O futuro da inteligência artificial e as empresas que a adotaram.

“A inteligência artificial pode antecipar os desejos dos clientes e solucionar os problemas antes que eles surjam”, afirmou especialista.

Loja do Walmart no Brasil: nos EUA, o Google Home permite fazer compras na varejista apenas com a voz (Germano Luders/Revista EXAME)

As novas tecnologias surgem em ondas cada vez mais rápidas e as empresas que não se adaptam correm o risco de ficar para trás. Um exemplo é a inteligência artificial.

A tecnologia imita a capacidade humana de resolver problemas, de acordo com Eva Farah, expert da consultoria WGSN. A partir da inserção de dados, a ferramenta sugere decisões e também pode aprender com o tempo.

As possibilidades de aplicação são inúmeras, diz a especialista. Pode aumentar a eficiência operacional, atuar na gestão de estoque, logística, segurança da informação e otimização de custos. Já externamente pode oferecer uma experiência melhor de consumo e de atendimento aos clientes.

“A inteligência artificial pode antecipar os desejos dos clientes e solucionar os problemas antes que eles surjam”, afirmou.

Veja abaixo algumas empresas que já implementaram a tecnologia em seus negócios.

Assistentes virtuais

Pode parecer coisa de filme, como 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas conversas com assistentes virtuais já são realidade, como a Alexa, da Amazon, a Cortana da Microsoft e o Google Home.

De acordo com Farah, 30% das pesquisas feitas pela internet serão realizadas por voz até 2020, sem o auxílio de telas, o que deve mudar a forma como pessoas fazem compras.

Um exemplo é a inclusão da Cortana, assistente pessoal da Microsoft, em carros da Nissan. O consumidor pode acessar mapas, trânsito, agenda e outras informações importantes através de seu computador de bordo.

Compras por um robô

Entre as empresas que já usam a inteligência artificial para vender, está o Walmart, integrado ao Google Home nos Estados Unidos. O assistente permite fazer compras apenas com a voz.

Com acesso ao histórico de compras, não é preciso indicar a marca ou modelo preferido, é só dizer “Google, compre uma margarina”, por exemplo.

Facilitar processos

Comprar uma casa ou apartamento não é fácil. Encontrar o imóvel ideal, conseguir o financiamento imobiliário e acompanhar a obra são tarefas árduas.

A Cyrela está se unindo a startups para tornar pelo menos alguns desses processos menos estressantes. Para facilitar a contratação de um financiamento, por exemplo, ela firmou uma parceria com a Homelend, startup de inteligência artificial.

Ao invés de passar em diversos bancos para aprovar a contratação de empréstimo, a tecnologia analisa o perfil do cliente a partir do histórico de aprovação e indica ele para a instituição na qual ele tem mais chances de conseguir aprovar o empréstimo.

“Esse processo era feito por tentativa e erro. Mandávamos o cliente para um banco, depois para outro… no terceiro ou quarto, o cliente já não tem mais a esperança de aprovar o crédito e comprar aquele apartamento”, diz Juliano Bello, diretor administrativo da Cyrela. De cerca de 30 dias no formato anterior, hoje os clientes levam de 4 a 5 dias para aprovarem o crédito.

Atendimento a clientes

Atendimento aos clientes é uma área que, cada vez mais, conta com a ajuda da inteligência artificial.

A Cyrela incluiu a tecnologia de chatbot em seu site, desenvolvido pela startup Neurologic. Hoje, mais de 1.500 clientes são atendidos pelo canal, que resolve 70% dos problemas no primeiro atendimento – pelo call center, essa porcentagem é de 75%, muito similar.

De acordo com o diretor da Cyrela, em muitos casos, o atendimento por um robô é até mais eficiente do que o feito por um ser humano. “As pessoas preferem renegociar uma dívida com o robô, pois muitas vezes ficam envergonhadas de falar sobre isso com o atendente”, disse Bello.

O Bradesco também usa a tecnologia para melhorar o atendimento a clientes. A tecnologia vem sendo usada há cerca de um ano e se chama BIA (Bradesco Inteligência Artificial). O objetivo é dar autonomia aos seus clientes e, ao mesmo tempo, trazer maior eficiência ao banco ao desafogar canais de atendimento.

Nas lojas

Mesmo em lojas físicas, com mais contato humano, robôs são usados para vender mais e melhor.

Na Lowe’s, rede de materiais de construção dos Estados Unidos, um robô recepciona os clientes e dá indicações da localização de cada produto. Também fiscalizam os corredores para verificar se os itens estão no local correto e ajudam os vendedores a realizar o inventário da loja. Por enquanto, 11 unidades na região do Vale do Silício já contam com os assistentes.

Na Macy’s, os consumidores podem pedir orientações sobre produtos ou departamentos na loja americana através de um aplicativo. A partir do tom de voz usado, a loja identifica se a pessoa está satisfeita ou insegura com a compra e envia um vendedor pessoalmente para auxiliar o consumidor. A tecnologia foi criada em parceria com o Watson, supercomputador da IBM.

Fonte: exame.abril.com.br

Por Karin Salomão