Tecnologia como obrigação: quem não inova, fica fora do jogo

A transformação digital já faz parte do cotidiano das pessoas e não poderia ser diferente no mundo dos negócios. Porém, muitos empreendedores acreditam que tecnologia é só para quem entende, e acaba ficando para trás. Durante sua participação no Vtex Day, na última sexta-feira (31), o economista e consultor Ricardo Amorim afirmou que todos podem se beneficiar da tecnologia, desde que saibam se inovar. “Se as pessoas não arriscam, elas não inovam, são engolidas pelo concorrente e ficam fora do jogo”, decreta.

Ricardo Amorim durante o Vtex Day/ Dinalva Fernandes (E-commerce Brasil)

No mundo digital, o crescimento é mais rápido e as margens de lucro são maiores, como podemos perceber pela valorização de empresas como Google, Apple, Amazon e Facebook, mas a transformação digital é para todo mundo, afirma o economista. “A separação entre tecnologia e negócios acabou. Precisamos experimentar mais, ver o que funciona e, cada vez mais isso se torna uma obrigação. Ninguém é especialista em tudo, mas tem que saber o mínimo de como funciona”.

A razão do negócio

Para Amorim, o cliente é a razão de ser de qualquer negócio, e isso nunca vai mudar, mas, com a tecnologia de dados, passamos a conhecer cada vez mais as necessidades do cliente, pois cada um é único. “Mas ainda hoje tratamos as pessoas como massa, e esse processo de linha de montagem faz cada vez menos sentido”.

No entanto, o marketing está transformando o cliente no centro das atenções, segundo o consultor. “Eu fiquei hospedado em um hotel em João Pessoa, e levei um susto quando vi fotos minhas do lado da cama. Eles se deram ao trabalho de entrar na internet, imprimir as imagens e colocar no quarto. Me senti tratado de forma especial, pois me impactaram de forma diferente. Assim, eles me transformaram em um instrumento de marketing deles, pois é claro que comentei nas minhas redes sociais. O hotel usou as informações disponíveis no meios digitais e dá para fazer isso em qualquer negócio”.

As paletas mexicanas

De acordo com Amorim, estamos vivendo na era de maior geração de oportunidades que a humanidade já viu, e estamos no coração deste processo por dois motivos: o primeiro é a tecnologia, e o segundo é que estamos no Brasil. “De cada US$ 4 gerados [no mundo] US$ 3 são de países em desenvolvimento. Ou seja, estamos na hora certa e no lugar certo. É por isso que a oportunidade é tão grande. Porém, falta ambição no Brasil. A gente pensa pequeno porque acha que não dá para pensar grande. Em parte isso acontece porque é difícil fazer negócio no Brasil, mas também porque inovamos pouco”.

“Um dia, alguém pensou em encher um picolé com leite condensado e vender bem mais caro que um picolé comum. Quatro anos depois, já eram 1.200 redes de paletas mexicanas no Brasil. Aí você vê que até seu vizinho ficando rico com as paletas, decidi abrir uma paleteria e quebra. Sabe o que deu errado? Não foram as paletas, mas o momento. As pessoas investem quando dá certo, mas tudo que vai dar certo já deu certo. O que é o oportunidade para os primeiros é fria para os demais”.

Crescimento no mundo digital

O economista também defende que a quantidade de empregos gerados pela nova tecnologia é maior. “Quando lançaram o carro, quem cuidava da charrete ficou desempregado, mas a indústria automobilística gerou mais empregos. Nós não sabemos quais empregos serão gerados. Uma recente pesquisa mostrou que duas a cada três crianças que entraram na escola neste ano, vão trabalhar em profissões que ainda não existem quando se formarem. Se você perguntar o que a molecada quer ser, eles vão responder “youtuber”. Motorista de Uber e operador de drone, por exemplos, não existiam dez anos atrás e devem acabar em pouco tempo”.

E, para fechar, quatro dicas diretas do especialista:

  • Ter bom modelo de negócios
  • Inovar sempre
  • Não basta ter boas ideias, tem que executar
  • Não basta só fazer o certo, mas na hora certa. E a hora certa é agora!

Fonte: https://www.ecommercebrasil.com.br/

Por Dinalva Fernandes, da redação do E-Commerce Brasil