Arquivo diários:22 de abril de 2020

Por 1,2 milhão de empregos, Caixa socorre construtoras

Principal financiador do mercado imobiliário brasileiro estimula que canteiros de obras se mantenham ativos

Caixa pode estender os benefícios por mais tempo ou anunciar novas medidas. Crédito: Caixa Notícias

Caixa pode estender os benefícios por mais tempo ou anunciar novas medidas. Crédito: Caixa Notícias

 

Entrou em vigor no dia 13 de abril o pacote de socorro da Caixa Econômica Federal às construtoras, e que chega a 43 bilhões de reais. Em troca, as empresas terão que preservar 1,2 milhão de empregos. Entre as medidas, está a carência de 90 dias para contratos de obras. Aos canteiros que se mantiverem ativos sem atraso no cronograma, o banco antecipará até 3 meses dos recursos contratados – limitado a 10% do custo financiado. Exemplo: se a construtora contratou 1 milhão de reais e acordou com a Caixa que o cronograma de execução será em 30 meses, ela terá direito à antecipação de 100 mil reais, em vez do repasse mensal de 33,3 mil.

Outra decisão permite a prorrogação de carência por até 180 dias, para os projetos com obras concluídas e em fase de amortização. Nos casos de contingências na execução, por questões decorrentes da pandemia de COVID-19, a Caixa admitirá a reformulação do cronograma da obra. Na hipótese de a obra ainda não ter começado, também haverá a possibilidade de prorrogar o início por até 180 dias em caso de risco de contágio dos trabalhadores. A construtora ainda poderá antecipar 20% dos recursos contratados. “As medidas estão atreladas ao compromisso de não demitir”, avisa o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

Pessoas físicas também foram incluídas no pacote de ajuda ao setor imobiliário

Pessoas físicas também foram incluídas no mais recente pacote de ajuda ao setor imobiliário, lançado pela Caixa. Foi concedida pausa de 90 dias no pagamento das prestações da casa própria, para clientes adimplentes ou com até duas parcelas em atraso. Já para quem usa o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagar parte das parcelas do financiamento será concedida uma pausa de 90 dias no pagamento da parte não coberta pelo FGTS dentro da prestação. Caso o cliente queira continuar adimplente (pagando em dia), ele poderá pedir redução no valor da prestação no período de 90 dias. 

A Caixa avisa que, caso a crise se agrave, poderá estender os benefícios por mais tempo ou anunciar novas medidas. “Isso nunca aconteceu e a Caixa mostra alinhamento com o momento de crise que o país enfrenta. Parte da nossa base de clientes é de pessoas com menor renda. Por isso, todas as medidas que estamos anunciando valem para todos os clientes em todas as linhas de renda, incluindo pessoas jurídicas. Nossa preocupação é com a manutenção de empregos, com os empréstimos e com o programa habitacional. A Caixa vai agir e reagir à crise”, reafirma Pedro Guimarães.

Veja resumo das medidas anunciadas pela Caixa
Pessoa física

– Carência de 180 dias para quem desejar comprar imóvel enquadrado no Minha Casa Minha Vida.
– Pausa de 90 dias no pagamento das prestações da casa própria, independentemente do padrão do imóvel, mas desde que esteja financiado pela Caixa.
– Para quem quiser continuar pagando em dia as prestações, existe a possibilidade de fazer o pagamento parcial das parcelas no período de 90 dias.
– Vistoria facilitada nas obras dos clientes da Caixa que optaram pela autoconstrução da casa própria.

Construtoras

– Prazo de carência de 180 dias para início das obras e para iniciar a amortização da dívida das obras concluídas.
– Antecipação do financiamento pessoa jurídica em valor equivalente a até 3 meses do cronograma de obra a executar.
– Liberação de recursos de financiamentos não utilizados anteriormente.
– Prorrogação do cronograma físico-financeiro das obras.
– Pagamento parcial dos encargos por 90 dias.
– Antecipação de até 20% do financiamento em novos empreendimentos.

Serviço
Para mais informações, a Caixa recomenda a utilização dos canais digitais, como internet banking e App Habitação Caixa, além dos telefones 3004-1105 e 0800 726 0505, opção 7, ou  o número 0800 726 8068 para renegociação de contrato.

