupo ZAP com 30 mil usuários de seu portal aponta que 48% dos brasileiros pretendem criar animais de estimação no imóvel que estão procurando. Ainda, 60% relataram ser desejável ou fundamental que o imóvel buscado possibilite a presença de pets.

“Os animais de estimação ganharam status de filhos nas famílias das gerações mais novas”, afirma a economista Deborah Seabra, do Grupo Zap. É de esperar, portanto, que infraestrutura voltada aos animais seja pré-requisito dos compradores de imóveis.

Nos projetos da construtora Gamaro, o playground dos pets fica em área de fácil acesso e inclui bebedouro e brinquedos para que o animal possa se exercitar ou até mesmo fazer aulas com um adestrador.

Na Vila Madalena, o empreendimento Seed tem uma área destinada aos animais que ocupa 87 m² pouco mais que os 82 m² da planta de cada um de seus 80 apartamentos, vendidos a R$ 1,6 milhão cada.

Ali, fica um piso permeável, que ajuda a reduzir os odores da urina dos animais. A área conta ainda com um espaço cercado, com torneira, para o banho dos bichinhos.

No mesmo bairro, a construtora Even ergue o Misce Vila Madalena, com apartamentos de 70 a 111 m² e um espaço na área comum dedicado aos cães. Batizada de Pet Play, a estrutura inclui área verde e brinquedos.

É um empreendimento projetado para o cliente que quer reunir lazer, conforto e conveniência em um só lugar, define Marcelo Dzik, diretor comercial da Even. A incorporadora conta mais dois lançamentos com pet place na área de lazer: o Stella Campo Belo, no Campo Belo, e o VM 303, na Vila Mariana.

Em Osasco, na região metropolitana da capital, a Gamaro também apostou no projeto de pet place para o Piscine, empreendimento de 900 unidades, com aptos de 40 a 70 m², vendidos por preços a partir de R$ 450 mil. O espaço conta com brinquedos que visam a estimular a agilidade dos cães, como rampa e pneu para salto.

O pet place tem peso como atrativo de venda, também pela segurança, evitando que os moradores tenham de circular na rua à noite com seus cães, afirma Grimone, da construtora.

Já a construtora MAC reservou 166 m² da área comum do empreendimento Conviva, no Parque São Domingos, para os animais de estimação que habitarão os apartamentos de 59 e 71 m². Com direito a obstáculos para salto, pneu recreativo e slalom.

No Raiz São Paulo Parque Resort, no Alto da Boa Vista, o playground canino é ainda maior, com 298 m², uma rampa dupla, slalom e salto com pneu. Os animais podem ainda aproveitar os 18 mil m² de parque privativo que farão parte do empreendimento. O preço das unidades é de R$ 489 mil.

“É um projeto que vem de encontro com o desejo do consumidor paulistano, de ficar a maior parte do tempo com a família e o contato com a natureza”, diz Andrea Possi, diretora de incorporação da MAC.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/

Sem custo extra, acessibilidade vira item obrigatório em novos apartamentos

Os novos projetos deverão considerar, por exemplo, largura de portas e corredores, desníveis e altura de janelas

Heloísa Rocha, de 35 anos, convive com a osteogênese imperfeita desde que nasceu — uma doença mais conhecida como ossos de vidro. É uma condição rara que tem como principal característica a fragilidade dos ossos.

Por conta disso, Heloísa se depara com dificuldades até mesmo dentro de casa. “O meu apartamento, onde eu moro, é plano, então facilita minha locomoção. Entretanto meu canheiro é muito estreito, então não consigo entrar com a cadeira. Por ter baixa estatura, preciso utilizar o banheiro sendo carregada.”

Um decreto que entra em vigor neste mês promete mudar esse cenário. A partir do dia 27 de janeiro, as construtoras e incorporadoras serão obrigadas a construir apartamentos que possam ser adaptados às pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida.

A norma faz parte da nova Lei de Inclusão. Os projetos deverão considerar, por exemplo, largura de portas e corredores, desníveis e altura de janelas.

O vice-presidente de Tecnologia do Sindicato da Habitação de São Paulo, Carlos Borges, afirma que a nova regulamentação vai beneficiar toda a população e não só pessoas com deficiência. 

Segundo a advogada especialista em direito imobiliário, Jéssica Wiedtheuper, do Mota Kalume Advogados, os proprietários poderão solicitar as adaptações antes mesmo do prédio ficar pronto. 

“Outro ponto importante do decreto é a previsão da compra na planta já com as alterações necessárias. O consumidor deve fazer um requerimento escrito a construtora indicando as adequações necessárias.”

A Heloisa mora em um condomínio antigo na região central de São Paulo e diz que mudança nos novos prédios residenciais vai dar mais autonomia para pessoas com deficiência.

“Para mim, como pessoa com deficiência, essa Lei é muito positiva porque ela vai além do senso comum. Vai além da rampa e do elevador. Vai pensando em como incluir o deficiente em todos os setores.”

A nova Lei de Inclusão também prevê áreas externas acessíveis e 2% das vagas de garagens reservadas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. As construtoras estão proibidas de cobrar valores adicionais pelos serviços.