Arquivo diários:11 de fevereiro de 2020

Queda dos juros estimula crescimento do mercado imobiliário

Especialistas apontam que momento é bom para aquisição de bens duráveis

  
 

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou, nesta semana, a redução os juros básicos da economia (Selic) de 4,50% para 4,25% ano. A  redução aqueceu o mercado imobiliário, tanto para quem deseja realizar o sonho do seu imóvel próprio ou investir na aquisição de unidades de empreendimentos em construção.

Conforme dados da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), cada queda de 1% nos juros de financiamento de imóveis mais de 2,5 milhões de famílias entram no mercado imobiliário. Portanto, a cada ponto percentual na variação da taxa de juros, em média o mercado aumenta em 16%.  

De acordo com o economista Sérgio Torres, as últimas decisões do Copom mostram que o governo está sinalizando a retomada da economia de forma lenta, mas consistente. “Vejo com bons olhos essa iniciativa da redução da taxa básica. Para o segmento imobiliário, sinaliza para que o setor privado possa regular os seus preços e as pessoas busquem créditos mais baratos”, explica.

Para a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS (IPF-MS), Daniela Dias, a partir da Selic que se baseiam as taxas da habitação, crédito consignado, de financiamentos de casas e carros. “Temos os dois lados da moeda: se por um lado o investimento em um novo negócio pode ser facilitado diante dessa queda, por outro lado, os investimentos em ações, poupança, tesouro e títulos, eles ficam mais prejudicados com uma rentabilidade menor. Qual é a ideia? É uma política monetária expansionista; quero colocar dinheiro na economia, estimular investimentos em imóveis, propriedades, carros, casas, etc. Aí tira um pouco dessa questão da poupança, investimentos no sentido retorno financeiro, aquele dinheiro que fica parado ganhando rentabilidade”, explicou.  

Segundo o presidente do Sindicato da Habitação de Mato Grosso do Sul (Secovi-MS), Marcos Augusto Netto, vários fatores estão contribuindo para Campo Grande ter uma movimentação positiva, tanto para investidores, construtoras, incorporadoras quanto para o consumidor.

“Um item é a taxa de juros que nunca esteve tão baixa. Já estávamos com a expectativa da queda em 0,25%. Outro item é possibilidade de investimentos, desde quem busca um imóvel para morar ou para investir. A consolidação da Lei de Distrato também trouxe uma maior segurança jurídica para quem constrói. O crescimento do índice de confiança em 2,1% de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) das construtoras, incorporadoras e imobiliárias, aumentam os investimentos em construções e aquele investidor mais conservador não corre riscos ao investir na compra de um imóvel”, explica Netto.

Segmentos

Dados da Abrainc mostram que os empreendimentos de Médio e Alto Padrão (MAP) foram responsáveis por 21,2% das unidades lançadas e 30,2% das unidades vendidas no período. Os lançamentos do segmento cresceram 20,6%.

O economista Sérgio Torres, diz que no segmento de imóveis de alto padrão esse é um ótimo momento para investimentos. “Para imóveis da faixa A e B é muito bom porque há uma facilidade de juros de financiamento, poder de negociação com as empresas tende a ser mais flexível, e para quem é investidor relativamente agressivo com juros e inflação controlada, o investimento é muito bom”.

De acordo com o gerente regional da Plaenge Campo Grande, Luiz Octávio Pinho, a construtora acompanha de perto a evolução da economia, sempre trazendo novidades para quem deseja realizar seus sonhos ou mesmo para quem procura por investimentos em imóveis.

“Nosso setor de inteligência de mercado sempre está atento as movimentações da economia. O crescimento gradual da economia nos faz sempre pensar em nossos clientes, trazer soluções, atender seus desejos, anseios na procura pelo imóvel desejado e no momento certo. Como temos uma história consolidada de 50 anos, trabalhando de forma consistente, entregando novas edificações em 2020 nos segmentos residencial e comercial, uma delas inclusive este mês, além de lançamentos de novos empreendimentos e o primeiro deles já no próximo mês”, finaliza.

 
 

Geração de empregos será fomentada

Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estimam um crescimento na casa de 3% para o setor da construção civil, com a criação de 150 a 200 mil novas vagas de trabalho até o final do ano. Em Mato Grosso do Sul, o setor estima crescimento próximo ao nacional e criação de mais de 5 mil empregos.

O presidente do Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS), Amarildo Miranda Melo, estima que a construção civil cresça 2,7% no Estado. “Acreditamos que os setores público e privado investirão este ano. Se o cenário continuar igual, MS deve  crescer 2,7%. Estamos otimistas principalmente por causa das reformas já aprovadas, Trabalhista e Previdenciária e das que ainda serão aprovadas como a Tributária e Administrativa. Acredito que com isso teremos um crescimento sustentável”, explicou.

Segundo o representante do Sinduscon-MS, no ano passado o setor criou 2 mil vagas em Mato Grosso do Sul.  “Foi um ano para esquecer, mas neste ano vamos mais que dobrar o número de empregos”, afirmou Melo.  

