Caça ao terreno pressiona o preço de áreas em SP.

 
Desde o final de 2017, a procura por terrenos aumentou, afirma o diretor geral da Tegra São Paulo, Thiago Castro. Para ele, isso é indicador de uma retomada do mercado imobiliário, com as empresas pensando mais na frente com base no crescimento. “Já noto encarecimento”, diz. “Perdemos um negócio porque outra empresa pagou um valor acima do que havíamos negociado com o dono.”
 
Para 2018, a Tegra tem previsão de VGV potencial de R$ 2,3 bilhões com seu banco de terrenos, sendo R$ 2 bilhões em São Paulo. “Vamos ter R$ 250 milhões, verba já aprovada pelos acionistas, para compra de terrenos”, diz. “Em 2017, foram investidos R$ 140 milhões, com VGV de R$ 1,5 bilhão.”
 
A Tegra formou um banco de terrenos em bairros nobres, para um perfil de produtos de alto padrão e também de luxo, como é o caso do Curitiba 381 Ibirapuera. Em construção na Rua Curitiba, nº 381, em terreno de 2 mil m², o empreendimento de apenas 15 unidades, de frente para o Parque Ibirapuera, foi lançado no ano passado. O tipo padrão tem 332 m² e a cobertura, 715 m². Com preço médio de R$ 10,6 milhões, segundo a Embraesp, foi o segundo lançamento mais caro de São Paulo em 2017 – atrás somente do Heritage, da Cyrela. “Foram vendidas oito unidades do Curitiba 381”, diz Castro.
 
O sócio diretor da Plano & Plano, Rodrigo Luna, concorda que a perspectiva de um novo ciclo de crescimento é uma razão para o aumento da procura de terrenos. Mas, na sua opinião, está desequilibrada. “Nas áreas destinadas ao médio padrão, a redução dos gabaritos de altura e o baixo coeficiente de aproveitamento dificultam a recuperação desse mercado, que está ainda estagnado”, diz.
 
Para ele, os negócios estão concentrados em uma duas pontas do mercado: o segmento de classes altas em terrenos “excepcionalmente localizados e muito valorizados”, como os eixos das grandes avenidas, como por exemplo a Avenida Rebouças, e nas áreas para o programa Minha Casa Minha Vida.
 
“Outro produto em alta são os terrenos próximos às estações de metrô e trem e dos corredores de ônibus”, declara.
 
A Plano & Plano, segundo Luna, dobrou o investimento na compra de terrenos em São Paulo no ano passado. Agora, o landbank tem VGV potencial de R$ 4,5 bilhões para os próximos três anos.
 
Os preços dos terrenos para habitação social estão relacionados à disponibilidade de infraestrutura, redes de abastecimento de água, redes de coleta e tratamento de esgoto, explica a diretora de operações da Tenda, Daniela Ferrari. No primeiro trimestre do ano, a ampliação do landbank foi para R$ 6,9 bilhões com uma aquisição no volume de R$ 443 milhões. Ela não diz quanto se refere a São Paulo. Todos os projetos serão viabilizados dentro do programa Minha Casa Minha Vida.
 
Terrenos bem localizados como o do Grand Reserva Paulista, em Pirituba, zona norte de São Paulo, são cada vez mais raros, afirma o diretor comercial de vendas da MRV em São Paulo, Sérgio Paulo dos Anjos. Na avaliação da MRV, os mercados já mostram uma competição maior em determinadas praças, mas o momento ainda está propício para a compra. O landbank da empresa saltou de R$ 41 bilhões em 2016 para R$ 46 bilhões em 2017 com potencial de construção de 305 mil unidades. “Procuramos espaços bem localizados, próximos a centros comerciais e de serviços, abastecidos por transporte público.”
 
“Com certeza, há aumento na procura por terrenos”, afirma o diretor de negócios da Cury Construtora, Leonardo Mesquita. Ele também acredita que as empresas estão se preparando para atuar em novo ciclo, “se as condições macroeconômicas deixarem”. O banco de terrenos da Cury tem um VGV potencial de R$ 2,2 bilhões.
 
No final do ano passado, a Cyrela adquiriu cinco terrenos, sendo três em São Paulo. “Com a retomada da economia e juros mais baixos, pequenos incorporadores voltaram ao mercado”, diz o co-presidente da Cyrela, Efraim Horn. O estoque de terrenos da empresa fechou 2017 com 13 milhões de m² de área útil comercializável, sinalizando um potencial de vendas total de R$ 45 bilhões.