Arquivo diários:15 de abril de 2020

Vila Prudente: bairro da zona leste é berço de imigrantes do leste europeu

Nos últimos anos, a região passou por um processo de desenvolvimento social e econômico

parque na Vila Prudente
Áreas verdes não faltam na Vila Prudente. Crédito: Nilani Goetems
 
 

A Vila Prudente ganhou esse nome em homenagem ao ex-presidente Prudente de Morais, que também foi o primeiro governador do Estado de São Paulo. O bairro se tornou abrigo de imigrantes do leste europeu (Rússia, Lituânia e Polônia) após a Segunda Guerra Mundial.

Pertinho da Mooca e do ABC, a região conta com boa infraestrutura, universidade, shopping center e uma extensa área verde. Nos últimos dez anos a região passou por um processo de desenvolvimento social e econômico. Uma das razões foi a melhoria no transporte público, com a implantação da estação Tamanduateí de trem (CPTM), Vila Prudente, Linha Verde do metrô, e Expresso Tiradentes, corredor elevado de ônibus.

Preço

A Vila Prudente é uma das áreas mais valorizadas da zona leste de São Paulo. O m² médio dos imóveis usados no bairro está em torno de R$ 3.100, segundo a Pesquisa de Mercado da Capital do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP).

Mobilidade

A área é atendida pela Linha 2-Verde do metrô com as estações Vila Prudente e Tamanduateí, e também pelas estações Vila Prudente e Oratório da Linha 15-Prata do monotrilho, que facilita o acesso à região da Avenida Paulista e zona norte. O corredor exclusivo de ônibus Expresso Tiradentes também passa pelo bairro.

Educação

A Vila Prudente conta com uma universidade, o campus da Uninove na Vila Prudente, a Escola Técnica Estadual José Rocha Mendes e o Senac Vila Prudente.

Além disso há escolas do ensino infantil ao médio, particulares e públicas. O Colégio Civitatis, o Colégio João XXIII, Colégio Novo Tempo, a Escola Agnus Dei, o Colégio Master, entre outros, oferecem ensino privado no bairro. Já as escolas públicas são: Professora Júlia Macedo Pantoja, Professor Joaquim do Marco, Professor Américo de Moura, Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof. Ruth Lopes Andrade, Escola Municipal de Ensino Infantil Aluísio de Azevedo e o Centro Educacional Unificado Vila Prudente.

Saúde

O Hospital Dia da Rede Hora Certa – Vila Prudente atende os moradores da região. Além dele, estão presentes a Unidade Básica de Saúde Vila Alpina – Dr. Herminio Moreira, a UBS Vila Prudente, a AMA/UBS Integrada Vila Califórnia, o Centro de Apoio Psicossocial Adulto e o Infantojuvenil, o Centro Especializado em Reabilitação Vila Prudente e o Centro de Convivência, o Hospital Estadual Vila Alpina e Cooperativa Vila Prudente.

Lazer

Os 60 mil m² de área verde do Parque Ecológico Vila Prudente (Rua João Pedro Lecor, s/n), também conhecido por parque Lydia Natalizio Diogo, é a principal opção de lazer do distrito. O local é ideal para a prática de esportes, com a pista de caminhada e de cooper. O parque também conta com um parque infantil e um jardim japonês, além de oferecer minicursos de jardinagem, aulas de dança, feiras de trocas de livros e um lago com carpas.

O Clube Arthur Friedenreich, ou Clube da Cidade-Vila Alpina, é uma outra opção para quem não quer ficar em casa. O espaço promove diversas atividades gratuitas, como alongamento, hidroginástica, tênis, etc. Os campos de futebol, a área verde, as quadras poliesportivas, salas de ginásticas e as três piscinas são atrativos durante as férias e o verão.

Para quem não é amante de atividades ao ar livre, o bairro oferece o Central Plaza Shopping, com pistas de boliche e cinema. O shopping foi construído no terreno da antiga fábrica de caminhões da Ford. A diversão noturna do bairro é garantida pela Stone Music Bar, um lugar moderno com música ao vivo, drinks e comidas variadas. A casa noturna Invictus recebe shows ao vivo de duplas sertanejas e festas.

Gastronomia

A descendência soviética do bairro garante a diversidade gastronômica. Os imigrantes que povoaram as redondezas trouxeram com eles as tradições, comidas e danças típicas. Na Rotisserie Quarena (Rua Monsenhor Pio Ragazinkas, 29), por exemplo, você pode provar o licor de mel lituano.

Pra quem precisa fazer uma refeição rápida ou comer um lanche, o Garage Burger é o lugar. Com a decoração inspirada em automobilismo, o local serve hambúrgueres, milk shakes e sobremesas.

A padaria Cepam é um dos patrimônios do bairro, aberta desde 1968. O cardápio de pães, lanches, doces, pizzas e pratos é bastante conhecido na cidade. O nome da padaria veio do Colégio Estadual Professor Américo de Moura (Cepam), onde os quatro sócios estudaram juntos.