Entrevistado
Caixa Econômica Federal (via assessoria de imprensa)

Contato
imprensa@caixa.gov.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Fonte: https://www.cimentoitambe.com.br/

Vale a pena adiar o pagamento de dívida durante a crise?

Dinheiro, empréstimo (Foto: anyaberkut // Getty Images)

Vale a pena atrasar a parcela de empréstimo durante a crise?  (Foto: anyaberkut // Getty Images)

Toda medida que vai ao encontro de dar um alívio no orçamento doméstico é bem-vinda. A possibilidade do adiamento do pagamento de dívidas, a ser negociado com os bancos, só deveria ser considerada se não houvesse acréscimo de juros e depois de esgotadas outras alternativas. É bom comentar também que nem toda dívida é ruim, mas deve-se evitar fazer dívida para financiar o consumo como gastos com alimentação. Na necessidade de se fazer uma dívida, deve-se priorizar aquelas que constroem patrimônio como, por exemplo, o financiamento de um imóvel.

Em qualquer cenário de incerteza precisamos ter recursos financeiros disponíveis, chamamos de liquidez, para fazer frente às nossas despesas. Temos uma crise econômica global desencadeada pela necessidade eminente de combate ao coronavírus e sem a certeza de quando terminará. E sabemos que nem todo mundo tem reservas financeiras suficientes para sustentar este momento de redução ou perda da renda do trabalho.

Dentre as várias medidas extraordinárias disponibilizadas para ajudar as famílias na organização de suas finanças pessoais para atravessar esta crise temporária, está a possibilidade de adiar o pagamento das parcelas de dívidas por 60 dias. Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) qualquer dívida pode ser pausada exceto as dívidas do cheque especial e do cartão de crédito que têm regras específicas de renegociação de pagamento. É condição necessária estar adimplente, ou seja, é preciso estar em dia com o pagamento das prestações.

Não há um padrão de tratativas entre os bancos para o adiamento de dívidas. Ao ligar para pedir a pausa de pagamento das prestações, verifique as condições oferecidas. Há bancos que estão fazendo a renegociação do contrato e ajustando as parcelas com juros. Os juros do crédito no Brasil são muito elevados e devem ser evitados. Se o adiamento das parcelas incorrer em pagamento de juros, esta decisão deverá ser a última opção.

Antes de assumir como necessária a postergação do pagamento de seus empréstimos, comece fazendo um levantamento de todas as suas despesas atuais. Primeiramente verifique que mudanças você pode fazer em seu padrão de gastos para otimizar seu orçamento doméstico. O isolamento social altera o nosso fluxo de caixa. Se por um lado podemos reduzir custos com transportes, por outro lado pode haver aumento de gastos com moradia. Além disto, com o uso mais intensivo da Internet, podemos também encontrar alternativas de geração de renda adicional. Portanto o primeiro passo é colocar as receitas e as despesas na ponta do lápis!

Depois verifique se os juros de suas dívidas atuais podem ser reduzidos. Juros de um empréstimo bancário e do crédito consignado, por exemplo, são bem menores que os juros pagos no cartão de crédito e no cheque especial. Você pode fazer trocas de dívidas mais caras por dívidas mais baratas. Há também a opção de portabilidade de um financiamento imobiliário para reduzir o valor da prestação. 

Por último, se depois de tomadas todas as medidas de racionalização, ainda assim o saldo do fluxo de caixa não estiver positivo, faça uso da reserva financeira para complementar seu orçamento caso a tenha. Mesmo que ao final o adiamento das dívidas seja uma medida necessária, seguir os passos da racionalização e fazer o planejamento financeiro são inevitáveis para identificar soluções ao paliativo de 60 dias. Racionalizar significa fazer uso racional dos recursos financeiros disponíveis para equilibrar receitas e despesas e manter a sustentabilidade de um padrão de vida desejável.

Muitos de nós estamos consertando o telhado de nossas finanças pessoais durante uma tempestade que nos pegou de surpresa. Em algum momento a chuva diminuirá. Talvez a força do impacto desta tempestade resultasse mesmo em alguma medida corretiva adicional como postergar o pagamento de uma dívida para liberar mais dinheiro no orçamento agora. Mas daqui para frente é sempre bom lembrar de fazer uso preventivo do planejamento financeiro para reparar o telhado enquanto o sol estiver brilhando.

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/

*Carlos Castro é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: carlos.castro@superrico.com.br