Para o presidente da Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul (Acomasul), Adão Castilho, o ano será de crescimento e o setor da construção deve gerar mais de 5 mil empregos diretos. “Nós, os pequenos construtores, representamos 40% da cadeia da construção civil aqui no Estado. Tenho certeza que depois de ensaiar nos últimos anos, em 2020 vamos decolar. O cenário no País está favorável, no Brasil serão geradas de 150 a 200 mil empregos e aqui em MS teremos pelo menos 5 mil empregos diretos”

Fonte: https://www.correiodoestado.com.br/

Crédito imobiliário prefixado da Caixa deve ter taxas entre 8% e 9% ao ano

Banco, que é líder em concessão de financiamento para casa própria, planeja bater a marca de R$ 10 bilhões com nova modalidade de financiamento

A Caixa Econômica Federal já bateu o martelo quanto aos juros que serão cobrados na nova modalidade de crédito imobiliário, sem correção, conforme apurou o Estadão/Broadcast. As taxas mínimas devem começar entre 8% e 9% ao ano e o banco da habitação mira, de acordo com fontes próximas à instituição, bater a marca dos R$ 10 bilhões em empréstimos na linha prefixada para a compra da casa própria no primeiro ano de operação.

O lançamento do crédito imobiliário sem correção ocorrerá na próxima semana, durante cerimônia no Palácio do Planalto. Deve contar, inclusive, com a presença do presidente Jair Bolsonaro, em evento similar ao do anúncio da modalidade com lastro no índice de inflação, o IPCA, realizado em agosto do ano passado.

Crédito Imobiliário
Caixa planeja administrar R$ 10 bilhões em nova linha de financiamento imobiliário préfixada Foto: Chico Lelis/Estadão

 

O evento foi antecipado, antes ocorreria em março, por causa do processo de abertura de capital da Caixa Seguridade, holding de seguros do banco. Há quase que um mantra nos corredores da instituição: “foco no IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês)”.

A data do lançamento do crédito imobiliário sem correção ainda está sendo fechada e já mudou algumas vezes por causa da agenda de Bolsonaro. A última opção cogitada e que chegou a ser reservada, dia 19 de fevereiro, foi descartada justamente por isso.

Hora extra

Nesse primeiro ano de governo, Bolsonaro e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, estreitaram relações. O executivo, que investiu a maioria de seus fins de semana em 2019 conhecendo a rede física do banco público Brasil afora, passou a acompanhar o presidente em viagens e também em algumas lives pelo Facebook, feitas tradicionalmente às quintas-feiras.

Uma apresentação com mais de dez slides está sendo preparada para a cerimônia oficial que ocorrerá no Planalto. O foco da Caixa, conforme fontes, é mostrar que o banco tem “segurança” e “tranquilidade” para lançar a nova modalidade de crédito imobiliário, aposta para ampliar a oferta de crédito imobiliário no País.

Além disso, o lançamento vai marcar a ampliação da família de produtos no banco público. A Caixa terá três modalidades de crédito imobiliário: Taxa Referencial (TR) mais juros; com lastro no IPCA e sem correção (prefixada). A ideia do banco público, conforme uma fonte, é colocar no mercado taxas diferentes, conforme os prazos da linha prefixada – por exemplo, de 20 anos, cujos juros serão mais atrativos que a de 30 anos.

TR zerada

O lançamento do crédito imobiliário sem correção é também mais uma ofensiva da atual gestão da Caixa de confrontar a linha tradicional, que cobra juros mais TR. O presidente do banco tem chamado atenção para o tema de forma recorrente, desde antes do lançamento da modalidade que tem lastro no IPCA. Ele defende que a TR está zerada, mas que isso pode mudar, o que representaria um risco para os bancos.

Durante evento no fim de janeiro, o presidente da Caixa confirmou que a perspectiva do banco é de que os juros da modalidade prefixada ficassem abaixo de 10% ao ano. Disse ainda que, embora a oferta do banco compreenda prazos mais longos, a expectativa era a de que o prazo médio ficasse ao redor dos 8,5 anos.

Concorrentes observam

Entre os bancos privados, o crédito prefixado é visto com mais bons olhos que o anterior, com lastro no índice oficial de inflação, o IPCA. Questionado pela reportagem, o Bradesco informou que estuda a nova modalidade. O Itaú Unibanco afirmou que não tem planos de operá-la no curto prazo, mas que está sempre atento aos movimentos do mercado.

“O crédito imobiliário prefixado desperta mais interesse que o IPCA porque é mais seguro aos clientes. O risco é da curva de juros, que fica com o banco e a tesouraria tem como controlar, ao menos no cenário atual”, diz o executivo de um grande banco, na condição de anonimato.

Em outra frente, o presidente da Caixa também defende, nos bastidores, que os juros da linha TR caiam mais, considerando o atual patamar dos juros básicos no País, a Selic, que sofreu um novo corte na semana passada, caindo para o nível histórico de 4,25% ao ano, conforme uma fonte. Guimarães tem defendido a redução de taxas em várias modalidades, principalmente, no imobiliário, que tem o imóvel como garantia, e ainda outras linhas que penalizam os mais pobres como o cheque especial.

Líder de mercado

Com a ofensiva nos juros e maior foco no imobiliário, a Caixa retomou, no ano passado, o posto de líder no crédito imobiliário com recursos da poupança (SBPE), ao conceder R$ 26,6 bilhões em 2019 ante R$ 13,3 bilhões no exercício anterior, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Assim, desbancou, o concorrente Bradesco – líder em 2018, com cerca de R$ 17,9 bilhões, seguido por Itaú Unibanco, com R$ 16,7 bilhões.

Procurada, a Caixa não comentou. Disse que as taxas da modalidade prefixada ainda estão sendo fechadas e confirmou que o evento de lançamento não será no dia 19 de fevereiro.

Fonte: https://economia.estadao.com.br/