A construção civil e o investimento coletivo

Indicadores têm queda, mas sinalizam melhora no cenário neste início de ano
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Eduarda Fabris*

Diante do estrago causado pela coronavírus na economia, o Banco Central, na busca por algum nível de atividade, segue reduzindo a taxa de juros. A construção civil, setor que mais se beneficiou com os cortes sucessivos da Selic antes da crise, conta com outros incentivos, como a redução das taxas dos empréstimos habitacionais da Caixa Econômica Federal.

Isso deverá, mesmo que em menor ritmo, manter a retomada do setor, garantindo empregos e o giro de vários segmentos a ele ligados.

Para tanto, a construção civil demanda financiamento. Enquanto bancos se tornam mais seletivos, outras fontes de capitalização passam a ser evitadas pelos investidores. Ações representam muito mais risco neste momento e fundos imobiliários, depois de forte valorização em 2019, acumulam perdas bilionárias no ano. Há, porém, novas alternativas que representam menor custo para empresas e oportunidade de rentabilidade atraente para quem aplica diretamente na economia real.

Foi em um momento de caos econômico que o investimento coletivo chegou à construção civil. As primeiras operações de crowdfunding imobiliário nos Estados Unidos ocorreram por volta de 2013, quando se buscava, via reunião de pequenos investidores, criar uma nova fonte de recursos que possibilitasse ao setor se recuperar da crise do Subprime.

Três anos depois, resultaram na captação de US$ 800 milhões, cifra que, conforme as últimas estimativas, deve chegar a US$ 300 bilhões em 2025 só naquele país.

A modalidade teve sua primeira operação no país em 2015 e, de lá para cá, cresce sólida e significativamente. Apenas a Urbe.me, principal plataforma do segmento, já captou mais de R$ 56 milhões para mais de 30 empreendimentos.

Particularmente em momentos de instabilidade econômica, o crowdfunding é uma importante fonte de recursos para a construção civil. Atividades como incorporação, documentação e os primeiros estágios da obra, que não são contemplados pelos financiamentos bancários ao setor, dependiam, tradicionalmente, ou de caixa próprio ou de um investidor qualificado, que, via aporte de alguns milhões, tornava-se sócio do empreendimento. Via crowdfunding imobiliário, as empresas obtêm esse capital reunindo de dezenas a centenas de pessoas que, com aplicações que partem de R$ 1 mil, levantam somas que chegam a R$ 3 milhões.

Embora o lastro em imóveis transmita segurança, o crowdfunding imobiliário ainda é mais procurado por investidores com perfil arrojado, em geral, familiarizados com o mercado acionário ou mesmo fundos de investimento. A diferença no crowdfunding é que, a partir das descrições dos empreendimentos nas plataformas, dentre as quais figuram prazos e projeções de rentabilidade, pode-se escolher os empreendimentos em que se irá aplicar. Desta forma, pode-se definir a composição de seu próprio fundo imobiliário. Em geral, as aplicações, que são resgatadas no final das obras, têm gerado retornos de 15% ao ano.

É de se esperar que a construção civil, particularmente por ser o maior gerador de empregos do País, receba novos incentivos oficiais. Independente disso, há um déficit habitacional na ordem dos 7,8 milhões de moradias, que mantém elevada a demanda por novas unidades. O crescimento do setor em 2019 – 5,4%, conforme a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança – segue-se a cinco anos ininterruptos de queda.

Há, portanto, muito espaço para o setor continuar crescendo. Ao investidor, isso representa a oportunidade de obter bons rendimentos a partir de aportes pequenos que ajudarão o país a atravessar esta crise.

Fonte: https://diariodocomercio.com.br/

* Diretora-executiva da Urbe.me