Arquivo diários:20 de fevereiro de 2020

Tatuapé ganha jardins de chuva para melhorar a drenagem da água da chuva e reduzir o risco de enchentes

A técnica que está sendo implantada no Eixo Platina é a mesma usada em projetos de sustentabilidade nos Estados Unidos e na Austrália.

A falta de permeabilidade do solo é um problema recorrente em São Paulo, prejudica a drenagem urbana e aumenta o risco de enchentes. Para lidar com esse tipo de problema, a Região Leste está ganhando jardins de chuva, assim como acontece em grandes cidades do mundo como Nova York, nos Estados Unidos, e Sydney, na Austrália.

Jardins de chuva são canteiros projetados para acolher as águas de chuva contribuindo no combate a enchentes, reduzindo inundações e alimentando o lençol freático. Na prática, o solo é levemente rebaixado e assim acumulam água que naturalmente é absorvida pelo solo.  No Tatuapé, os jardins de chuva integram o projeto Eixo Platina, um pólo de desenvolvimento socioeconômico, desenvolvido pela Porte Engenharia e Urbanismo. Os jardins de chuva, até o momento, foram absorvidos no projeto Geon 652, o primeiro empreendimento entregue do Eixo, localizado na rua Vilela.

“O jardim de chuva é uma das estruturas mais eficientes para lidar com as águas urbanas, sendo capaz de diminuir alagamentos. O papel desse canteiro colocado ao redor do empreendimento é reduzir esse problema, inserindo, ao mesmo tempo, a água dentro do paisagismo, melhorando a infraestrutura verde”, disse Nik Sabey, idealizador do projeto paisagístico do Eixo Platina.

A maior parte desses jardins são colocados acima dos níveis do asfalto, e assim podem ser vistos pelas ruas. Segundo Sabey, trata-se de um desenho pensado conforme o relevo do terreno e do canteiro. Nos jardins projetados no Geon 652, a ideia é que eles absorvam a água da chuva em menos de três dias para não gerar desconforto quanto às vulnerabilidades do mosquito Aedes Aegypti. Outra curiosidade é que as plantas utilizadas no paisagismo são nativas, capazes de se adaptarem às variações climáticas, contribuindo também com a avifauna que está acostumada e depende dessas plantas.

O paisagista ressalta outro grande benefício para a natureza. “Com os jardins de chuva, a água chega mais limpa ao lençol freático, pois as plantas servem como uma espécie de filtro, já que muitas vezes a água que segue para o subsolo está poluída”, diz. Além disso, as calçadas também contam com piso drenante, mandando a água para o lençol ao invés de jogá-la para a via pública.

Sobre a Porte Engenharia e Urbanismo

Desde 1986, a Porte faz uso da Engenharia, do Urbanismo e da Ciência Urbana a serviço do desenvolvimento humano, criando e entregando soluções urbanas. Com mais de 40 projetos entregues, grande parte, na região do Tatuapé e Anália Franco, a Porte é a primeira empresa de São Paulo a implantar o departamento de Ciência Urbana, que utiliza a inteligência artificial, a arquitetura e o seu conhecimento sobre a vida nas cidades para definir os seus projetos e ações, a fim de desenvolver a região e melhorar a vida das pessoas que estão aqui.

Fonte: https://revistabusiness.com.br/

Arquitetura sustentável e meios de transportes limpos interferem na saúde e economia

É hora de mudar o jeito de pensar a arquitetura de nossas casas e os meios de locomoção. De acordo com o Sistema Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, melhorar a instalação dos aparelhos em casa, optando por versões sustentáveis, e encorajar as pessoas a trocarem os carros por biclicletas ou caminhadas economizaria 3,7 bilhões de libras por ano, cerca de 20,8 bilhões de reais.

Isso porque reduzir a energia demandada pelo transporte, pelas construções e pela fabricação de artigos para casa reduziria, significamente, problemas de saúde relacionados à poluição, como pneumonia e até mortes precoces. E estas mudanças interferem na nossa rotina corriqueira e até na arquitetura das casas, uma vez que o órgão sugere mudanças como o uso da eletricidade solar e opção por meios de transporte não poluentes.

Dentre as intervenções, a mais impactante é a troca dos carros por bicicletas e caminhadas. No Reino Unido, o uso de veículos corresponde à atividade com maior emissão de gases poluentes. Apesar disso, o NHS não sugere o abandono dos carros por completo, mas uma redução de apenas 1,7% das viagens, o que poderia economizar 2,5 bilhões de libras, ou cerca de 13,7 bilhões de reais, na área da saúde, uma vez que resultaria em menos casos de diabetes e doenças cardiovasculares. Ainda mais, o órgão estima que cerca de 65 mil mortes precoces seriam evitadas com a ação, devido à melhor qualidade do ar

Partindo para a construção civil, o corte nas emissões de carbono deveria ser de 35 milhões de toneladas até 2032. Porém, se não forem feitas novas políticas, essa redução não passará de 5 milhões de toneladas. Isso porque a construção de casas autossuficientes em energia e climatização economizaria 1,2 bilhão de libras por ano ou 6,7 bilhões de reais. Aqui, entra em pauta a importância da arquitetura sustentável, com aplicações para reaproveitamento da água, uso de energia solar e até separação e reciclagem do lixo.

Se, ao todo, a população britânica investisse 1 bilhão de libras por ano até 2035 em casas sustentáveis, as contas domésticas, geralmente mensais, seriam reduzidas em 270 libras por lar, ou quase 1.500 reais. Ainda mais, a mudança preveniria 10 mil mortes precoces por ano. 

O estudo foi baseado em uma pesquisa do Centre for Research into Energy Demand Solutions, realizada por acadêmicos de 15 universidades britânicas. Os resultados foram reportados pelo grupo Green Alliance.

No Brasil
Não temos pesquisas tão precisas ou projetos de redução dos impactos nas reduções de carbono como o do NHS. Porém, em 2017, um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) apontou que os carros representavam 72,6% da emissão de gases efeito estufa apenas no estado de São Paulo. Mais regionalmente, na região de Sorocaba, uma pesquisa de 2019 do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) afirma que, se todos os habitantes da cidade deixassem de sair de carro em apenas um dia, 820 toneladas de CO2 seriam poupadas de irem para atmosfera. 

Já na construção civil, segundo uma pesquisa publicada na Revista da Universidade Vale do Rio Verde em 2018, a cada metro quadrado de obra, 82,56 quilos de CO2 são liberados. O estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Maringá ainda sugere que é importante para reduzir as emissões “o uso de divisórias internas de gesso acartonado e grande quantidade de painéis de Structural Glazing (envidraçamento estrutural com pouca ou nenhuma estrutura de aço ou alumínio), em substituição à alvenaria tradicional, comprovando a importância da elaboração de projetos que primem pela sustentabilidade econômica e ambiental”.

Fonte: https://revistacasaejardim.globo.com/