Carro elétrico influencia novas construções em São Paulo

Cresce número de lançamentos de prédios com tomadas para abastecimento de carros elétricos; foco é público de alto padrão, mas há prédios de médio padrão com a tecnologia

Ainda que com baixa representatividade no Brasil, o mercado dos carros elétricos e híbridos crescem como alternativa aos veículos movidos a combustíveis fósseis e puxam mudanças em outros setores. Em São Paulo, construtoras e incorporadoras se preparam para um volume cada vez maior desses veículos nas ruas e lançam empreendimentos principalmente de alto padrão com vagas específicas para o carregamento deles, caso de Mitre, Benx, Nortis, Eztec, Vitacon, Cyrela e Tegra.

O volume de vendas de elétricos e híbridos no Brasil de janeiro a agosto deste ano foi de apenas 0,2% das vendas totais de automóveis no período. Apesar da baixa participação no mercado, o volume vem crescendo – até agosto, foram 4.172 veículos desses tipos, ante 3.970 unidades em 2018.

A demanda é puxada por um público de classe alta, já que o carro elétrico mais barato no Brasil custa em torno de R$ 120 mil, três vezes o preço de um carro popular. Por isso, bairros como Jardins, Itaim Bibi, Pinheiros e Perdizes, na zona oeste da capital paulista, concentram a maior parte dos lançamentos.

Ainda assim, a aposta da Mitre é tão grande que todos os empreendimentos lançados desde o ano passado já contêm tomadas para carros híbridos e elétricos, independentemente do público-alvo, com metros quadrados que vão de R$ 6,7 mil (Vila Guilhermina, zona leste) a R$ 12 mil (Vila Mariana, zona sul).

Projeção digital de garagem do prédio Siga, da Nortis, em Moema. Foto: Projeção digital

A linha Haus Mitre já conta com três empreendimentos em fase de construção – Butantã, Brooklin e Vila Mariana – e outros dois que ainda serão lançados em novembro – Pinheiros e Alto Butantã.

A quantidade de lançamentos com esse serviço reflete uma tendência sustentável, na opinião da diretora de produto e licenciamento da Mitre, Juliana Monteiro Gamba. “A ideia é lançar empreendimentos para atender um público cada vez mais consciente do seu papel na sociedade e busca alternativas sustentáveis. Independentemente do perfil do consumidor, entendemos que em um futuro próximo essa tecnologia estará mais acessível.”

O fundador e CEO da Vitacon, Alexandre Frankel, concorda com a necessidade de atualização do mercado. “Entendemos que é um dever nosso antecipar as tendências e deixar os prédios mais preparados para novos hábitos de consumo.”

Na Vitacon, o primeiro empreendimento lançado com vagas para carros elétricos foi o Affinity, ainda em 2010. Desde 2012, prédios com esse serviço começaram a ser mais frequentes na construtora, com pelo menos um lançamento por ano. Em 2018, foram nove, e a expectativa é que todos os próximos lançamentos já trarão o serviço, focado no público de alto padrão. Cinco seguem em construção: dois em Pinheiros, dois nos Jardins e um na Consolação.

Na Nortis, o segmento voltado para o público de alto padrão com arquitetura autoral se desenvolve há um ano e meio. Até agora, são quatro empreendimentos com tomada para carro elétrico, em bairros como Moema e Vila Madalena.

Quem paga a conta da energia?

Para quem já tem um carro elétrico ou híbrido e para quem ainda pensa em comprar, as tomadas nos prédios são um grande atrativo. Mas uma dúvida é como o condomínio dividirá o custo da energia, já que os moradores sem carros do tipo podem se sentir lesados ao pagar por algo que não usaram.

A opção mais comum é o rateio do consumo de forma igualitária por meio da taxa de condomínio, como será feito nos prédios da Vitacon e da Mitre. Frankel, da Vitacon, reconhece que essa forma de cobrança pode gerar incômodo, mas acredita que o serviço deve ser encarado como mais uma área comum do prédio.

Projeção digital de lançamento residencial da Tegra. Foto: Projeção digital

“Da mesma forma que há moradores que usam muito a piscina ou a academia, também há outros que nunca vão utilizar. Mas isso é temporário (nos prédios da Vitacon). Futuramente, será possível direcionar a tarifa para cada usuário”, diz ele.

Já a Benx antecipou esse problema e vai lançar os empreendimentos com um tipo de tecnologia que distribui o custo do consumo apenas entre os usuários. De acordo com o diretor-geral da incorporadora, Luciano Amaral, a divisão será feita por meio de cartões distribuídos para cada morador. Ao passar o cartão por um dispositivo, a energia é liberada e o custo é debitado na taxa de condomínio daquele usuário.

Dos oito empreendimentos lançados neste ano pela Benx, dois são de alto padrão e possuem tomadas para carros híbridos e elétricos. O Simmetria, em construção no Campo Belo, zona sul, terá uma vaga desse tipo para uso comum de todos os moradores. Já no The Frame, que será lançado em novembro, a projeção é que das quatro vagas para cada apartamento, uma tenha tomada

Fonte: https://economia.estadao.com.br/

Julliana Martins