Inovação e novas tecnologias na indústria da construção

É preciso incentivar a inovação dentro do setor, facilitando a integração entre os profissionais envolvidos Créditos: Shutterstock

Máquinas e robôs podem ser utilizados em funções que ofereçam riscos aos funcionários

Por Carla Rocha

Enquanto a Indústria 3.0 é mais focada na automação de máquinas e processos, a Indústria 4.0 está centralizada na digitalização de ponta a ponta em todos os ativos físicos e integração dos ecossistemas digitais em todos os vetores da cadeia da construção. Entre os recursos que trouxeram a revolução para um setor tão tradicional, estão a geolocalização e as pesquisas em alta definição, que servem para evitar diferenças entre a realidade do solo e o projeto. Além das máquinas automatizadas e robôs, que também podem ser utilizados em funções que ofereçam riscos aos funcionários e são programados para capturar dados que serão analisados e utilizados posteriormente para a melhoria de processos.

De acordo com Francisco Vasconcelos, diretor de mercado imobiliário do SindusCon-SP, o que se observa é que as construtechs têm atuado muito mais nas relações onde a empresa tem contato direto com o cliente do que na operação da construtora. “Na hora que você vai ver o processo produtivo, existem algumas coisas no sentido de controle de mão de obra e na relação da obra e do controle gerencial, mas no processo de produção em si, o uso das tecnologias ainda é bastante tímido”, aponta o diretor. Ainda de acordo com ele, o avanço maior das construtechs está muito mais ligado ao real state, ou seja, a relação da incorporadora com o seu cliente e toda a interface entre quem está vendendo o imóvel e o seu consumidor.

Porém as novas tecnologias têm um potencial imenso para melhorar os processos no canteiro de obras e os projetos das incorporadoras. “O BIM, por exemplo, é uma ferramenta fantástica que possui uma gama enorme de possibilidades e melhorias de processos, juntamente ao uso do Big Data, que começa a ser uma realidade na maioria das indústrias devido à queda dos custos”, destaca. A tecnologia pode ser utilizada em funções que ofereçam riscos aos trabalhadores, captura de imagens, transporte de objetos, topografia, estudos volumétricos e levantamento de áreas, que já começam a se tornar atividades facilmente substituídas pelo uso de drones.

Para André Medina, gerente de inovação da Andrade Gutierrez, a Indústria 4.0 não será apenas um diferencial no mercado de Engenharia e Construção, mas o que definirá as empresas que continuarão no mercado. “No Brasil, ainda estamos iniciando, mas já vemos uma tendência clara de crescimento das iniciativas do setor em relação à inovação”, afirma. Ainda de acordo com o especialista em inovação, são poucas startups atendendo ao mercado da construção e infraestrutura – que ainda se limitam a softwares e aplicativos para a melhoria de processos. “Existem poucas soluções reais de engenharia que alteram a forma de construir com novos materiais ou novas tecnologias de construção”. Por isso é preciso incentivar a inovação dentro do setor por meio da atualização para facilitar a integração entre os profissionais envolvidos, fazendo com que eles aprendam a lidar com o ambiente digital e, assim, criar novas soluções para demandas mais específicas dessa área.  

Algumas startups da construção ou construtechs, como são conhecidas, já possibilitam a gestão colaborativa de projetos e a comunicação integradaentre os envolvidos, e outras utilizam a tecnologia da Indústria 4.0 para otimizar processos e serviços:  

Gestão de obra

Além de gerenciar orçamentos, alguns aplicativos, como o Construon, são utilizados para acompanhar clientes, materiais e até as finanças da empresa. O sistema on-line é indicado para a gestão de empresas e obras.

Compra de insumos e materiais

O app Orça Aqui aperfeiçoa todo o processo de compra de insumos da construção civil, desde a cotação de materiais até a análise de compras das construtoras.

Uso de drones

Maply é uma construtech que possui drones que utilizam a plataforma cloud, permitindo geração de mapas e modelos de alta precisão por meio do processamento das imagens coletadas.

Gestão de estoques e resíduos

O VG Resíduos é um app onde é possível acompanhar a gestão de resíduos em obra, gera relatórios ambientais e ainda possibilita a venda desses materiais para reaproveitamento.

Gestão de projetos

O ConstruCode é um software de gestão de projetos de construção
que converte suas plantas em etiquetas, acessíveis por celulares e tablets.

Para Francisco, toda mudança e evolução industrial e tecnológica é positiva, mas é sempre uma questão dúbia. “Você tem uma série de coisas extremamente positivas e uma série de coisas negativas, e o trabalho é para maximizar cada vez mais os efeitos positivos e minimizar os negativos”, complementa.

Para que todas essas soluções sejam utilizadas de maneira que possam auxiliar no desenvolvimento do mercado da construção civil, é preciso capacitar todos os profissionais envolvidos no projeto. “Sou bem positivo quanto ao futuro da construção, acredito que as startups e inovações virão mudar todo o cenário do setor e, assim, teremos obras mais rápidas, mais seguras, mais sustentáveis e com menores custos” prevê Medina.

Fonte: www.mapadaobra.com.br