Arquitetura sustentável e meios de transportes limpos interferem na saúde e economia

É hora de mudar o jeito de pensar a arquitetura de nossas casas e os meios de locomoção. De acordo com o Sistema Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, melhorar a instalação dos aparelhos em casa, optando por versões sustentáveis, e encorajar as pessoas a trocarem os carros por biclicletas ou caminhadas economizaria 3,7 bilhões de libras por ano, cerca de 20,8 bilhões de reais.

Isso porque reduzir a energia demandada pelo transporte, pelas construções e pela fabricação de artigos para casa reduziria, significamente, problemas de saúde relacionados à poluição, como pneumonia e até mortes precoces. E estas mudanças interferem na nossa rotina corriqueira e até na arquitetura das casas, uma vez que o órgão sugere mudanças como o uso da eletricidade solar e opção por meios de transporte não poluentes.

Dentre as intervenções, a mais impactante é a troca dos carros por bicicletas e caminhadas. No Reino Unido, o uso de veículos corresponde à atividade com maior emissão de gases poluentes. Apesar disso, o NHS não sugere o abandono dos carros por completo, mas uma redução de apenas 1,7% das viagens, o que poderia economizar 2,5 bilhões de libras, ou cerca de 13,7 bilhões de reais, na área da saúde, uma vez que resultaria em menos casos de diabetes e doenças cardiovasculares. Ainda mais, o órgão estima que cerca de 65 mil mortes precoces seriam evitadas com a ação, devido à melhor qualidade do ar

Partindo para a construção civil, o corte nas emissões de carbono deveria ser de 35 milhões de toneladas até 2032. Porém, se não forem feitas novas políticas, essa redução não passará de 5 milhões de toneladas. Isso porque a construção de casas autossuficientes em energia e climatização economizaria 1,2 bilhão de libras por ano ou 6,7 bilhões de reais. Aqui, entra em pauta a importância da arquitetura sustentável, com aplicações para reaproveitamento da água, uso de energia solar e até separação e reciclagem do lixo.

Se, ao todo, a população britânica investisse 1 bilhão de libras por ano até 2035 em casas sustentáveis, as contas domésticas, geralmente mensais, seriam reduzidas em 270 libras por lar, ou quase 1.500 reais. Ainda mais, a mudança preveniria 10 mil mortes precoces por ano. 

O estudo foi baseado em uma pesquisa do Centre for Research into Energy Demand Solutions, realizada por acadêmicos de 15 universidades britânicas. Os resultados foram reportados pelo grupo Green Alliance.

No Brasil
Não temos pesquisas tão precisas ou projetos de redução dos impactos nas reduções de carbono como o do NHS. Porém, em 2017, um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) apontou que os carros representavam 72,6% da emissão de gases efeito estufa apenas no estado de São Paulo. Mais regionalmente, na região de Sorocaba, uma pesquisa de 2019 do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) afirma que, se todos os habitantes da cidade deixassem de sair de carro em apenas um dia, 820 toneladas de CO2 seriam poupadas de irem para atmosfera. 

Já na construção civil, segundo uma pesquisa publicada na Revista da Universidade Vale do Rio Verde em 2018, a cada metro quadrado de obra, 82,56 quilos de CO2 são liberados. O estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Maringá ainda sugere que é importante para reduzir as emissões “o uso de divisórias internas de gesso acartonado e grande quantidade de painéis de Structural Glazing (envidraçamento estrutural com pouca ou nenhuma estrutura de aço ou alumínio), em substituição à alvenaria tradicional, comprovando a importância da elaboração de projetos que primem pela sustentabilidade econômica e ambiental”.

Fonte: https://revistacasaejardim.globo.com/