Vale a pena comprar um imóvel durante a pandemia?

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O preço médio dos imóveis residenciais subiu 0,23% em maio, na comparação com o mês anterior, segundo o índice FipeZap – que acompanha a variação em 50 cidades do país. Os descontos na compra de imóveis também estão estáveis, então não acredite no senso comum: comprar a casa própria não está mais fácil durante a pandemia do novo coronavírus.

Para Luiz França, presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), não há uma queda de preços pois o custo de construção não deixa muita margem na venda dos incorporadores. Outro ponto é que existe uma demanda reprimida e um déficit habitacional grande, principalmente na baixa renda, que mantém as vendas. 

“Temos dois mercados distintos. No de baixa renda, a demanda é tão grande que, mesmo com parte da população sem salário, só 20% deles consegue manter aquecido o mercado. Na outra ponta, as vendas de imóveis para média e alta renda estão enfraquecidas”, conta. No segundo tipo de imóvel, não há padronização nas plantas, as pessoas querem visitar e também podem esperar um pouco para comprar porque normalmente já têm um local agradável para morar. 

Os preços vão baixar?

O segmento de média e alta renda pode encontrar bons descontos se a quarentena continuar, diz o professor de finanças do Insper, Ricardo Rocha. “É mais provável que aconteça em imóveis usados, onde os vendedores podem estar com a saúde financeira apertada diante da crise”. Neste caso, vale a pena esperar um pouco mais para comprar o imóvel, principalmente se o interessado tiver dinheiro à vista. 

Para casas e apartamento novos, barganhas devem acontecer, como ocorreram na crise de 2016 e 2017. “Uma incorporadora não consegue sobreviver se der desconto em todas as unidades de um edifício, mas quem tiver dinheiro agora poderá fazer uma proposta e se surpreender”, afirma França. 

Crise nas incorporadoras

As incorporadoras passam por um período de incerteza e de escassez de dinheiro em caixa. Somente na cidade de São Paulo, os empreendimentos que deixaram de ser lançados desde 15 de março somam R$ 3,8 bilhões, segundo dados do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). 

“Os meses de abril, maio e junho com certeza derrubarão todas as expectativas positivas que o setor tinha. Pode surgir daí oportunidade para quem quer comprar”, diz Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, ao concordar com o colega que representa as incorporadoras. 

Se a ideia é financiar, o momento também não precisa ser desperdiçado. Com a Selic nos níveis atuais, os bancos têm oferecido taxas de financiamento abaixo de 8% ao ano em média, o que nunca ocorreu. “É importante aqui que o consumidor tenha segurança do seu fluxo de renda, manutenção do seu emprego, por exemplo”, afirma Cristiane Portella, presidente da Abecip — entidade que representa os bancos e empresas de crédito imobiliário e poupança .

Ela explica que a captação líquida das cadernetas de poupança atingiu R$ 30 bilhões em maio, estabelecendo novo recorde mensal na série histórica iniciada em julho de 1994, o que garante recurso para os bancos fazerem empréstimos os deixa mais flexíveis. 

Por fim, o professor Rocha lembra que o interessado no imóvel, porém, não deve comprometer mais de 20% da sua renda com a prestação do bem. “De outra forma, poderá não conseguir pagar.” 

Fonte: https://br.financas.yahoo.com/