Arquivo diários:26 de março de 2020

“O Brasil continua atraente”

Na primeira entrevista a um veículo brasileiro, Park Hyeon-Joo, fundador da maior instituição financeira coreana, fala em aumentar investimentos no país

 

Reformas, reformas, reformas. Diante da elevadíssima incerteza por causa do novo coronavírus, Park Hyeon-Joo, fundador e presidente do conselho de administração da Mirae, maior instituição financeira da Coreia do Sul, está focado nas perspectivas de longo prazo para o Brasil. Em rara entrevista, Park contou à EXAME, durante visita a São Paulo no início de março, que quer aumentar os investimentos no país.

Quão danoso será o impacto da covid-19 para a economia global?

Difícil responder agora. O mundo ainda está tentando entender de que maneira a pandemia vai reduzir os gastos do consumidor, interromper a produção industrial e quebrar as cadeias de suprimento em toda parte.

Por que a Mirae está investindo no Brasil em um momento de tantas incertezas?

Desde 2003, a Mirae já se expandiu para 15 países. O Brasil é uma das dez maiores economias do mundo. Vemos grande potencial para o crescimento do mercado financeiro. O governo segue firme nas reformas. Queremos, a partir do Brasil, avançar e nos tornar um dos principais grupos financeiros da América Latina.

Quais similaridades tem o Brasil com a Coreia do Sul?

A Coreia do Sul estava crescendo a taxas de 2 dígitos nos anos 1990. Mas, no começo dos anos 2000, logo após a crise asiá­tica, precisou implementar reformas para tornar a economia mais orientada para o mercado. Assim, as taxas de juro caíram dramaticamente. Hoje, estão em 0,7% ao ano. Nós, que trabalhamos no mercado financeiro, nos lembramos do que aconteceu com a economia da Coreia do Sul ao se transformar em um país de juros baixos, e essa mudança pode ser muito empolgante para o Brasil também. O Brasil é uma economia importante tanto pelo tamanho de seu mercado doméstico quanto pela exportação de matérias-primas. Esperamos que as reformas impulsionem o potencial de consumo e o crescimento.

Em que outros tipos de negócio a Mirae pretende investir no Brasil?

A Mirae tornou-se uma das maiores investidoras no mercado imobiliário internacional. Está perto de finalizar a compra de 15 dos maiores hotéis dos Estados Unidos, como o The Ritz-Carlton, o Half Moon Bay e o Four Seasons Silicon Valley. Gostaríamos de buscar novos investimentos como esse no Brasil. Já temos vários ativos de escritórios de primeira linha nos Jardins e na região da Avenida Berrini, em São Paulo. Estamos também interessados no agronegócio, como uma opção de investimento privado em participações, e no comércio eletrônico.

Com a severa depreciação do real neste ano, mais investidores estrangeiros devem vir para o Brasil?

Vemos espaço e desejo dos estrangeiros em investir no Brasil porque veem o país como um mercado próspero. Considerando que a inflação está se estabilizando e que há planos para uma reforma administrativa e para uma reforma tributária, vai haver um cenário propício ao aumento do potencial de crescimento e à redução da dívida pública.

A confusão no cenário político do Brasil o assusta?

Respeito o fato de o Brasil ter uma sólida e bem estabelecida democracia, e de seus políticos serem eleitos pela população numa eleição justa. Espero que, com as reformas, haja um ambiente melhor de negócios para empreendedores como eu.

Fonte: https://exame.abril.com.br/

Por Denyse Godoy

Alugar ou comprar imóveis? Veja o que compensa com a Selic em baixa

Se a intenção for moradia e o valor financiado for menor do que locar, pode ser interessante adquirir a casa própria, mas o momento exige cautela

Se a dúvida é sair do aluguel, pode sim valer a pena comprar com a Selic em queda, mas outras questões devem ser avaliadas/ Foto: Getty Images

 

Comprar ou alugar um imóvel sempre exigiu muitos cálculos para não transformar o sonho em pesadelo. Até o início de 2019, a aquisição não era a alternativa mais recomendável. Os juros do financiamento eram altos e deixar o recurso na renda fixa dava um retorno melhor. Mas agora o cenário é outro. A taxa básica de juros sofreu novo corte em março de 2020, passando de 4,5% para 3,75% ao ano, seu menor nível histórico. Assim, os juros do financiamento imobiliário também caíram para os mais baixos percentuais já registrados. Será então que chegou a hora de fechar negócio? Se o objetivo é sair do aluguel, a depender do quanto será financiado, pode sim valer a pena comprar. Mas outras questões devem ser avaliadas.

“Provavelmente o mundo nunca passou por um período tão conturbado e sujeito a variações tão rápidas e profundas como as que nos afetam atualmente, por causa do coronavírus. Qualquer previsão que se faça pode perder fundamento em questão de horas, pelas decisões que são tomadas pelos órgãos governamentais e pelos índices econômicos e cambiais, que sofrem alterações terrivelmente expressivas, bem como a divulgação das estatísticas”, afirma o advogado especialista em direito imobiliário, Bence Pál Deák.

Diante disso, o especialista avalia que levará meses para que os danos ao ambiente macroeconômico sejam superados e os países retornem ao contexto pré-crise, além de ser impossível precisar quanto tempo isso levará. “Mas a superação deverá ocorrer, porque as bases da economia serão as mesmas que haviam antes do vírus. Assim, com otimismo, pode-se esperar um hiato recuperável”, declara Deák.

Consequências da variação

A Selic é um índice calculado pelo Banco Central do Brasil e é considerado a taxa básica de juros da economia. Ele se reflete diretamente nas taxas praticadas pelos bancos e, consequentemente, nos investimentos e nos empréstimos, inclusive nos financiamentos para obtenção de imóveis e mesmo para a construção civil. Umas das consequências da variação da taxa Selic é que ela define o direcionamento dos recursos de investimento e, em caso de aumento, ocorre consequentemente uma desaceleração da economia. Em caso de diminuição, ocorre a aceleração.

Os financiamentos imobiliários têm como indexadores mais usuais a Taxa Referencial (TR) e o Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA), que são afetados pela Selic. “Portanto, quanto mais baixa a Selic, mais recursos financeiros são encaminhados para o setor imobiliário e as taxas de financiamento e empréstimos também sofrem redução, aumentando a disponibilidade e a possibilidade de obtenção dos créditos. Assim, a Selic tem reflexo direto no nível de atividade do setor imobiliário, na medida em que taxas mais baixas trazem mais recursos ao setor e tendem a diminuir os custos de construção”, explica Bence.

Isto posto, a decisão de adquirir ou não um imóvel não pode ser tomada apenas com base na variação da Selic. O índice é apenas um dos fatores a ser considerado, mas não pode ser o único. Questões pessoais também devem ser levadas em consideração. A urgência, por exemplo. Para quem procura um imóvel para uso próprio, pode não querer ou mesmo poder esperar por uma definição mais clara do ramo. Imagine quem está se casando e precisa ter onde morar?

Por outro lado, alguns investidores poderão adiar as aquisições, esperando por uma eventual desvalorização do mercado imobiliário e uma aquisição mais vantajosa no futuro. “Mas quem decide postergar a compra de uma casa na expectativa de que ocorra uma queda nos preços, pode acabar, eventualmente, perdendo uma boa oportunidade de negócio.” As incorporadoras também devem manter o nível de atividade, porque seus planos de investimento e o período de maturação são a longo prazo e certamente elas estão apostando na plena recuperação do setor.

Fonte: https://imoveis.estadao.com.br/

Verônica Lima