Arquivo diários:25 de março de 2020

Preços de imóveis comerciais encerraram fevereiro estáveis

Preços de imóveis comerciais encerraram fevereiro estáveis(Foto: Pexels)Preços de imóveis comerciais encerraram fevereiro estáveis

Os preços médios de venda e de locação de imóveis comerciais encerraram fevereiro de 2020 em estabilidade. Comparativamente, o comportamento dos índice calculados para salas e conjuntos comerciais de até 200m² foram superadas pela inflação ao consumidor medida pelo IPCA/IBGE, que registrou alta de 0,25%. Entre as cidades monitoradas pelo Índice FipeZap Comercial, destacaram-se as altas no preço médio de venda em: Salvador (+1,15%), Florianópolis (+0,60%) e Campinas (+0,21%), enquanto entre imóveis para locação, os maiores avanços foram registrados em: Brasília (+1,54%), Curitiba (+0,42%) e Niterói (+0,36%). Em termos de baixa, as cidades que apresentaram maiores quedas no preço de venda foram: Curitiba (-0,38%), Rio de Janeiro (-0,32%) e Belo Horizonte (-0,27%), enquanto, no caso dos preços de locação, os maiores recuos foram no Rio de Janeiro (-0,35%), em Florianópolis (-0,30%) e Porto Alegre (-0,17%).

O preço médio de venda de imóveis comerciais acumula queda nominal de 2,37% nos últimos 12 meses, enquanto o preço médio de locação comercial permanece próximo à estabilidade (+0,06%). Para fins de comparação, a inflação acumulada nos últimos 12 meses superou as variações registradas pelo Índice FipeZap: +4,01%, segundo o IPCA/IBGE, e +6,82%, de acordo com IGP-M/FGV . A queda no preço médio de venda de imóveis comerciais foi influenciada, nesse horizonte, pelo recuo observado em quase todas as cidades monitoradas (à exceção de Brasília e Salvador), entre as quais se destacam as quedas em: Curitiba (-7,23%) Porto Alegre (-5,09%) e Rio de Janeiro (-3,50%). Já com respeito ao preço de locação, registrou-se alta nominal em 4 das 10 cidades monitoradas pelo Índice FipeZap Comercial: Campinas (+5,55%), Curitiba (+4,01%), São Paulo (+2,16%) e Florianópolis (+1,87%).

Em fevereiro de 2020, o valor médio do m² de imóveis comerciais nas cidades monitoradas pelo Índice FipeZap foi de R$ 8.501/m² , no caso de imóveis comercias colocados à venda, e de R$ 37,44/m² , entre aqueles destinados para locação. Entre todas as 10 cidades monitoradas pelo Índice FipeZap Comercial, Rio de Janeiro se destacou no mês com o maior valor médio para venda de salas e conjuntos comerciais de até 200m² (R$ 9.577/m² ), enquanto São Paulo apresentou o preço médio mais elevado para o aluguel mensal do mesmo segmento (R$ 43,31/m² ).

(Redação – Investimentos e Notícias)

Lapa: da invasão indígena à linha férrea

Conheça a história da antiga Emboaçava. Bairro nasceu de um forte construído para proteger a cidade e foi rebatizado graças a imagem de uma santa

 

Bairro da Lapa e da Vila Anastácio na década de 40/ Crédito: São Paulo In Foco
 
 

Quando José Carlos de Barros Lima, advogado e pedagogo de 83 anos, era criança, toda a região da Lapa se resumia a um centrinho comercial no entorno das linhas férreas São Paulo Railway e Sorocabana (inauguradas, respectivamente, em 1867 e 1875) e a sítios e chácaras a perder de vista. “O verdureiro trazia os alimentos de charrete e tinha até gado solto por aqui”, conta José Carlos, que mora no Alto da Lapa. “Cheguei a ver fazendeiro trazer a vaca para tirar o leite fresco em frente de casa.”

Desde então, José Carlos é apaixonado pelo bairro. Já adulto, se envolveu em diversas organizações civis. Em 1991, enquanto preparava a festa de aniversário da Associação Comercial da Lapa, notou algo estranho: o bairro celebrava apenas seu aniversário número 246. A data de fundação era muito recente, pensou.

Então foi à Câmara de São Paulo vasculhar as atas da cidade desde sua fundação. Foram três anos de investigação, entre 1991 e 1994, para, enfim, descobrir a data real do início da Lapa: 1590. Descobriu também que tudo começou quando a então Vila de São Paulo sofrera uma série de tentativas de invasão.

Ameaça indígena 

O sertanista Afonso Sardinha foi informado sobre o plano de um agrupamento de índios de atacar São Paulo, como represália à expulsão de suas terras originais. Este plano se concretizou em uma ofensiva sobre o bairro de Pinheiros.

Sob a liderança de Sardinha, um grupo de homens influentes na administração da Vila de São Paulo se reuniu para defender a cidade. O lugar escolhido foi o encontro dos rios Pinheiros e Tietê, região alagável por onde os indígenas chegavam à São Paulo. O local era chamado por todos de “Emboaçava”, que significa “lugar onde se passa”, em tupi.

Próximo a onde hoje está a ponte dos Remédios, foi erguido um forte que ficou conhecido como Tranqueira do Emboaçava. Ali, formou-se um grupo de vigília, que se tornou ponto de apoio aos bandeirantes que chegavam e saíam de São Paulo. Nos arredores da construção, surgiu o Povoado do Forte, uma espécie de tataravô da Lapa que conhecemos hoje.

 
 
Enfim, Lapa

Foram cerca de dois séculos de Emboaçava. A região só viria a ser chamada de Lapa em meados do século 18. Há algumas versões para a origem do termo, mas todas têm um ponto em comum: a imagem de Nossa Senhora da Lapa. 

José Carlos de Barros Lima conta que seus estudos levaram a uma conclusão. A história verdadeira seria a de um português que trouxe a imagem da santa à chácara de sua propriedade e a batizou de Fazenda Nossa Senhora da Lapa. O português doou o objeto aos jesuítas, com uma condição: que rezassem anualmente uma missa na “Fazendinha da Lapa”.

O termo pegou. A região de “Fazendinha da Lapa” logo virou apenas Lapa, mesmo depois que a imagem deixou a fazenda – de acordo com o historiador, ela foi para Cubatão, onde se tornou padroeira da cidade. 

E depois vieram as novas divisões: Alto da Lapa, Lapa de Baixo e Lapa de Cima. Isso apenas após o boom populacional movido pelos trens da São Paulo Railway e da Sorocabana, cuja parada ocorria onde hoje são as estações Lapa, da Linha-8 da CPTM (de 1889) e da Linha-7 da CPTM (de 1958), pelo crescimento industrial pujante na virada dos anos 1800 para 1900 e pela segunda onda de imigração europeia, quando chegaram muitos espanhóis, húngaros e, sobretudo, italianos.

Nos primórdios da Lapa, o primeiro censo do bairro, realizado em 1765, registrou 31 moradores. De acordo com os dados atualizados da Prefeitura, o distrito da Lapa abriga mais de 65 mil paulistanos atualmente.

Fonte: https://imoveis.estadao.com.br/