Como a queda da inflação e dos juros no Brasil abriu espaço para o mercado imobiliário

Impactos vão desde o financiamento, para a aquisição de novas unidades, até o retorno do investimento, com o aluguel

 

Em tempos nos quais o país enfrenta a menor taxa de juros de sua história, alguns setores econômicos acabam tendo maior ou menor estímulo. Cada vez menos atrativos, os investimentos de renda fixa têm perdido rendimento nos últimos anos, acirrando a disputa por produtos do mercado financeiro que garantam maiores retornos.

Entre as opções disponíveis está o mercado imobiliário. O setor tem sido diretamente afetado pela queda da taxa de juros e da inflação, com impactos que vão do financiamento para a aquisição de novas unidades até o retorno com o aluguel. A taxa de juros média de 0,38% ao mês, observada na locação residencial, já supera tanto o CDI quanto os juros pagos pelo Tesouro Direto de médio prazo, como o IPCA+.

Outro setor que tem sido diretamente impactado pelos cortes na taxa de juros é o mercado de crédito imobiliário. Com as mudanças na economia, os pedidos de portabilidade junto às instituições financeiras disparou. Segundo dados do Banco Central, de janeiro a novembro do ano passado, a movimentação em transferências de dívida imobiliária  entre bancos somou R$ 1,46 bilhão, aumento de 175,43% ante o mesmo período do ano anterior.

De acordo com especialistas, os juros mais baixos têm permitido reduzir o custo das parcelas de financiamentos mais antigos, contraídos quando a taxa Selic encontrava-se acima de 10% ao ano. A transação é permitida pelo Banco Central justamente como uma forma de garantir a competitividade no mercado de crédito do país, o que tem surtido efeito, já que a agressividade dos bancos para captar novos clientes também tem sido apontada como agente catalisador do aumento nos pedidos de portabilidade.

Financiamento

Se as condições são favoráveis para renegociar dívidas, o mesmo vale para a contratação de novos financiamentos. De acordo com a Pesquisa do Mercado Imobiliário do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), entre dezembro de 2018 e novembro de 2019, foram vendidos 44,1 mil imóveis em São Paulo, um recorde para o período.

Só em novembro, foram 5 mil unidades vendidas, o que representou um valor de R$ 2,9 bilhões — avanço de 29,4% ante igual mês de 2018 e o segundo melhor resultado de 2019. Do lado da oferta, contudo, foram lançadas 8,1 mil novas unidades no mesmo período, segundo informações da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

Avaliação pessoal

Antes de investir em imóveis, contudo, é preciso avaliar se a opção se encaixa ou não no seu perfil, além de riscos e custos envolvidos que passam despercebidos na hora da aquisição. É o caso do Imposto de Renda, que incide sobre ganhos com aluguéis.

Outro risco é a possibilidade de o imóvel ficar vago por muito tempo. Nesses casos, os encargos tributários e de condomínio passam a ser de responsabilidade do proprietário, o que pode corroer ganhos. Uma saída é avaliar a taxa de vacância na região e no perfil de imóvel no qual se pretende investir, para, assim, evitar ficar muito tempo sem receber o tão esperado aluguel.

Um conselho dado por consultores financeiros tem sido o de optar por fundos imobiliários que investem no ramo de aluguéis. Nesses casos, os ganhos e dividendos são isentos de Imposto de Renda, além de apresentarem risco de inadimplência mais diluído. Além do investidor ter retorno mais garantido do que alugando imóveis por conta própria, pode lidar com um investimento inicial bem menor do que o necessário para adquirir uma casa ou apartamento sozinho.

Fonte: https://www.horabrasil.com.br/