Fonte: https://imoveis.estadao.com.br/

Coronavírus e a Câmara: uma aula de economia brasileira

Brasil continua insistindo em um modelo econômico que agoniza *

O Brasil, país com forte desigualdade social, vem há 50 anos tentando resolver o problema via aumento dos gastos públicos. A maior parte é desperdiçada em desvios, políticas econômicas ineficientes e manutenção de uma máquina estatal que privilegia uma elite burocrática. Apenas pequena parcela chega de fato aos mais vulneráveis como o Bolsa Família e a renda mínima aos maiores de 65 anos (BPC).

As alternativas para cobrir esses gastos são cada vez mais limitadas. Os dois últimos governos têm tentado conter o déficit público. Essa estratégia cria desafetos: a classe política e os que se beneficiam da antiga estrutura. Para esses, a crise desencadeada pelo coronavírus veio bem a calhar.

A equação da restrição orçamentária do governo indica as opções para o financiamento dos gastos públicos. Embora pareça complicada, a equação é intuitiva:

g = t + b’ – (r – n)b + (π +n)m + m’, onde

g são os gastos do governo; t, a arrecadação tributária; b’, a emissão líquida de títulos públicos; r, a taxa de juros reais (juros nominais menos inflação); n, a taxa de crescimento real do PIB; b, o estoque de títulos públicos; π, a inflação; m, o estoque de moeda na economia e m’, a emissão de moeda

O financiamento dos gastos (lado direito da equação) pode ser feito de três formas: tributos (t), endividamento (b´), inflação (π) e crescimento (n). Entre o fim da década de 60 e início dos anos 90, o governo se financiou primordialmente com inflação. As despesas públicas eram corroídas mais do que a receita tributátia com a perda do valor da moeda. A espiral inflacionária corroía o poder de compra da população, especialmente a de baixa renda e desestruturava o sistema produtivo. Debelar a inflação foi o principal tema da eleição de 1989. A sociedade mostrava-se cansada.

O Plano Real foi eficaz em reduzi-la, mas criou um problema: como continuar financiando o aumento dos gastos públicos imposto pela Constituição de 1988? A solução foi elevar os tributos (t). Essa estratégia começou no governo FHC e continuou no do PT. A sociedade mais uma vez ficou desconfortável. Em 2007, apesar da forte popularidade do Presidente Lula e do apoio parlamentar regado a mensalão, o Senado derrubou a CPMF, tributo calculado sobre as transações bancárias. Outra forma de financiamento atingia seu limite.

A busca por popularidade fez com que os gastos continuassem crescendo, só restando ao governo Dilma utilizar a última alternativa “fácil” para se financiar: o endividamento. O aumento da dívida ocorria com a transferência de recursos do Tesouro para os bancos públicos a fim de financiar projetos subsidiados como o “Minha Casa Minha vida” e o PSI (programa de sustentação de investimentos). O endividamento atingiu níveis elevados para um país emergente, superior a 70% do PIB. A inflação começou novamente a se manifestar e o governo buscou controlá-la da pior maneira: intervindo no preço dos combustíveis e no da energia elétrica, desestruturando esses setores e elevando o endividamento das estatais Petrobras e Eletrobras.

Com a recessão provocada pelo governo Dilma, Michel Temer buscou fazer diferente: controlar o déficit público de forma sustentada via emenda constitucional, algo que não ocorria desde o Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG) do início do governo militar. Jair Bolsonaro seguiu o mesmo caminho com a aprovação da Reforma da Previdência, a redução da atuação dos bancos públicos e a discussão de reformas estruturais como a tributária e a administrativa. Os juros se reduziram o que é positivo para a atividade econômica.

Mas a pandemia do covid-19 interrompeu essa trajetória. A atuação do Estado para auxiliar os autônomos e às empresas de menor porte para sustentação do emprego se fez necessária. Esse aumento do endividamento é justo, mas deve ser temporário.

Contudo, a Câmara dos Deputados aproveitou a oportunidade para resolver o problema estrutural dos Estados e Municípios com a aprovação de uma proposta de recomposição das perdas do ICMS e ISS derivada da crise do coronavírus e a suspensão dos pagamentos ao BNDES e Caixa até o fim do ano. Esse auxílio ocorre sem qualquer contraprestação dos entes federativos como corte ou congelamento dos salários dos funcionários públicos ou um programa de venda de empresas públicas. Mais uma vez, a crise passa ao largo do setor público, sendo absorvida exclusivamente pelo setor privado com desemprego e quebra de empresas.

Após décadas de elevação dos gastos, a realidade bate à porta. As três opções de financiamento adotadas até agora se exauriram. Resta a forma mais eficiente: o crescimento econômico. O déficit público precisa ser contido. A Nova Previdência foi fundamental, mas a reforma do Estado precisa prosseguir com a eliminação dos gastos supérfluos. Essa nova estratégia será vitoriosa? Não sei. Mas tampouco será a adotada há 50 anos que não melhorou a educação, a segurança pública e prejudicou o crescimento econômico, mantendo o país desigual e beneficiando uma pequena casta.

A elevação do PIB, que contribuirá para financiar os gastos públicos aos realmente necessitados e gerar empregos, não ocorrerá com as finanças públicas em frangalhos. Política social sem crescimento não é sustentável. Quase 50 anos não foram suficientes para ensinar?

* Publicado originalmente na edição impressa do Valor Econômico de 15/04/20

Fonte: https://valorinveste.globo.com/