Arquivo diários:27 de janeiro de 2020

Como investir em imóveis sem comprar um

Diego Siqueira, da TG Core Asset Management, explica como funcionam os fundos imobiliários

O ano está começando e muita gente se pergunta como fazer o dinheiro render para ter mais estabilidade financeira. Com a poupança em baixa, uma alternativa é começar a investir. A compra de imóveis é um grande desejo dos brasileiros em busca de aumentar a fonte de renda, mas exige uma grande quantidade de dinheiro – o que a maioria das pessoas não tem para aplicar.

Com o aquecimento do mercado imobiliário no último ano, esse desejo se torna ainda maior. A recente alta chama cada vez mais atenção para o setor e muita gente se pergunta como investir em imóveis mesmo sem ter como comprar um. A boa notícia é que qualquer pessoa pode investir no setor imobiliário sem precisar aplicar rios de dinheiro. Com pouco mais de R﹩ 100, você já pode se tornar um investidor do setor.

Fundos imobiliários

Opção que tem atraído a muitos, o fundo imobiliário funciona como uma reunião de investidores interessados no mercado de imóveis. A grande diferença é que eles se juntam para adquiri-los, de modo que cada participante pode comprar a quantidade de cotas que desejar. Dessa forma, é possível que qualquer pessoa tenha participação nos resultados de diversos imóveis e até grandes empreendimentos, como shopping centers e prédios comerciais.

Na prática, os fundos imobiliários contam com uma gestão profissional, que é responsável por selecionar os imóveis com boas condições de rentabilidade para direcionar os recursos dos investidores. Assim, os fundos imobiliários – ou FIIs – são uma maneira muito mais simples e acessível de investir e conseguir ótimos retornos nesse mercado. A partir de valores bem menores, é possível ter participação em vários imóveis, sem precisar lidar com as responsabilidades de um proprietário.

O investidor também conta com muita flexibilidade no investimento, já que as cotas podem ser negociadas na bolsa, com maior liquidez, e é possível obter isenção de Imposto de Renda na distribuição de dividendo. Mas por onde começar? Contratar uma boa gestora de investimentos é fundamental. Isso permitirá que você conte com o auxílio de profissionais especializados que, além de intermediar as operações, poderão prestar uma consultoria específica e de qualidade.

Fonte: https://www.segs.com.br/

Oportunidade ou dor de cabeça?

Especialistas afirmam que adquirir imóveis por meio de leilão pode ser mais vantajoso para investidores do que para pessoas em busca da casa própria.

Pagar pelo imóvel dos sonhos apenas metade do valor de mercado é algo tentador — e que por isso mesmo já deixou de ser um privilégio de quem só quer investir. “Mais da metade da minha carteira de clientes hoje é de pessoa física com a finalidade de moradia”, afirma Cláudia Frazão, leiloeira da Frazão Leilões. Ela prepara o leilão presencial de 32 imóveis ofertados pelo Itaú Unibanco para o dia 31 deste mês. “É um mercado cíclico: na crise, com o aumento da inadimplência, os bancos adotam a alienação fiduciária, alimentando a carteira para os leilões. Já com economia aquecida aparece o comprador pessoa física em busca de oportunidades”, diz Cláudia. Os lotes oferecidos no leilão do final do mês estão distribuídos em sete estados brasileiros: Bahia, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rondônia, Sergipe e São Paulo.

Antes de dar um lance é bom saber que esse mercado envolve questões delicadas. A principal: saber se o imóvel está ocupado. Os leiloeiros dizem que é comum a situação ser resolvida amigavelmente, mas, como há custos processuais, o interessado deve prever gastos com advogados. Além do custo, ações de desocupação podem demorar meses — ou anos.

Outro complicador é quando o banco leiloa uma propriedade antes de notificar o inadimplente, o que pode pedir a anulação do leilão, como alerta a advogada Paula Farias, especialista em negócios imobiliários. “Se o devedor comprovar que não foi intimado, o juiz pode anular o leilão e dar novo prazo de pagamento. Se for pago, o imóvel volta para o dono inicial”. Existe a possibilidade de reaver os valores judicialmente, mas não é a dor de cabeça que as pessoas desejam ter. A advogada orienta que o interessado deve ler o edital do leilão, já que nele estão todas as informações sobre o imóvel. “Além disso, como o endereço está disponível, vale visitar a vizinhança, o imóvel (se estiver desocupado) e conversar com o síndico (em caso de condomínio), uma vez que o bem pode constar como ocupado no edital, mas já estar desocupado”, afirma Paula Farias.

Movimento cíclico: Para a leiloeira Claúdia Frazão, a recuperação da economia atrai novos interessados em imóveis. (Crédito:Divulgação)

ALUGAR OU REVENDER

Outra recomendação: verificar a matrícula do imóvel para conferir se há débitos com a prefeitura. O investidor visa o lucro com a venda ou com aluguéis, enquanto o comprador pessoa física procura por moradia e imagina que vai se mudar em pouco tempo. O leilão pode ser uma ótima oportunidade para o investidor, mas não é tão indicado para famílias que desejam realizar o sonho da casa própria. “De forma geral, essa não é uma boa forma de compra para quem tem pressa”, diz. Segundo ela, há vários casos em que os leilões abrem brechas jurídicas que podem levar à anulação. Até que haja uma definição na Justiça, o dinheiro pago pela propriedade fica em poder do banco. A correção, diz Paula, é irrisória, menor que o rendimento da poupança. Para evitar esse tipo de situação, a advogada recomenda contratar um consultor. “Ele pode ajudar na melhor escolha com a avaliação do imóvel antes de o interessado dar o primeiro lance”. Esse tipo de trabalho é realizado por advogados e custa entre 3 a 5% do valor do imóvel. Os custos e aborrecimentos que tendem a frustrar quem procura imóvel para moradia entram na conta do investidor como parte do risco envolvido, em geral compensado pelo alto desconto em relação ao valor de mercado. O retorno sobre o investimento pode vir na forma de aluguel ou na revenda. O investidor compra pela metade do preço, resolve as pendências e coloca de volta à venda pelo valor cheio. “Com os imóveis de leilão, tudo tem que ir para a ponta do lápis, afinal pode acontecer de o desconto não compensar”, afirma a especialista em direito imobiliário.

Além de atrair pelo preço, o mercado de leilões também chama a atenção de investidores pelas facilidades de negócio. Antes, eles eram apenas presenciais. Hoje, grande parte ocorre pela internet. Basta um cadastro, com um processo simples de envio de documentos. Os imóveis ficam listados no site do leiloeiro, com fotos e informações como o endereço e o valor inicial. Durante um período (em geral de 20 a 30 dias), os interessados podem dar ofertas — e o lance mais alto leva a propriedade. Além do valor dado pelo imóvel, quem arremata é quem paga os 5% de comissão ao leiloeiro, uma taxa estabelecida por decreto federal de 1932.

Por fim, vale lembrar que leilões oferecem tanto imóveis em bom estado quanto caindo aos pedaços. Quando se tem a sorte de encontrar um que está bem conservado e com preço baixo, o potencial de lucro costuma compensar o investimento.